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Contos Novos de Mario de Andrade: Um Recolhimento de Narrativas Maturas, Resumos de Português (Gramática - Literatura)

Contos novos, publicado póstumamente em 1947, é composto por narrativas que refletem a madura arte narrativa de mario de andrade. O autor se orgulha de ter escrito e completado um conto entre 1927 e 1942. Este livro pertence ao gênero de contos modernos e abrangerá as principais correntes literárias que marcaram a literatura brasileira das décadas de 30 e 40. Além dos fatos externos, essas histórias buscam registrar o fluxo de pensamento das personagens. O contexto histórico-cultural abrange a capital e interior de são paulo, décadas de 20 a 40, processo de urbanização e industrialização, e a luta entre o patriarcalismo e o progressismo. O livro contém nove contos: 'vestida de preto', 'o ladrão', 'primeiro de maio', 'atrás da catedral de ruão', 'o poço', 'peru de natal', 'frederico paciência', 'nélson' e 'tempo de camisolinha'.

Tipologia: Resumos

2022

Compartilhado em 20/02/2022

larissa-m-16
larissa-m-16 🇧🇷

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Contos Novos (1947), escrito num período de crise pessoal, teve
publicação póstuma. Reúne narrativas da maturidade artística do
autor, marcadas pela maior depuração compositiva e estilística. "Eu
também me gabo de levar de 1927 a 42 pra achar o conto, e
completá-lo em seus elementos" (Carta a Alphonsus de Guimaraens
Filho).
Gênero literário
Contos de estrutura moderna, que acolhem as principais correntes
ficcionistas que marcaram a Literatura Brasileira das décadas de 30 e
40. Mais do que os fatos exteriores, os relatos procuram registrar o
fluxo de pensamento das personagens.
Contexto histórico-cultural
São Paulo, capital e interior, décadas de 20 a 40; processo de
urbanização e industrialização (cidade); patriarcalismo X
progressismo (ambiente rural).
Enredos:
1. "Vestida de preto" : Juca, em flash-back, recupera as primeiras
experiências amorosas com sua prima Maria, bruscamente
interrompidas por uma Tia Velha. A repressão associa-se à rejeição da
prima, que o esnoba na adolescência. A prima se casa, descasa, e o
convida para visitá-la. "Fantasticamente mulher", sua aparição deixa
Juca assustado.
2. "O ladrão" : Numa madrugada paulistana, um bairro operário é
acordado por gritos de pega-ladrão. Num primeiro momento, marcado
pela agitação, os moradores reagem com atitudes que vão do medo
ao pânico e à histeria, anulados pela solidariedade com que se unem
na perseguição ao ladrão. Num segundo momento, caracterizado pela
serenidade e enleio poético, um pequeno grupo de moradores
experimenta momentos de êxtase existencial. Os comportamentos se
sucedem, numa linha que vai do instinto gregário ao esvaziamento
trazido pela rotina.
3. "Primeiro de Maio" : Conflito de um jovem operário, identificado
como "chapinha 35", com o momento histórico do Estado Novo. 35 vê
passar o Dia do Trabalho, experimentando reflexões e emoções que
vão da felicidade matinal à amargura e desencanto vespertinos.
Mesmo assim, acalenta a esperança de que, no futuro, haja liberdade
democrática para que "sua" data seja comemorada sem repressão.
4. "Atrás da catedral de Ruão" : Relato dos obsessivos anseios
sexuais de uma professora de francês, quarentona invicta, que
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Contos Novos (1947), escrito num período de crise pessoal, teve publicação póstuma. Reúne narrativas da maturidade artística do autor, marcadas pela maior depuração compositiva e estilística. "Eu também me gabo de levar de 1927 a 42 pra achar o conto, e completá-lo em seus elementos" (Carta a Alphonsus de Guimaraens Filho).

