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Um estudo sobre os impactos ambientais, econômicos e culturais da atividade de trekking, utilizando o centro dom bosco, em ouro preto, minas gerais, como caso de estudo. O documento aborda as teorias sobre os impactos do trekking, seguido por uma análise específica dos impactos no centro dom bosco. Além disso, o autor discute a importância de minimizar os impactos ambientais no turismo e a necessidade de integrar as comunidades locais.
Tipologia: Notas de estudo
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Monografia apresentada ao Curso de Turismo da Universidade Federal de Ouro Preto, como requisito à obtenção do título de Bacharel em Turismo. Orientador: Prof. Ms. Rodrigo Burkowski.
Dedico esta obra a todos que me incentivaram e contribuíram para sua realização, lembrando de meus avôs Antônio de Brito e Luiz Gonçalves.
O turismo e o trekking são atividades crescentes no Brasil. Neste estudo são discutidos os impactos da atividade de trekking, tendo como campo de análise uma prova realizada no distrito de Cachoeira do Campo,Ouro Preto, Minas Gerais. Para a produção deste trabalho, foram realizadas visitas in loco para mapear a trilha usada na competição (antes e depois), entrevista com o gerente do Centro Dom Bosco e entrevista com o organizador do evento. Além disso, foi feita uma pesquisa bibliográfica para fundamentar as análises. Com isso, evidenciou-se a influência do trekking, principalmente nos aspectos ambientais, econômicos, sociais e culturais. Dentre os resultados obtidos, destaca-se o baixo impacto negativo no meio ambiente e o potencial para geração de renda durante e depois da realização das provas.
Palavras-chaves: Turismo, trekking, impactos, Ouro Preto.
Tourism and trekking are expanding activities in Brazil. This research discusses the impacts of the trekking activity and its analysis‟ area is the competition happened at the district of Cachoeira do Campo, in Ouro Preto, Minas Gerais. At this survey, some visits “in loco” were made to map the track of the competition (before and after), also an interview with the manager of Centro Dom Bosco and an interview with the organizer of the competition. Moreover, a bibliographic research was done to support these analyses. Then, the trekking influence was evidenced, mainly in the environmental, economics, social and cultural aspects. Among the outcomes, the low negative impact to the environment and the potential to generate an income - during and after the tryouts - are highlighted points.
Key-words: Tourism, trekking, impacts, Ouro Preto.
No mundo contemporâneo é cada vez mais evidente a presença de práticas esportivas junto ao meio natural. O homem parece estar retornando, ou ao menos, buscando aproximar suas relações com a natureza. Para alcançar este fim, ferramentas como o turismo e a atividade esportiva do trekking vêm ganhando força frente a esta procura. No turismo, um segmento que vem se desenvolvendo e recebendo destaque é o turismo de aventura. Este é um segmento recente que proporciona o tão almejado contato com a natureza e com outras pessoas, potencializando os benefícios da atividade. Neste trabalho, parte-se do princípio de que o trekking é um elemento de aperfeiçoamento físico, mental e social. A vontade de pesquisar este tema surgiu de um desejo pessoal em retratar tal assunto, devido ao pesquisador ser praticante da atividade de trekking há cerca de quatro anos, estar engajado nas causas deste esporte, ter o interesse de tornar a atividade complemento em sua vida profissional e já ter participado de 18 competições em diferentes cidades em Minas Gerais. Mesmo após uma pesquisa sobre o tema específico do trabalho ter sido realizada, sentiu- se a necessidade de aprofundar tais conhecimentos, a respeito das atividades mencionadas, haja vista a carência de pesquisas nacionais especificamente voltadas a este trabalho. Desta maneira, tal carência foi encarada como um fator de incentivo e de busca da produção de conhecimentos mais coesos