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Os 144 mil e a Grande multidão, Resumos de Religião

Essa pequena apostila fala sobre a trajetória dos 144mil e a grande multidão.

Tipologia: Resumos

2015

Compartilhado em 30/10/2021

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Carlos Timm1
Adenilton Tavares Aguiar 2
Vania Hirle Almeida3
A TRAJETÓRIA DOS CENTO E QUARENTA E QUATRO MIL E A GRANDE
MULTIDÃO NO LIVRO DE APOCALIPSE 4
RESUMO
Esse tema tem sido discutido em uma ótica que está vinculada a ver somente se o número dos
144.000 selados é literal ou simbólico, desta forma foi despertada a curiosidade de saber um pouco
mais sobre qual a relação dos 144.000 e a grande multidão e sua contribuição na totalidade do livro do
Apocalipse. Sendo assim, tal assunto torna-se de suma relevância para novos estudos em relação aos que
são descritos como salvos na revelação de Jesus. Será investigada a relação existente entre os 144 mil e
a grande multidão, evidenciando desta forma as semelhanças entre eles. Serão apresentadas as relações
entre os dois grupos no capítulo 7 de Apocalipse. Strand (1990, p. 36, 37), apresenta o Apocalipse em
oito partes bem defi nidas, sendo utilizados para muitos estudos teológicos. Contudo o presente estudo
fará uma abordagem diferente, sendo os capítulos também divididos em blocos. No primeiro bloco va-
mos classifi car como o clímax do Apocalipse, encontrado do capítulo 11 até 14. O estudo deste bloco vai
começar do capítulo 14 e retroceder até chegar ao capítulo 11. O segundo bloco é o capítulo 15-18, onde
encontramos os santos vencendo a besta e seu sinal. Por fi m temos o ultimo bloco, Apocalipse 19-22,
nele os salvos estão vitoriosos no céu junto com o cordeiro. Desta forma se tornará perceptível que são
encontrados [os 144 mil/grande multidão] não somente nos capítulos 7 e 14, mas no decorrer de todo o
livro. Todavia não será analisado os capítulos 1 – 6 e 8 – 10, pois neles não encontramos claras represen-
tações dos 144 mil.
Palavras-chave: 144 mil. Grande Multidão. Salvos.
ABSTRACT
This topic has been discussed in a perspective that is bound to do only if the number of the 144,000
sealed is literal or symbolic, thus became curious to know a little more about what the relationship of
the 144,000 and the great crowd and its contribution in full the book of Revelation. Therefore, this is-
sue becomes of paramount importance for further studies in relation to that are saved as described in the
revelation of Jesus. Will investigate the relationship between the 144,000 and the great multitude, thereby
demonstrating the similarities between them. We will present the relations between the two groups in
chapter 7 of Revelation. Strand (1990, p. 36, 37), presented in eight parts Revelation well defi ned, being
used for many theological studies. However this study will be a different approach, chapters being also
divided into blocks. In the fi rst block we classify as the climax of Revelation, found in Chapter 11 until
14. The study will start this block of Chapter 14 and back up to get to chapter 11. The second block is
chapter 15-18, where we fi nd the saints winning the beast and his mark. Finally we have the last block,
1 Bacharelando em Teologia pelo Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia (SALT/IAENE).
2 Mestre em Ciência da Religião pela UNICAP - Orientador específi co.
3 Doutora em Educação e Sociedade pela Universidade de Barcelona - Orientadora metodológica.
4 Artigo apresentado ao Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia como requisito obrigatório parcial para a
obtenção do título de Bacharel em Teologia.
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Carlos Timm^1 Adenilton Tavares Aguiar 2 Vania Hirle Almeida^3