Gênero literário

Contos de estrutura moderna, que acolhem as principais correntes ficcionistas que marcaram a Literatura Brasileira das décadas de 30 e

  1. Mais do que os fatos exteriores, os relatos procuram registrar o fluxo de pensamento das personagens.

Contexto histórico-cultural

São Paulo, capital e interior, décadas de 20 a 40; processo de urbanização e industrialização (cidade); patriarcalismo X progressismo (ambiente rural).

Enredos:

  1. "Vestida de preto" : Juca, em flash-back, recupera as primeiras experiências amorosas com sua prima Maria, bruscamente interrompidas por uma Tia Velha. A repressão associa-se à rejeição da prima, que o esnoba na adolescência. A prima se casa, descasa, e o convida para visitá-la. "Fantasticamente mulher", sua aparição deixa Juca assustado.
  2. "O ladrão" : Numa madrugada paulistana, um bairro operário é acordado por gritos de pega-ladrão. Num primeiro momento, marcado pela agitação, os moradores reagem com atitudes que vão do medo ao pânico e à histeria, anulados pela solidariedade com que se unem na perseguição ao ladrão. Num segundo momento, caracterizado pela serenidade e enleio poético, um pequeno grupo de moradores experimenta momentos de êxtase existencial. Os comportamentos se sucedem, numa linha que vai do instinto gregário ao esvaziamento trazido pela rotina.
  3. "Primeiro de Maio" : Conflito de um jovem operário, identificado como "chapinha 35", com o momento histórico do Estado Novo. 35 vê passar o Dia do Trabalho, experimentando reflexões e emoções que vão da felicidade matinal à amargura e desencanto vespertinos. Mesmo assim, acalenta a esperança de que, no futuro, haja liberdade democrática para que "sua" data seja comemorada sem repressão.
  4. "Atrás da catedral de Ruão" : Relato dos obsessivos anseios sexuais de uma professora de francês, quarentona invicta, que

procura hipocritamente dissimular seus impulsos carnais. Aplicação ficcional da psicanálise: decifração freudiana.

  1. "O poço" : Joaquim Prestes, fazendeiro dividido entre o autoritarismo e o progressismo, é desafiado por um grupo de peões que se insubordinam, desrespeitando o mandonismo absurdo do patrão.
  2. "Peru de Natal" : Juca exorciza a figura do pai, "o puro-sangue dos desmancha-prazeres", proporcionando à família o que o velho, "acolchoado no medíocre", sempre negara.
  3. "Frederico Paciência" : Dois adolescentes envolvidos por uma amizade dúbia, de conotação homossexual, procuram encontrar justificativas para esse controvertido vínculo e se rebelam contra as convenções impostas pela sociedade.
  4. "Nélson" : Registro do comportamento insólito de um homem sem nome. Num bar, um grupo de rapazes exercita seu "voyeurismo" pela curiosidade despertada pelo estranho sujeito: quatro relatos se acumulam, na tentativa de decifrar a identidade e a história de vida de uma pessoa que vive ilhada da sociedade, ruminando sua misantropia.
  5. "Tempo de camisolinha" : Juca, posicionando-se novamente como personagem-narrador, evoca reminiscências da infância, especialmente do trauma que lhe causou o corte de seus longos cabelos cacheados. Reconcilia-se com a vida ao presentear um operário português com três estrelas-do-mar. Foco narrativo de 1 a pessoa Centra-se no eixo de individualidade de Juca, protagonista-narrador. Por meio de evocação memorialista, em profunda introspecção, ele relembra a infância, a adolescência e o início de vida adulta. Foco narrativo de 3 a pessoa Centra-se num eixo de referência social, de inspiração neo-realista. A denúncia de problemas sociais se alia à análise da problemática existencial das personagens. Espaço Integra-se de forma dinâmica nos conflitos das personagens. Por exemplo, em "O poço", o frio cortante do vento de julho, no interior paulista, amplifica o tratamento desumano que o fazendeiro Joaquim Prestes dá a seus empregados. Personagens