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Conseguem-me ouvir. É um grande prazer para mim estar aqui outra vez no Chile, para celebrar o sexagésimo aniversário de um velho amigo, e um estimado colega, Claudio Bunster, que eu conheço por mais de quase 40 anos. Claudio fez muito para a ciência no geral, para a ciência no Chile em particular. Estar na cidade de Valvidia onde CEC´s, o centro que ele criou, está localizado, é bastante significativo para mim. Diz-se que é de facto mais estranho do que a ficção, e nada é mais verdade do que no caso dos buracos negros. Os buracos negros são mais estranhos do que qualquer sonhada por escritores de ficção científica, mas eles são firmamente assuntos da ciência- facto. Não que a ficção científica foi lenta para subir no movimento depois de serem descobertos os buracos negros… Eu lembro-me de ir à estreia de um filme de Walt Disney, O Buraco Negro, na época de 1970. Era sobre uma nave espacial, que foi enviada para investigar um buraco negro que foi descoberto. Não foi um filme muito bom, mas teve um fim interessante. Depois de orbitar o buraco negro, um dos cientistas decide que a única forma de saber o que se está a passar é ir para dentro do buraco negro. Então ele entra numa sonda espacial, e
mergulha para o buraco negro. Depois de uma representação do escritor de como será o inferno, ele imerge num novo universo. Isto é um exemplo de um uso do buraco negro pela ficção científica como um “buraco de minhoca”, uma passagem de um universo para o outro, ou então para outra localização no mesmo universo. Esses “buracos de minhoca”, se existissem, proporcionaria atalhos para viagens espaciais interestelares, que de outro modo seria muito lento e entediante, se um tivesse que manter o limite de velocidade do Einstein, e estar baixo da velocidade da luz. De facto, escritores de ficção científica não deveriam ser tomados tanto de surpresa. A ideia por trás dos buracos negros, tem estado na comunidade científica há mais de 200 anos. Em 1783, John Michell escreveu uma teoria no Philosophical Transactions de Royal Society de Londres, no qual ele chamava estrelas escuras. Ele reiterou que uma estrela que fosse suficientemente massiva e compacta, teria uma atracção gravitacional tão grande que a luz não poderia escapar. Nenhuma luz emitida da superfície de uma estrela, poderia ser arrastada pela atracção gravitacional de uma estrela, antes que pudesse ir muito longe. Michell sugeriu que poderá haver um número grande de estrelas como estas. Apesar de nós não seríamos capazes de ver as estrelas, porque a luz delas não chegaria até nós, nós ainda assim sentiríamos a atracção gravitacional delas. Os objectos como estes são o que nós agora chamamos de buracos negros, porque é isso que eles são, um vazio preto no espaço.