A TRAJETÓRIA DOS CENTO E QUARENTA E QUATRO MIL E A GRANDE

MULTIDÃO NO LIVRO DE APOCALIPSE 4

RESUMO

Esse tema tem sido discutido em uma ótica que está vinculada a ver somente se o número dos 144.000 selados é literal ou simbólico, desta forma foi despertada a curiosidade de saber um pouco mais sobre qual a relação dos 144.000 e a grande multidão e sua contribuição na totalidade do livro do Apocalipse. Sendo assim, tal assunto torna-se de suma relevância para novos estudos em relação aos que são descritos como salvos na revelação de Jesus. Será investigada a relação existente entre os 144 mil e a grande multidão, evidenciando desta forma as semelhanças entre eles. Serão apresentadas as relações entre os dois grupos no capítulo 7 de Apocalipse. Strand (1990, p. 36, 37), apresenta o Apocalipse em oito partes bem definidas, sendo utilizados para muitos estudos teológicos. Contudo o presente estudo fará uma abordagem diferente, sendo os capítulos também divididos em blocos. No primeiro bloco va- mos classificar como o clímax do Apocalipse, encontrado do capítulo 11 até 14. O estudo deste bloco vai começar do capítulo 14 e retroceder até chegar ao capítulo 11. O segundo bloco é o capítulo 15-18, onde encontramos os santos vencendo a besta e seu sinal. Por fim temos o ultimo bloco, Apocalipse 19-22, nele os salvos estão vitoriosos no céu junto com o cordeiro. Desta forma se tornará perceptível que são encontrados [os 144 mil/grande multidão] não somente nos capítulos 7 e 14, mas no decorrer de todo o livro. Todavia não será analisado os capítulos 1 – 6 e 8 – 10, pois neles não encontramos claras represen- tações dos 144 mil. Palavras-chave: 144 mil. Grande Multidão. Salvos.

ABSTRACT

This topic has been discussed in a perspective that is bound to do only if the number of the 144, sealed is literal or symbolic, thus became curious to know a little more about what the relationship of the 144,000 and the great crowd and its contribution in full the book of Revelation. Therefore, this is- sue becomes of paramount importance for further studies in relation to that are saved as described in the revelation of Jesus. Will investigate the relationship between the 144,000 and the great multitude, thereby demonstrating the similarities between them. We will present the relations between the two groups in chapter 7 of Revelation. Strand (1990, p. 36, 37), presented in eight parts Revelation well defined, being used for many theological studies. However this study will be a different approach, chapters being also divided into blocks. In the first block we classify as the climax of Revelation, found in Chapter 11 until

  1. The study will start this block of Chapter 14 and back up to get to chapter 11. The second block is chapter 15-18, where we find the saints winning the beast and his mark. Finally we have the last block,

(^1) Bacharelando em Teologia pelo Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia (SALT/IAENE). (^2) Mestre em Ciência da Religião pela UNICAP - Orientador específico. (^3) Doutora em Educação e Sociedade pela Universidade de Barcelona - Orientadora metodológica. (^4) Artigo apresentado ao Seminário Adventista Latino-Americano de Teologia como requisito obrigatório parcial para a obtenção do título de Bacharel em Teologia.

A TRAJETÓRIA DOS CENTO E QUARENTA E QUATRO MIL E A GRANDE MULTIDÃO NO LIVRO DE APOCALIPSE

Revelation 19-22, it saved the victors are in heaven together with the lamb. This way it will become ap- parent which are found [the 144 thousand / large crowd] not only in chapters 7 and 14, but during the whole book. However it will not be analyzed Chapters 1 - 6 and 8 - 10, for in them we found no clear representations of 144,000. Keywords: 144 thousand. Great Crowd. Saved.

INTRODUÇÃO

Durante muitos anos estudou-se o capítulo sete de Apocalipse, em especial o grupo dos 144 mil, sendo o seu número um atrativo para os teólogos. Porém, o presente estudo visa analisar a relação existente entre os 144 mil e a grande multidão, haja vista que a devida compreensão da real ligação entre os dois grupos, torna mais fácil a análise de outros textos que tratam do mesmo povo.

Nichol (1988), apresenta três possibilidades que existem de interpretação sobre os 144 mil e a grande multidão. Na primeira delas os dois grupos são o mesmo, porém sob diferentes condições. O segundo ponto é que os 144 mil são numerados e a grande multidão não, o primeiro sendo as primícias de Deus e do Cordeiro, e o segundo os santos de todas as eras. Por fim, tem-se a possibilidade de a grande multidão como uma legião dos remidos salvos de todos os tempos, incluindo os 144 mil. Segundo o comentário bíblico adventista os adventistas têm adotado (em sua maioria) o segundo ponto de vista. (NICHOL, 1988, p. 141-142) Entretanto, estudos recentes apontam em direções diferentes, Ekkehardt Müller e, Ranko Stefanovic acreditam que a primeira opção é a mais correta.

