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experienciador antes ou depois do verbo, mas antecedido de um a, como mostram ... enervar fascinar desentristecer enfarar ferir desequilibrar enfadar.
Tipologia: Esquemas
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Doris Maria da Costa
Coordenadoria de Pós-Graduação em Lingüística 2000
Doris Maria da Costa
Coordenadoria de Pós-Graduação em Lingüística 2000
Esta dissertação foi julgada adequada para a obtenção do grau de Mestre em Letras/Lingüística, e aprovada em sua forma final pelo Programa de Pós-Graduação em Lingüística da Universidade Federal de Santa Catarina
Prof Dr. Carlos Mioto - Orientador
Prof Drr Sérgio Menuzzi
\OJvi
Prof. t)r^. Maria Cristina Figueiredo Silva
Lopes da Silva Pós-Graduaçâo Lingüística UFSC^ Vice-Cooidehador
Esta dissertação é dedicada a Delmar, Douglas, Gisele, Roberta, Daniel e Renato
Este é um trabalho de sintaxe comparativa entre os verbos psicológicos no italiano e do PB. Trata do desaparecimento da preposição a nos DPs experienciadores em sentenças com verbos psicológicos que apresentam o tema na posição de sujeito no PB. Como Belletti & Rizzi (1988) consideramos estes verbos inacusativos e com o experienciador numa posição mais alta do que o tema. Note que os verbos têm dois argumentos. No PB, o sujeito desses verbos não reage bem a testes como o do clítico anafórico, á^pro arbitrário e da passivização. No entanto, os testes evidenciam que o sujeito desses verbos não é argumento externo do verbo. Ao mesmo tempo o objeto experienciador, ao ser substituído por um quantificador universal, tem escopo sobre um WH tema, mostrando que o c-comanda. Reafirmamos que este tipo de verbo não atribüi caso acusativo estrutural, mas, por outro lado, atribui caso acusativo inerente. Queremos propor que a preposição a se tornou específica para atribuir caso acusativo inerente. Como ela não é um a:tribüidor "forte", nos contextos em que compete com o verbo para atribuir caso ela desaparece. Quando o DP experienciador aparece deslocado à esquerda ela reaparece porque as marcas casuais se diluem e precisam ser reforçadas.
Palavras-chave:
No terceiro capítulo realizaremos a análise dos verbos, mostrando suas representações nos diagramas em forma de árvore, buscando evidências para a hipótese inacusativa. Na seção dois, apontaremos certa afinidade encontrada entre a preposição a e o argumento experienciador. Mostraremos o desaparecimento de a em sentenças com o verbo agj^adar. Buscaremos indícios de que o experienciador não está na posição de sujeito no fato de a preposição se manter quando este DP aparece à esquerda do verbo. Relacionaremos o tipo de caso atribuído ao experienciador à possibilidade de haver menos restrições ao uso da preposição a. Finalizando, consideraremos com mais atenção a preposição a, na busca de explicações para o seu desaparecimento.
Verbos psicológicos são verbos que expressam um estado psicológico e que têm em sua grade temática um experienciador e um tema. O que chama a atenção nesses verbos é o comportamento incomum em relação ao modo como os argumentos são projetados. Pelo modo normal é de se esperar que os argumentos de um verbo obedeçam a uma certa hierarquia; se houver um agente presente na sua grade temática, ele é que vai ser gerado mais alto na estrutura e que vai acabar na posição de sujeito da sentença; na falta do agente, o segundo na ordem de preferência para ocupar tal posição é o papel causa; em terceiro vem o experienciador; depois o instrumento; e o último ocupante possível desta posição é o tema. Com certos verbos psicológicos, esta predição é contrariada; o tema é que vai para a posição de sujeito, enquanto o experienciador ocupa a posição de objeto. Com outros, a hierarquia prevista é seguida, ou seja, apresentam o experienciador na posição de sujeito e o tema na posição de objeto. Desse modo, a projeção dos verbos psicológicos parece ser idiossincrática. Se juntamos a este quadro verbos psicológicos que possuem apenas o experienciador ou o tema, que aparecem na posição de sujeito, temos o conjunto das sentenças (1), (2), (3) e (4);
(1) Isto preocupa o João. [ TEMA + EXPERIENCIADOR ] (2) O João teme isto. [ EXPERIENCIADOR + TEMA ] (3) O João alegrou-se. [EXPERIENCIADOR] (4) A situação do Brasil preocupa. [TEMA]
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experienciador antes ou depois do verbo, mas antecedido de um a, como mostram (6a) e (6b) respectivamente.
