Docsity
Docsity

Prepare-se para as provas
Prepare-se para as provas

Estude fácil! Tem muito documento disponível na Docsity


Ganhe pontos para baixar
Ganhe pontos para baixar

Ganhe pontos ajudando outros esrudantes ou compre um plano Premium


Guias e Dicas
Guias e Dicas


Ordenação de Documentos em Bibliotecas Escolares, Teses (TCC) de Biblioteconomia

Uma análise da ordenação de documentos em bibliotecas escolares, abordando as funções da ordenação, as categorias e as estratégias de sinalização e espacialização. O texto também discute as limitações nos modos pelos quais a ordenação de documentos tem sido constituída nas bibliotecas escolares e as sinalizações empregadas, evitando a infantilização na concepção do espaço.

Tipologia: Teses (TCC)

2020

Compartilhado em 12/04/2024

matheus-aguiar-82
matheus-aguiar-82 🇧🇷

1 documento

1 / 173

Toggle sidebar

Esta página não é visível na pré-visualização

Não perca as partes importantes!

bg1
UNIVERSIDADEFEDERALDEMINASGERAIS
ESCOLADECIÊNCIADAINFORMAÇÃO
MatheusAguiardeCarvalho
AORDENAÇÃODEDOCUMENTOSNABIBLIOTECONOMIAESCOLAR
BeloHorizonte
2020
pf3
pf4
pf5
pf8
pf9
pfa
pfd
pfe
pff
pf12
pf13
pf14
pf15
pf16
pf17
pf18
pf19
pf1a
pf1b
pf1c
pf1d
pf1e
pf1f
pf20
pf21
pf22
pf23
pf24
pf25
pf26
pf27
pf28
pf29
pf2a
pf2b
pf2c
pf2d
pf2e
pf2f
pf30
pf31
pf32
pf33
pf34
pf35
pf36
pf37
pf38
pf39
pf3a
pf3b
pf3c
pf3d
pf3e
pf3f
pf40
pf41
pf42
pf43
pf44
pf45
pf46
pf47
pf48
pf49
pf4a
pf4b
pf4c
pf4d
pf4e
pf4f
pf50
pf51
pf52
pf53
pf54
pf55
pf56
pf57
pf58
pf59
pf5a
pf5b
pf5c
pf5d
pf5e
pf5f
pf60
pf61
pf62
pf63
pf64

Pré-visualização parcial do texto

Baixe Ordenação de Documentos em Bibliotecas Escolares e outras Teses (TCC) em PDF para Biblioteconomia, somente na Docsity!

UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS

ESCOLA DE CIÊNCIA DA INFORMAÇÃO

Matheus Aguiar de Carvalho

A ORDENAÇÃO DE DOCUMENTOS NA BIBLIOTECONOMIA ESCOLAR

Belo Horizonte

Matheus Aguiar de Carvalho

A ORDENAÇÃO DE DOCUMENTOS NA BIBLIOTECONOMIA ESCOLAR

Dissertação apresentada ao Programa de Pós Graduação em Ciência da Informação, da Universidade Federal de Minas Gerais (PPGCI UFMG), como requisito à obtenção do título de Mestre em Ciência da Informação. Área de Concentração: Informação, Mediações e Cultura Linha de pesquisa: Memória social, patrimônio e produção do conhecimento Professora orientadora: Dra. Cristina Dotta Ortega.

