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AULA 08 - PRÍONS
Tipologia: Notas de aula
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HUBERTT LIMA VERDE DOS SANTOS – [email protected]
PRÍONS (Príon proteína ou PrP) PROFº: HUBERTT LIMA VERDE – [email protected]
01 – Características gerais: a) Etimologia prional:
Príon é uma palavra de origem inglesa, que significa: Proteinaceous infections particles. São proteínas neurais relacionadas ao caráter infeccioso ou não.
b) Descobridor:
Foi o neurologista norte – americano Stanley Prusiner. Os trabalhos de Prusiner iniciaram em 1972 e foram concluídos em 1996, ano em que recebeu prêmio nobel. Seus trabalhos foram desenvolvidos na Universidade da Califórnia (EUA).
02 – Classificações: a) Critério de classificação:
O critério de classificação dos príons é baseado na configuração espacial da proteína e no seu grau de solubilidade. As proteínas basicamente podem assumir pelo menos quatro estruturas básicas: primária, secundária, terciária e quaternária. Os príons assumem estrutura primária ou secundária.
b) Tipo de príon:
Existem basicamente dois tipos de príons: o príon natural chamado de PrPC e o príon obscuro ou scrapie chamado de PrPSc. Essa classificação está ligada ao caráter infeccioso ou não da proteína, bem como sua configuração espacial.
c) Origem do príon: Príon natural ou PrPC: O PrPC é obtido a partir do código genético, pelo mecanismo natural de síntese protéica. O código genético envolve três fenômenos: replicação, transcrição e tradução.
ﺽ Replicação ou autoduplicação semiconservativa: DNA forma DNA no núcleo celular. ﺽ Transcrição: DNA forma RNA no núcleo celular, e este saem do núcleo ao citoplasma para ser lido pelo ribossomo. ﺽ Tradução: RNA é codificado em proteína no citoplasma celular. Príon obscuro ou PrPSc: Príon scrapie: é uma proteína formada casualmente de dois modos: mutação gênica do gene que forma o PrPC ou na desnaturação da proteína PrPC.
d) Estrutura bioquímica do príon: Príon natural: Apresenta uma estrutura molecular alfa, onde as pontes dissulfidicas formam uma configuração em hélice ou alfa – hélice (que é uma estrutura protéica conhecida como secundária).
Príon scrapie: Apresenta uma estrutura molecular beta ou beta – linear (que é uma estrutura protéica conhecida como primária).
e) Neoconversão do príon PrP: É o mecanismo de conversão do príon natural em príon alterado, normalmente por iatrogenia (mecanismo provocado). O PrPSC quebra as pontes dissulfídicas convertendo a estrutura secundária (normal) em primária desnaturada (alterada), provocando um efeito cascata praticamente irreversível. Essa iatrogenia nem sempre é consciente e está ligada a mecanismos como: medicamentos às vezes alterados, transfusões sangüíneas, transplantes, hábitos alimentares (canibalismo), carne de animais não vacinados etc.
HUBERTT LIMA VERDE DOS SANTOS – [email protected] 03 – Atividades:
a) Gerais: ﺽ Os príons são proteínas reguladoras. ﺽ Elas convivem naturalmente na estrutura celular neural. ﺽ Controlam atividades neuronais como: sono (vigília), equilíbrio corporal e raciocínio.
As proteínas PrPC (príons naturais) ficam concentradas ao nível de citoplasma neuronal realizando o controle das atividades neurais, principalmente a regulação do fluxo nervoso.
b) Patológicas: Os príons naturalmente não apresentam atividade patológica aos indivíduos. O fenômeno patológico só acontece quando ocorre uma alteração na configuração molecular ou uma mutação no gene do príon natural.
As proteínas PrPSc (príons alterados) realizam conversão do PrPC (príon natural) por um fenômeno enzimático conhecido como autocatálise, através da quebra das pontes dissulfidicas.
04 – Alterações dos príons: Principais alterações: Existem muitas pesquisas em relação ao PrPSc, porém, já foram comprovados cientificamente as seguintes doenças relacionadas às essas proteínas: Scrapie (encefalopatia caprina), BSE (encefalopatia espongiforme bovina), Kuru, Creutzfeldt – Jakob, Síndrome de Gerstrm – Straussler, Patologias degenerativas cerebrais (Parkinson e Alzheimer).
a) Scrapie:
É uma doença muito comum em ovelhas e cabras; inicialmente o animal começa a babar muito, gemer fortemente, depois perde a coordenação motora, tendo incapacidade de se manter em pé por muito tempo; começa a sentir muita coceira pelo corpo e realiza como defesa a autotosquia (remoção de sua lã com a própria boca), vindo a óbito mais tarde.
b) BSE: É uma doença muito conhecida e bastante divulgada nos meios de comunicação. É vulgarmente conhecida como doença da vaca louca termo impróprio, pois o animal não vem a óbito por loucura, mas sim por dissolução encefálica. O comportamento é oriundo da imensa dor sentida pelo animal, que chega ser bem mais forte que a sintomatologia de meningite. Os príons passaram a ficar em bastante evidência em 1988, quando o governo inglês percebeu a rápida disseminação da doença, pelo gado britânico que passava por um comportamento estranho e logo em seguida vinha a óbito. Naquele ano milhares de cabeça de gado foram abatidas e, o governo teve um grande prejuízo de ordem econômica, tudo por causa de uma medida tomada por muitos agricultores durante a alimentação desses animais. Os gados são animais de comportamento nutricional herbívoro e não carnívoro ou onívoro. Devido a problemas relacionados aos pastos em algumas regiões e também com a finalidade de melhoria com relação a postura e peso desses animais, foi substituído o tipo de alimentação. Esses animais passaram a se alimentar com uma ração rica em proteínas, porém, fabricada com carne e ossos de ovelhas mortas. Isso provocou uma iatrogenia protéica de substâncias não reconhecidas pelo organismo desse animal que reagiu formando príons alterados e destruindo encefalicamente esses animais. c) Kuru: Foi uma doença observada em habitantes de uma tribo na Nova Guiné (Polinésia). Esses indivíduos tinham um ritual antropofágico onde eles ingeriam o cérebro dos seus mortos, com a finalidade de solicitar proteção dos seus deuses para que fossem perdoados os pecados e aceita a alma dos seus entes queridos. Prática atualmente abolida.