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Partido e CONCEITO Arquitetonico, Transcrições de Projeto Estrutural e Arquitetura

O PARTIDO O partido arquitetônico define as características gerais do projeto, como uma “consequência formal derivada de uma série de condicionantes ou determinantes, como um resultado físico da intervenção sugerida” (RABELLO, 2007).

Tipologia: Transcrições

2021

Compartilhado em 12/05/2021

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UNIP
PARTIDO E CONCEITO
ARQUITETÔNICO
O EIXO CONDUTOR
Eixo Condutor trata-se do principal elemento
estruturador da ideia - o porquê de projetar tal
tema. Elenca as principais teorias
socioantropológicas que alicerçam a intenção ou
necessidade em projetar sobre algum tema.
Sempre um propósito por detrás de uma
intenção projetiva, o qual motiva o direcionamento
conceitual tanto quanto norteia a subsequência
metodológica do projeto.
O conceito é algo abstrato que vai permear toda
decisão de projeto, é uma espécie de pauta para
dar coerência ao conjunto sem achismo. Partido é
a informação mais pura de como esta arquitetura
vai acontecer.
Um exemplo com uma obra bem conhecida é a
catedral de Nossa Senhora em Brasília.
Conceitualmente ela procura (a) uma relação
claro-escuro igual à das igrejas para o cristão,
procura (b) uma expressão síntese do cristianismo
que, não por acaso, exprime também o espírito de
partilha e igualdade comunista do autor.
[processo:] Niemeyer, do gesto de partir a hóstia,
depreende o ato do partir o pão. Do movimento de
quebrar a hóstia sai o desenho das 12 colunas
repetidas e uma peça circular (hóstia) estrutura as
12 peças em cima.
O partido do projeto pode ser sintetizado como:
[uma mesma peça estrutural, curva, repetida 12
vezes] + [acesso enterrado para conseguir a zona
escura e o efeito]. Tudo isso expresso num
desenho que tem mais informações. Pretende
promover sensações (SEMIÓTICA).
O partido pode até ser escrito, mas em geral é um
desenho ou maquete que expressa esta síntese.
Depois, elaborando melhor o projeto, o arquiteto
vê como os vidros vão fechar a lateral, define como
a estrutura é possível ajustando as curvas, o
quanto enterra pra conseguir o efeito, etc. Mas o
que sustenta a busca do projeto é 1º o conceito,
que em caso de alteração no partido, é o primeiro
parâmetro e em 2º lugar o partido, que norteia a
elaboração do projeto com clareza do que define
sua expressão.
O CONCEITO
No processo de projeto, o arquiteto define um
conceito. O conceito expressa a ideia subjacente
no desenho e orienta as decisões de projeto em
um a determinada direção, organizando e
excluindo as variantes (LEU PEN, 2004).
Milwaukee Art Museum Santiago Calatrava
Conceito situa-se num plano abstrato, pode-se
admitir várias soluções espaciais e formais viáveis,
que devem ser testadas quanto às suas
qualidades formais, construtivas ou funcionais
para a definição do melhor partido. No dicionário
Conceito é definido como:
1. Representação de um objeto pelo pensamento,
por meio de suas características gerais.
2. Ação de formular uma ideia por meio de
palavras, definição, caracterização.
3. Pensamento, ideia, opinião.
No escopo subjetivo, trata-se efetivamente de;
através da semiose (termo introduzido por Charles
Sanders Peirce para designar o processo de
significação, a produção de significados) criar ou
promover sensações através de formas, da
ambiência produzida pela arquitetura ou pelo
urbanismo, das paisagens enfim e, as sensações
por elas despertadas.
O PARTIDO
O partido arquitetônico define as características
gerais do projeto, como uma “consequência formal
derivada de uma série de condicionantes ou
determinantes, como um resultado físico da
intervenção sugerida” (RABELLO, 2007).
Entre as condicionantes ou determinantes que
norteiam o partido arquitetônico estão o clima,
condições físicas e topográficas do local escolhido,
assim como seu entorno legislação pertinente, as
técnicas construtivas disponíveis e o orçamento
pré-definido. (SILVA, 1983).
O partido arquitetônico pode ser imaginado
plenamente após ter-se clareza plena dos
aspectos conceituais do tema, do programa
arquitetônico, das articulações de suas partes, de
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UNIP