Não obstante Kistemaker (2004, p. 326), afirma que o livro de João foi escrito a partir de uma perspectiva judaica, na qual o autor fala um fato e depois repete o mesmo com palavras e formas distintas. Para Larondelle o capítulo 7 de Apocalipse tem um propósito muito específico em sua essência e que está revelado na pergunta feita no final do capítulo 6 “Quem poderá ficar de pé?” (LARONDELLE, 2000, p. 151).

Fica, contudo, a pergunta na cabeça do leitor: “qual a relação que existe entre os dois grupos? Como essas duas multidões se relacionam? São dois grupos diferentes de salvos? São os 144 mil os salvos judeus e a grande multidão os gentios?” (LARONDELLE, 2000, p. 153)

QUEM SÃO OS 144 MIL E A GRANDE MULTIDÃO? (APOCALIPSE 7)

OS 144 MIL

Em primeiro lugar serão pontuados alguns tópicos importantes sobre os 144 mil que se fazem necessários a uma melhor compreensão do restante do artigo. Corroborando com o pensamento atual da maioria dos teólogos de que os 144 mil são um número simbólico, tem-se a seguinte citação extraída do artigo de Alberto Timm (2011):

A TRAJETÓRIA DOS CENTO E QUARENTA E QUATRO MIL E A GRANDE MULTIDÃO NO LIVRO DE APOCALIPSE

TABELA 1: CARACTERÍSTICAS DOS 144.000 (AP 14:1-5)

Nome divino nas testas Verso 1 Cantam uma nova canção Verso 3 Resgatado da terra Verso 3 Virgens espirituais Verso 4 Seguidores do cordeiro Verso 4 Primícias Verso 4 Verdadeiro e leal Verso 5 Irrepreensíveis Verso 5

Fonte: (SIMON, 2004, p. 506)

OS 144 MIL E A GRANDE MULTIDÃO

Serão estudados não somente estes textos, mas outros de Ellen White no decorrer do respectivo artigo. Para começar a relacionar esses dois grupos, os 144 mil de Apocalipse 7:1-8 e a grande multidão de Apocalipse 7:9-17, será necessário analisar cada um dos cinco argumentos que aqui serão expostos, visto que evidenciarão qual a afinidade existente entre os dois grupos.

UM POVO SEPARADO

O primeiro fato a ser levado em consideração é que os 144 mil e a grande multidão servem a Deus, cada um em momentos diferentes. Os 144 mil estão selados (Ap 7:4), são um povo diferenciado e estão separados para estarem junto de Deus no céu. (Ap 14:1) Por sua vez, a grande multidão está perante Deus (Ap 7:9,10) para adorá-lo. Desta forma percebe-se que os dois grupos tem algo em comum na questão de serem o povo de Deus.

VER E OUVIR

No segundo argumento está envolvida a questão do ver e ouvir. Neste ponto pode-se notar que João ouve o número dos 144 mil (Ap 7:4), mas não os vê, contudo, á grande multidão (Ap 7:9). Para Larondelle esse fato é comum em Apocalipse, pois João muitas vezes ouve, vê, olha. Para ilustrar melhor o que ocorre no capítulo 7, comparar com o capítulo 5. O mesmo teólogo diz que no capítulo

  1. João ouve um dos anciãos dizer que “o Leão da tribo de Judá [...] venceu” (Ap 5:5), e somente este Leão poderia abrir os selos. Porém quando João olha para o trono diz que vê um cordeiro (Ap 5:6), (LARONDELLE , 2000, p. 155). Leão da tribo de Judá se refere a Cristo (Gn 49:9, Hb 7:14), mas o cordeiro também faz menção a Este (Jo 1:29). Desta forma, nota-se que João ouve o ancião dizer que o Leão da tribo de Judá abriria o selo, mas ao olhar vê um cordeiro. O leão e o cordeiro são a mesma pessoa: Cristo Jesus. Ao olhar, contudo, o simples fato de ser apresentado com nomes distintos não implica que deixou de ser a mesma pessoa. Assim também em relação aos 144 mil e a

CARLOS TIMM / ADENILTON T. AGUIAR / VANIA H. ALMEIDA

grande multidão: primeiro João ouve o número de 144 mil, depois vê uma grande multidão.

