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Notas da Aula Resmat, Notas de aula de Resistência dos materiais

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Tipologia: Notas de aula

2019

Compartilhado em 23/09/2019

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Notas de Aula de Resistência dos Materiais
Centro Universitário Augusto Motta
Curso de Engenharia Civil
Prof. Marcos Martins
Conteúdo:
Esforço normal e Cisalhamento;
Flexão;
Torção;
Linha Elástica de Vigas;
Flambagem de Colunas.
Referências:
Timoshenko, S. P. e Gere, J. E.
Mecânica dos Sólidos, vol. 1 e 2
Livros Técnicos e Científicos
Rio de Janeiro, 1983
Hibbeler, R. C.
Resistência dos Materiais, 7ª edição
Pearson Prentice Hall
São Paulo, 2010
11/08/2019
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Notas de Aula de Resistência dos Materiais

Centro Universitário Augusto Motta

Curso de Engenharia Civil

Prof. Marcos Martins

[email protected]

Conteúdo:

Esforço normal e Cisalhamento;

Flexão;

Torção;

Linha Elástica de Vigas;

Flambagem de Colunas.

Referências:

Timoshenko, S. P. e Gere, J. E.

Mecânica dos Sólidos, vol. 1 e 2

Livros Técnicos e Científicos

Rio de Janeiro, 1983

Hibbeler, R. C.

Resistência dos Materiais, 7ª edição

Pearson Prentice Hall

São Paulo, 2010

Índice

    1. Tração, Compressão e Cisalhamento........................................................................
    • 1.1. Tensão e Deformação
    • 1.2. Relação Tensão-Deformação
      • 1.2.1. Relação de Poisson.
    • 1.3. Lei de Hooke e Energia de Deformação................................................................
      • 1.3.1. Energia de Deformação Axial
    • 1.4. Tensões e Deformações Cisalhantes....................................................................
    1. Flexão
    • 2.1. Flexão Pura
    • 2.2. Flexão Simples
    • 2.3. Flexão Composta
      • 2.3.1. Flexão Composta Normal
      • 2.3.2. Carga Axial Excêntrica................................................................................
      • 2.3.3. Flexão Composta Oblíqua
      • 2.3.4. Núcleo Central de Seção Transversal
    1. Torção
    • 3.1. Torção de Barra Circular Maciça
    • 3.2. Torção de Barra Circular Vazada
    1. Equação Diferencial da Linha Elástica de Vigas....................................................
    1. Flambagem de Pilares (ou Colunas).
    • 5.1. Descrição do Fenômeno da Flambagem.
    • 5.2. Carga Crítica.
      • 5.2.1. Coluna Biapoiada com Carga Centrada.......................................................
      • 5.2.2. Carga Excêntrica..........................................................................................
    • 5.3. Comprimento Efetivo.
    • 5.4. Tensões em Pilares.

1. Tração, Compressão e Cisalhamento

1.1. Tensão e Deformação

Considere a barra prismática

2

da Figura 1(a) carregada em suas extremidades submetida a

alongamento uniforme ou tração. O diagrama de corpo livre do trecho à direita da seção mm

é apresentado na Figura 1(b).

Figura 1: Barra prismática sob tração.

De acordo com a Figura 1(b), o equilíbrio do corpo impõe que o valor da tensão   deva ser

igual em intensidade, contrário à força P e distribuído uniformemente ao longo da seção A,

ou seja:

A
P

Quando a barra é alongada, a tensão é de tração; caso contrário, o encurtamento implica na

tensão de compressão. A tensão  é uniforme ao longo de toda seção mm, o que ocorre

apenas se a força P agir sobre o centróide

3

da seção da extremidade, caracterizando a tração

simples; caso contrário, surge o efeito da flexão, e caracteriza-se um caso de flexão

2

Uma barra prismática tem seção constante ao longo do seu eixo reto.