Belo Horizonte

RESUMO

A ordenação de documentos é uma atividade da organização da informação, compondo o conjunto dos processos de mediação documentária, cujo objetivo é o de propor canais de comunicação que promovam o acesso e uso dos documentos de uma coleção por um público. A especificidade da atividade reside na proposição de uma ordem lógica aos documentos da coleção, vinculada aos propósitos da instituição e em resposta às necessidades de informação do público. A ordenação responde a três funções: promover formas de leitura da coleção pela navegação no espaço em que estão dispostos os documentos, constituir a localização dos itens da coleção e servir como instrumento de gestão da coleção. No que tange às especificidades das bibliotecas escolares, essas instituições são abordadas segundo o propósito de promover a apropriação da informação do público, a partir de ações que viabilizem a ele a autonomia para construção de significados a partir do acesso e uso qualificado dos documentos. O objetivo da pesquisa é analisar o desenvolvimento das discussões sobre ordenação de documentos na perspectiva da Biblioteconomia escolar pelo trabalho de mediação realizado a partir de bibliotecas escolares. Parte se do pressuposto que a ordenação de documentos realizada frente aos propósitos das bibliotecas escolares é insuficiente, levando à marginalização da atividade no trabalho de mediação realizado pelo bibliotecário nestes sistemas. Para a investigação, foram realizadas duas revisões bibliográficas, a primeira de caráter narrativo, e a segunda de caráter integrativo, respectivamente, de aspecto qualitativo, e de aspectos quantitativo e qualitativo, de modo a constituir uma pesquisa descritiva quanto à análise dos temas propostos. Após a Introdução, na segunda e terceira seção, discute se: a mediação documentária como propósito do campo, a qual é estruturada em processos fundamentados em conhecimento técnico; e a biblioteca escolar abordada a partir das discussões sobre infoeducação, desenvolvida no âmbito do grupo de pesquisa ColaborI, da USP, que atrela informação e educação como duas faces de um mesmo processo de aprendizagem. A quarta seção tem como foco a ordenação de documentos, abordando os aspectos conceituais e teórico metodológicos da atividade, assim como suas relações com as estratégias de espacialização e de sinalização. A quinta seção trata da ordenação de documentos na Biblioteconomia escolar, analisando a produção bibliográfica desse âmbito para destacar as questões relativas ao desenvolvimento do processo em consideração às especificidades das bibliotecas escolares e do trabalho de mediação realizado nesses espaços. Trata se de uma revisão bibliográfica integrativa realizada pela combinação de termos representativos da Biblioteconomia escolar e de termos que respondessem pela ordenação de documentos, em buscas realizadas nas bases BRAPCI, Proquest, DOAJ, INFOBILA, Dialnet e LIBES, resultando em 129 publicações para análise. Como resultados encontrados, o processo de ordenação de documentos é amplamente abordado de modo fragmentado, o que se verifica nas denominações utilizadas, nas compreensões acerca de suas funções, nos modos de conceber o processo pelo método classificatório como base para constituir o número de chamada, e, a despeito dessas abordagens, as questões relativas à constituição espacial da biblioteca são colocadas de modo mais completo em que considera se a relevância do espaço na oferta de sentidos aos sujeitos acerca da imagem e dos usos da biblioteca escolar. Por fim, considera se necessário reaver junto à Biblioteconomia escolar o valor dos processos da organização da informação para as bibliotecas escolares, o que se relaciona com a necessidade de se considerar a totalidade dessas instituições em termos dos processos de mediação que permitem sua atuação qualificada na escola enquanto biblioteca.

Palavras chave: Biblioteconomia escolar. Biblioteca escolar. Ordenação de documentos. Infoeducação.

ABSTRACT

The shelf arrangement is an activity of information organization, composing the set of documentary mediation processes, whose goal is to propose communication channels that promotes the access and use of documents from a collection by a public. The specificity of the activity lies in the proposition of a logical order to documents of the collection, related with the institution's purposes, and in responses to the information needs of the public. The shelf arrangement has three functions: to promote ways of reading the collection through navigation at the space where the documents are disposed, to constitute the location of the items from a collection, and to serve as an instrument for collection management. Regarding the school libraries specificities, these institutions are approach by the purpose of promoting the information appropriation by the public of base education, through actions that enables them the autonomy to construct meanings from the qualified access and use of documents. The aim of the research is to analyze the development of discussions about shelf arrangement from the perspective of School librarianship through mediation work carried out from school libraries. It is assumed that the shelf arrangement performed in face of the school libraries purposes is insufficient, leading it to the marginalization in mediation work performed by librarians at theses systems. For the investigation, two bibliographic reviews were carried out, the first of narrative character, and the second of integrative character, respectively, of qualitative aspect, and of quantitative and qualitative aspects, in order to constitute a descriptive research regarding the analysis of the proposed themes. After the Introduction, in the second and third section, it is discussed: the documentary mediation as the kind of work performed by the field that is structured in processes based in technical knowledge; and the function of school library approached on infoeducation discussions, developed within USP's research group, ColaborI, which links information and education as two sides that qualifies the librarian work. The fourth section has focused on the shelf arrangement, approaching its conceptual and functional aspects, also its theoretical methodological, relates to the methods, instruments and methodologies for the constitution of the process. Finally, is discussed the relations between the shelf arrangement and the spatialization and signaling strategies developed in the school library space. The fifth section is about the shelf arrangement in School librarianship, looking at the bibliographic production from this context for highlight the questions related to the development of process, regarding the specificities of the school libraries and of the mediation work performed at its spaces. This is an integrative bibliographic review perform by combining terms representative of the School librarianship, and by terms that accounted for the shelf arrangement, in searches in the BRAPCI, Proquest, DOAJ, INFOBILA, Dialnet e LIBES databases, resulting in 129 publications for analysis. As results found, the shelf arrangement process is widely approached in a fragmented way, which is verified in the denominations used, in the understandings about its functions, in the ways of conceiving the process by the classificatory method as the basis for constituting the call number, and, in spite of these approaches, the questions related to the spatial constitution of the library are posed in a more complete way, considering the relevance of space in offering meanings to subjects about the image and uses of the school library. Finally, it is considered necessary to recover from School librarianship the value of information organization processes for school libraries, which is related to the need to consider the totality of these institutions in terms of mediation processes that allow their qualified performance at school as a library.