AS DIFICULDADES

Outra característica interessante é em relação às dificuldade que os dois grupos passam, pois ambos enfrentam provações. Os 144 mil é o povo que está sendo apresentado para João como resposta da pergunta feita no final do capítulo 6 de Apocalipse: “porque chegou o grande Dia da ira deles; e quem é que pode suster-se?”(Ap 6:17). Ellen White (2011, p. 19), fala sobre a tribulação que os 144 mil passaram nos últimos dias, ao dizer:

Vi lá mesas de pedra, em que estavam gravados com letras de ouro os nomes dos 144.000. Depois de contemplar a beleza do templo, saímos, e Jesus nos deixou e foi à cidade. Logo Lhe ouvimos de novo a delicada voz, dizendo: “Vinde, povo Meu; viestes da grande tribulação, e fizestes Minha vontade; sofrestes por Mim; vinde à ceia, pois Eu Me cingirei e vos servirei.” Nós exclamamos: “Aleluia! Glória!” e entramos na cidade.

White (2010, p. 101), mostra claramente que está se referindo aos 144 mil, pois está falando do lugar aonde existe uma mesa com o nome dos 144 mil. Para aclarar mais este ponto existe outro texto mostrando a mesma ideia.

Saiu um decreto para se matar os santos, o que fez com que esses clamassem dia e noite por livramento. Esse foi o tempo da angústia de Jacó. (Gên. 32) Então todos os santos clamaram com angústia de espírito, e alcançaram livramento pela voz de Deus. Os cento e quarenta e quatro mil triunfaram. Sua face se iluminou com a glória de Deus.

Ellen White faz menção sobre o tempo de angústia, conhecido como “angustia de Jacó”. Ela diz que os santos estavam clamando por livramento e mostra que estes (que neste caso são chamados de 144 mil) triunfaram. Por fim, ainda existe outro texto que está no livro O Grande Conflito , onde tem-se a seguinte descrição:

No mar cristalino diante do trono, naquele mar como que de vidro misturado com fogo

  • tão resplendente é ele pela glória de Deus – está reunida a multidão dos que “saíram vitoriosos da besta, e da sua imagem, e do seu sinal, e do número do seu nome” (Apoc. 15:2). [...] “Estes são os que vieram de grande tribulação” (Apoc. 7:14); passaram pelo tempo de angústia tal como nunca houve desde que houve nação; suportaram a aflição do tempo da angústia de Jacó; permaneceram sem intercessor durante o derramamento final dos juízos de Deus. Mas foram livres, pois “lavaram os seus vestidos, e os branquearam no sangue do Cordeiro”. “Na sua boca não se achou engano; porque são irrepreensíveis” diante de Deus. “Por isso estão diante do trono de Deus, e O servem de dia e de noite no Seu templo; e Aquele que está assentado sobre o trono os cobrirá com a Sua sombra.” (Apoc. 7:15), (WHITE, 2005, p. 648-649)

É interessante notar alguns detalhes importantes neste trecho: em primeiro lugar a autora mostra que está reunida uma multidão que saiu vencedora do combate com a besta; em segundo ela diz que estão no monte Sião com o Cordeiro e que são os 144 mil. Em terceiro lugar (e talvez o mais importante) seja a afirmação de que povo saiu vencedor da besta, os 144 mil, são os que vieram da grande tribulação. Não obstante, o relato bíblico aponta a grande multidão como os que vieram da grande tribulação. Sendo aqui mostrado que para Ellen White não havia diferença entre os 144 mil e a grande multidão.

CARLOS TIMM / ADENILTON T. AGUIAR / VANIA H. ALMEIDA

fator que prova não tratar-se das antigas doze tribos de Israel é que há alterações que não continham entre elas, [...] Os acontecimentos que cumprem a profecia do assinalamento, testificam tratar-se duma obra entre o povo verdadeiro de Deus que, por seus característicos tão diversos e internacionais, conta também doze tribos.

