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O dom Supremo, Notas de estudo de Enfermagem

O dom Supremo

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 19/05/2010

Boto92
Boto92 🇧🇷

4.6

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O DOM
SUPREMO
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O DOM

SUPREMO

HENRY DRUMMOND

O DOM SUPREMO

Traduzido e adaptado livremente do sermão “The Greatest Thing in the World” por

PAULO COELHO

Edição especial da pagina www.paulocoelho.com.br, venda proibida

No final do século passado, numa

tarde fria de primavera,

um grupo de homens e mulheres se reuniu para escutar o mais

famoso pregador daquela época. Eram pessoas vindas de

diversos lugares da Inglaterra, ansiosas para ouvir o que o

homem tinha a dizer.

Mas o pregador, depois de oito meses percorrendo diversos

países do mundo num cansativo trabalho de evangelização,

sentia-se vazio. Olhou a pequena platéia, ensaiou algumas

frases, e terminou por desistir. O Espírito de Deus não o havia

tocado naquela tarde.

Triste, sem saber o que fazer, virou-se para um jovem missionário

que estava entre os presentes. O rapaz havia regressado da

África há pouco tempo, e talvez tivesse alguma coisa

interessante para dizer.

Pediu, então, que o rapaz o substituísse.

As pessoas reunidas naquele jardim em Kent ficaram um pouco

desapontadas.

Ninguém sabia quem era o jovem

missionário. Na verdade, ele nem era

um missionário; havia recusado sua

ordenação como ministro, porque

não estava seguro de que aquela fosse

sua verdadeira vocação.

“Ainda que eu fale as línguas dos homens

e dos anjos, se não tiver amor,

serei como o bronze que soa, ou como

o címbalo que retine.

Ainda que eu tenha o dom de profetizar

e conheça todos os mistérios e toda a ciência;

ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto

de transportar montanhas,

se não tive amor, nada serei.

E ainda que eu distribua todos os

meus bens entre os pobres

e ainda que entregue meu próprio

corpo para ser queimado,

se não tiver amor,

nada disso me aproveitará.

O amor é paciente, é benigno,

o amor não arde em ciúmes,

não se ufana, não se ensoberbece,

não se conduz inconvenientemente,

não procura seus interesses,

não se exaspera,

não se ressente do mal;

não se alegra com a injustiça,

mas regozija-se com a verdade.

Tudo sobre, tudo crê, tudo espera,

tudo suporta.

O amor jamais acaba.

Mas, havendo profecias, desaparecerão;

havendo línguas, cessarão;

havendo ciência, passará.

Porque em parte conhecemos,

e em parte profetizamos.

Quando, porém, vier o que é perfeito,

o que então é em parte será aniquilado.

Quando eu era menino, falava como um

menino, sentia como um menino.

Quando cheguei a ser homem,

desisti das coisas próprias de menino.

Porque agora vemos como em espelho,

obscuramente, e então veremos face a face;

agora conheço em parte, e então

conhecerei como sou conhecido.

Agora, pois, permanecem a Fé,

a Esperança, e o Amor.

Estes três.

Porém, o maior deles é o Amor.”

Todos nós, em algum momento, já fizemos a mesma pergunta que todas as gerações fizeram:

Qual é a coisa mais importante da nossa existência? Queremos empregar nossos dias da melhor maneira, pois ninguém mais pode viver pela gente. Então, precisamos saber: para onde devemos dirigir nossos esforços, qual o supremo objetivo a ser alcançado?

Estamos acostumados a escutar que o tesouro mais importante do mundo espiritual é a Fé. Nesta simples palavra se apóiam muitos séculos de religião.

Consideramos a Fé a coisa mais importante do mundo? Pois bem, estamos completamente errados.

Se em algum momento acreditamos nisto, podemos deixar de acreditar.

No capítulo que acabei de ler, fomos conduzidos aos primeiros tempos do Cristianismo. E, como vimos, “ permanecem a Fé, a Esperança, e o Amor, estes três. Porém, o mais importante é o Amor ”.

Não se trata de uma opinião superficial de Paulo, autor daquelas linhas. Afinal de contas, ele estava falando de Fé um momento antes. Ele dizia:

Ainda que eu tenha tamanha fé, a ponto de transportar montes, se não tiver Amor, nada serei .”

Paulo não fugiu do assunto; pelo contrário, comparou a Fé com o Amor. E concluiu: “ (...) o maior destes é o Amor .”

Deve ter sido muito difícil para Paulo dizer isto, Um homem costuma recomendar aos outros aquilo que, nele, é o ponto forte.

O Amor não era o ponto forte de Paulo. Um estudante com senso de observação irá notar que, à medida que envelhecia, o apóstolo tornava- se mais tolerante, mais terno. Mas a mão que escreveu “porém, o maior destes é o Amor”, esteve muitas vezes manchada de sangue na juventude.

Além disso, esta carta aos coríntios não é o único documento a mostrar o Amor como o summum bonum, o Dom Supremo. Todas as obras- primas do Cristianismo concordam a este respeito.

