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Exercício de anatomia vegetal, atividade avaliativa
Tipologia: Exercícios
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Meristemas Introdução
Em consequência das divisões celulares, o meristema é um tecido com células jovens. Isto significa que elas geralmente são pequenas, com parede celular exclusivamente primária e delgada, que é atravessada por campos primários de pontuação , os quais comunicam uma célula com a outra. As células meristemáticas aumentam pouco de volume, pois logo se dividem; consequentemente elas têm poucas faces, geralmente oito, ou seja, são cúbicas. A falta de expansão celular também resulta em compactação do tecido, pois os espaços intercelulares não se formam ou são muitíssimo reduzidos. Os meristemas possuem poucas organelas. Os proplastídeos ainda não se diferenciaram nem em cloroplastos, nem em amiloplastos, portanto as células meristemáticas não têm estas organelas. Os vacúolos geralmente são pequenos e escassos. Devido a intensa biossíntese, o citoplasma das células meristemáticas é rico em aminoácidos e ácidos nucléicos, apresentando-se mais ácido do que básico. A isto junta-se a pouca vacuolação, resultando em citoplasma muito denso e granuloso. A safranina é um corante vermelho e acidófilo (= afinidade por ácidos), usado para evidenciar tecidos meristemáticos, pois facilmente cora o citoplasma denso de células meristemáticas. Quanto mais vermelho, mais denso é o citoplasma da célula corada; quanto mais claro, significa que ele possui muitos vacúolos (pouco denso), sendo célula que já iniciou a diferenciação ou está totalmente diferenciada (tecido permanente). Como são células jovens, com citoplasma denso e pouco volumoso, aparentam ter o núcleo maior que outros tecidos. Esta primeira impressão também é corroborada pela intensa atividade do núcleo, que o torna com mais afinidade por corantes do que em outras células. Não obstante, o núcleo não tem variações significativas de tamanho a não ser em células poliploides. Entretanto, resta qualificar que, devido ao citoplasma reduzido, a relação de tamanho núcleo/citoplasma é maior do que em células doutros tecidos. Com base nas características acima, identifique as figuras com meristemas dentre as que se seguem. Figura 1. Diferentes tecidos vegetais. Anote: meristema ou não.
uma função específica, como fotossintetizar, armazenar substâncias ou revestir o corpo da planta, por exemplo. O meristema se diferencia em tecidos permanentes, que são epiderme, parênquimas, colênquimas, esclerênquima, xilema e floema. Durante a diferenciação, as células derivadas podem espessar a parede celular primária, ou depositar a parede secundária, ou formar organelas específicas, tudo conforme a função que desempenharão no corpo do vegetal, passando a constituir um determinado tecido permanente. A diferenciação só é possível porque as células meristemáticas são totipotentes, isto é, têm plena capacidade de se dividirem e se diferenciarem. A totipotência está presente em maior ou menor grau nas células vivas, sendo perdida totalmente com a morte celular das células esclerenquimáticas e dos elementos condutores do xilema, ou com a ausência de núcleo, como ocorre nas células condutoras do floema. As células sem totipotência são ditas especializadas, porque não podem executar mais nenhuma outra função senão aquela para a qual sofreram processo de diferenciação. A especialização é o ápice da diferenciação, sendo processo irreversível. É importante situar que a diferenciação é um processo contínuo e, portanto, a distinção entre meristemas e tecidos permanentes pode ser controversa. É perfeitamente cabível ficar em dúvida se uma determinada célula é de protoderme ou se já constitui epiderme, por exemplo, mas os extremos não se confundem. Assim, a distinção entre tecidos permanentes e meristemáticos é útil do ponto de vista didático, facilitando a interpretação da estrutura da planta, mesmo que não haja um divisor abrupto entre estes dois extremos. Aliás, a continuidade é um fenômeno comum na natureza, e as categorias criadas pelos humanos têm a finalidade de auxiliar no entendimento do mundo em que vive. A diferenciação pode ocorrer em todas as células meristemáticas, consumindo todo o meristema. Isto ocorre nas folhas, que, quando maduras, tiveram todo seu meristema diferenciado em tecidos permanentes, inclusive o procâmbio. Elas apresentam crescimento determinado, isto é, finito. Já no caule e na raiz, só as derivadas meristemáticas se diferenciam. Neste caso, o meristema se autoperpetua, mantendo células iniciais sem diferenciação, o que permite o crescimento indeterminado , ou seja, em geral caules e raízes não cessam seu crescimento. 3.2. Meristemas primários Assim como outros tecidos, os meristemas podem ser primários ou secundários (veja acima, crescimento e tecidos primários e secundários). Os meristemas primários são os do embrião e os que derivam diretamente do embrião: promeristema, protoderme, meristema fundamental e procâmbio. Cada meristema primário tem suas peculiaridades e, através da diferenciação, forma determinados tecidos permanentes.