Quando se analisa o ponto de vista do autor nota-se que as tribos citadas em apocalipse 7 não podem ser encontradas em sua totalidade. Além disso, há Holbook (1992, p. 262), que faz menção ao que Beatrice S. Neall fala sobre o número dos 144 mil, “[…] o número 144.000 deve entender-se como um símbolo da unidade, a perfeição e a consumação da igreja de Deus, completa porque se completou o número dos escolhidos. (Ap 6:11)” O número para ela não é literal, mas uma mostra de que a igreja é representada por um número que indica a unidade do povo de Deus.

Müller (2012), afirma que o número é simbólico, o contexto é claramente simbólico (Ap 7:1-3), mencionando os quatro cantos do mundo, os quatro ventos da terra, mar, terra, árvores, e o selo de Deus. É dificilmente possível achar 144,000 Israelitas literais de acordo com as tribos.

Grande multidão

A seguir tem-se a grande multidão que para muitos é incontável, o que como sendo remidos de todas as épocas. Mas agora serão abordados alguns autores contrários a esta ideia. Para Lopes (2005, p. 191), existe uma igreja inumerável, pois isso é o cumprimento da promessa que Abraão recebeu de Deus. (Gn. 15:5) Mas vai mais além no seu comentário afirmar que a multidão que é incontável para João é contável para Deus. Desta forma Lopes mostra que a expressão incontável não é algo literal, mas um símbolo colocado sobre esta multidão.

Beale (1999, p. 426), estabelece um paralelo com a promessa que Deus fez no livro de Gênesis, sendo assim escrito: “E disseste: Certamente eu te farei bem e dar-te-ei a descendência como a areia do mar, que, pela multidão, não se pode contar”. Aqui é mostrado que haveria uma descendência que não poderia ser contada. Outro texto afirma: “Disse-lhe mais o Anjo do SENHOR: Multiplicarei sobremodo a tua descendência, de maneira que, por numerosa, não será contada.” (Gn 16:10) Novamente é demonstrado uma multidão que não se poderia contar. E mais uma vez tem- se: “Farei a tua descendência como o pó da terra; de maneira que, se alguém puder contar o pó da terra, então se contará também a tua descendência.” (Gn 13:16) Todos esses textos mostram que uma multidão pode ser incontável ao ser humano, mas contável a Deus é contável. Entretanto, a multidão mencionada em Apocalipse não é a mesma que foi apresentada em Gênesis. A única semelhança aqui é em relação à maneira que Deus se refere aos salvos.

Ao se mostrar estas cinco semelhanças entre os 144 mil e a grande multidão, se objetiva confirmar os dois grupos como sendo o mesmo povo, apresentado a João em lugares e de formas diferentes. Para Ladd (1980, p. 448), “cento e quarenta e quatro mil são o mesmo grupo que foi selado em 7:9-17”. Kistemaker (2004, p. 315), afirma que todo “o capítulo, dedicado aos santos, é mais um pináculo do que uma pausa. À pergunta suscitada no sexto selo, ‘quem é capaz de suportar?’(6:17), João formula uma resposta: os 144.000 e a incontável multidão”.

Lopes (2005, p. 282), afirma que “Os 144.000 são o mesmo grupo que foi selado em (7:9-

A TRAJETÓRIA DOS CENTO E QUARENTA E QUATRO MIL E A GRANDE MULTIDÃO NO LIVRO DE APOCALIPSE

17). Eles representam a totalidade dos redimidos”. Para outro comentarista a posição é expostas da seguinte maneira;

A figura cento e quarenta e quatro mil não deve ser tomada literalmente, mas simbolicamente. Ela representa aqueles que “foram comprados como primícias para Deus e para o Cordeiro” (14.4). O número (12x12x1000) significa uma multidão grande e completa (BEACON, 2006, p. 448).

Carson (1994, p. 110), diz que a visão dos 144 mil descrita por João é substituída por uma grande multidão que ninguém podia contar, o que desta forma cumpriria a promessa feita a Abraão. Entretanto, o mesmo autor afirma que esta multidão é contável, uma vez que Deus sabe o número dos eleitos.