(6) a. A Gianni piace questo /A Gianni agrada isto/ b. Questo piace a Gianni /Isto agrado a Gianni/
Conforme esses autores, há duas estruturas D (DS) para esses verbos, que apresentamos aqui como (7a) e (7b);
(7) a. IP Spec r I VP
GianniDP V temeV^ questoDP
Spec r I
VP V DP Gianti V DPi préoccupa questo
As representações em (7) (de acordo com a hipótese do sujeito interno a VP) transpõem as afirmações de B&R para uma versão que representa VP como a projeção máxima do verbo, isto é, a parte lexical da sentença que contém o verbo e seus argumentos. Além do componente lexical, a sentença contém IP que é a projeção máxima de uma categoria fiincional em cujo Spec um DP recebe canonicamente o caso nominativo. (7a) representa uma estrutura transitiva normal, com o experienciador como argumento externo do verbo. Dada sua proeminência, este argumento vai acabar sendo o sujeito da sentença. Não há outra derivação possível: enquanto questo é marcado por acusativo por teme, Gianni não tem caso disponível na posição de argumento externo. Por isso, deve ser marcado por caso pelo I em geral movendo-se
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para Spec de IP onde recebe nominativo. Com estas características, este é um sujeito prototípico das estruturas transitivas. (7b) é a DS dos verbos psicológicos das classes 2 e 3. A representação quer deixar claro que preoccupare e piacere não selecionam argumento externo, mas dois argumentos internos. Por não selecionarem argumento externo, estes dois tipos de verbo podem ser concebidos como ergativos. Um dos aspectos mais importantes desta postulação é que, qualquer que seja o elemento que vai ser o sujeito, ele vai ser um sujeito derivado: é gerado como complemento, mas acaba como sujeito. Por ser derivado, o comportamento do sujeito não vai ser o de um sujeito prototípico, ou seja, de um sujeito argumento externo. B&R elaboram uma série de testes que servem para diagnosticar que esta é a situação.
2.1. Propriedades do sujeito derivado
O primeiro teste se apóia no fato de que sujeitos derivados não têm habilidade de vincular clíticos anafóricos, propriedade típica dos sujeitos que são o argumento externo do verbo. Veja o contraste entre uma sentença com temere e outra com preoccupare.
(8) a. Gianni si teme b. Giannii sii teme ei (9) a. *Gianni si préoccupa^ b. Giannii sii preocupa q-,
(8a) é gramatical porque a cadeia (.sziei) não prejudica a atribuição de papel 0 a Gianni, o papel 0 é atribuído na posição de argumento externo que Gianni ocupa em (7a). Entretanto, (9a) é agramatical porque a cadeia _{si,e_ ) impede a atribuição de papel 0 a Gianni: estando na posição 0’ Spec de IP, não tem acesso à posição 0 de argumento interno já vinculada pelo clítico. O segundo teste envolve o pro com interpretação arbitrária que ocorre no Spec de um IP de terceira pessoa do plural:
A sentença não é aceita com a interpretação Giamii préoccupa a si mesmo, ou seja, si não é anáfòra.
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João é temido por todos b. *Gianni viene preoccupato da tutti. Gianni vem preocupado por todos João é preocupado por todos
Notemos que os exemplos são dados com venire porque só passivas verbais podem ser construídas com esse auxiliar em italiano A razão da agramaticalidade de (13b) é atribuída ao fato de preoccupare não ser o núcleo de uma estrutura transitiva verdadeira com argumento externo. Em resumo, B&R usam os testes, rapidamente apresentados, para sustentar as estruturas lexicais diferentes postuladas para as classes de verbos psicológicos. Os testes são todos dirigidos para um ponto: o que mostra que os sujeitos das classes 2 e 3 são gerados como argumento interno e que, por isso, não se comportam como sujeitos que correspondem a argumento externo.