“Guardar domingos e festas.”

Não ficamos muitas vezes ansiosos, esperando o dia e encontrar quem amamos para nos dedicarmos ao Amor? Então, se amamos Deus, o mesmo há de acontecer.

O Amor exige que obedeçamos todas as leis de Deus.

Quando um homem ama, é desnecessário exigir que honre seu pai e sua mãe, ou que não mate. Para o homem que quer bem a seu próximo é uma ofensa exigir que não roube - como poderia roubar quem ama? E seria supérfluo pedir que não levante falso testemunho - pois jamais faria isto, como seria incapaz de desejar a pessoa que o outro ama.

Portanto, “o amor é o cumprimento da Lei”.

O Amor é a regra que resume todas as outras regras.

O Amor é o mandamento que justifica todos os outros mandamentos.

O Amor é o segredo da vida.

Paulo terminou aprendendo isto, e nos deu, na carta que lemos agora, a melhor e mais importante descrição do summum bonum , o Dom Supremo.

Paulo começa a comparar o Amor com outras coisas que, em seu tempo, tinham muito valor para os homens.

Ele compara com a eloqüência; um dom nobre, capaz de tocar os corações e mentes dos seres humanos, e estimulá-los a realizar importantes tarefas sagradas, ou aventuras que vão além dos limites.

Paulo se refere aos grandes pregadores e diz: “ Ainda que eu fale as línguas dos homens e dos anjos, se não tiver amor, serei como o bronze que soa, ou como o címbalo que retine.”

E existe, todos nós sabemos disto, um bocado de caridade sem Amor. É muito fácil jogar uma moeda para um pobre na rua. Geralmente é mais fácil fazer isto que deixar de fazê-lo.

Deixamos de nos sentir culpados pelo cruel espetáculo da miséria.

Que grande alívio, por apenas uma moeda! É barato para nós, e resolve o problema do mendigo.

Entretanto, se realmente amássemos aquele pobre, nós faríamos muito mais por ele.

Ou não faríamos nada. Não daríamos a moeda e - quem sabe - a nossa culpa por aquela miséria poderia despertar o verdadeiro Amor.

Paulo então compara o Amor com o sacrifício e o martírio. E eu suplico àqueles que desejam, algum dia, trabalhar para o bem da Humanidade: jamais, esqueçam que, mesmo que seus corpos sejam queimados em nome de Deus, se não tiverem Amor, não adianta nada. Nada!

Vocês não podem dar nada mais importante do que reflexo do Amor em suas vidas. Isto é a verdadeira linguagem universal, que nos permite falar chinês, ou os dialetos da Índia. Se algum dia vocês forem a estes lugares, a eloqüência silenciosa do Amor fará com que sejam entendidos por todos.

A mensagem de Fé de um homem está na maneira como vive sua vida, e não nas palavras que ele diz.

Faz pouco tempo, estive no coração da África, perto dos Grandes Lagos. Ali, entrei em contato com homens e mulheres que lembravam-se

Depois de comparar o amor com tudo o que já vimos, Paulo - em três versos pequenos - faz uma surpreendente análise do que é este Dom Supremo.

Ele nos diz que o Amor é uma coisa composta de muitas outras.

Como a luz. Aprendemos na escola que, se pegarmos um prisma e fizermos com que um raio de sol o atravesse, este raio se divide em sete cores.

As cores do arco-íris.

Paulo, então, pega o Amor e faz com que atravesse o prisma de sua sensibilidade, dividindo-o nos seus elementos.

Paulo nos mostra o Arco-íris do Amor, como o prisma atravessado por um raio nos mostra o Arco-íris da Luz.

E quais são estes elementos? São virtudes das quais ouvimos falar todos os dias, virtudes que podemos praticar em qualquer momento de nossas vidas.

São estas pequenas coisas, estas virtudes simples, que compõem o Dom Supremo.

O Amor é composto de nove ingredientes: Paciência: “O Amor é paciente”, Bondade : “é benigno”, Generosidade: “o amor não arde em ciúmes”, Humildade: “não se ufana nem se ensoberbece”, Delicadeza: “O amor não se conduz inconvenientemente”, Entrega: “não procura seus interesses”, Tolerância: “não se exaspera”, Inocência: “não se ressente do mal”, Sinceridade: “não se alegra com a injustiça, mas regozija-se com a verdade.”

Paciência. Bondade. Generosidade. Humildade. Delicadeza. Entrega. Tolerância. Inocência. Sinceridade. Estas coisas compõem o bem supremo, estão na alma do homem que quer estar presente no mundo e próximo a Deus.

Todos estes dons estão relacionados com a gente, com a nossa vida diária, com o hoje e com o amanhã, com a Eternidade.

Nós sempre escutamos falar muito do Amor a Deus.

Mas Cristo nos fala do Amor ao homem. Nós buscamos a paz nos Céus. Cristo busca a paz na Terra. A Busca do Sr Humano para responder sua principal pergunta - “a que devo dedicar minha existência?” - não é uma coisa estranha ou imposta.