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Este documento oferece estratégias para o aprendizado de ortografia, com foco no diagnóstico inicial e no entendimento das regularidades e irregularidades ortográficas na língua portuguesa. A autora propõe a criação de estratégias de reflexão e a sistematização de regras e irregularidades, bem como o uso do dicionário e a memorização de casos irregulares.
Tipologia: Provas
Compartilhado em 07/11/2022
4.5
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Ortografia e reflexão
uitos dos que estão lendo este e-book agora se lembram de como aprenderam ortografia: pelo caminho da memorização, com muita cópia e ditado. Mas esta é uma estratégia problemática, já que nossa memória não dá conta da quantidade de regras que fazem parte do sistema ortográfico. E quem só faz cópia não questiona os porquês da escrita. Em seu livro Ortografia , da série Como Eu Ensino , Maria José Nóbrega deixa claro: “É preciso estimular o pensamento sobre as relações entre os elementos da língua”. Ou seja, o estudo de ortografia deve ser encarado como uma reflexão, mais do que um conjunto de regras sobre a forma de registrar palavras. Os alunos precisam entender os desafios que surgem no aprendizado de ortografia, isso vai ajudá-los a desenvolver as próprias estratégias para escrever corretamente. E entre os quatro passos do ensino de ortografia, é o diagnóstico que merece uma atenção especial.
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Regularidades e
irregularidades
da ortografia
Incluem as grafias de letras (grafemas) P e B, T e D, F e V. Apesar de expressarem um único som (fonema), esses pares de letras são pronunciados de forma muito parecida, confundindo as crianças recém-alfabetizadas.
REGULARIDADES DIRETAS
Aqui o uso de uma letra ou outra para determinado som vai ser definido em relação à posição em que essa letra se encontra dentro da palavra. Nestes casos é preciso avaliar o contexto em que a letra será utilizada – se no começo, no meio, no final da palavra, entre vogais, antes ou depois de determinadas consoantes etc. – para definir sua grafia. Isso ocorre, por exemplo, no uso de C ou QU com som /k/ em palavras como “cavalo” e “quiabo”. Outro exemplo: nunca usamos Ç ou RR no começo da palavra. Essas letras só aparecem no interior das palavras. Em posição final, além das vogais, empregamos apenas: L, M, N, R, S, X e Z. Alguns grafemas vão depender das letras do entorno: antes de P e B só cabe o uso de M.
REGULARIDADES CONTEXTUAIS
Os alunos precisam conhecer essas regras. E não é decorando que isso vai acontecer. A melhor maneira é construir listas de palavras para que os estudantes possam descobrir as regularidades por meio da observação. Orientar a turma a discutir as possibilidades e construir regras com explicações próprias é um caminho muito mais efetivo do que só apresentar a regra pronta. Depois disso, é papel do professor sistematizar as regras, que devem ser consultadas sempre que surgirem dúvidas. Para os estudantes se apropriarem dos casos irregulares é um pouco mais complicado. Os casos irregulares ocorrem quando o sistema ortográfico oferece duas ou mais possibilidades de grafemas para representar um fonema. Nessas situações a melhor ferramenta é a sinceridade: os alunos terão que memorizar. Mas esse trabalho pode ser menos tedioso com uma lista coletiva das palavras mais utilizadas pela turma, exposta na parede, pronta para a consulta dos estudantes. Não faz muito sentido pedir que eles decorem a grafia de palavras como “obsessão” e “ascensorista” só porque são típicos da complexidade da língua. Outra prática que precisa ser estimulada em sala de aula é o uso do dicionário nos casos em que a memória não estiver dando conta de garantir a forma correta da escrita