PARTIDO E CONCEITO

ARQUITETÔNICO

O EIXO CONDUTOR

Eixo Condutor trata-se do principal elemento estruturador da ideia - o porquê de projetar tal tema. Elenca as principais teorias socioantropológicas que alicerçam a intenção ou necessidade em projetar sobre algum tema. Sempre há um propósito por detrás de uma intenção projetiva, o qual motiva o direcionamento conceitual tanto quanto norteia a subsequência metodológica do projeto. O conceito é algo abstrato que vai permear toda decisão de projeto, é uma espécie de pauta para dar coerência ao conjunto sem achismo. Partido é a informação mais pura de como esta arquitetura vai acontecer. Um exemplo com uma obra bem conhecida é a catedral de Nossa Senhora em Brasília. Conceitualmente ela procura (a) uma relação claro-escuro igual à das igrejas para o cristão, procura (b) uma expressão síntese do cristianismo que, não por acaso, exprime também o espírito de partilha e igualdade comunista do autor. [processo:] Niemeyer, do gesto de partir a hóstia, depreende o ato do partir o pão. Do movimento de quebrar a hóstia sai o desenho das 12 colunas repetidas e uma peça circular (hóstia) estrutura as 12 peças em cima. O partido do projeto pode ser sintetizado como: [uma mesma peça estrutural, curva, repetida 12 vezes] + [acesso enterrado para conseguir a zona escura e o efeito]. Tudo isso expresso num desenho que tem mais informações. Pretende promover sensações (SEMIÓTICA). O partido pode até ser escrito, mas em geral é um desenho ou maquete que expressa esta síntese. Depois, elaborando melhor o projeto, o arquiteto vê como os vidros vão fechar a lateral, define como a estrutura é possível ajustando as curvas, vê o quanto enterra pra conseguir o efeito, etc. Mas o que sustenta a busca do projeto é 1 º o conceito, que em caso de alteração no partido, é o primeiro parâmetro e em 2º lugar o partido, que norteia a elaboração do projeto com clareza do que define sua expressão.

O CONCEITO

No processo de projeto, o arquiteto define um conceito. O conceito expressa a ideia subjacente no desenho e orienta as decisões de projeto em um a determinada direção, organizando e excluindo as variantes (LEU PEN, 2004). Milwaukee Art Museum – Santiago Calatrava Conceito situa-se num plano abstrato, pode-se admitir várias soluções espaciais e formais viáveis, que devem ser testadas quanto às suas qualidades formais, construtivas ou funcionais para a definição do melhor partido. No dicionário Conceito é definido como:

  1. Representação de um objeto pelo pensamento, por meio de suas características gerais.
  2. Ação de formular uma ideia por meio de palavras, definição, caracterização.
  3. Pensamento, ideia, opinião. No escopo subjetivo, trata-se efetivamente de; através da semiose (termo introduzido por Charles Sanders Peirce para designar o processo de significação, a produção de significados) criar ou promover sensações através de formas, da ambiência produzida pela arquitetura ou pelo urbanismo, das paisagens enfim e, as sensações por elas despertadas.

O PARTIDO

O partido arquitetônico define as características gerais do projeto, como uma “consequência formal derivada de uma série de condicionantes ou determinantes, como um resultado físico da intervenção sugerida” (RABELLO, 2007). Entre as condicionantes ou determinantes que norteiam o partido arquitetônico estão o clima, condições físicas e topográficas do local escolhido, assim como seu entorno legislação pertinente, as técnicas construtivas disponíveis e o orçamento pré-definido. (SILVA, 1983). O partido arquitetônico só pode ser imaginado plenamente após ter-se clareza plena dos aspectos conceituais do tema, do programa arquitetônico, das articulações de suas partes, de

seu pré-dimensionamento e dos aspectos físicos do terreno, de sua forma, de seu entorno. Também da cultura ali reconhecida, na alteridade em reproduzir e produzir as necessidades em consonância com as diretrizes do eixo condutor. Esta associação está diretamente vinculada às estratégias projetivas de como resolver a problemática e, demanda aplicação de tecnologias distintas, até mesmo inovadoras condizentes com as possibilidades regionalizadas do local ou da disponibilidade na observância das premissas gerais.