Keywords: School librarianship. School library. Shelf arrangement. Infoeducation.

SUMÁRIO

  • 1 INTRODUÇÃO..................................................................................................
  • 1.1 APRESENTAÇÃO DO TEMA
  • 1.2 PROBLEMA DE PESQUISA E PRESSUPOSTOS
  • 1.3 JUSTIFICATIVA..........................................................................................................
  • 1.4 OBJETIVOS
  • 1.5 METODOLOGIA
  • MEDIAÇÃO 2 A TÉCNICA DOCUMENTÁRIA NA PRODUÇÃO DE ESPAÇOS DE
  • 2.1 POR UM ENTENDIMENTO DA TÉCNICA
  • 2.2 A BIBLIOTECONOMIA E AS CIÊNCIAS INFORMATIVO DOCUMENTÁRIAS
  • 2.3 A TÉCNICA NAS CIÊNCIAS INFORMATIVO DOCUMENTÁRIAS
  • 2.4 A MEDIAÇÃO DOCUMENTÁRIA COMO UM MODO DE PRODUÇÃO
  • ABORDAGEM PELA INFOEDUCAÇÃO 3 BIBLIOTECA ESCOLAR E PROTAGONISMO CULTURAL: UMA
  • 3.1 O PAPEL DA BIBLIOTECA NA ESCOLA
  • 3.2 BIBLIOTECAS ESCOLARES NO PARADIGMA DA APROPRIAÇÃO CULTURAL
  • 3.3 PROTAGONISMO CULTURAL PELOS SABERES INFORMACIONAIS
  • DOCUMENTÁRIA 3.4 O MEDIADOR E A MEDIAÇÃO CULTURAL: O LUGAR DA MEDIAÇÃO
  • 4 FUNDAMENTOS DA ORDENAÇÃO DE DOCUMENTOS
  • 4.1 DEFINIÇÃO E FUNÇÕES DO PROCESSO DE ORDENAÇÃO DE DOCUMENTOS
  • 4.2 INSTRUMENTOS E MÉTODOS DE ORDENAÇÃO DE DOCUMENTOS
  • 4.3 SISTEMAS DE LOCALIZAÇÃO
  • 4.3.1 SISTEMAS DE LOCALIZAÇÃO FIXA E RELATIVA
  • 4.3.2 CÓDIGOS DE LOCALIZAÇÃO E O MODELO DO NÚMERO DE CHAMADA
  • 4.4 SINALIZAÇÃO E ESPACIALIZAÇÃO........................................................................
  • 4.4.1 OS SENTIDOS DO ESPAÇO: ALGUMAS CONSIDERAÇÕES FOUCAULTIANAS
  • 4.4.2 O ESPAÇO DA BIBLIOTECA
  • ANÁLISE DA PRODUÇÃO BIBLIOGRÁFICA 5 A ORDENAÇÃO DE DOCUMENTOS NA BIBLIOTECONOMIA ESCOLAR:
  • SUAS FUNÇÕES 5.1 ORDENAÇÃO DE DOCUMENTOS: ENTRE OS NOMES PARA O PROCESSO E
  • PELO MÉTODO CLASSIFICATÓRIO 5.2 MODOS DE CONCEBER A ORDENAÇÃO DE DOCUMENTOS: A NAVEGAÇÃO