3

Em relação às distribuições da geometria, massa e ação da gravidade de um corpo, têm-se os conceitos

associados de centróide, centro de massa e de gravidade, respectivamente. Quando as distribuições de massa

e gravidade são constantes, todos ocupam a mesma posição.

composta. A deformação

4

produzida na barra da Figura 1 – que no caso é um alongamento,

representado pelo símbolo  – é dada pela equação (2):

L

Fazem-se as seguintes observações a respeito das expressões (1) e (2):

 A distribuição de tensão uniforme ao longo da seção mm tem dimensão F/L

2

, ou seja,

força por área, cujas unidades podem ser: kgf/cm

2

, lb/pol

2

(psi), N/m

2

(Pascal) etc;

 A deformação é uma quantidade adimensional, mas para efeito prático, pode ser

considerada como tendo dimensão L/L, cujas unidades podem ser mm/m, por

exemplo, ou mesmo podem ser usadas as representações % ou ‰;

 Se a tensão for de tração, produz alongamento; caso contrário, a tensão de

compressão produz encurtamento.

1.2. Relação Tensão-Deformação

A relação tensão-deformação para um determinado material é determinada através do teste

de tração. Os valores medidos do carregamento e deslocamento são transformados em

valores de tensões e deformações, através das equações (1) e (2), e representados

graficamente conforme o diagrama exemplificado pela Figura 2, para um aço estrutural

típico.

Figura 2: Diagrama tensão-deformação para aço estrutural típico: (a) fora de escala; (b) em escala.

4

Também chamada de alongamento/encurtamento por unidade de comprimento, específico ou relativo.

admissível ou tensão de projeto, abaixo do limite de proporcionalidade

11

. Em geral, quando

se projeta em função da tensão admissível, uma das duas equações seguintes deve ser usada

no cálculo da tensão admissível,  

adm

1

n

e

adm

  ou

2

n

lim

adm

onde 

e

e 

lim

representam, respectivamente, a tensão no ponto de escoamento e a tensão

máxima do material, e n 1

e n 2

, os coeficientes de segurança.

1.2.1. Relação de Poisson.

A relação de Poisson descreve o efeito pelo qual uma barra aumenta seu comprimento

enquanto diminui sua seção transversal, quando submetida à tração. Esta relação pode ser

modelada através do coeficiente de Poisson, conforme a expressão (4):

t

onde  

t

é a deformação transversal e  é a deformação longitudinal. Em nosso estudo,

considera-se que as propriedades elásticas são iguais em todas as direções

12

. A Figura 3

apresenta um cubo de vértices abcdefgh e arestas unitárias submetido à tração longitudinal

sob tensão .

11

Há outras situações em que a tensão admissível é fixada tomando-se um coeficiente de segurança adequado

sobre a tensão máxima do material.

12

Neste caso, o material é dito isotrópico e suas deformações laterais são iguais em qualquer direção transversal

à direção de tração.

Figura 3: Variação do volume de um cubo unitário sujeito à tração.

De acordo com a Figura 3, as deformações longitudinais e transversais são respectivamente,

/E e . Desprezando-se os termos de ordem superior, a variação de volume pode ser

modelada conforme a equação (5):

V
V

Como não é razoável admitir-se que um corpo diminua de volume quando tracionado, pode-

se concluir que o valor de  é sempre menor que 0,5. Na maioria dos casos na prática, o

coeficiente de Poisson é o mesmo para tração e compressão

13

1.3. Lei de Hooke e Energia de Deformação

O segmento OA da Figura 2 é regido pela equação (6) a seguir, também conhecida como lei

de Hooke:

  E  (6)

13

Na compressão, a variação de volume é negativa, visto que a deformação  é de encurtamento, e portanto,

negativa.

(a) (b) (c)

Figura 4: Barras carregadas axialmente com (a) várias cargas intermediárias, (b) com várias seções

transversais diferentes e (c) com seção transversal e carregamento variando continuamente.