Logo, pode-se dizer que esses dois grupos, os 144 mil e a grande multidão, são um só grupo. A partir de agora o presente estudo poderá se referir sobre esse grupo dá seguinte forma: como grupo dos salvos, santos, remanescentes, ou até mesmo 144 mil/grande multidão. Vale ressaltar que esse grupo tão especial não se encontra somente no capítulo 7 de Apocalipse, mas aparece (explicitamente ou implicitamente) no restante do referido livro. Por este motivo serão estudados os capítulos que falam acerca de tal grupo.

OS 144 MIL NO CENTRO DE APOCALIPSE (APOC. 11, 12, 13 E 14)

Para início desta seção será estudado o capítulo 14, que aborda o grupo dos salvos e que se refere ao Cordeiro no Monte Sião com os 144 mil. Para Timm (2011), a estrutura do capítulo 14 de Apocalipse é dividido em duas partes, “na qual primeiro é descrito o grupo dos 144 mil (versos 1-5), para então serem mencionadas as três mensagens angélicas responsáveis pela origem desse grupo (versos 6-12)”. Ele também afirma que os 144 mil são responsáveis pela proclamação das mensagens angélicas, pois isso antecede a volta de Cristo no período final da história. Todavia, os 144 mil estarem inseridos em um grande conflito entre adorar a Deus ou a besta, este povo guarda os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus. Percebe-se, então, que os 144 mil possuem uma missão: proclamar as três mensagens angélicas. Assim, o selamento se refere não somente à salvação, mas também à pregação do evangelho.

Ranko Stefanovic (2002, p. 38), mostra através de paralelismo que os 144 mil tem uma missão a cumprir: a pregação da volta de Jesus, missão que é realizada através do anúncio das três mensagens angélicas.

A TRAJETÓRIA DOS CENTO E QUARENTA E QUATRO MIL E A GRANDE MULTIDÃO NO LIVRO DE APOCALIPSE

TABELA 2: COMPARATIVO DOS CAPÍTULOS 13 E 14 DE APOCALIPSE

Capítulo 13 Capítulo 14 Cordeiro v.11 Cordeiro v.1, Emerge da terra v.11 Monte Sião v. Adoração a besta v.12 Cântico dos 144.000 v. Número da besta, 666 v.18 Número dos santos, 144.000 v. Todos são escravizados v.16 Santos são redimidos v. Marca da besta v.16,17 Nome do Pai e do Cordeiro v. Fraude da besta v.14 Nenhuma mentira em sua boca v. Fonte: (SIMON, 2004, p. 506) Dois textos em Apocalipse 13 se referem aos santos, versos 7 e 10. Sobre tais versos Doukhan (2000, p. 206), afirma que não necessariamente se está acusando a igreja Católica, mas a intenção da profecia é mostrar que existe sempre uma providência divina aos santos. Stefanovic (2002, p. 266), menciona que a tribulação de Apocalipse 7 se encontra em Apocalipse 13:11-17 sendo nos capítulos 15-18 mais amplamente mostrado como será..., como será tal tribulação.

Após análise do capítulo 14, se retrocedeu 13 e, neste ponto do estudo, faz-se necessário seguir tal retrocesso ao capítulo 12. Strand (1999, p. 242), aponta uma progressão dos capítulos antecessores ao 14, sendo esta progressão um preparativo para o clímax em Apocalipse 14. O capítulo 12, bem como o 13, mostram a besta tentando enganar os salvos com o uso de ataques contra Cristo e seus santos.

Dois versos importantes aparecem em Apocalipse 12, sendo o primeiro deles: “Eles, pois, o venceram por causa do sangue do Cordeiro e por causa da palavra do testemunho que deram e, mesmo em face da morte, não amaram a própria vida.” (Ap 12:11) Aqui se trata dos vencedores da besta, aqueles que venceram pelo sangue do Cordeiro. Logo, só é possível atribuir a estes vencedores o título de 144 mil. Este ponto se torna mais claro no verso 17 do mesmo capítulo: “Irou-se o dragão contra a mulher e foi pelejar com os restantes da sua descendência, os que guardam os mandamentos de Deus e têm o testemunho de Jesus; e se pôs em pé sobre a areia do mar”. Maxwell faz um comentário muito significativo sobre este texto.