DISCUSSÃO:

Por: prof. Dr. José dos Santos Cabral Filho. ( 1 ) A realização de um projeto de arquitetura, como qualquer outro trabalho, tem premissas que lhe são próprias: há um programa a ser atendido, há um lugar em que se implantará o edifício, e há um modo de construir a ser determinado. Esse conjunto de premissas é elaborado graficamente em um desenho que opera como mediador entre a ideia do projeto e sua realização concreta. A ideia de um conceito que participe como elemento indutor do processo de projeto é de modo recorrente compreendida como algo externo a essas premissas, uma ficção, analogia, metáfora ou discurso filosófico que, servindo como ponto de partida, daria relevância ao projeto e milagrosamente articularia todos os condicionantes em uma forma significativa. Essa estratégia reduz a importância de dados existentes do problema e valoriza elementos que em princípio sequer existem como premissas necessárias para a realização da arquitetura. Na ausência de um grande padrão ideal legitimador das ações do arquiteto, já diagnosticada desde a emergência do pensamento pós-moderno, a busca de ficções legitimadoras isoladas como algo que confira qualidade à arquitetura tem sido uma estratégia usual tanto entre arquitetos que ocupam posições dominantes no cenário internacional como na produção local, prática e acadêmica. Em contrapartida a essa tendência, proponho pensar o conceito como o esforço do arquiteto em compreender, interpretar e transformar os dados pré-existentes do problema arquitetônico, que se constituem em fundamento para seu trabalho: o lugar, o programa, e a construção. Esta abordagem não procura determinar um procedimento lógico e racional que concatenaria uma sequência de resultados obtidos cientificamente a partir da observação dos condicionantes. Tal entendimento do processo de projeto – e por consequência, do conceito - , em oposição extrema à primeira abordagem citada, suporia a eliminação completa da subjetividade do arquiteto. Contudo, no processo de projeto, a compreensão e interpretação de cada aspecto colocado como premissa exige por parte do arquiteto a tomada de sucessivas decisões. Cada uma dessas decisões é um ato racional, operado a partir do conhecimento específico do problema, relativizado pela experiência vivida do arquiteto e pelo momento em que se realiza o projeto. Como esclarece Brandão acerca da leitura ou fruição de uma obra acabada, “toda compreensão é histórica e emerge da situação existencial e da experiência vivida por aquele que se propõe à tarefa de compreender ou interpretar alguma coisa” (2). Assim, a aparente restrição que a delimitação clara de um campo de ação sobre o qual o arquiteto opera durante o processo de projeto não se constitui em eliminação da subjetividade, mas, pelo contrário, exige um direcionamento desta subjetividade como algo operativo sobre os problemas efetivamente colocados pelo mundo ao arquiteto. Enquanto a busca pelo conceito por parte do fruidor ou usuário parte da interpretação do objeto em si, no ato do projeto o objeto é o que se busca realizar, e portanto não se dá ao conhecimento do autor para que dele se extraiam, se compreendam ou se estabeleçam conceitos. Sendo assim, é necessário recuar nesta busca por algo concreto que, antes da realização do edifício, já esteja disponível ao conhecimento do arquiteto e que permita sua interpretação. No caso do projeto, o que se coloca como concreto à compreensão do arquiteto são, na grande maioria dos casos, as demandas e determinações relativas ao lugar, ao programa e à construção.

Lugar

E delinearia meu projeto, tendo em conta a intenção dos humanos que iriam me pagar; atento à localização, às luzes, às sombras e aos ventos; feita a escolha do terreno, de acordo com suas dimensões, sua exposição, seus acessos, terras contíguas, e a natureza profunda do subsolo... (3) A geografia, a topografia e a geometria do terreno, sua conformação geológica, a paisagem física e cultural, a estrutura urbana, o sol, os ventos e as chuvas e ainda a legislação de uso e ocupação do solo são dados pré-existentes que podem ser extraídos de uma análise cuidadosa do lugar. Cada um desses aspectos se coloca de antemão ao conhecimento do arquiteto: tudo já está ali, demandando apenas um esforço rigoroso de observação. Buscar compreender as implicações de cada um destes aspectos nas relações de uso e no processo de construção é fundamental tanto sob o ponto de vista técnico como conceitual. Sob o ponto de vista pragmático e técnico, a compreensão do lugar em todos os aspectos

