Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


Nova Ortografia, Notas de estudo de Cultura

Nova Ortografia

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 14/03/2010

Magnetismo-Humano-1
Magnetismo-Humano-1 🇧🇷

4.8

(8)

11 documentos

1 / 8

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
pf3
pf4
pf5
pf8

Pré-visualização parcial do texto

Baixe Nova Ortografia e outras Notas de estudo em PDF para Cultura, somente na Docsity!

Diretor Executivo:Presidente:^ Roberto Civita David Saad Conselheiros: Roberto Civita, Giancarlo Francesco Civita, Victor Civita, Roberta Anamaria Civita, Maria Antonia Magalhães Civita, Claudia Costin, Claudio de Moura Castro, José Augusto Pinto Moreira, Marcos Magalhães e Jorge Gerdau Johannpeter

Diretor de Redação: Gabriel Pillar Grossi Diretora de Arte: Manuela Novais Designer: Fernanda Vidal Colaboraram nesta edição: Mariana Sgarioni (textos e edição), Miguel Sanches Neto (texto), Ana Maria Herrera, Andrea Damasco, Carlos Rosa, Helia Gonsaga, Lavínia Fávero, Miriam Aboes, Roberta Martins, Roberta Vaiano, Sueli Campopiano, Teresa Porto (equipe Abril Educação) e Rosângela Ducati (revisão)

manual da nova ortografia

edição especial

IMPRESSA NA DIVISÃO GRÁFICA DA EDITORA ABRIL S.A. Av. Otaviano Alves de Lima, 4400, CEP 02909-900,Freguesia do Ó, São Paulo, SP

NOVA ESCOLA 789-3614-05169/7) é uma publicação da Fundação Victor edição especial Manual da Nova Ortografia (EAN Civita. Distribuída em todo o país pela Distribuidora Nacionalde Publicações (Dinap S.A.), São Paulo. NOVA ESCOLA não admite publicidade redacional.

Acordo ortográfico

Apresentação^4

O que muda^8

Artigo 14

Carta ao leitor

Para consultar sem moderação

Escrever bem é cada vez mais importante, tanto nas re- lações de trabalho quanto nos contatos com os amigos. Quem domina corretamente as palavras tem mais chances de crescer profissionalmente e merece o reconhecimento de todos à sua volta. E, porque não é fácil dominar todas as regras, cada proposta de reforma na língua preocupa (e às vezes assusta) tanta gente. É o que vai ocorrer mais uma vez nos próximos meses, com a entrada em vigor de um acordo ortográfico fechado entre os oito países que têm no português seu idioma oficial. Para ajudar você a entender melhor essas mudanças, NOVA ESCOLA e as editoras Ática e Scipione uniram-se na produção deste Manual da Nova Ortografia, o primeiro do gênero no Brasil. Aqui você encontra um breve histórico das transformações pelas quais a língua portuguesa passou, os próximos passos do tratado que muda o jeito de escrever as palavras, as principais alterações previstas pelo acordo e um artigo exclusivo sobre o impacto desses ajustes na vida de todos nós. Tenho certeza de que você vai querer guardar esta edição especial para ler e consultar sem moderação. Boa leitura e um grande abraço,

Gabriel Pillar Grossi Diretor de Redação AGOSTO, 2008

COMERCIAL Gerente de Publicidade: Sandra Moskovich Publicidade: Fernanda Sant’Anna Rocha Gerente de Publicações: Mirian Di Nizo Gerente de Assinaturas: Rosana Berbel Assistente de Circulação e Marketing: Elizabeth Sachetti Pacotes de Assinaturas: Cynthia Vasconcellos Processos Gráficos: Vanildo Carvalho Analista de Planejamento e Controle Operacional: Kátia Gimenes

Diretor Geral: Mauro Calliari Diretor de Marketing: Marcelo Luciano Martins Diretor Editorial: Aurelio Gonçalves Filh o

Diretor de Redação: Gabriel Pillar Grossi Redatora-chefe: Denise Pellegrini Diretora de Arte: Manuela Novais Consultora Pedagógica: Regina Scarpa Editores: Paola Gentile, Ricardo Falzetta (on-line), Rodrigo Ratier e Ronaldo Nunes (projetos especiais) Editores-assistentes: Arthur Guimarães (on-line) e Beatriz Vichessi Repórteres: Amanda Polato (estagiária), Ana Rita Martins, Anderson Moço, Beatriz Santomauro, Gustavo Heidrich (on-line) e Thais Gurgel (projetos especiais) Editores de Arte: Sonia Schwartz (projetos especiais) e Vilmar Oliveira Designers: Fernanda Vidal e Julia Browne Desenvolvedores Web: Leonardo Lima e Thiago Barbosa de Mour a Atendimento ao Leitor: Marina Simeoni

O acordo prevê simplificações (como o fim do trema), mas tem inúmeros pontos obscuros, que só serão esclarecidos com o lan- çamento de gramáticas atualizadas e um novo Vocabulário Orto- gráfico oficial (tarefa a cargo da Academia Brasileira de Letras). O professor Pasquale Cipro Neto é um dos que se manifestaram con- tra o documento. “Ele não se limita a uniformizar a grafia: estabelece outras alterações no sistema ortográfico, várias delas para pior.”

