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O som no mar, Notas de estudo de Engenharia Biológica

Como o som se propaga na água

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 03/04/2010

tatiane-silva-6
tatiane-silva-6 🇧🇷

4.7

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O som se propaga com grande facilidade no mar. A velocidade do som, nos
primeiros metros do mar, é quatro vezes e meia maior do que a registrada no
ar. Quanto maior a profundidade, mais a velocidade de propagação do som
aumenta. Há outros fatores, como o aumento de temperatura e do índice de
salinidade da água, que facilitam essa propagação.
O som, ao atravessar uma distância debaixo d'água, sofre
uma atenuação de intensidade menor do que no ar. A
absorção do som pela água do mar varia de acordo com a
freqüência, com o tipo de som, e também é afetada pela
reflexão do som em partículas suspensas. Talvez seja por
isso que muitas espécies de peixes produzem sons, alguns
com finalidades defensivas, para afastar predadores, outros
para atrair seus parceiros ao acasalamento.
O som no mar: boa propagação
Essas são teorias que necessitam de comprovação e de muito trabalho de
pesquisa, como os experimentos do Instituto de Pesquisa da Marinha em
Arraial do Cabo, no estado do Rio de Janeiro.
Osciloscópio: monitorando sons de peixes
"Nós temos aqui (no Instituto de Estudos do Mar Almirante
Paulo Moreira, em Arraial do Cabo, RJ) uma montagem
destinada a medir sons emitidos pelas diferentes espécies de
peixes que habitam a costa brasileira. No momento nós
temos três espécies dentro de um tanque: o coió, o paraty e
o pampo. Todos são emitentes de sons, e o sistema consiste
basicamente de um hidrofone que possui uma sensibilidade
muito alta. Qualquer movimento no tanque, qualquer batida
aparece no osciloscópio. O sinal é detectado no tanque e
ampliado em diversos estágios e apresentado no osciloscópio
para monitoramento.
Além disso, nós acoplamos um gravador para registrar esses sons. Aqui
fazemos a análise do som, apresentando na forma que seja facilmente
inteligível por qualquer acústico, de qualquer parte do mundo, que é o
sonograma. Então aqui nós temos o exemplo de uma espécie, popularmente
chamada de "porco". Como esta existem muitas outras espécies das quais já
temos gravações, formando um catálogo, um banco de dados que vai ser
utilizado por outros pesquisadores do mundo todo e também pela Marinha, com
o objetivo de caracterizar os ruídos ambientes gerados no mar da nossa
costa."
Depoimento de Manoel Marteleto
Físico do IEAPM - Arraial do Cabo, RJ
Nós também estamos aprendendo com os peixes e com os golfinhos. Como o
método mais eficiente disponível para transmissão de informações através da
água oceânica é o som, essa técnica é aplicada na medição de profundidades,
detecção de objetos, localização de cardumes, disparo de instrumentos
submersos, telemetria e outras utilizações.
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O som se propaga com grande facilidade no mar. A velocidade do som, nos primeiros metros do mar, é quatro vezes e meia maior do que a registrada no ar. Quanto maior a profundidade, mais a velocidade de propagação do som aumenta. Há outros fatores, como o aumento de temperatura e do índice de salinidade da água, que facilitam essa propagação.

O som, ao atravessar uma distância debaixo d'água, sofre uma atenuação de intensidade menor do que no ar. A absorção do som pela água do mar varia de acordo com a freqüência, com o tipo de som, e também é afetada pela reflexão do som em partículas suspensas. Talvez seja por isso que muitas espécies de peixes produzem sons, alguns com finalidades defensivas, para afastar predadores, outros para atrair seus parceiros ao acasalamento.

O som no mar: boa propagação

Essas são teorias que necessitam de comprovação e de muito trabalho de pesquisa, como os experimentos do Instituto de Pesquisa da Marinha em Arraial do Cabo, no estado do Rio de Janeiro.

Osciloscópio: monitorando sons de peixes

"Nós temos aqui (no Instituto de Estudos do Mar Almirante Paulo Moreira, em Arraial do Cabo, RJ) uma montagem destinada a medir sons emitidos pelas diferentes espécies de peixes que habitam a costa brasileira. No momento nós temos três espécies dentro de um tanque: o coió, o paraty e o pampo. Todos são emitentes de sons, e o sistema consiste basicamente de um hidrofone que possui uma sensibilidade muito alta. Qualquer movimento no tanque, qualquer batida aparece no osciloscópio. O sinal é detectado no tanque e ampliado em diversos estágios e apresentado no osciloscópio para monitoramento.