5.3 OS SENTIDOS DOS DOCUMENTOS E DA BIBLIOTECA ESCOLAR PELO

ESPAÇO............................................................................................................................ 132

5.4 ANÁLISE DA PRODUÇÃO BIBLIOGRÁFICA SOBRE ORDENAÇÃO DE

DOCUMENTOS NA BIBLIOTECONOMIA ESCOLAR ....................................................... 136

6 CONSIDERAÇÕES FINAIS............................................................................ 144

REFERÊNCIAS ....................................................................................................... 147

APÊNDICE A – PUBLICAÇÕES SOBRE A ORDENAÇÃO DE DOCUMENTOS NA

BIBLIOTECONOMIA ESCOLAR ............................................................................ 164

que, a partir do uso dos documentos, os conteúdos sejam apropriados, e o conhecimento construído subsidie a formação do sujeito para a compreensão de si no mundo e para sua atuação na vida coletiva, participando ativamente nelas ao estabelecer sentido frente às coletividades. Os contextos de produção e uso da informação, sejam de ordem cultural, social, econômica e política, balizam a elaboração dos sistemas informativo documentários. Esses contextos exteriores aos sistemas influem nas formas de comunicação empregadas a partir dos processos de mediação documentária, ou seja, nos canais comunicativos construídos por meio da aderência junto aos públicos pela produção de sentido. Desta forma, a mediação documentária responde como trabalho específico do campo, por meio da oferta de sentidos sobre documentos de um sistema, a partir do relacionamento estabelecido entre os objetivos da instituição, a linguagem do público e os atributos documentais de interesse. Ela é desenvolvida por processos de seleção, de organização da informação – produção de bases de dados e ordenação – , e por produtos e serviços, como o serviço de referência, a disseminação seletiva da informação, a formação de usuários e as exposições. Visando potencializar os caminhos para a apropriação, também podem ser realizadas ações de sensibilização de públicos como, contação de histórias, saraus literários, encontros com autores(as), entre outras, que se constituem como ações culturais para a formação dos sujeitos. Dentre os sistemas informativo documentários elaborados no âmbito do campo, nesta pesquisa, a análise se dá em torno das bibliotecas escolares, instituições estudadas de modo específico na Biblioteconomia escolar, a partir do termo biblioteca escolar, mas também por denominações como centro de aprendizagem, centro multimídia, midiateca, entre outras formas, que variam tanto no idioma português quanto em outros idiomas. Independentemente de o nome a ser utilizado, a biblioteca escolar remete ao sistema de informação instituído em escolas, com diferentes níveis de atuação no ensino básico, o que no Brasil é formalmente definido como o período que se inicia com a educação infantil e termina com o ensino médio. Cabe pontuar a necessidade de compreender o público possível desse sistema não apenas às idades instituídas tradicionalmente a este período escolar, de 6 a 18 anos, mas a todos aqueles que, mesmo fora da faixa etária formal, por razões diversas em suas vidas, não cumpriram sua formação básica no período previsto e retornam às escolas para se formarem. No Brasil, essa questão é desenvolvida principalmente por meio do programa de Educação de Jovens e Adultos (EJA), no qual a continuidade de estudos é possível. Deste modo, além do público formal e usual, é papel da biblioteca escolar estar atenta também a esse perfil etário de público, considerando as