Tempo de adaptação

Aqui no Brasil, a última grande reforma do idioma foi realizada em 1971, a fim de aproximar mais nosso jeito de escrever do de Por- tugal. Desde então foi abolido o acento diferencial em alguns vo- cábulos, bem como o acento grave ou circunflexo nas palavras derivadas de outras acentuadas – mais de dois terços dos acentos que causavam divergências foram suprimidos. Nessa mesma épo- ca os substantivos acôrdo e govêrno viraram acordo e governo (perderam o circunflexo que os diferenciava das formas verbais eu acordo e eu governo, que eram e continuam sendo pronuncia- das de forma diferente). Outras palavras, como somente, pro- priamente, rapidamente, cortesmente, sozinho, cafezinho e cafezal, também deixaram de ser acentuadas. Naquela ocasião, muitas pessoas estranharam a alteração (sem falar que diversos ma- teriais impressos, como livros, levaram um bom tempo até ter novas edições com o jeito certo de escrever). Até hoje, aliás, ainda há quem escreva êle, com o circunflexo extinto no início dos anos 1970. Nas próximas páginas, você vai conhecer (de forma simplificada) as mudanças trazidas pelo acordo, com exemplos de grafias atuais e de como vamos passar a escrever. São regras bastante fáceis, mas que precisam ser bem compreendidas para ser usadas corre- tamente em textos produzidos no papel ou na tela do computador. Guarde este manual e consulte-o sempre que necessário.

1808

a chegada da família real é decisiva para a difusãO da língua: sãO criadas bibliOtecas, escOlas e gráficas (e, cOm elas, jOrnais e revistas)

1850 imigrantes eurOpeus apOrtam em grande númerO nO país, incentivandO transfOrmações nO idiOma cOm a intrOduçãO de diversOs estrangeirismOs

1922 a semana de arte mOderna leva O pOrtuguês infOrmal para as artes. a crescente urbanizaçãO e O surgimentO dO rádiO ajudam a misturar variedades lingüísticas

1988 a cOnstituiçãO garante a preservaçãO dOs dialetOs de grupOs indígenas e rema- nescentes de quilOmbOs. hOje ha 180 línguas indíge- nas e mil quilOmbOlas

1990 cOm a tv presente em mais de 90% dOs lares, nãO se cOnstata isOlamentO lingüísticO. cOmeça a nascer a linguagem rápida usada na internet

Não é de hoje que os integrantes da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) pen- sam em unificar as ortografias de nosso idioma. Os trabalhos da Academia Brasileira de Letras e da Academia de Ciências de Lisboa tiveram início em 1980 e consumiram dez anos de negociações até o acordo ortográfico ficar pronto. No Brasil, o Congresso Nacional aprovou o texto em 1995, mas sua implementação ficou “na gaveta”, à espera da aprovação pelos parlamentares de Portugal. Agora, basta um decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva para que a nova grafia entre em vigor no país (até o fechamento desta edição não havia uma data determinada, mas a previsão é que isso ocorra em 2009). Mesmo sem o decreto presidencial, a Comissão de Língua Portuguesa (Colip), do Ministério da Edu- cação, já propôs que a reforma entre em vigor no próximo dia 1º de janeiro. Estima-se que o período de transição para a nova norma dure três anos. Se a proposta do MEC for cumprida, todos os tex- tos produzidos a partir de 2009 terão de ser impres- sos segundo as novas regras lingüísticas. Vestibulares, concursos e avaliações poderão aceitar as duas grafias como corretas até 31 de dezembro de 2011. Quanto aos livros didáticos, deve haver um escalonamento. A partir de 2010 os alunos de 1º a 5º ano do En- sino Fundamental receberão os livros dentro da nova norma – o que deve ocorrer com as turmas de 6º a 9º ano e de Ensino Médio, respectivamen- te, em 2011 e 2012.