Quando retornamos ao Apocalipse, constatamos no capítulo 14:1-5, que os 144 mil acham- se sem pecado e sem mentira – e permanecem cantando em pé sobre o Monte Sião, ao lado de Deus! Torna-se bastante óbvio que os 144 mil são o “remanescente” do tempo do fim, vislumbrados antecipadamente pelos profetas do Antigo Testamento. Os 144 mil, que triunfam sobre a besta (Apocalipse 15:2-5), são os mesmos “santos” do capítulo 14:12, os quais guardam os mandamentos de Deus em vez de adorar a besta; e estes “santos” são as mesmas pessoas que guardam os mandamentos de Deus, conforme Apocalipse 12:17. (MAXWELL, 2008. p. 424)

Por último, tem-se o verso 18 do capítulo 11 de Apocalipse: “tempo determinado para serem julgados os mortos” e “ para se dar o galardão aos teus servos, os profetas, aos santos e aos que temem o teu nome”. Aqui são mencionados não só os servos, os profetas, mas também outra classe: os santos, ou seja, neste verso se faz referência ao grupo que se está estudando. Paulien (1994, p. 108),

CARLOS TIMM / ADENILTON T. AGUIAR / VANIA H. ALMEIDA

diz que não é apenas o clímax das trombetas, porem um vislumbre dos próximos acontecimentos do fim. Neste verso também se fala sobre os santos, mostrando que mais uma vez temos uma referencia do grupo ao qual estamos estudando.

Para concluir esta parte é possível dizer que os 144 mil e a grande multidão, que são o mesmo grupo, não se limitam ao capítulo 7 de Apocalipse, mas podem ser encontrados nos capítulos 11, 12, 13 e 14 do mesmo livro. Finalmente, no decorrer do artigo será possível perceber a presença deste grupo em outros capítulos também.

OS 144 MIL COMO VENCEDORES DA BESTA (APOC. 15-18)

Neste novo item ver-se-á como o grupo de santos, alvo do presente estudo, se apresentar nos capítulos 15-18. Todavia, vale ressaltar que aqui não será encontrada a terminologia 144 mil, mas a nomenclatura grande multidão é a existente neste perímetro. Como ponto de partida o texto de Apocalipse 15:2-4 no qual há várias designações, tais como, “os vencedores da besta, da sua imagem e do número do seu nome”, “entoavam o cântico de Moisés, servo de Deus, e o cântico do Cordeiro”. A seguinte citação comenta este texto:

Unicamente os que foram vitoriosos sobre o pecado recebem o selo de Deus Apoc.7:2-4. São os vencedores da besta e da sua imagem Apoc. 15:2. São as primícias – primícias em qualidade entre os remidos Apoc. 14:3,6. Permanecem com o Cordeiro sobre o Monte de Sião celestial (ANDRESON, 1990, p. 95).

É interessante que os 144 mil são os possuidores do selo de Deus, desta forma automaticamente ele venceram a tentação de receber o selo da besta. Com essa dedução aclarada na mente é possível dizer que os vencedores da besta de Apocalipse 15 são justamente os 144 mil. Além de serem vencedores da besta, também cantam um cântico muito parecido com da grande multidão no capítulo 7 de Apocalipse. As palavras não são iguais, mas a essência do louvor e adoração é a mesma.

Outra passagem que aponta o povo de Deus vencendo a besta é “Pelejarão eles [os dez reis do verso 12] contra o Cordeiro, e o Cordeiro os vencerá, pois é o Senhor dos senhores e o Rei dos reis; vencerão também os chamados, eleitos e fiéis que se acham com ele” (Ap 17:14): Os que vencerão com o Senhor nos últimos momentos antes da volta de Jesus são os seus escolhidos, os 144 mil, ou seja, novamente uma passagem que destaca os santos de Deus.