prolongamentos do homem. Para escolher as melhores medidas vale mais ‘vê-las e apreciá-las com a separação das mãos’ do que pensá-las somente (isso para as medidas muito próximas da estatura humana). [...] A arquitetura (e com essa palavra englobo a quase totalidade dos objetos construídos) deve ser tão carnal e substancial como espiritual e especulativa (9). Para além das questões relativas às proporções da forma, o domínio efetivo das dimensões permite a atuação ativa do arquiteto sobre a construção a fim de definir espaços qualitativamente distintos. A definição da ambiência de um espaço de permanência ou de um percurso e a demarcação de seu caráter público ou privado são diretamente determinados pelas suas dimensões. Portanto o dimensionamento é fundamental, em primeira instância, para um domínio das demandas de espaço a que correspondem as diversas atividades e, em segunda instância, para a definição de hierarquias e demarcação de diferenciações claras entre os espaços de naturezas distintas. Em relação aos usos e atividades demandados em um programa, para além de um atendimento imediato às questões utilitárias entendidas em um sentido funcionalista, é possível buscar como parte desta estratégia conceitual a investigação dos diversos modos de vida dos usuários, conhecidos ou imaginados, a fim de buscar nesses modos de vida as especificidades que sugiram o espaço mais apropriável e mais adequado para que estes hábitos tomem lugar. Como aponta Brandão, Os conceitos, como aqueles que elaboramos durante a produção de um projeto, não surgem do nada, mas da reflexão sobre a nossa própria experiência dos espaços e daquilo que nos fornece a tradição que lhes concerne. Assim, (...) cumpre elaborar a reflexão sobre nossa experiência desses espaços, sobre a imagem, os significados e sentidos que a tradição nos transmite e que se depositou como repertório da cultura (10). Essa compreensão da tradição pode aqui ser tomada como uma interpretação do repertório acumulado da cultura a fim de transformá-lo em proposições adequadas para o presente, ao invés de reproduzir padrões de espaço culturalmente desenvolvidos ao longo da história para esta ou aquela finalidade. Nesse sentido, parece mais fértil, como sugere Valéry, construir o navio a partir da compreensão das forças que o mar lhe impõe, ou seja, pensar o espaço fisicamente construído a partir das forças e tensões que as diferenciações entre os domínios do individual e do coletivo nele determinam. A partir deste entendimento, parece possível interpretar e interferir nestes diferentes modos de vida, a partir da reelaboração dos padrões recorrentes na tradição, promovendo articulações variadas entre as atividades e os domínios territoriais, a fim de estabelecer no espaço físico continuidades e descontinuidades, integrações, separações e fragmentações, ora controladas pelas necessárias transições, ora justapostas em demarcações e rupturas violentas entre os domínios do público e do privado. A demarcação de territórios com caracterizações distintas em suas relações de privacidade evoca a premissa de que a arquitetura se funda na necessidade de mediação das relações humanas (11). A partir desse entendimento, é possível superar uma visão funcionalista, que definiria o espaço como atendimento objetivo a atividades específicas, passando ao entendimento da questão dos usos e da ocupação humana do espaço edificado a partir da compreensão das diversas possibilidades de vivência do edifício no cotidiano. Habitamos simplesmente o espaço, mesmo quando nele momentaneamente não desenvolvemos qualquer atividade, ou seja, o habitar não passa pela noção da função ou da utilidade imediata. A arquitetura pode surgir do conhecimento e da interpretação dos condicionantes impostos pela vida cotidiana. Quando entendida assim, resulta mais circunstancial e menos ideal. Nesse sentido, cada projeto é um ato único, que deve incorporar as contradições específicas surgidas do embate entre seus condicionantes. A forma é, portanto, algo que resulta deste embate, e é mais relevante quando evita os gestos retóricos que procuram, por um lado, a determinação de uma linguagem a priori e, por outro lado, a caracterização de um discurso sobre algum dos aspectos envolvidos na sua realização. A arquitetura pode prescindir do discurso, desvestir as pretensões excessivas que extrapolam seus fundamentos primeiros e cuidar daquilo que lhe é mais caro, e tem sido mais abandonado, que é a importância do conhecimento da construção como o único meio de viabilização do espaço físico destinado à habitação pelo homem.

Construção

Eupalinos era senhor de seu preceito. Nada negligenciava. Prescrevia o corte das tábuas no veio da madeira, a fim de que, interpostas entre a alvenaria e as vigas que nelas se apoiassem, impedissem a umidade de penetrar nas fibras, embebendo-as e apodrecendo-as. Prestava a mesma atenção a todos os pontos sensíveis do edifício. Dir-se-ia tratar-se de seu próprio corpo. Durante o trabalho da construção, raramente afastava-se do canteiro. Conhecia todas as suas pedras: cuidava da precisão de seu talhe,

