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Conceitos fundamentais de óptica ondulatória, incluindo reflexão, refração, difração e efeito doppler. explica como a frequência, o comprimento de onda e a velocidade de propagação se relacionam em ondas eletromagnéticas, detalhando fenômenos como reflexão especular, refração simultânea com reflexão e absorção, e reflexão total. aborda também a difração da luz e sua relação com o comprimento de onda, além de explicar o efeito doppler e sua aplicação na medição da velocidade de objetos celestes.
Tipologia: Notas de estudo
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2.3.1. Ondas eletromagnéticas A luz é uma onda de campo eletromagnético. Para produzir uma onda é necessária uma perturbação e, no caso de uma onda eletromagnética, essa perturbação pode resultar da oscilação de cargas elétricas. O conjunto de todas as ondas eletromagnéticas, ou seja, de luz visível e de luz não visível, constitui o espectro eletromagnético. A frequência de uma onda eletromagnética, que depende apenas da frequência de oscilação da fonte que produz o sinal, relaciona-se com o comprimento de onda e a velocidade de propagação da onda :
No vazio, a velocidade de propagação das ondas eletromagnéticas , qualquer que seja a sua frequência, é 3 , 00 × 108 𝑚 𝑠−^1 e, no ar, o valor é aproximadamente o mesmo. A luz branca é a sobreposição de luz de todas as frequências na banda do visível. Ao atingir um filtro vermelho, este só deixa passar luz vermelha. Parte da luz incidente é refletida, outra parte é absorvida, e a restante é transmitida. Diz-se que o vidro foi transparente à luz vermelho (porque a transmitiu), mas foi opaco à luz visível de outras frequências. De um modo geral, quando a luz incide na superfície de separação de dois meios, parte é refletida, outra parte é absorvida e outra é transmitida. Esta repartição da luz segue o Princípio da Conservação da Energia. Esta repartição da luz depende da frequência da onda, da sua inclinação relativamente à superfície de separação dos meios e da constituição dos meios. Estes fenómenos – absorção , reflexão e transmissão de luz – explicam por que razão nem toda a luz solar chega à superfície terrestre. Albedo de um planeta: percentagem de luz solar refletida por um planeta. O albedo da Terra é 30%. Atmosfera : é opaca à radiação ionizante, o que permite vida na Terra. É transparente às ondas de rádio e a micro-ondas de certas frequências, o que possibilita comunicações designadamente por satélite. Radiação ionizante : como as suas frequências são mais elevadas do que as da luz visível, os seus fotões têm energia suficiente para remover eletrões de moléculas e átomos, ionizando-os. Esta ionização pode provocar alterações nas células, prejudicando a vida. “Janelas atmosféricas” – luz de certas frequências atravessa a atmosfera até chegar à superfície terrestre. Autor: Constança Simões Data de realização: 2022
2.3.2. Reflexão da Luz Quando uma onda incide na superfície de separação de dois meios, parte dela é devolvida para o mesmo meio. Este fenómeno é designado por reflexão. 𝜽𝒊𝒏𝒊𝒄𝒊𝒂𝒍 = 𝜽𝒓𝒆𝒇𝒍𝒆𝒕𝒊𝒅𝒐 Onda refletida : tem a mesma frequência, velocidade e comprimento de onda da onda incidente, embora seja menos intensa. Ainda que a onda não seja transmitida para o segundo meio, de um modo geral, verifica-se a absorção de energia na superfície de incidência. Portanto, a energia da onda refletida é menor do que a energia da onda incidente. Reflexão especular – reflexão numa superfície polida. Todos os raios possuem a mesma direção. Reflexão difusa – ocorre em superfícies rugosas ou com imperfeições. Neste caso, “cada” raio segue a sua direção pois interage com um ponto da superfície diferente dos restantes. REFLEXÃO
Ângulo limite: ângulo de incidência cujo respetivo ângulo de refração é 90º. Podemos calcular, a partir da Lei de Snell-Descartes, o ângulo limite em função dos índices de refração: 𝑛 1 sin 𝛼 1 = 𝑛 2 sin 𝛼 2 ⇔ 𝑛 1 sin 𝛼𝑙𝑖𝑚 = 𝑛 2 sin 90º , ou seja, sin 𝛼𝑙𝑖𝑚 = 𝑛 2 𝑛 1 REFLEXÃO TOTAL DA LUZ (2 condições)
Objetivo: Analisar a capacidade de alguns materiais refletirem e transmitirem a luz, determinando-se um índice de refração.
