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neurociencia 10-9
Tipologia: Notas de estudo
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Manaus – AM 2008
Dissertação apresentada ao Programa de Pós-Graduação em Educação e Ensino de Ciências na Amazônia da Universidade do Estado do Amazonas - UEA, como parte do requisito para a obtenção do título Mestre em Ensino de Ciências. Orientadora: Profª. Dra. Ierecê Barbosa Monteiro Manaus – AM 2008
Ficha Catalográfica, elaborada pela Bibliotecária Leila dos Santos de Jesus. CRB 489 11ª região - AM R467m 2008 REZENDE, Mara Regina Kossoski Felix. A Neurociência e o Ensino-Aprendizagem em Ciências: um diálogo necessário / Mara Regina Kossoski Felix Rezende – Manaus: UEA, 2008. 143 f.; il. 30 cm Orientadora: Prof ª. Dra. Ierecê Barbosa Monteiro. Dissertação (Mestrado em Ensino de Ciências na Amazônia) Universidade do Estado do Amazonas, 2008. l.Ciências - Ensino 2. Aprendizagem 3.Neurociências 4.Formação de Professores I. Título CDU 372.85: 612.
Dedico este trabalho à minha família, aos meus familiares e aos amigos de todas as horas. Aos professores e aos estudantes nos momentos de trocas, buscas e aprendizado nesse imenso mundo do saber.
Este estudo tem como foco um diálogo necessário entre a Neurociência e o processo ensino-aprendizagem, mas especificadamente o estudo do cérebro, envolvendo o Ensino de Ciências do oitavo ano do Ensino Fundamental, enquanto possibilidade de diálogos e desenvolvimento de uma prática mais reflexiva capaz de contextualizar os conteúdos cerebrais. Optou-se por uma pesquisa descritiva de cunho exploratório, essencialmente, qualitativa. Para a obtenção dos dados realizaram-se entrevistas, questionários e aplicabilidade de um kit que compõe a caixa neuropedagógica. A amostra constou de quinze professores de escolas particulares e estaduais que submetidos aos recursos oferecidos no kit neuropedagógico, potencializaram a capacidade de ver- aprender-reaprender e a possibilidade da construção do conhecimento a respeito do cérebro com recursos diferenciados. A esses questionamentos, procurou-se refletir sobre a atividade dos professores diante do processo de ensinar a ensinar, aprender a ensinar, segundo a perspectiva da Neurociência, nos conduzindo a novos campos de estudos e do conhecimento pedagógico. Ressaltou-se que esse percurso de pesquisa de teoria e prática determinou ao longo desta dissertação reflexão, amadurecimento de idéias, cumplicidade com a aplicação dos instrumentos que compõe o kit neuropedagógico e comprometimento na ação. Dessa forma, conclui-se que é possível a construção de uma prática pedagógica estruturada a partir de diálogos entre a Neurociência e o Ensino de Ciências, já que os assuntos trabalhados levaram à realidade do cotidiano dos estudantes em sala de aula Para tal, cruzaram-se os pensamentos de Almeida (1997), Valle e Capovilla (2004); Lent (2002); Zimmer (2004), Barbosa (2005, 2007); Olivier (2006); Restak (2006); Relvas (2005); Morin (2005); Steiner (1992,2000), Vygotsky (2001,2003), Ausubel (2003) e Wallon apud Caixeta ( 2007 ) que nos conduziram, na evolução de seus estudos, a uma forma mais prazerosa de se compreender o processo cerebral. Palavras-chave: Aprendizagem. Ensino de Ciências. Neurociência. Área de concentração: Formação de professores.
This study a necessary dialogue between the Neurociência and the process has as focus teach-learning, but especificadamente the study of the brain, involving Ensino de Ciências of the eighth year of Basic Ensino, while possibility of dialogues and development of reflexiva one practical capable to contextualizar the cerebral contents. It was opted to a descriptive research of exploratório matrix, essentially, qualitative. For the attainment of the data interviews, questionnaires and applicability of a kit had been become fullfilled that composes the neuropedagógica box. The sample consisted of fifteen professors of particular and state schools that submitted to the resources offered in the neuropedagógico kit, potencializaram the capacity see-to learn- reaprender and the possibility of the construction of the knowledge regarding the brain with differentiated resources. To these questionings, it was looked to reflect on the activity of the professors ahead of the process to teach to teach, to learn to teach, according to perspective of the Neurociência, in leading the new fields of studies and of the pedagogical knowledge. It was standed out that this passage of research of practical theory and determined throughout this dissertação reflection, matureness of ideas, complicity with the application of the instruments that composes the neuropedagógico kit and comprometimento in the action. Of this form, one concludes that the practical construction of one pedagogical one structuralized from dialogues between the Neurociência is possible and Ensino de Ciências, since the worked subjects had led to the reality of the daily one of the students in classroom For such, had crossed the thoughts of Almeida (1997), Valle and Capovilla (2004); Lent (2002); Zimmer (2004), Barbosa (2005, 2007); Olivier (2006); Restak (2006); Relvas (2005); Morin (2005); Steiner (1992,2000), Vygotsky (2001,2003), Ausubel (2003) and Wallon apud Caixeta (2007) that they had lead in them, in the evolution of its studies, to a more pleasant form of if understanding the cerebral process.