estudava minuciosamente todos os meios de evitar que as arestas se ferissem ou que a pureza dos encaixes se alterasse. Ordenava a prática da cinzeladura, a reserva dos calços, a execução de biséis no mármore dos adornos, dispensava o mais fino cuidado ao reboco que aplicava nos muros de simples pedra (12). A definição das fundações, da estrutura, das proteções contra as intempéries, das instalações complementares, dos processos construtivos e dos detalhes, bem como a eleição dos materiais, são escolhas do arquiteto que visam a viabilizar a realização do espaço imaginado e resultam na forma arquitetônica. Assim como nos aspectos relativos ao lugar e ao programa, é possível identificar diretrizes latentes de ordenação do espaço e da forma em cada aspecto relacionado à construção. Pensar cada um desses aspectos para além de suas determinações técnico-funcionais, da viabilização do abrigo, implica em pensar o elemento da construção como gerador de espaço, e não o contrário. Respeitar as especificidades de cada solução técnica, compreender o comportamento dos elementos em relação às forças da natureza, em especial a gravidade, implica em explorar conceitualmente as possibilidades da construção. Nesse sentido, cabe concordar com Joaquim Guedes, que aponta que “há que aprender a imaginar o objeto e ao mesmo tempo inventar sua construção” (13). O conhecimento da construção é a única possibilidade de se viabilizar concretamente a ideia do objeto arquitetônico. Sua desconsideração é a garantia da falência da arquitetura – e do arquiteto - , na medida em que deixa para outro a responsabilidade fundamental das definições que em última instância implicam na geração da forma visível e tangível do edifício, e na definição da ambiência e da conformação do espaço interior destinado à vida humana. Desconhecer os procedimentos para a construção do objeto é operar apenas sobre a imagem pretendida para o edifício e seu espaço interior, é o simulacro da decoração e do ornamento supérfluo. Se há algum caminho possível para a arquitetura nesse momento, acredito ser sua realização através da manipulação ativa de sua lógica de construção, operando a partir de seus fundamentos para atingir uma resposta concreta, fisicamente edificada, que faça repercutir no objeto arquitetônico, de modo complexo, o conhecimento, a interpretação e a transformação de todas as restrições e determinações do lugar, do programa e das próprias possibilidades de construção.

O desenho como mediador

Sou avaro em divagações. Concebo como se executasse (14). A representação gráfica é, e parece que por muito tempo continuará sendo, o modo de mediação entre a ideia e a sua realização concreta, a construção. Portanto, o desenho é o ponto crítico no processo, pois não é apenas a representação final de uma ideia pensada de antemão, mas é a própria construção da ideia. Enquanto desenha, o arquiteto testa hipóteses de resolução das diversas contradições que surgem do embate entre as demandas impostas pelo sítio, pelo programa e pela construção. Como confirma Brandão, expressão gráfica (...) não é apenas representação de uma ideia, mas um momento de compreensão e construção dessa ideia. (...)Dizer que essa relação é dialógica significa dizer que ela se desenvolve a partir do jogo de perguntas e respostas que são colocadas entre os dois momentos. Esse jogo se desenvolverá também para estabelecer a relação entre o projeto e a obra e, depois, entre a obra e o habitante. Cumpre reafirmar, desde já, que a própria definição do conceito é mediatizada pelas perguntas colocadas pela construção, pela contextualização e pela fruição da obra (15). Como mediador que visa a concepção e a realização do edifício, o desenho deve explicitar com clareza os procedimentos para a construção do objeto. Se tratado de modo abstrato e desvinculado da lógica e das implicações da construção, o desenho perde sua relação direta com o objeto arquitetônico, e deixa de ser o meio para sua realização. Arrisca-se assim a não realização do edifício como previsto, por mera impossibilidade ou divergência entre a técnica possível e o espaço e volume imaginados. A deficiência da representação decorre do desconhecimento da construção. Portanto, a representação, para ser suficiente e para viabilizar a construção de um edifício qualquer, deve se fundamentar no conhecimento de todas as premissas que interferem nesta realização do objeto. Rafael Moneo confirma essa hipótese: Muitos arquitetos atualmente inventam processos e ensinam técnicas de desenho sem a preocupação com a realidade da construção. A tirania dos desenhos é evidente em muitos edifícios em que o construtor procura seguir literalmente o desenho. A realidade pertence ao desenho, não ao edifício. [...] Os edifícios se referem tão diretamente às definições do arquiteto e estão tão desconectados com a operação da construção que a única referência é o desenho. Mas um verdadeiro desenho de arquitetura deve implicar sobretudo o Conhecimento da construção (16). A necessidade do conhecimento acumulado associado à observação acurada dos aspectos específicos que dizem respeito a cada projeto

