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Apostilas de Português sobre os Sufixos, variante, semântica do afixo, exemplificação.
Tipologia: Notas de estudo
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Tenho observado que o estudo de sufixos adjetivais dos adjetivos relacionais – os parafraseáveis por “relativo a Nb”, “em relação com Nb” - comprova que os mesmos não apresentam exclusividade se enfocados em termos de variantes. Um mesmo sufixo adjetival pode ter diversas variantes e, por conseguinte semântica diferente, levando a entender que se trata de regras de formação diferentes embora se trate do mesmo sufixo. No quadro que se segue demonstraremos que um mesmo sufixo adjetival mesmo sendo relacional apresenta variantes diferentes, o que vem a confirmar a existência de regras diferentes mesmo se tratando do mesmo sufixo:
SUFIXO VARIANTE SEMÂNTICA DO AFIXO EXEMPLIFICAÇÃO de procedência originário, procedente de Nb africano, peruano -ano (^) de tipicidade típico, próprio, característico de Nb bilaquiano, camoniano de filiação adepto, simpatizante, partidário de Nb torcedor do time Nb
luterano, republicano, corintiano, atleticano de procedência originário, procedente de Nb austríaco, siríaco -aco (^) de posse que tem, ou possui Nb maníaco, demoníaco de semelhança, similitude
tem semelhança com Nb, evoca Nb, que tem propriedade de Nb
paradisíaco, afrodisíaco
de procedência originário, procedente de Nb potiguar, guascar -ar (^) de tipicidade típico, próprio, característico de Nb solar, lunar, consular de pertença que pertence a Nb familiar, escolar de tipicidade típico, próprio, característico de Nb policial, conjugal -al (^) de pertença ou de inclusão
que pertence a Nb g o v e r n a m e n t a l , intestinal de procedência originário, procedente de Nb judaico, hebraico -aico (^) de semelhança tem semelhança com Nb, evoca Nb, prosaico, arcaico,
similitude que tem propriedade de Nb onomatopaico -eiro de procedência originário, procedente de Nb brasileiro, mineiro de tipicidade típico, próprio, característico de Nb caseiro, verdadeiro -eno de procedência originário, procedente de Nb chileno, madrileno de tipicidade típico, próprio, característico de Nb terreno
SUFIXO VARIANTE SEMÂNTICA DO AFIXO EXEMPLIFICAÇÃO de procedência originário, procedente de Nb cearense, piedense -ense (^) de filiação adepto, simpatizante, partidário de Nb torcedor do time Nb
botafoguense,banguense palmeirense, cruzeirense
-esco
de tipicidade típico, próprio, característico de Nb fradesco, abadesco de semelhança similitude
tem semelhança com Nb, evoca Nb, que tem propriedade de Nb
dantesco, burlesco, macunaimesco de procedência originário, procedente de Nb céltico, ibérico de posse que tem, ou possui Nb aromático, metódico -ico (^) de filiação adepto, simpatizante, partidário de Nb monárquico,autárquico de pertença ou inclusão
que pertence a Nb oceânico, bíblico, bélico de posse que tem ou possui febril, mulheril, senil -il (^) de semelhança similitude
tem semelhança com Nb, evoca Nb, que tem propriedade de Nb
senhoril, estudantil, infantil de procedência originário, procedente de Nb nordestino, argentino -ino (^) de semelhança similitude
tem semelhança com Nb, evoca Nb, que tem propriedade de Nb
cristalino, purpurino, platino de filiação adepto, simpatizante, partidário de Nb vascaíno -ista de procedência Originário, procedente de Nb terrorista de filiação adepto, simpatizante, partidário de Nb budista, petista, santista -tico de procedência Originário, procedente de Nb asiático, israelítico de causa(posse) que provoca ou causa Nb problemático,aromático
está recorrendo a uma regra de formação de palavras, optando ora por um ora por outro sufixo adjetival. O que faria com que o falante optasse por esse ou aquele sufixo isso é que nos interessa. No momento podemos dizer apenas que são várias as possibilidades, ou melhor dizendo regras de formação de que o falante dispõe para formação de adjetivos étnicos derivados dos substantivos, todas elas variantes da Regra : S A-suf - entendendo que S é o substantivo (Nome base = Nb) e que A é o adjetivo (produto) que acrescido do[ –suf] (sufixo que indica a origem, procedência de Nb). Cada sufixo de variante diferente é uma nova regra de formação e está implícita na inteligência do falante à sua disposição quando quiser fazer menção a procedência, origem de algum habitante. Analisamos facilmente as formas em que acrescentamos os sufixos adjetivais que fornecem o entendimento de variante de procedência (origem) à base substantival, resultando as construções X + sufixo (sendo X= substantivo) que significam “morador ou habitante de X (=substantivo)”. Quando nos deparamos com um substantivo topônimo e dele queremos derivar um adjetivo étnico, recorremos a alguma das regras S A-suf já mencionadas e na incerteza de qual sufixo representaria melhor o habitante preferimos usar a paráfrase “morador de X” ou “habitante de X”. Hipotetizemos a possibilidade de um dia virmos a conquistar o espaço e ao chegarmos a Júpiter lá encontrássemos vida; como denominaríamos seus habitantes? Faríamos várias tentativas: (?) jupiterianos, (?) jupitanos, (?) jupiteriense, (?) jupitense, (?) jupitaco, (?) jupitaico, (?) jupitês, só para mencionarmos algumas possibilidades, alguns sufixos adjetivais e algumas regras de variante “de procedência”. O certo é que na dúvida optaríamos pela paráfrase “habitante ou morador de Júpiter” evitando assim qualquer mal entendido ou incerteza. Mas com o passar do tempo haveríamos de optar por uma das suposições acima ou outra qualquer entre aquelas regras já mencionadas no quadro. O que levaria a um consenso em que todos reconhecessem como a melhor forma de se referir aos “habitantes de Júpiter” esta seria sem dúvida a regra para a formação do adjetivo étnico ideal para este caso específico.
Só para não ficarmos no âmbito das conjecturas: Como o falante de nossa língua portuguesa se refere ao habitante do Alasca (um dos estados dos E.U.A.) região que julgamos remota? Acreditamos que tanto alasquense (X + ense) S A-ense quanto alasquiano (X + ano) S A-ano retratariam lingüisticamente com certeza muito bem o “habitante do Alasca”. Inclusive uma forma não bloquearia a possibilidade da outra nem teríamos restrições a nenhuma das duas formas. Quer dizer que as duas formas podem ser aceitas para o falante da língua portuguesa, como de fato estão no nosso léxico, enquanto que com outros sufixos também de variante “de procedência” não acontecesse o mesmo por exemplo alasqueiro (X
semanticamente mais pleno de significação do que os sufixos, e os sufixos só podem expressar algum significado se agregados a bases.