1. Reflexão da luz
𝑛𝑛ú𝑐𝑙𝑒𝑜 > 𝑛𝑐𝑎𝑠𝑐𝑎 𝜃𝑖 > 𝜃𝑐
𝛼 2
𝛼 1 - ângulo de incidência inicial (o meio é o ar) 𝛼 2 - ângulo de refração (o meio é o núcleo cilíndrico) 𝛼 3 - ângulo de incidência (vai refletir, pois 𝑛 1 > 𝑛 2 ) 𝛼 4 - ângulo de reflexão (=𝛼 3 )
2.3.5. Difração da luz Difração de uma onda: Uma onda sofre desvios ao encontrar obstáculos ou fendas, encurvando-se em torno deles. Esse fenómeno só é notório se a dimensão do obstáculo ou da fenda, d, for comparável ao comprimento de onda, λ: 𝑑~𝜆 As ondas sonoras audíveis têm comprimentos de onda que variam entre alguns centímetros (som agudo) e dezenas de metros (som grave). Como estes valores são compatíveis às dimensões de obstáculos comuns, as ondas sonoras difratam. O mesmo não acontece com a luz visível (representada a azul) que tem comprimentos de onda entre 400nm e 750nm. Mas se a luz passar por uma fenda de dimensão comparável ao seu λ , esta espalha-se ao passar pela fenda, ou seja, difrata-se. É como se, na zona da fenda, existissem fontes pontuais, todas elas a emitir ondas de luz. Estas ondas sobrepõem-se, interferindo umas com as outras, anulando-se (interferência destrutiva), ou ampliando- se (interferência construtiva). Para uma dada fenda, o espalhamento é mais significativo quando aumenta o comprimento de onda, passando a onda a propagar-se em mais direções. O efeito é mais acentuado se, em vez de se utilizar uma só fenda, se usarem muitas fendas, as chamadas redes de difração. Interferência construtiva
Usando a trigonometria podemos calcular sin 𝜃. sin 𝜃 =
λ = 𝑑
Assumindo que o alvo foi colocado a 12,0 cm da rede de difração e a distância do máximo de primeira ordem ao máximo central é de 2,4 cm então: λ = 3 , 33 × 10 −^6 ×
= 6 , 5 × 10 −^7 𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜𝑠 = 𝟔𝟓𝟎 𝒏𝒂𝒏ó𝒎𝒆𝒕𝒓𝒐𝒔, o que corresponde ao valor real apresentado pelo laser. Como se poderá medir a distância entre 2 átomos vizinhos num cristal? Atendendo à disposição dos átomos na estrutura de um cristal, como no caso da grafite, estes podem funcionar como rede de difração em que ao fazermos incidir uma dada radiação com um determinado comprimento de onda podemos determinar a distância entre os átomos tal como numa rede de difração podemos determinar a distância entre fendas, 𝑑. Nesse caso seria 𝑑 a nossa incógnita já que conheceríamos o comprimento de onda. Nota: o comprimento de onda da radiação a utilizar deverá ter a mesma ordem de grandeza que a da distância entre átomos para que a difração da radiação que ocorra seja considerável. 2.3.5. Difração da luz 2.3.6. Efeito de Doppler Efeito de Doppler:
Grafite:
Relativamente ao recetor da qual a fonte afasta , as ondas ao passarem por este estarão mais afastadas, pois a fonte está a mover-se no sentido contrário ao da propagação te das ondas, resultando num comprimento de onda maior (menor frequência) O efeito Doppler permite medir a velocidade, em relação à Terra, de objetos celestes em movimento que emitem luz, através da análise dos seus espectros. Se o corpo se afastar , o espectro sofre um desvio para frequências menores , ou seja, para o vermelho ( redshift ). Se ele se aproximar , o desvio dá-se no sentido das frequências maiores , ou seja, para o azul ( blueshift ). É um efeito equivalente ao Doppler que nos permite saber que o Universo está em expansão. A luz proveniente das galáxias mais distantes revela um redshift : o comprimento de onda da luz é superior ao que seria medido se não houvesse esta expansão. Este efeito diz-se semelhante pois é considerado que o afastamento das galáxias se deve à dilatação do espaço que as contém e não devido ao movimento individual destas. A observação desse desvio espectral é uma das maiores provas de que o Universo está em expansão desde um instante primordial, como é descrito pela teoria do big bang. Outra prova da expansão do Universo é também a existência da radiação cósmica de fundo (radiação originária do inicio do Universo e que o preencheu aquando do seu arrefecimento). À medida que o Universo se expande, o comprimento de onda da radiação cósmica de fundo vai aumentando. Atenção! O efeito de Doppler não depende da distância pois em todos os instantes da aproximação entre fonte e recetor, este detetará a mesma frequência elevada , independentemente da sua proximidade, e em todos os instantes do afastamento entre fonte e recetor, este detetará a mesma frequência reduzida , independentemente da sua proximidade. O que depende da distância é a intensidade da onda. Quanto mas próxima estiver a fonte do recetor, maior a intensidade da onda de frequência “alterada”.