Arquitetura bioclimática; Arquitetura sustentável. Eles surgem da necessidade que o setor tem de atender cada vez mais aos problemas do hábitat atual e contribuir para a cadeia de Sustentabilidade. Por isso, a Arquitetura e a Construção se relacionam cada dia mais com diferentes campos de estudo que privilegiam também aspectos ambientais, sociais, culturais e econômicos. Mas de onde vêm esses conceitos? São sinônimos? Quais suas premissas básicas? Fig. 1 – Edifício Corporativo Chileexpress (Chile, Guillermo Hevia) e Museu Quai Branly (França, Jean Nouvel) – Duas funções, dois contextos e diferentes prioridades que se traduzem em duas arquiteturas diferentes. Mas terão o mesmo conceito de projeto? (Fonte: Revista Plataforma Arquitectura). Esse artigo busca aclarar quatro conceitos atuais de Arquitetura, ligados entre si, mas que sem dúvida não são iguais. Eles podem sim se complementar, porém cada um deles busca atender suas prioridades mais essenciais de acordo com o contexto. Para compreendê-los é fundamental entender um pouco de onde se originam e o porquê da necessidade desses novos paradigmas. De onde se originam? O tema da Sustentabilidade surge na década de 60, quando os desastres ambientais e a crise energética começam a gerar uma preocupação mundial com o meio ambiente. Em 1987 é cunhado o primeiro conceito oficial de Desenvolvimento Sustentável : “é aquele que atende as necessidades do presente sem comprometer as possibilidades de as gerações futuras atenderem suas próprias necessidades”. Paralelo a isso, os profissionais da área do ambiente construído, conscientes do papel dos edifícios no crescimento sustentável, começam a propor novos conceitos de Arquitetura baseados na Sustentabilidade e o tema chega com maior ênfase no aspecto ecológico e energético. Hoje a Arquitetura já possui seu documento próprio de caráter universal: a Agenda 21 para a Construção Sustentável e fica claro que a Arquitetura não pode ser sustentável se não prioriza além dos aspectos ambientais também sociais, culturais e locais. Técnicas construtivas e materiais naturais também estão dentro dos objetivos da Eco Arquitetura. Bons exemplos são:

Eco-arquitetura

Esse conceito se baseia na definição de Ecologia , que em sentido mais amplo é: o conjunto de todas as interações dos seres vivos uns com os outros e com o ambiente no qual eles vivem. Ou seja, a Eco Arquitetura considera a edificação como parte da ecologia do planeta e do habitat vivo. Dessa maneira o edifício deve estar em perfeita sintonia com seu meio ambiente natural, causar o menor impacto ambiental possível e preservar os recursos naturais. E que estratégias tomar para tal? Devemos principalmente relacionar essa edificação com seus aspectos naturais característicos da região – clima, materiais e recursos naturais (água, solo, rochas, energia e vegetação). Para isso são necessárias tecnologias adequadas, como por exemplo: economia de uso da água (como captação de água de chuva); uso e produção de energia renovável (como energia solar ou biomassa); preservação de espécies vegetais nativas ; uso de materiais ecologicamente corretos (por exemplo, madeiras certificadas); uso de materiais reciclados da região e se possível reciclar os dejetos produzidos pelo edifício. Fig. 3 - “Casa-árvore” – assim chamada pelo arquiteto que a projetou, João Diniz. Essa casa sobre palafitas é um ótimo exemplo de Eco arquitetura. Em área de preservação ambiental

na região montanhosa de Belo Horizonte, o arquiteto consegue integrar a casa ao meio ambiente natural, mantendo o perfil do terreno, com declive de 45° e conservando a cobertura vegetal. Mínimo impacto ambiental no meio ambiente. Fig. 4 - Telhado Verde – Uma forma de integração com a natureza. Causa pouco impacto a paisagem, é isolante térmico e ainda tem a possibilidade de captação de água de chuva. (fonte: www.espiralando.com.br) Fig. 5 - Tijolos ecológicos de solo-cimento