formas de promover a apropriação da informação por ele, conforme especificidades que em geral se diferenciam do público que compõe a faixa etária tradicional das escolas. Deste modo, a comunicação pretendida via processos de mediação documentária deve levar em conta a abrangência do público em formação visado pelas bibliotecas escolares, considerando, como em qualquer caso, a especificidade do público, em termos de suas linguagens e de suas necessidades em informação. Um dos marcos iniciais do desenvolvimento das pesquisas sobre bibliotecas escolares é com a primeira edição do Congresso Brasileiro de Biblioteconomia e Documentação, realizado em 1950, em que o tema "Bibliotecas Públicas e Bibliotecas Infantis e de Escolas Primárias" estava presente, dentre os tópicos temáticos do evento^1. Campello et al. (2013) demarcam o início da pesquisa acadêmica sobre bibliotecas escolares apenas na década de 1970, no âmbito da Educação, com a pesquisa de mestrado de Maria Ruth Barros Annes, sob o título “Biblioteca escolar: centro de recursos a serviço da educação na escola de Iº grau”, defendida em 1975 na Faculdade de Educação da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS). Nos anos posteriores, a pesquisa sobre o tema passou a ser amplamente desenvolvida no âmbito dos programas de pós graduação de Ciência da Informação e de Biblioteconomia, pela formação de grupos de pesquisa, seminários, congressos e publicação de artigos em periódicos do campo (CAMPELLO, 2003, 2015; DUDZIAK, 2003). Concomitante ao desenvolvimento no meio cientifico, entre as décadas de 1990 e 2000, a biblioteca escolar passou a ser mencionada entre as políticas públicas do país, quanto a seu papel educativo e de suporte ao currículo escolar. Nesse sentido, podem ser mencionados a Lei de Diretrizes e Bases (LDB), os Parâmetros Curriculares Nacionais e o Programa Nacional Biblioteca na Escola (PNBE) (MORAES; VALADARES; AMORIM, 2013). A abordagem sobre bibliotecas escolares privilegiada nesta pesquisa encontra convergência com o termo de “Infoeducação”, desenvolvido no contexto dos estudos do grupo de pesquisa que hoje é denominado como Colaboratório de Infoeducação (ColaborI), da Universidade de São Paulo. Apoiada em categorias de mediação cultural e de protagonismo cultural, a Infoeducação busca redefinir o papel da biblioteca, incluindo em suas práticas de formação para acesso e uso da informação a consideração dos contextos culturais e sociais em que ela é utilizada e produzida. O foco está em promover uma formação que possa subsidiar a atuação protagonista das pessoas na elaboração de suas realidades (PERROTTI; PIERUCCINI, 2007), formando agentes que interfiram em suas

(^1) Disponível em: http://www.febab.org.br/febab201603/wp content/uploads/2013/03/relacao_cbbds.pdf. Acesso em: 15 jan. 2020.

leitura sobre o mundo. Os livros lidos são como espelhos que permitem aos leitores verem o reflexo de suas próprias vidas, e também janelas, por meio das quais veem outras vidas (RAJPUT, 2009, citando TEMPLE; MARTINEZ; YOKOTA, 2006, p. 922 ). Estes conhecimentos de mundo subsidiam às pessoas o estabelecimento de novas possibilidades de construção de suas realidades de maneira não restrita àquilo já dado de imediato em seus cotidianos, contribuindo para a formação de pessoas ativas e protagonistas em suas realidades. A necessidade de pensar as propostas de ordenação de documentos é primordial para que o espaço da biblioteca escolar promova às pessoas o desenvolvimento de sua autonomia na busca por informação pela coleção a partir da proposta de comunicação empregada. Ainda, em um quadro mais amplo, a importância da ordenação de documentos nas bibliotecas escolares relaciona se aos modos de promover a formação do público no que tange às habilidades de navegação em ambientes para busca por informação, em meio eletrônico ou não, as quais são necessárias não apenas na biblioteca escolar, mas em quaisquer espaços, estruturantes da sociedade como um todo, que o público venha a utilizar como forma de obter e utilizar informação.

1.2 PROBLEMA DE PESQUISA E PRESSUPOSTOS

Pela pesquisa, problematiza se como a ordenação de documentos é estudada no âmbito da Biblioteconomia escolar, tanto em relação aos conhecimentos e funções que o processo responde em sua totalidade, quanto sua relação com a promoção dos objetivos das bibliotecas escolares. Esses objetivos são considerados aqui em torno dos processos de formação de sujeitos para a busca e uso qualificado de informação, de modo a subsidiar seu papel ativo na constituição da sociedade. Alguns pressupostos perpassam a exploração do problema em questão, os quais são abordados no percurso da investigação. De modo geral, eles são relacionados a uma possível insuficiência ou fragmentação dos estudos em torno da ordenação de documentos na Biblioteconomia e, de modo mais específico, na Biblioteconomia escolar pelos esforços em constituir bibliotecas escolares. A princípio, assumimos que a ordenação de documentos foi desenvolvida de forma tangencial ao todo que representa, restrita assim à classificação pela composição de arranjos conforme as estruturas de sistemas de classificação bibliográfica, mas sem aprofundamento a respeito das funções e dos fundamentos teóricos basilares do processo. Por consequência, o conhecimento fragmentado a respeito da ordenação de documentos reduz a compreensão do processo e de suas potencialidades