e que possam contribuir academicamente e profissionalmente com os que manifestarem interesse em compartilhar esta idéia. Sendo assim, este trabalho tem como objetivo maior investigar as relações entre impactos (sociais, econômicos, ambientais e culturais) e o trekking. Além deste, há outros ojetivos, tais como: mensurar financeiramente o lucro do trekking para um empreendimento turístico; analisar as interações entre os atletas e a comunidade receptora da competição; verificar a compactação do solo ocasionada pelo trekking; validar o trekking como uma ferramenta de incremento turístico; verificar a satisfação da realização da competição tanto para os que a recebem (Hotel Centro Dom Bosco), quanto para os organizadores (Circuito Iron Adventure de Trekking). Além desta gama de objetivos a serem „trilhados‟, outros serão apontados durante o trabalho. A hipótese inicial era a de que o trekking causa mínimo impacto ao meio ambiente e a de que tal atividade fomenta o turismo nas regiões em que ocorrem competições deste esporte. Para se alcançar os objetivos propostos, foram utilizadas certas técnicas durante a
produção deste trabalho. A pesquisa em sites , artigos, livros, monografias e dissertações que diretamente, ou indiretamente, pudessem auxiliar a produção deste trabalho, foi o primeiro passo dado. Assim, o procedimento da pesquisa bibliográfica foi utilizado. Para Dencker (1998, p. 125) a pesquisa bibliográfica é: desenvolvida a partir de material já elaborado: livros e artigos científicos. Embora existam pesquisas apenas bibliográficas, toda pesquisa requer uma fase preliminar de levantamento e revisão da literatura existente para elaboração conceitual e definição de marcos teóricos.
Após o arcabouço teórico ter sido absorvido, foi definido qual seria o enfoque da pesquisa a ser trabalhada. Como estudo de caso escolheu-se o Hotel Centro Dom Bosco, que receberia em um domingo, mais precisamente no dia 29 de março de 2009, uma competição de trekking. Parte- se, então, para um estudo de caso, que é definido de acordo com Dencker (1998, p.127) como: É o estudo profundo e exaustivo de determinados objetos ou situações. Permite o conhecimento em profundidade dos processos e relações sociais. (...) O estudo de caso pode envolver exame de registros, observação de ocorrência de fatos, entrevistas estruturadas e não-estruturadas ou qualquer outra técnica de pesquisa. O objeto do estudo de caso, por sua vez, pode ser um indivíduo, um grupo, uma organização, um conjunto de organizações ou até mesmo uma situação.
Previamente à esta competição, foi enviada ao gerente do Hotel Centro Dom Bosco uma carta (Apêndice A – pág. 76) solicitando a presença do pesquisador na localidade para realizar tal pesquisa. Em um mesmo momento, enviou-se outra solicitação direcionada ao proprietário e diretor de provas do Circuito Iron Adventure de Trekking (Apêndice B – pág. 77), requerendo que o pesquisador pudesse mapear a trilha da competição quinze dias antes da etapa e no dia da prova, analisando a situação das trilhas antes e após a prova. Juntamente à estas solicitações, existiam algumas questões produzidas pelo pesquisador para que os destinatários respondessem - não foi imposta a obrigação de resposta a nenhuma questão -, para que tais respostas servissem como dado real para complementação ao trabalho. Ambos atenderam prontamente, autorizando a pesquisa. Em relação às perguntas inseridas nas cartas, o pesquisador obteve respostas, mesmo que parciais, apenas do gerente do Centro Dom Bosco. O Circuito Iron Adventure de Trekking deixou de responder o que foi solicitado. Como ferramentas durante o mapeamento da trilha, ocorrido no dia 15 de março de 2009, o pesquisador utilizou alguns equipamentos, tais como: GPS - Global Positioning System - para a marcação de pontos na trilha onde ocorresse algum tipo de impacto ambiental; máquina