Arquitetura Inteligente e Domótica

Os chamados edifícios inteligentes surgem nos anos 80, da necessidade de conforto e segurança aliado às novas tecnologias que surgiam nesse momento. Estão intimamente ligados ao conceito de domótica , proveniente das palavras domus (casa) e tica (do grego automática). Essa forma de construir não é especificamente ecológica, ou melhor dito, não é seu objetivo. Ela pode ser associada em alguma ocasião à Arquitetura Sustentável por buscar a eficiência energética da habitação. Seu objetivo essencial é o bem-estar do usuário, priorizando o conforto ambiental interno , segurança dos habitantes e comunicação, através da automação residencial. Para isso se usa a integração das novas tecnologias existentes de eletrônica, eletricidade, informática e telecomunicações. Fig. 6 - Temperatura, iluminação, dispositivos de segurança, música e até mesmo aparelhos eletroeletrônicos podem ser gerenciados pelo usuário através de uma central computadorizada na casa.

Arquitetura Bioclimática

A construção B ioclimática se preocupa mais especificamente com conforto ambiental interno e eficiência energética , que devem ser alcançados através de estratégias naturais, aproveitando ao máximo os recursos naturais de seu entorno de forma racional. Partindo desse princípio as principais estratégia podem ser: Estudo da orientação solar – nos demonstrará as “trajetórias solares”, quais zonas de recepção de mais e menos radiação solar, luz do céu e luz do Sol , nos permitindo projetar os desenhos de aberturas e janelas, cores e materiais adequados; Iluminação natural – pode ser controlada por meio de aberturas (que podem ser: zenitais, pequenos caixilhos, brises soleis, janelas). Tendo em conta que o Brasil é um país tropical com a maioria dos dias de calor intenso, se deve ter cuidado para não criar zonas de efeito estufa , aproveitando a luz do céu e não a luz do Sol ; Ventilação natural – por meio de aberturas, criação de zonas de alta e baixa pressão, induzindo a ventilação cruzada e permitindo a refrigeração de ambientes cálidos; Isolamento térmico – utilizando materiais isolantes adequados se podem conservar a temperatura do interior por mais tempo; Com o manejo adequado dessas estratégias se podem evitar o uso de sistemas artificiais de climatização interior como ar condicionado e calefação, alcançando assim a eficiência da energia. Fig. 7 - A fábrica Ipel (SP) do arquiteto Sidônio Porto é um bom exemplo de Arquitetura Bioclimática, onde reúne algumas estratégias formais para alcançar o Conforto Ambiental e a eficiência energética. Fig. 8 - Detalhe da cobertura com sheds que proporciona uma boa ventilação e iluminação naturais, o que dispensa o uso de climatizadores artificiais e iluminação artificial em excesso

Arquitetura Sustentável

A Arquitetura Sustentável se orienta diretamente pelo Desenvolvimento Sustentável e deve se fundamentar nas mesmas prioridades. Dessa maneira, uma boa referência é o documento Agenda 21 para a Construção Sustentável , onde se estabelece que os desafios agora, além de ecológicos, também são atingir gradativamente as metas que se incluem nas dimensões socioculturais na arquitetura e também deve se adequar às necessidades, prioridades e características de cada lugar.

renascentista, o palácio pavilhonado aristocrático, o “hotel” burguês, entre outros. Fig. 1 – As igrejas do Período do Ouro no Brasil formam um dos tipos mais recorrentes da arquitetura barroca no Brasil. 1 - Bom Jesus dos Matosinhos (Imagem http://viajeaqui.abril.com.br); 2 - Santa Efigênia (Imagem http://www.travel-earth.com); 3 - N. S da Conceição de Antonio (Imagem dramabarrocomineiro.files.wordpress.com). Plantas SANTOS, P. A arquitetura eeligiosa em Ouro Preto. Kosmos 1951.

Forma geométrica

É a forma preferida da arquitetura moderna. A escolha dos arquitetos geralmente recai sobre formas simples: prismas, cilindros, paralelepípedos, usados isoladamente ou compondo conjuntos. Eventualmente, recorre-se a formas geométricas menos usuais: a Catedral de Brasília tem a estrutura formal de um hiperbolóide de revolução. Fig. 2 – Catedral de Brasília. Imagem http://architetour.files.wordpress.com