(^2) TEMPLE, Charles; MARTINEZ, Miriam; YOKOTA, Junko. Children’s books in children’s hands : an introduction to their literature. 3. ed. Boston: Pearson Allyn Bacon, 2006.

junto aos outros processos de mediação realizados na biblioteca escolar, prejudicando a concepção destes espaços, e do próprio sentido que se produz frente ao público a respeito da biblioteca. Por outro lado, é necessário considerar que os estudos sobre Biblioteconomia escolar – tema que cresceu significativamente nos últimos anos nos cursos de graduação e de pós graduação em Biblioteconomia e em Ciência da Informação no Brasil – tratam dos processos de organização da informação em geral de modo breve e, muitas vezes, mecânico, o que não contribui para o desenvolvimento da ordenação de documentos no contexto escolar. Assim, está em questão a relação entre a atividade de ordenação de documentos e a Biblioteconomia escolar, considerando se lacunas seja a partir da atividade no âmbito da Biblioteconomia escolar, seja a partir desta no que tange àquela atividade.

1.3 JUSTIFICATIVA

As justificativas da pesquisa foram estruturadas pela identificação de algumas problemáticas a respeito do desenvolvimento dos temas propostos para essa pesquisa.As justificativas a serem apresentadas podem ser sintetizadas em três, como segue: A técnica que estrutura os processos de trabalho de mediação documentária realizado pelos profissionais, com o emprego de tecnologias, permite contemplar as demandas da sociedade por informação, incluindo aquelas das bibliotecas escolares; Os propósitos da mediação documentária no âmbito das bibliotecas escolares têm sido discutidos sob a noção de information literacy , em várias traduções para a língua portuguesa, como, por exemplo, letramento informacional, noção que se verifica insuficiente, exigindo a busca por alternativas teóricas mais elaboradas; e Quanto à ordenação de documentos em bibliotecas escolares, a literatura apresenta, de modo recorrente, fragmentação teórica nos modos de considerar a totalidade desse processo, assim como, sua relação com os objetivos das bibliotecas escolares. A primeira justificativa da pesquisa está relacionada com as problemáticas sobre a compreensão no campo acerca dos conhecimentos técnicos para o trabalho de mediação realizado e como este subsidia o desenvolvimento de sistemas informativo documentários, como bibliotecas e centros de documentação. Há um estigma presente em alguns segmentos do campo, que colocam a técnica como um conjunto de atos restritamente voltados à execução de procedimentos do âmbito da Organização da Informação, mas desvinculados dos contextos sociais e culturais e, por isto, incompatíveis com qualquer potencial para a transformação social. De forma semelhante, há ainda o estigma dos atos técnicos como sendo de menor valor frente às

campo, a despeito de abordagens que enunciam uma busca pela compreensão de tudo que se relaciona com a categoria informação, sem um olhar particular ao fenômeno em questão. Prosseguindo à segunda justificativa, muitas das propostas para as bibliotecas escolares e sua função na escola, ao menos no Brasil, são constituídas conforme discurso hegemônico pautado em uma visão sobre essa função em um papel educativo cujo objetivo é promover a information literacy , postulada inicialmente nos Estados Unidos na década de

  1. No Brasil, a apropriação do conceito junto aos estudos em Biblioteconomia, segundo Gasque (2012), se deu a partir de 2000 em torno dos termos competência informacional ou letramento informacional, cujo uso é marcado por tentativas, de diferenciá los conceitualmente dos termos alfabetização informacional ou habilidades informacionais, também adotados. A primeira questão que se coloca ao abordar a biblioteca escolar sobre a noção de letramento informacional diz respeito aos problemas terminológicos. Verifica se que os termos no Brasil para tratar da information literacy reportam a conceitos diferentes, mas que a ausência, ou a pouca, consistência terminológica leva cada pesquisador a utilizar o termo e conceito mais adequados às suas pesquisas sem um esforço coletivo em sistematizar uma noção de forma específica aos processos de mediação realizados em bibliotecas escolares. Esses esforços individuais dificultam a consolidação terminológica, pois não há unidade clara entre as pesquisas quanto ao entendimento de information literacy , independente do termo utilizado para traduzir a expressão no Brasil. Concordamos com Kobashi, Smit e Tálamo (2001, p. 5) quando, ao tratarem do objeto da Ciência da Informação, pela Terminologia, explicam que