A freqüência é simplesmente o número da capacidade de ocorrência dos impactos, ou seja, quanto maior for a nota em alguns casos como nos itens 1, 2, 3 e 6 e sub-item 4.5, maior será a necessidade de realização de provas para se atingir tais impactos. Quando temos notas igual ao valor 1, os impactos ocorrem, em sua maioria, imediatamente durante a competição. O quesito área representa o espaço geográfico que os possíveis impactos podem atingir. Quanto maior for o valor dado, maior será a abrangência do impacto, tanto nas relações ambientais, como nas econômicas e sociais. A variável independente na tabela produzida pelo pesquisador possui uma interpretação negativa. Sempre que seu valor for superior à nota mínima, os impactos serão potencializados negativamente, afinal, esta não permite uma interferência humana para seu controle. Na busca de uma construção clara e objetiva, este trabalho será dividido em três capítulos. No primeiro, foi discutida qual a origem da atividade turística, quais são suas características, demonstrando o seu grau de importância para uma nação, utilizando como fonte pesquisas de algumas entidades nacionais. Mencionaram-se questões relacionadas aos impactos da atividade, assim como sua conceituação. Ainda neste capítulo, o esporte foi tratado pela perspectiva das atividades físicas de aventura na natureza, as quais podem proporcionar diferentes sensações a seus participantes, aguçando e aperfeiçoando os diversos sentidos individuais e coletivos. Já no último sub-item do primeiro capítulo, tornou-se eminente a busca por uma conceituação clara do significado do turismo de aventura, deixando exposta sua diferenciação perante o ecoturismo - segmento vastamente confundido com as atividades de turismo de aventura. Foram elencadas as diferentes modalidades plausíveis ao turismo de aventura, assim como suas peculiaridades. Por estar envolto em certos riscos, o quesito segurança - fator fundamental - foi lembrado para a realização destas atividades. Este primeiro capítulo ainda contemplou os efeitos, ou melhor, quais poderiam ser os possíveis resultados da existência efetiva do turismo de aventura em uma dada região. O capítulo seguinte tratou exclusivamente da atividade esportiva do trekking: a sua origem, quais são as tipologias do trekking hoje existentes no Brasil e quais são os procedimentos para se tornar um praticante, mostrando as diferentes funções existentes em uma equipe no universo do trekking. Demonstraram-se também as „ferramentas‟ utilizadas como meio de facilitar a prática da atividade, envolvendo as mais simples, até equipamentos de funcionalidade e
tecnologia superiores. Estudos referentes aos impactos exercidos pelo trekking no meio ambiente, no campo social, econômico e cultural foram traçados para uma discussão no último capítulo. No terceiro capítulo, foi caracterizado o distrito de Cachoeira do Campo, pertencente ao município de Ouro Preto, em especial o Hotel Centro Dom Bosco, local das pesquisas realizadas, dizendo um pouco a respeito de sua história, usos e características. Em uma tabela construída pelo pesquisador, foi possível observar de maneira conjunta os impactos causados pelo trekking, que foram confrontados com as informações obtidas nas pesquisas. Por ser um estudo pioneiro, a falta de referências limitou de alguma maneira esta produção, mas longe de deixá-la sem embasamento e validade, afinal, a soma de conhecimentos de diversas áreas formam o saber turístico. As questões relativas ao tempo para a pesquisa merecem também uma ressalva, afinal, outras tarefas estavam sendo desempenhadas pelo pesquisador, comprometendo parcialmente o aprofundamento nas pesquisas. Junto a estes fatores, a carência de recursos financeiros para viagens entre a residência do pesquisador e o local da pesquisa impediu outros estudos como um retorno ao local da competição para a averiguação da recuperação do ambiente sobre os impactos sofridos in loco. Estes são os fatores que limitaram, de certa maneira, o trabalho. Ao término, contribuições serão colocadas para que, em projetos futuros, as possíveis falhas que venham a surgir e os pontos positivos possam, respectivamente, serem mais estudados e amplificados.