Forma livre

É também muito usada na arquitetura moderna. A forma abstrata, visto não ter nenhum referente imediato, isto é, não se parecer com formas usadas anteriormente ou com figuras geométricas familiares, atendeu à perfeição aos requisitos modernistas de inovação, originalidade e funcionalidade. Quanto à inovação , a busca de formas não conhecidas era uma exigência para a criação de um novo código desvinculado do passado; no que se refere à originalidade , o atendimento ao mito romântico da forma original era visto como oposição ao passado recente, de obediência clássica, e portanto normativa; quanto à funcionalidade , se a forma deveria “seguir a função”, não poderia ser um “a priori”, como é o caso da forma tipológica, mas uma conseqüência final do estudo do problema. Fig. 3 – Casa das Canoas. Rio de Janeiro, 1851 - 3. Arq. O. Niemeyer. Imagens (Dir) http://www.neurosoftware.ro/ (Esq.) Arte- concepcao.blogspot.com

Forma topológica

A forma topológica é inspirada pelo sítio (“topos”, em grego, quer dizer “sítio”, “local”), isto é, extrai uma ou mais das características do local onde o edifício será implantado.Um exemplo conhecido de forma topológica é o Conjunto Habitacional do Pedregulho, no Rio de Janeiro, onde a linha tortuosa, geratriz do volume do edifício é uma curva do próprio terreno. Outro exemplo está nas cidades coloniais do sul de Minas, como Ouro Preto, cujo movimento dos telhados, que nos encata, é conseqüência do relevo do local.

Fig. 4 – Conjunto Prefeito Mendes de Moraes (Pedregulho). Benfica, Rio de Janeiro. 1946 - 52. Arq. Affonso Eduardo Reidy. Imagem http://blogs.estadao.com.br/

Forma analógica

Analogia é a relação de semelhança entre dois objetos; é um dos mais poderosos meios de criação de que dispomos. A forma arquitetônica analógica é inspirada por um objeto externo ao universo da arquitetura. Veja-se o exemplo das ordens gregas: os capitéis dórico e jônico são de inspiração geométrica; já o capital coríntio é uma forma analógica (representa um cesto ornado de folhas de acanto). Outro exemplo nos é dado pelo Terminal de Passageiros da TWA, inspirado na forma de uma águia,uma metáfora alusiva não somente ao vôo de longo alcance, como também ao país, de vez que a águia é simbolo dos Estados Unidos. Fig. 5 – Terminal da TWA no aeroporto J. F. Kennedy, em Nova Iorque. 1962. Arq. Eero Saarinen. Imagem http://www.galinsky.com/buildings/twa/

Forma tectônica

A forma tectônica [1] é determinada por necessidades técnicas. Observemos, por exemplo, os telhados de águas” inclinadas, uma solução de cobertura que atravessa toda a História da Arquitetura. A inclinação deve-se à necessidade de facilitar o escoamento das águas ou de neve. Um outro exemplo de forma tectônica nos é dado pelo pelo arco, que tantos serviços prestou à arquitetura tradicional.

Fig. 6 – Fábrica de chapéus Steinberg,

Luckenwalde (1921-1923). Erich Mendelsohn.

Imagens (Dir.) http://www2.uni-jena.de/

Forma orgânica Temos uma forma orgânica quando a configuração final do edifício é “a posteriori”, resultado do posicionamento das unidades espaciais, que são justapostas à maneira de células de um tecido orgânico. Os mais célebres exemplos desta ‘categoria são as “praire houses” de Frank Lloyd Wright, residências suburbanas de alta classe média no Leste dos Estados Unidos, início do século. Fig. 7 – Casa da Cascata. Bear Run, Pensilvânia. 1936. Arq. F. Ll. Wright. Imagens http://www.coolboom.net

Forma sistêmica

É resultante da resolução antecipada dos problemas propostos por um ou mais sistemas da arquitetura. Historicamente, o melhor exemplo da forma sistêmica vem das catedrais góticas. Os sistemas espacial, estrutural e de iluminação são resolvidos em cada tramo do edifício e se reproduz linearmente por justaposição. Atualmente os sistemas envolvidos são de maior complexidade, incluindo a estrutura, as instalações técnicas (ar condicionado, eletricidade, água e esgoto),

TRABALHO INDIVIDUAL: Apresentar conforme normas (ABNT) de formatação para

trabalho técnico (iguais aos da monografia).

Valendo-se do conteúdo do texto acima apresentado, em relação a sua intenção projetiva,

diante da necessidade de apresentar estudos de casos bem como sua proposta conceitual

no trabalho monográfico do TC – Anteprojeto, caracterize em ambos os capítulos: o EIXO

CONDUTOR, CONCEITO e PARTIDO ARQUITETÔNICO.

CHING, Francis D K. ARQUITETURA - Forma Espaço e Ordem. Martina Fones. São.