Para o caso indicado pela Figura 4(b), o princípio da superposição produz:

Para o caso indicado pela Figura 4(d), o alongamento produzido por cada trecho infinitesimal

dx é calculado por:

x

x

EA

P dx

d  

onde P x

é a carga atuante no elemento infinitesimal e A x

a sua área da seção transversal.

Assim, o cálculo do deslocamento total da barra é dado por:

L

x

x

L

EA

P dx

d

0 0

1.3.1. Energia de Deformação Axial

A Figura 5(b) a seguir apresenta o diagrama carga-deslocamento para uma barra sob tração

simples – ilustrada pela Figura 5(a) –, carregada estaticamente

16

e obedecendo a lei de

Hooke

17

. Durante o carregamento, a força P produz trabalho que é transformado em energia

potencial (ou energia de deformação) armazenada na barra. Se a carga P for lentamente

removida, a energia de deformação é consumida ao recuperar a configuração inicial da

barra

18

Vale ressaltar que a força aplicada na barra varia linearmente de zero até seu valor máximo.

A idéia de “variação” induz a se pensar que a carga é dinâmica visto que seu valor se altera

conforme sua aplicação, ou seja, varia com o tempo. Entretanto, como essa variação é lenta

e gradual – e no caso, aplicada linearmente – os efeitos dinâmicos inerciais são desprezados

e o regime de carregamento é dito estático. O parâmetro tempo dá lugar ao conceito de

“incremento” de carga ou “passo” de carga.

Figura 5: Diagrama carga-deslocamento de barra tracionada.

16

A expressão “carregada estaticamente” corresponde a “carregada lentamente”, ou seja, de forma que os

efeitos inerciais sejam irrelevantes ao experimento.

17

Neste caso, o coeficiente angular corresponde à rigidez da barra.

18

Durante o processo de carga e descarga, a barra funciona como uma mola ao se alongar e recuperar seu

comprimento inicial, respectivamente.

O conceito de energia de deformação apresentado aplica-se a todo os demais tipos de

deformação – cisalhante, torcional e flexional – e não apenas à deformação axial conforme

apresentado.

1.4. Tensões e Deformações Cisalhantes

Considere a conexão da Figura 6(a), composta por uma barra A, um garfo C e um parafuso

B. A Figura 6(b) apresenta o diagrama de corpo livre do parafuso apenas e a Figura 6(c), o

diagrama de corpo livre do trecho central do parafuso submetido à ação do cisalhamento

direto.

Figura 6: Ilustração de cisalhamento.

O valor da tensão cisalhante média

20

no parafuso é calculado conforme a equação (15), onde

A é a área da seção transversal do parafuso:

A
V
A
P

méd

A Figura 7(a) apresenta um cubo elementar em equilíbrio submetido a cisalhamento puro,

onde as tensões de cisalhamento – distribuídas nas faces em que atuam – ocorrem aos pares

de mesma intensidade e sentidos opostos. A Figura 7(b) apresenta o plano abcd em linha

cheia e a sua distorção correspondente em linha tracejada. Observa-se que não há variação

de comprimento dos lados do plano, mas o surgimento do ângulo  que quantifica a distorção

do plano em um paralelogramo e é chamado de deformação de cisalhamento.

20

A distribuição exata das tensões cisalhantes no parafuso não é facilmente determinada.

Figura 7: Tensão e deformação de cisalhamento.

O diagrama tensão-deformação de cisalhamento do material é construído através das tensões

de cisalhamento e ângulos de distorção correspondentes. Este diagrama consta de limite de

proporcionalidade, ponto de escoamento e tensão máxima de cisalhamento. Na região

elástica, a lei de Hooke do cisalhamento do material é dada por:

  G 

onde G é o módulo de elasticidade ao cisalhamento

21

do material.

21

Também conhecido por módulo de elasticidade transversal.