Além disso, nós acoplamos um gravador para registrar esses sons. Aqui fazemos a análise do som, apresentando na forma que seja facilmente inteligível por qualquer acústico, de qualquer parte do mundo, que é o sonograma. Então aqui nós temos o exemplo de uma espécie, popularmente chamada de "porco". Como esta existem muitas outras espécies das quais já temos gravações, formando um catálogo, um banco de dados que vai ser utilizado por outros pesquisadores do mundo todo e também pela Marinha, com o objetivo de caracterizar os ruídos ambientes gerados no mar da nossa costa." Depoimento de Manoel Marteleto Físico do IEAPM - Arraial do Cabo, RJ

Nós também estamos aprendendo com os peixes e com os golfinhos. Como o método mais eficiente disponível para transmissão de informações através da água oceânica é o som, essa técnica é aplicada na medição de profundidades, detecção de objetos, localização de cardumes, disparo de instrumentos submersos, telemetria e outras utilizações.

As baleias também se comunicam através de sons. Algumas delas possuem orgãos sensoriais que funcionam como os sonares de submarinos. As baleias jubarte, que freqüentam a região de Abrolhos, no sul da Bahia, parecem cantar durante o acasalamento. Na ilha de Santa Bárbara, a maior do arquipélago, fica o posto fixo de observação dos biólogos e técnicos do Projeto Jubarte, que acompanham as baleias em suas visitas periódicas a essa área do litoral brasileiro. Jubarte: visitas periódicas a Abrolhos

"Há uma baleia que eu vejo há duas semanas do ponto fixo. Eu sei que é ela por causa de um machucado que ela tem na base da cauda, muito grande, e umas marcas na dorsal. É gostoso esse trabalho aqui do ponto fixo, porque às vezes a gente fica acompanhando a baleia por seis horas, sabendo tudo o que ela está fazendo, sem interferência nenhuma.

Teodolito: "aproximando" as baleias

Aqui a gente observa o comportamento normal delas mesmo. Quando você está num barco, às vezes ela pode mudar de comportamento dela por causa do barulho do motor. O teodolito é um instrumento que aproxima bastante, a gente consegue ver a baleia bem de perto. Ele me dá dois ângulos: um ângulo que é o horizontal, que é a mesma coisa que a rosa dos ventos. Ele é zerado sempre ao norte magnético e me dá um ângulo vertical. A partir desse ângulo vertical, é usado um programa de trigonometria para que se tenha a distância que a baleia está do nosso ponto aqui.

Com isso, depois a gente pode colocar numa carta náutica a distância em milhas que a baleia estava daqui. Assim, podemosn plotar exatamente o ponto da baleia na carta náutica. E se eu pegar os borrifos que a baleia está dando e plotar esses pontos na carta náutica, nós saberemos o intervalo respiratório dela, o quanto ela deslocou naquele intervalo respiratório. Com isso, podemos relacionar com batimetria - porque a carta náutica daria a profundidade da baleia - e obter dados sobre a utilização de hábitat, da preferência do animal." Depoimento de Mia Morete Bióloga do Projeto Jubarte - Abrolhos, BA

As baleias jubarte vão para Abrolhos em busca de suas águas quentes. Nos meses de setembro e outubro, as temperaturas abaixam significativamente nas águas da Antártida e as baleias deixam seus redutos de farta alimentação em busca do aconchego das águas da Bahia. Em Abrolhos, os filhotes formam suas camadas de gordura para resistir ao frio antártico e aprendem com os pais os segredos da corte e do acasalamento.

Também no rumo norte flui uma corrente marítima de profundidade conhecida como água antártica de fundo. Pode ser até que as baleias naveguem acompanhando essa corrente, que é parte do sistema de circulação de águas profundas. Esta corrente ou massa de água se forma no mar de Weddel, na Antártida. A formação de gelo provoca um significativo aumento na salinidade, o que também concorre para o aumento do peso específico dessa massa de água, que acaba "afundando" nas águas mais quentes.

Antártida: circulação de águas profundas