2.2. Propriedades do objeto de preoccupare
Além de notarem que o sujeito dos verbos da classe 2 e 3 são derivados, B&R mostram que o objeto de preoccupare não se comporta como um verdadeiro objeto. Uma das propriedades assentadas por Chomsky (1986) quanto ao argumento interno irmão do verbo é que ele é L-marcado por V. Por causa desta propriedade estè DP constitui um domínio transparente para a extração. Observe o par mínimo abaixo:
(14) a. La ragazza di cui Gianni teme il padre. A moça de que Gianni teme o pai b. La ragazza di cuii Gianni teme [d p il padre ei] A moça de qucj Gianni teme [op o pai e j (15) a. *La ragazza di cui Gianni preoccupa il padre. A moça de que Gianni preocupa o pai b. La ragazza di cuii Gianni preoccupa [d p il padre Ci] A moça de gue j Giannij preocupa ej [ d p o pai eJ
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Apesar de parecerem idênticos, os objetos de temere e preoccupare se comportam distintamente quanto a permitir que se extraia c// cui. Isto porque em (14) o DP objeto é L-marcado por teme e como tal não se constitui numa barreira para a extração. Como o objeto experienciador de preoccupa , que corresponde a DP 2 em (7b), não é irmão de V, mas de V , ele não é L-marcado. Estes fatos permitem B&R estabelecerem que o objeto experienciador não é um complemento de V e defenderem que a estrutura dos verbos psicológicos das classes 2 e 3 se representa como em (7b) Por sua vez, os verbos da classe 1 se estruturam como em (7a). Desta forma, o argumento tema dos verbos psicológicos vai ser sempre o irmão de V na DS, enquanto o experienciador ora é gerado como argumento externo, ora como um dos argumentos internos, o mais alto, do verbo.
2.3. Teoria da Viiiculação
B&R buscam sustentação adicional para a hipótese de que a estrutura lexical de preoccupare é como em (7b) no quebra-cabeças que é criado para o Princípio A da Teoria da Vinculação. o fato de uma anáfora dentro do tema sujeito poder ser vinculada pelo objeto experienciador:
(16) Queste pettegolezzi su di séi preoccupano Giannii piü di ogni altra cosa. Estas fofocas de sU preocupam Giamiit mais do que qualquer outra coisa
Como explicar que uma anáfora como sé é vinculada por Gianni se este DP não a c- comanda em (16)? A explicação surge naturalmente quando se assume que o Princípio A pode se aphcar em outro nível de representação que não a SS. Como a estrutura lexical de preoccupare é como (7b), o experienciador vai c-comandar em DS o tema que contém a anáfora e, neste nível, o Princípio A é satisfeito. Portanto, queste pettegolezzi su di sé em (16) só pode ser um sujeito derivado; alçado da posição DPi que é c-comandada pelo DP 2 preenchido por G/aw?/.
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junto a Gianni denuncia a atribuição de Caso dativo inerente ao DP experienciador^, como representamos em (18):
Spec Questo j I VP V
a Gianni V DPi piace tj
Devido à presença da preposição, o DP a Gianni adquire a liberdade de ocupar tanto a posição pré-verbal quanto a posição pós-verbal.
2.4.2. do tema
O tema dos verbos da classe I como temere (19a) recebe Caso acusativo estrutural do verbo, o que é previsível, enquanto o tema dos verbos das classes 2 como preoccupare e 3 como piacere (19b) recebem Caso nominativo estrutural de I e vâo para a posição de sujeito, o que não é comum. O fato de o tema ir para a posição de sujeito leva B&R a considerar esses verbos inacusativos, apesar de terem dois argumentos, pois se esses verbos tivessem a capacidade de atribuir caso acusativo estrutural, este só poderia ser atribuído ao tema. Concluem então, que o tema se move para a posição de especificador de IP a fim de receber Caso.
^ O cliticó que ocorre com a classe de preoccupare é o que costuma ser marcado por acusativo. O clítico que aprece com a classe de piacere é marcado por dativo.
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(19) a IP (19) b IP
Giannij. Questoj
[tem]ei ^ [preoccupja i
tj
\ [piacerl i
ti questo V'^ Giannia Gianni ti tj
Postulando que os verbos das classes 2 e 3 atribuem casos inerentes, B&R conseguem dar uma explicação para o fato de os experienciadores permanecerem na posição pós-verbal, pois todo DP tem que receber caso e, se não há caso estrutural disponível, este deve ser inerente.
Em desacordo com B&R, Caiiçado (1997) afirma que todos os verbos psicológicos têm a mesma estrutura; uma semelhante àquela representada em (7.a). A solução para o problema de qual DP acaba na posição de sujeito da sentença depende de uma classificação mais fina dos papéis temáticos em jogo.
3.1.0 papel temático causa
Para Cançado, o pápel temático que os verbos das classes 2 e 3 atribuem a um de seus argumentos não é tema, mas sim causa, e, como tal, deve ser o primeiro a ser atribuído. Por isso este argumento vai parar na posição de sujeito. Ela toma como base de sua proposta o trabalho de Grimshaw (1990) que postula que a estrutura argumentai surge da combinação da hierarquia temática com a hierarquia aspectual.