formando a camada meristemática mais externa, exceto na raiz, onde pode ficar abaixo da coifa;
produzido pelo câmbio vascular. O outro meristema secundário é o felogênio. As derivadas do felogênio produzidas para dentro do órgão permanecem vivas, formando o tecido permanente denominado feloderme. As derivadas produzidas para fora sofrem deposição de suberina em suas paredes celulares e morrem, formando o felema, tecido também conhecido como súber ou cortiça. O felema é usado comercialmente para produção de folhas de cortiça e rolhas de garrafa. Os meristemas secundários também são conhecidos como laterais, porque promovem o crescimento lateral (largura) e serão mais detalhados em caule e raiz em crescimento secundário. 3.4. Origem dos meristemas Como os meristemas originam a si próprios e aos tecidos permanentes, resta a pergunta: de onde vem o primeiro meristema? A origem primária dos meristemas é o embrião da semente. Ele é um esporófito (planta diploide) em miniatura, que se formou a partir de divisões mitóticas do zigoto, oriundo por sua vez da fecundação do núcleo reprodutivo do grão-de-pólen com a oosfera do óvulo, no interior do ovário da flor. O embrião em geral é totalmente constituído por tecidos meristemáticos , que permanecem inativos até que a semente sofre embebição e germina. A partir daí, os meristemas se nutrem das reservas da semente, dividem-se, mantendo-se a si próprios e gerando derivadas que se diferenciam em novos tecidos. Isto será mais analisado em anatomia da flor, fruto e semente. 3.5. Teorias sobre o crescimento vegetal Para entender como ocorre a organização do crescimento vegetal, é preciso saber que há dois tipos de divisão celular, conforme o plano com que se forma a nova parede celular. A divisão anticlinal é aquela em que a célula se divide de forma que a nova parede celular é perpendicular à superfície do corpo, enquanto na periclinal é paralela. Anticlinal e periclinal não são sinônimos de vertical e horizontal. Por exemplo, se uma divisão ocorre na ponta da raiz, não interessa se ela está deitada ou em pé, se a célula é bem da ponta ou na lateral, pois se a divisão é perpendicular à superfície da raiz, então é uma divisão anticlinal. O mesmo ocorre com a divisão periclinal. Duas teorias são importantes para entender como ocorre a organização do crescimento do vegetal: a da célula apical e a da túnica-corpo. A célula apical pode ser identificada como uma célula piramidal, situada no ápice do caule de pteridófitas, gimnospermas e algumas angiospermas, bem como em raízes. Se a célula apical divide-se anticlinalmente, forma células situadas lado a lado, aumentando predominantemente a superfície do órgão. Já a divisão periclinal da célula apical origina uma derivada que se situa no interior do órgão vegetal, aumentando seu volume. Figura 6. Esquema da ponta de uma raiz com célula apical mostrando os planos de divisão:
em vermelho, divisão anticlinal em azul, divisão periclinal A divisão anticlinal na célula apical resulta em duas células que aumentam a superfície, enquanto a divisão periclinal resulta em duas células, onde a mais interna aumenta o volume do órgão vegetal. Conforme as letras que indicam os tracejados na Figura 6, anote se a parede celular indicada é anticlinal ou periclinal. a. anticlinal b. periclinal c. anticlinal d. periclinal A teoria túnica-corpo foi proposta por Schmidt (1924) para interpreter o crescimento no meristema apical caulinar (MAC). Segundo esta teoria, a atividade meristemática pode ser interpretada como se o vegetal fosse formado por uma túnica que reveste o corpo (miolo). Aqui não há necessidade de célula apical. A túnica é formada por células que se dividem anticlinalmente, enquanto as células do corpo têm divisões anticlinais e periclinais. As divisões anticlinais geram células paralelas umas às outras, formando um revestimento que cresce em extensão – a túnica. Já o corpo cresce de volume, porque se forma através do acréscimo de células em diversos planos, ora por divisão anticlinal, ora periclinal. As duas teorias têm sua utilidade no entendimento do crescimento vegetal, onde a célula apical pode ser claramente identificada em várias espécies vegetais, estando ausente em outras; já a túnica corresponde à protoderme e o corpo seria formado pelo promeristema. Efetivamente, a protoderme em geral só tem divisões anticlinais, enquanto que o promeristema tem divisões anticlinais e periclinais , assim como o meristema fundamental. Já o procâmbio divide-se anticlinalmente, quando origina mais células procambiais que acompanharão o crescimento primário do órgão, mas também tem divisões periclinais, que originam as células derivadas, as quais se diferenciarão em xilema e floema. No meristema do coleus (acima), o formato alongado das células do procâmbio evidencia que estas células têm divisões predominantemente periclinais, a não ser quando este meristema vai crescendo rumo ao ápice, quando tem divisões anticlinais, formando-se a si próprio. Os meristemas promovem o aumento do número de células necessário para o crescimento do corpo da planta; entretanto o crescimento, entendido como aumento do tamanho de cada órgão, é muito mais o resultado da expansão (aumento de tamanho) celular. O aumento do número de células é essencial para que ocorra o crescimento, mas este não é o resultado imediato da atividade meristemática. Basta ver que os meristemas são pequenos, como se observa nas gemas. Examine as plantas de um jardim ou horta, identifique as gemas e procure associar suas características com aquelas aqui estudadas. Os meristemas originam os tecidos permanentes, temas das próximas aulas.