O que muDA DAqui pArA A frente

Dezenove anos depois de sua elaboração, tratado deve enfim sair do papel em 2009

nO entAntO, as letras i e u continuam a ser acentuadas se

formarem hiato mas estiverem sozinhas na sílaba ou seguidas de s. Exemplos: baú , baús, saída. No caso das palavras oxítonas, nas mesmas condições descritas no item anterior, o acento permanece. Exemplos: tuiuiú, Piauí.

nO entAntO, as oxítonas (palavras com acento na última sílaba)

e os monossílabos tônicos terminados em éi , éu e ói continuam com o acento (no singular e/ou no plural). Exemplos: herói(s) , ilhéu(s) , chapéu(s) , anéis , dói , céu.

nO entAntO, duas palavras obrigatoriamente continuarão re-

cebendo o acento diferencial: l (^) pôr (verbo) mantém o circunflexo para que não seja confundido com a preposição por; l (^) pôde (o verbo conjugado no passado) também mantém o cir- cunflexo para que não haja confusão com pode (o mesmo verbo conjugado no presente). Observação: já em fôrma / forma , o acento é facultativo.

O acento diferencial é utilizado para permitir a identificação mais fácil de palavras homófonas, ou seja, que têm a mesma pronúncia. Atual- mente, usamos o acento diferencial – agudo ou circunflexo – em vocá- bulos como pára (forma verbal), a fim de não confundir com para (a preposição), entre vários outros exemplos. Com a entrada em vigor do acordo, o acento diferencial não será mais usado nesse caso e também nos que estão a seguir: l (^) péla (do verbo pelar) e pela (a união da preposição com o artigo); l (^) pólo (o substantivo) e polo (a união antiga e popular de por e lo); l (^) pélo (do verbo pelar) e pêlo (o substantivo); l (^) pêra (o substantivo) e péra (o substantivo arcaico que significa pe- dra), em oposição a pera (a preposição arcaica que significa para).

Acento diferencial

Acentuação

Acordo ortográfico – O que muda

O acento agudo desaparece das palavras da língua portuguesa em três casos, como se pode ver a seguir: l (^) nos ditongos (encontro de duas vogais proferidas em uma só sílaba) abertos ei e oi das palavras paroxítonas (aquelas cuja sílaba pronun- ciada com mais intensidade é a penúltima).

Acento agudo

COMO é hOje COMO VAI FICAR

assembléia (^) assembleia heróico heroico idéia ideia jibóia (^) jiboia

l (^) nas palavras paroxítonas com i e u tônicos que formam hiato (se- qüência de duas vogais que pertencem a sílabas diferentes) com a vogal anterior quando esta faz parte de um ditongo;

l (^) nas formas verbais que têm o acento tônico na raiz, com o u tônico precedido das letras g ou q e seguido de e ou i. Esses casos são pouco freqüentes na língua portuguesa: apenas nas formas verbais de argüir e redargüir.

COMO é hOje

baiúca baiuca boiúna (^) boiuna feiúra feiura

COMO VAI FICAR
COMO é hOje

argúis arguis argúem arguem redargúis redarguis redargúem redarguem

COMO VAI FICAR
nO entAntO, em alguns casos em que a letra c é pronunciada,

seu uso poderá ser facultativo. Exemplos: facto, sector. O acordo prevê também dupla grafia (ou seja, a forma de escrever é opcional, conforme o uso mais comum em cada local) nas palavras proparoxítonas cuja vogal tônica admita mudança de timbre. Exemplos: acadêmico (ou académico, grafia mais comum em Portugal), cômo- do (ou cómodo), ingênuo (ou ingénuo), oxigênio (ou oxigénio). As chamadas proparoxítonas aparentes também permitem dupla gra- fia: gênio (ou génio), insônia (ou insónia).

Boa parte das mudanças previstas no novo acordo não afeta o portu- guês escrito no Brasil, mas tem relação direta com a grafia atual das palavras em Portugal. Um exemplo é a eliminação da letra h no início de palavras como herva e húmido (que há muito tempo são erva e úmido por aqui e pas- sarão a ser escritas só dessa forma em todos os países lusófonos). Além disso, como regra geral, desaparecem o c e o p das palavras em que essas letras não são pronunciadas.

Considerações gerais

COMO é hOje COMO VAI FICAR

acção aflicto colectivo director exacto

ação aflito coletivo diretor exato baptizar batizar

Portal da Língua Portuguesa http://www.portaldalinguaportuguesa.org O site do Ministério da Ciência, Tecnologia e Ensino Superior de Portugal traz o acordo oficial, assinado pela Comunidade dos Países da Língua Portuguesa, na íntegra. Contém ainda acordos anteriores, como o de 1945, e um histórico das reformas ortográficas do português.

