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Comportamento: Atividade de Organismos e Suas Respostas, Resumos de Psicologia

Este texto explica o conceito de comportamento, definindo-o como a atividade dos organismos, incluindo o homem, que mantêm intercâmbio com o ambiente. O autor distingue entre comportamentos operantes e respondentes, e discute a eliciação de respostas por estímulos antecedentes e a condicionamento de respostas. Além disso, o texto aborda comportamentos encobertos, que são operantes, mas invisíveis para outros.

Tipologia: Resumos

2020

Compartilhado em 12/08/2020

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larissa-santos-5cn-1 🇧🇷

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O que é comportamento?
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Júlio César Coelho de Rose
UFSCar
De modo genérico, o termo comportamento refere-se à atividade dos organismos
(animais, incluindo o homem), que mantêm intercâmbio com o ambiente. Essa atividade
inclui os movimentos dos músculos estriados e dos músculos lisos, e a secreção das
glândulas. Na linguagem cotidiana, frequentemente nos referimos aos comportamentos
que envolvem a musculatura estriada como comportamentos voluntários, enquanto
denominamos involuntários aqueles que envolvem a musculatura lisa e as glândulas.
Numa linguagem mais rigorosa, esses termos são evitados, e falamos de comportamentos
operantes e respondentes (ou reflexos). Nos comportamentos respondentes, uma
resposta é eliciada, provocada, por um estímulo antecedente: a comida na boca (estímulo
antecedente) elicia salivação (resposta), um toque na pálpebra (estímulo antecedente)
elicia fechamento da pálpebra (resposta), um barulho forte e súbito (estímulo
antecedente) elicia um conjunto de respostas, incluindo aceleração da taxa cardíaca,
aumento de pressão arterial, queda da resistência elétrica da pele provocada pela
atividade das glândulas sudoríparas, etc. A eliciação desse conjunto de respostas está
envolvida na emoção que denominamos medo. A ocorrência dessas respostas em
presença desses estímulos é importante para o funcionamento e sobrevivência do
organismo, e constitui parte de suas capacidades “inatas”: quando a propensão para um
estímulo eliciar uma resposta é inata, denominamos a relação entre estímulo e resposta
como um reflexo incondicionado, e denominamos tanto o estímulo quanto a resposta
como incondicionados. Essas respostas podem ser condicionadas, passando a ocorrer em
presença de estímulos associados com os estímulos incondicionados. Assim, o cheiro do
limão, ou a palavra limão, pela sua associação com o suco de limão, passam a eliciar a
resposta de salivação. Um grito de um adulto é, para um bebê, um estímulo
incondicionado para respostas de medo; a simples presença de uma pessoa que grita
frequentemente com ele se torna capaz de eliciar as respostas de medo. O processo de
condicionamento é muito importante na determinação de nossas emoções.
Uma parte significativa do comportamento humano (e de outros animais) não é
eliciada por estímulos antecedentes. Esses comportamentos, como diz B. F. Skinner,
modificam o ambiente e essas modificações no ambiente levam, por sua vez, a
modificações no comportamento subsequente. Denominamos esses comportamentos de
operantes, para enfatizar que eles operam sobre o ambiente. Dirigir um carro, pregar um
prego, falar, fazer contas, são exemplos de comportamentos operantes. Comportamentos
operantes constituem a maior parte das atitudes visíveis dos seres humanos, mas até
mesmo aquela atividade frequentemente invisível que nós denominamos pensamento
1
Texto extraído do livro Sobre Comportamento e Cognição aspectos teóricos, metodológicos e de
formação em Análise do Comportamento e Terapia Cognitivista. Org. Roberto Alves Banaco. Santo André,
SP: ESETec Editores Associados, 2001.
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O que é comportamento?^1