Vive-se um momento de muitas mudanças no panorama educacional. Experimentam-se no processo formativo educacional certos conceitos como construtivismo, sóciointeracionismo, psicogênese, ressignificacão da educação, legitimação do ensino e epistemologia, porém, em certas situações, as ações pedagógicas fogem desse contexto. Atualmente, a pluralidade de situações com que nos deparamos nas Instituições de Ensino evidencia a importância de ações coerentes com a diversidade de necessidades dos estudantes. O cenário do ensino brasileiro, na contemporaneidade, mostra outra realidade quando se volta o olhar ao ensino do corpo humano, na oitava série do Ensino Fundamental, em especial, ao cérebro. Os conteúdos são repassados mecanicamente, com pouca profundidade, dentro de visões restritas, estáveis, condicionadas a práticas escolares que se vale de repetições constantes, cansativas e sem criatividade. Portanto, conhecer os diferentes espaços cerebrais e a Neurociência como um “ todo ” é fundamental para compreender o processo de aprender e até mesmo, fazer relações com outros conteúdos e com o cotidiano das pessoas. Percebeu-se, ao longo da trajetória da pesquisa o quanto os fundamentos da Neurociência são ainda desconhecidos dos professores e distanciados da Educação. Tal percepção direcionou os estudos, abrindo novos caminhos, e aos poucos, passo-a-passo, foi-se construindo um texto capaz de orientar educadores na utilização do conhecimento das Neurociências e apresentar o estudo do cérebro como um dos elementos essenciais para a efetivação desse diálogo no processo de ensino-aprendizagem em Ciências. Tal preocupação, a construção de um texto esclarecedor, adveio da vontade de ajudar o educador a conhecer de forma mais dinâmica o funcionamento do cérebro e o avanço da Neurociência no século XXI, e a partir daí, fazer as mudanças necessárias, como uma possibilidade de evolução e crescimento. Logo, analisar e compreender a dimensão do cérebro e da Neurociência são elementos fundamentais e norteadores ao processo de ensino-aprendizagem em Ciências, visando contribuir e ressignificar a
Diante dessa nova abordagem, a de legitimar a diversidade de conhecimento que o cérebro pode nos proporcionar surge, na evolução histórica do homem, em numerosos países, uma nova perspectiva na concepção da educação das pessoas, ou seja, um amplo campo de investigações possíveis na área da aprendizagem, considerando o impacto histórico que as descobertas sobre o cérebro acarretam à sociedade. Entende-se que, adequar o conhecimento cerebral ao Ensino de Ciências implica inserir os estudantes numa cultura que, inicialmente, não lhe pertence e dar condições para que eles se apropriem dela e a relacione com outras dimensões de sua cultura e com a realidade concreta da vida, em suas múltiplas dimensões: o cérebro, a maior delas. Tanto as crianças como os nossos jovens precisam entender que ao aprender Ciências percorrem uma história de transformações científicas e como seres históricos fazem suas próprias histórias. Basta percebê-las e encaixá-las em seu dia-a-a-dia. Daí, o desafio da Neurociência em explicar o comportamento das pessoas quer no campo cognitivo, da psiquiatria, da psicologia, da medicina e da educação, uma vez que nossa sociedade encontra-se cada vez mais marcada pela heterogeneidade de culturas e saberes. Percebe-se, deste modo, que a aprendizagem não é uma simples assimilação de conteúdos e apreender o seu processo tornaram-se um desafio para os educadores. Sabe-se, ainda, que o Ensino de Ciências coloca estudantes e professores, já há bastante tempo, diante de inovações e questões cada vez mais diversificadas. Dentre as novas tendências da pesquisa em Ensino de Ciências, encontramos, inicialmente, àquelas voltadas para o entendimento cerebral que se dá através de uma formação contínua reflexiva, dialogada e compartilhada entre discentes e educadores e, um percurso em suas histórias, cruzando culturas, conhecimentos diversos, sentimentos, ações e transformações. O Ensino de Ciências em sua totalidade traz informações preciosas e revela importantes caminhos para o conhecimento do sistema funcional complexo que é o cérebro. Além disso, provoca práticas dinâmicas, estruturadas a partir de uma ação motora e perceptiva, que dá origem à cognição.