Dedlik, 1981). Esta definição, por datar da década de 80, ainda é um pouco vaga, já que não abrange os motivos dos deslocamentos ditos, ou seja, não abrange se a viagem é à lazer ou à negócio, por exemplo, além de não especificar o que seria o deslocamento curto e o temporal, deixando uma conotação dupla que poderia incluir o turista e o visitante em um mesmo conceito. Apenas para elucidar, temos, para a Organização Mundial do Turismo (OMT), que os visitantes são aquelas pessoas que não permanecem mais de 24 horas em um dado local, ao contrário dos turistas, que devem pernoitar no local visitado para serem considerados como tal. Dando um salto cronológico para o ano de 1994, temos uma definição mais abrangente utilizada pelo órgão máximo do turismo mundial, a Organização Mundial do Turismo: “O turismo compreende as atividades que realizam as pessoas durante suas viagens e estadas em lugares diferentes ao seu entorno habitual, por um período consecutivo inferior a um ano, com finalidade de lazer, negócios e outras” (OMT, 2001). Este conceito apresenta uma evolução. A OMT inclui em sua definição o que seriam os possíveis motivos das viagens dos turistas, além de delimitar o tempo em que os turistas, estando no lugar visitado, podem ser considerados como tal. Além de conceitos, o turismo como atividade econômica abrange um extenso leque de fatores. Nesta atividade também temos as relações entre demanda e oferta, onde a demanda é considerada todas as pessoas que usufruem da atividade turística, abarcando os viajantes e os turistas. Esta demanda, ao longo do ano, sofre algumas alterações devido à sazonalidade inerente ao turismo. Cada empreendimento, cidade, vilarejo, praia ou qualquer outro atrativo turístico possui uma demanda efetiva, ou seja, pessoas que realmente freqüentam o local. Esta demanda vai variar de acordo com o meio, pois existe um tipo de segregação na atividade turística, proveniente de fatores culturais e econômicos. Desta maneira, uma localidade de difícil acesso é apenas visitada por aqueles de poder aquisitivo elevado, que possuem carros ou condições de se deslocarem até o dado local. Dependendo da sociedade onde o turista vive, este deve seguir alguns padrões, visitando um dado local culturalmente interessante por questões de status. Toda demanda é base para estudo no qual se diagnostica quem são, de fato, as pessoas que freqüentam uma dada localidade turística. As ofertas, que são os produtos e serviços fornecidos aos turistas, abarcam tudo aquilo que os mesmos possuem para usufruir na localidade visitada. Este aparato é, de maneira geral, compreendido pelos serviços prestados junto aos setores de alimentação, transporte, hospedagem, atividades recreacionais e hospitalidade, ou seja, a maneira como os turistas são recebidos,
atendidos e auxiliados. A oferta é inerente a cada ambiente, pois cada localidade possui / está em um nível de desenvolvimento turístico. Desta maneira, quanto mais experiência e profissionalismo na atividade turística, melhor será a oferta que estará disponível aos turistas. Em consonância com o crescimento do turismo mundial e nacional, a atividade turística vem ganhando muitos segmentos. Estes segmentos são divisões de mercado, que abarcam características e interesses específicos. No turismo, dentre sua extensa gama, temos: os segmentos que primam pela interpretação e compreensão cultural / patrimonial, pelo turismo de eventos, pelo turismo em ambientes naturais, pelo turismo esportivo, pelo turismo de aventura - que será estudado mais à frente neste trabalho -, pelo turismo religioso, pelo turismo de negócios e outros. Ademais, os segmentos do turismo também podem ser compreendidos como multifacetados (na academia, o Turismo é melhor compreendido com a contribuição de outras ciências, tais como a administração, a antropologia, a sociologia, a geografia, a história, etc). A atividade econômica do turismo abrange dezenas de setores da economia mundial e nacional. O turismo é grande fomentador do desenvolvimento destes setores, assim como ilustra o IBGE no gráfico abaixo, que avaliou a geração de riqueza de alguns setores entrelaçados ao turismo entre o período do ano 2000 até o ano de 2005.
Gráfico 1. Geração de riquezas nos setores ligados ao Turismo Fonte: IBGE – 2005 – Extraído de: www.ibge.br