Wikipedia h t t p : / / p t. w i k i p e d i a. o r g / w i k i / A c o r d o _ Ortogr%C3%A1fico_de_ A página da enciclopédia livre Wikipedia é bem com- pleta. Traz detalhes das mudanças, histórico, nego- ciações entre os governos e a situação em Portugal, além de diversos links de referências.

Jornal Público http://static.publico.clix.pt/docs/cultura/acor doOrtografico.aspx Link elaborado pelo jornal português Público que traz algumas das principais perguntas e respostas sobre o acordo.

Academia Brasileira de Letras http://www.academia.org.br/abl/cgi/cgilua.exe/ sys/start.htm?tpl=home No site da Academia Brasileira de Letras há textos sobre a aprovação do texto e um link para você en- viar dúvidas sobre os pontos obscuros do acordo.

Comissão de Língua Portuguesa http://portal.mec.gov.br/sesu/index.php?option =content&task=view&id=693&Itemid= Página oficial da Comissão de Língua Portuguesa (Colip), do Ministério da Educação, órgão respon- sável pela implantação do acordo no Brasil.

quer sABer mAis?

O que muda em Portugal

Alfabeto

O acordo prevê que nosso alfabeto passe a ter 26 letras – hoje são 23. Além das atuais, serão oficialmente incorporadas as letras k , w e y. No entanto, seu emprego fica restrito a apenas alguns casos, como já ocorre atualmente. Confira os principais exemplos: l (^) em nomes próprios de pessoas e seus derivados; Exemplos: Franklin, frankliniano, Darwin, darwinismo, Wagner, wagneriano, Taylor, taylorista, Byron, byroniano. l (^) em nomes próprios de lugares originários de outras línguas e seus derivados; Exemplos: Kuwait, kuwaitiano, Washington, Yokohama, Kiev. l (^) em símbolos, abreviaturas, siglas e palavras adotadas como unida- des de medida internacionais; Exemplos: km (quilômetro), KLM (companhia aérea), K (potássio), W (watt), www (sigla de world wide web, expressão que é sinônimo para a rede mundial de computadores). l (^) em palavras estrangeiras incorporadas à língua. Exemplo: sexy, show, download, megabyte.

Novas letras

D

emorei para aprender ortografia. E essa aprendizagem con- tou com a ajuda dos editores de texto, no computador. Quando eu cometia uma infração, pequena ou grande, o programa grifava em vermelho meu deslize. Fui assim me obrigando a escrever minimamente do jeito correto. Mas de meu tempo de escola trago uma grande descoberta, a do monstro ortográfico. O nome dele era Qüeqüi Güegüi. Sim, esse animal existiu de fato. A professora de Português nos disse que devíamos usar trema nas sílabas qüe, qüi, güe e güi quando o u é pronunciado. Fiquei com essa expressão tão sonora quanto enig- mática na cabeça. Quando meditava sobre algum problema terrível

  • pois na pré-adolescência sempre temos problemas terríveis –, eu tentava me libertar da coisa repetindo em voz alta: “Qüeqüi Güe- güi”. Se numa prova de Matemática eu não conseguia me lembrar de uma fórmula, lá vinham as palavras mágicas. Um desses problemas terríveis, uma namorada, ouvindo minha evocação, quis saber o que era esse tal de Qüeqüi Güegüi.
  • Você nunca ouviu falar nele? – perguntei.
  • Ainda não fomos apresentados – ela disse.
  • É o abominável monstro ortográfico – fiz uma falsa voz de terror.
  • E ele faz o quê?
  • Atrapalha a gente na hora de escrever. Ela riu e se desinteressou do assunto. Provavelmente não sabia usar trema nem se lembrava da regrinha. Aos poucos, eu me habituei a colocar as letras e os sinais no lugar certo. Como essa aprendizagem foi demorada, não sei se conseguirei escrever de outra forma – agora que teremos novas regras. Por isso, peço desde já que perdoem meus futuros erros, que servirão ao menos para determinar minha idade.
  • Esse aí é do tempo do trema.

Uma questão de tempo POR MIGuel SANcheS NetO

Miguel Sanches Neto é escritor, crítico literário e professor de Literatura Brasileira. Nasceu em 1965 em Bela Vista do Paraíso, PR. Autor, entre outros, dos romances Chove Sobre Minha Infância, Um Amor Anarquista e A Primeira Mulher, lançou em 2008 a novela juvenil Amor de Menino (todos pela Ed. Record). Mantém o site www.miguelsanches.com.br.

Artigo