Uma vez que os 144 mil são vencedores do selo da besta, também não podem fazer parte de seus pecados e costumes. Desta forma Deus lhes pede que saiam do meio dela [Babilônia] dizendo: “Ouvi outra voz do céu, dizendo: Retirai-vos dela, povo meu, para não serem cúmplices em seus pecados e para não participardes dos seus flagelos;(...)” (Ap 18:4). Wikenhauser (1981, p. 221), afirma que essa passagem bíblica mostra os momentos que precedem o juízo de Deus aqui na terra, sendo esta uma advertência ao seu povo de Deus para abandonar a Babilônia que será destruída em pouco tempo.

CARLOS TIMM / ADENILTON T. AGUIAR / VANIA H. ALMEIDA

“servir” possuir a mesma raiz nos dois versículos, os dois versos tratam do trono de Deus.

Beatrice Neall (1992, p. 251), compara em um quiasmo o capítulo 7 de Apocalipse com Apocalipse 21:1-8; 22:1. Neste, a autora mostra que no capítulo 7 aparecem os 144.000 selados, a grande multidão de todas as tribos louvando a Deus por sua salvação, não mais dor, morte. O Cordeiro leva os salvos às fontes de água viva e Deus está em seu tabernáculo. É interessante que no capítulo 21 e 22 tem-se a Nova Jerusalém, Deus está com seu povo, não há mais morte, nem dor, tem-se a água da vida e o tabernáculo de Deus com os homens.

Para Kistemaker (2004, p. 316), é claro que existe uma forte ligação entre o capítulo 7 de Apocalipse e o restante do livro, ele mostra isso em um gráfico que demonstra com mais clareza essa ideia. Tal ligação se torna mais visível e inteligível no gráfico a seguir:

Tabela 3: Relação do capítulo 7 com os capítulos 21 e 22 de apocalipse. Características Apocalipse 7 Apocalipse 21- O selo na fronte 7:3 22: As doze tribos de Israel 7:4-8 21: As nações 7:9 21:24- O trono de Deus 7:9,15 22:1- O serviço prestado 7:15 22: O templo 7:15 21: A habitação de Deus 7:15 21: Sede e fonte de água viva 7:16,17 21: As lágrimas enxugadas 7:17 21: Fonte: (KISTEMAKER, 2004, p. 316)

O que está bem claro nestas passagens é que quando se fala dos salvos em Apocalipse, na maioria das vezes, não se trata de todos os salvos (ou todos os remidos), desde Adão até o povo que verá a volta de Cristo. O que se tem é a clara demonstração de que estas passagens estão mostrando a luta contra o dragão e todos os seus meios de derrotar o homem. Ademais, exalta o povo que venceu (através do sangue e dos méritos de Cristo) todos os obstáculos que o inimigo colocou em seu caminho.

Através do gráfico abaixo torna-se possível um amplo conhecimento de todo o pensamento até aqui desenvolvido e da situação dos 144 mil em todo o Apocalipse.

A TRAJETÓRIA DOS CENTO E QUARENTA E QUATRO MIL E A GRANDE MULTIDÃO NO LIVRO DE APOCALIPSE

FIGURA 1: PANORAMA GERAL DOS 144 MIL E A GRANDE MULTIDÃO

Os 144 mil e a Grande Multidão

O centro do grande conflito no livro de Apocalipse Apoc. 11, 12, 13 e 14

Os vencedores da besta Apoc. 15-

Os 144 mil e a Grande Multidão no céu Apoc. 19-

Os 144 mil

A Grande Multidão

Apoc. 7:

Apoc. 7:

Apoc. 14:

Apoc. 14:

O clímax

Santos

Apoc. 13:

Apoc. 13:

Apoc. 12:

Apoc. 12:

Os descendentes

Clímax das trombetas Apoc. 11:

Os vencedores^ Apoc. 15:2-

Eleitos e fiéis Apoc. 17:

Apoc. 18:

Povo meu Apoc. 19:1-

Grande Multidão

Enxugar as lágrimas Apoc. 21:3-

Servos o servirão Apoc. 22:

Fonte: Elaboração – Carlos Timm

A TRAJETÓRIA DOS CENTO E QUARENTA E QUATRO MIL E A GRANDE MULTIDÃO NO LIVRO DE APOCALIPSE

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