Saber o mundo através de um conjunto de termos sem consistência conceitual, provenientes, por exemplo, de diferentes áreas, na ausência de normalização, equivale a ter em mãos vários fragmentos que, se juntados, não fazem sentido ou o fazem à custa de muito esforço. De forma semelhante, essa imprecisão é identificável nas abordagens sobre information literacy , ao menos na produção brasileira, pois reportam a diferentes campos de conhecimento conforme a tradução adotada, mas que, segundo Gasque (2010), as diferentes denominações ao termo não podem ser tratadas indistintamente enquanto sinônimos, pelo contrário, são termos que indicam ações, eventos e ideias distintos. A análise feita por Ivan Siqueira e Jéssica Siqueira (2012) acerca do desenvolvimento da information literacy no âmbito do campo no Brasil corrobora nossas considerações, e também as de Gasque (2010), acerca da inconsistência terminológica existente nos modos de abordar a information literacy nas pesquisas realizadas no Brasil. Siqueira e Siqueira (2012) concluíram que há uma “convivência múltipla e indistinta dos termos information literacy , ‘competência informacional’, ‘alfabetização informacional’ e ‘letramento

informacional’ [que] subescreve tanto uma diversidade de acepções como possível confusão terminológica” (SIQUEIRA; SIQUEIRA, 2012, [não paginado, folha 17], grifos dos autores). Portanto, a questão reside na falta de clareza conceitual existente nos estudos desenvolvidos para tratar do tema no âmbito das Ciências Informativo documentárias que, por consequência, pode levar à dificuldade de consolidar seu desenvolvimento e promover os avanços necessários para constituir mudanças nas práticas em sistemas como as bibliotecas escolares. A segunda questão relativa à noção de letramento informacional diz respeito à compreensão do acesso à informação presente na literatura sobre esse tema. O pressuposto do qual partem os trabalhos pautados no letramento é o de que a possibilidade do acesso à informação está resolvida em razão das novas configurações da sociedade, pós guerras mundiais, em que a informação ganhou grande protagonismo em função das tecnologias de informação e comunicação, levando os sistemas de acesso à informação, estruturados a partir dessas tecnologias, a estarem mais disponíveis para todos. Neste sentido, a sociedade da informação é caracterizada, como menciona Campello (2003, p. 33), como “um ambiente tão diferente e mutante que exige novas habilidades para nele se sobreviver”, e cuja sobrevivência nesse contexto está atrelada aos usos de tecnologias enquanto instrumentos que potencializam o acesso à informação ao conectar as pessoas com os diferentes produtos da mente. A relação feita, portanto, é a de que a multiplicação de sistemas de acesso à informação nas últimas décadas levou ao acesso à informação de modo facilitado para todos. Deste modo, como o acesso estaria resolvido, caberia aos esforços realizados no campo discutir apenas como os sujeitos exploram as estruturas de acesso existentes, desenvolvendo para isso, a ênfase em atividades restritamente de aprendizagem. Nesse contexto, a construção do conhecimento é colocada como “engajamento dos indivíduos no processo de aprendizagem para transformar informação em conhecimento” (GASQUE, 2012, p. 33). Ademais, por esse modo de construir conhecimento, desconsideram se, ou melhor, não são especificados, em quais contextos esse engajamento ocorrerá, e ainda, as implicações desses contextos aos propósitos de uma formação que propicie às pessoas acessarem e utilizarem a informação para subsidiar as ações relacionadas à constituição do espaço social. Nesse sentido, a ideia de individualidade é constante. Mesmo em abordagens mais progressistas sobre o letramento informacional, que situam o tema como uma proposta educacional mais ampla e humanizada, pouco se discute acerca de como os sujeitos, ao desenvolverem o letramento, utilizam isso para mudar seus cotidianos junto a outros sujeitos, tendo em vista uma construção coletiva para um bem comum. Deste modo,