Com o amadurecimento dos questionamentos começou-se a construir o entendimento de que as dimensões humanas precisam desenvolver concepções, visões, descobertas, ações e reflexões, capazes de detectar implicações, interdependências e complexidades, não do ponto de vista cartesiano ou da simplificação, mas de forma dialógica capaz de evidenciar as articulações, as implicações, as interdependências e as complexidades do conhecimento. Assim, a educação nunca se esgota, mas, busca num novo paradigma caminhos de transformações, de reflexibilidade, de ressignificação do eu e do outro, de novos rumos e de dimensões humanas, integrando perspectivas nas habilidades lógico-racional-cognitiva. Nesse sentido, pode-se repensar a educação das novas gerações, legitimando ao educador ações mais significativas, autônomas e eficientes já que, o mesmo, atua nas transformações neurobiológicas que produzem aprendizagem, mas desconhece como o cérebro funciona. Atualmente, no Brasil, a educação ainda não faz uso do conhecimento disponível sobre o funcionamento do sistema nervoso para orientação de sua prática. Por isso, pretende-se orientar educadores na utilização do conhecimento das Neurociências no ensino, visando desenvolvimento de práticas promotoras da aprendizagem, pois, todos os processos biológicos pelos quais os seres humanos se movem, pensam, percebem, aprendem, lembram, etc., são reflexões das funções cerebrais. Daí, a pluralidade de situações com que nos deparamos nas Instituições de Ensino demonstra a elevada complexidade em um currículo coerente com a diversidade de necessidades dos estudantes. Pensando nessa complexidade, nas questões inovadoras, nos recursos oferecidos e na prática dos professores buscaram-se alguns critérios importantes para assegurar essa diversidade no ambiente escolar. Um desses critérios baseou-se na própria evolução que a globalização oferece ao universo de conhecimentos, já que diariamente, nossos estudantes comparam filmes e reportagens que surgem na televisão e nos jornais com as repetitivas lições de escola (DOWBOR, 2001, p.12). Isto potencializa o despertar de interesses do estudante em aprender de forma intensa, porém, dentro das inovações que a própria globalização oferece. Partindo destas primícias e de repensar a dinâmica do conhecimento no seu
em Ciências, fazendo uma abordagem em cinco dimensões: a primeira trata de uma fundamentação para mostrar a dimensão da Neurociência, fazendo um percurso da sua história e do estudo do cérebro; a segunda refere-se a uma nova fase do cérebro, ou seja, à nova era cerebral numa perspectiva da neurociência; a terceira, dentro da formação de conceitos, associa elementos fundamentais do cérebro e suas conexões com o Ensino de Ciências; a quarta abrange algumas aproximações teóricas de Steiner (1992, 2000), Morin (2005), Ausubel (1980, 2003), Wallon apud Relvas (2005) e Vygotsky (2001, 2003) com o pensamento, necessárias ao entendimento e à abrangência da Neurociência; a quinta refere-se ao papel do professor de Ciências frente à Neurociência. Em seguida, no segundo capítulo foi explorada a temática. No terceiro capítulo foram registrados os percursos metodológicos empregados para efetivar o estudo, de modo a possibilitar a compreensão dos caminhos da pesquisa. No quarto nos deparamos com a análise dos resultados. A seguir, temos as considerações finais.
Atualmente a Neurociência é uma das áreas que mais avançou, em termos de indagação e investigação, nos últimos tempos. Quando pensamos no tema, a primeira impressão que temos é de algo difícil, incompreensível, afinal falar a respeito do cérebro parece coisa do outro mundo ou, assunto específico para médicos. Entretanto, ao buscarem-se elementos que fizesse um diálogo com a Neurociência e o Ensino-aprendizagem em Ciências, percebeu-se que isso é possível e que o ambiente escoar é propício para esse diálogo, afinal, grande parte dos saberes iniciou-se dentro da escola. Percebeu-se, ao longo do caminho, que a Neurociência lida com os mecanismos biológicos, as estruturas cerebrais, as doenças mentais, a cognição, o sistema nervoso, as emoções. Conhecer seus encantos requer desmistificar conceitos e linguagens e adentrar numa direção com desafios no universo do aprender. Conhecer o funcionamento cerebral é conhecer como o conhecimento humano vem a se organizar, e, portanto, torna-se tarefa respeitável ao redimensionamento do ser humano. 1.1 Uma breve trajetória do estudo sobre o cérebro Numa sociedade cada vez mais marcada pela heterogeneidade de culturas e saberes, pertence à Neurociência o desafio de explicar como as células cerebrais não só direciona o desempenho, como também são influenciadas pelo comportamento das pessoas e pelo meio ambiente, ou seja, busca novos olhares em contextos diversificados, registrados e assimilados em leituras especializadas. Pensando nessa possibilidade e, na dimensão histórica do conhecimento, levamos em conta não só os aspectos sociais, individuais, políticos, econômicos e coletivos do Ensino em Ciências, mas, o resgate de conceitos, linguagens, teorias e saberes ao longo da história do cérebro, a fim de que estudantes e professores possam