Júlio César Coelho de Rose UFSCar

De modo genérico, o termo comportamento refere-se à atividade dos organismos (animais, incluindo o homem), que mantêm intercâmbio com o ambiente. Essa atividade inclui os movimentos dos músculos estriados e dos músculos lisos, e a secreção das glândulas. Na linguagem cotidiana, frequentemente nos referimos aos comportamentos que envolvem a musculatura estriada como comportamentos voluntários, enquanto denominamos involuntários aqueles que envolvem a musculatura lisa e as glândulas. Numa linguagem mais rigorosa, esses termos são evitados, e falamos de comportamentos operantes e respondentes (ou reflexos). Nos comportamentos respondentes, uma resposta é eliciada, provocada, por um estímulo antecedente: a comida na boca (estímulo antecedente) elicia salivação (resposta), um toque na pálpebra (estímulo antecedente) elicia fechamento da pálpebra (resposta), um barulho forte e súbito (estímulo antecedente) elicia um conjunto de respostas, incluindo aceleração da taxa cardíaca, aumento de pressão arterial, queda da resistência elétrica da pele provocada pela atividade das glândulas sudoríparas, etc. A eliciação desse conjunto de respostas está envolvida na emoção que denominamos medo. A ocorrência dessas respostas em presença desses estímulos é importante para o funcionamento e sobrevivência do organismo, e constitui parte de suas capacidades “inatas”: quando a propensão para um estímulo eliciar uma resposta é inata, denominamos a relação entre estímulo e resposta como um reflexo incondicionado, e denominamos tanto o estímulo quanto a resposta como incondicionados. Essas respostas podem ser condicionadas, passando a ocorrer em presença de estímulos associados com os estímulos incondicionados. Assim, o cheiro do limão, ou a palavra limão, pela sua associação com o suco de limão, passam a eliciar a resposta de salivação. Um grito de um adulto é, para um bebê, um estímulo incondicionado para respostas de medo; a simples presença de uma pessoa que grita frequentemente com ele se torna capaz de eliciar as respostas de medo. O processo de condicionamento é muito importante na determinação de nossas emoções. Uma parte significativa do comportamento humano (e de outros animais) não é eliciada por estímulos antecedentes. Esses comportamentos, como diz B. F. Skinner, modificam o ambiente e essas modificações no ambiente levam, por sua vez, a modificações no comportamento subsequente. Denominamos esses comportamentos de operantes, para enfatizar que eles operam sobre o ambiente. Dirigir um carro, pregar um prego, falar, fazer contas, são exemplos de comportamentos operantes. Comportamentos operantes constituem a maior parte das atitudes visíveis dos seres humanos, mas até mesmo aquela atividade frequentemente invisível que nós denominamos pensamento

(^1) Texto extraído do livro Sobre Comportamento e Cognição – aspectos teóricos, metodológicos e de

formação em Análise do Comportamento e Terapia Cognitivista. Org. Roberto Alves Banaco. Santo André, SP: ESETec Editores Associados, 2001.

envolve comportamentos operantes, reduzidos em sua magnitude ao ponto de tornarem- se invisíveis para os demais, como quando uma pessoa “fala para si própria”. Nesse caso, o comportamento operante de falar está ocorrendo, mas tão reduzido em sua escala que não é visível para os demais. A capacidade de comportamentos encobertos é resultado de aprendizagem: um músico aprende a ler uma partitura, tocando as notas em um instrumento ou cantando. Com a prática, ele torna-se capaz de cantar as notas de um modo inaudível para os demais, mas audível para ele mesmo. O mesmo ocorre quando uma criança aprende a ler em silêncio. Esses comportamentos invisíveis são denominados de comportamentos encobertos. Infelizmente, em nossa cultura, inventou-se, para explicar a ocorrência de comportamentos encobertos, uma entidade imaterial denominada mente. Essa noção nos levou a perder de vista o fato de que comportamentos encobertos são operantes, do mesmo modo que os comportamentos visíveis. Pior, essa entidade inventada, que denominamos mente, passou a ser tomada como explicação dos comportamentos visíveis e, deste modo, as causas reais desses comportamentos têm passado despercebidas.

O comportamento de qualquer organismo é contínuo, um fluxo de atividade que nunca cessa. Nesse “comportamento”, tomado em sentido genérico, distinguimos “comportamentos” específicos, isto é, procuramos encontrar unidades que se repetem. Assim, falamos dos comportamentos de acender a luz, contar uma piada, dirigir um carro, etc. Mas, como dissemos anteriormente, a atividade de um indivíduo é contínua e somos nós que arbitrariamente a dividimos em unidades. Estamos supondo que esses “comportamentos” específicos podem ocorrer repetidas vezes ao longo da vida de um indivíduo. Mas, se fizermos uma observação rigorosa, veremos que não há nada na atividade de um organismo que se repita de modo rigorosamente igual. Tomemos como exemplo o comportamento operante de contar uma piada, desempenhado por um humorista. Ele conta muitas piadas ao longo de sua vida, e nunca conta a mesma piada de modo rigorosamente igual. Podemos dizer que o operante de “contar piada” é na verdade uma classe que engloba muitas respostas^2 diferentes: contar diferentes piadas, e contar cada piada particular de muitos modos diferentes. Por que consideramos que todas essas respostas pertencem à mesma classe? Porque todas elas têm, tipicamente, uma consequência importante em comum: a consequência é produzir risos na audiência (note que a consequência não precisa ocorrer todas as vezes que o comportamento ocorre: às vezes, a pessoa conta uma piada e ninguém ri). Quando a resposta de contar uma piada tem, como consequência, risos da audiência, a ocorrência de respostas da mesma classe no futuro torna-se mais provável. Dizemos que as risadas da audiência reforçam o

(^2) A expressão resposta designa aqui uma ocorrência específica de um comportamento operante. Trata-se,

na verdade, de um termo tomado de empréstimo do comportamento respondente. Lembre-se que uma ocorrência específica de um comportamento respondente é eliciada por um estímulo, ou seja, é uma resposta a um estímulo. O empréstimo desse termo para designar uma ocorrência de um operante é, na verdade, muito inapropriado, porque o operante não é uma resposta a um estímulo. Infelizmente, este empréstimo consolidou-se no uso dos pesquisadores, e causa bastante confusão.