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Pedologia simplificada, Notas de estudo de Engenharia Agronômica

Descrição de vários tipos de solos, porém ainda na classificação anterior da Embrapa.

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 26/08/2009

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POTAFOS – Caixa Postal 400 CEP 13400-970 Piracicaba-SP Telefone e fax: (19) 433-3254 1
ARQUIVO DO AGRÔNOMO - Nº 1
(2ª edição - ampliada e totalmente modificada)
1 Engº Agrº, Dr., Pesquisador Científico do Instituto Agronômico, CEP 13020-902 Campinas-SP. Telefones: (19) 231-5422 (IAC) ou (19) 434-5336 (residência).
Tabela 1. Critérios gerais de classificação dos vários tipos de horizonte B (CAMARGO et al., 1987).
B latossólico (Bw): Horizonte mineral não iluvial e muito intemperizado (teor de argila semelhante ao do horizonte A).
B textural (Bt): Horizonte mineral iluvial com concentração de argila translocada do horizonte A (teor de argila bem mais elevado do que no horizonte A). Se o teor de argila
for relativamente uniforme entre os horizontes A e B, deve ocorrer cerosidade relativamente nítida nos agregados estruturais.
B nátrico (Btn): Horizonte B textural rico em sódio trocável.
B incipiente (Bi): Horizonte mineral não iluvial e com menor grau de intemperização do que o B latossólico (teor de argila semelhante ao do horizonte A).
B podzol (Bh, Bs, Bhs): Horizonte mineral iluvial, com concentração de matéria orgânica e/ou ferro translocados do horizonte A.
A PEDOLOGIA SIMPLIFICADA
Deve-se verificar se há boa luminosidade, ou seja, se não há
sombra na face da trincheira escolhida ou no lado do barranco de
estrada. Isto porque a pouca luminosidade dificulta a separação dos
horizontes.
É recomendável não descrever o perfil de solo logo após dias
chuvosos, pois nessas condições há dificuldade em se avaliar certas
características morfológicas como estrutura, consistências seca e
úmida, e cerosidade (se ocorrer).
A descrição morfológica é feita segundo as normas contidas
no Manual de descrição e coleta do solo no campo, de LEMOS &
SANTOS (1984).
Após separar os horizontes, tendo-se como base as variações
de cor, textura, estrutura, cerosidade (se ocorrer), consistência e
transição entre horizontes, inicia-se a coleta de amostras de solo,
começando pelos horizontes ou camadas mais profundas, até os
horizontes mais superficiais, para evitar a contaminação entre as
amostras de horizontes, o que poderia ocorrer caso a amostragem
fosse feita no sentido inverso.
As amostras de solo são acondicionadas em sacos plásticos
em quantidade de 2-5 kg, fazendo-se antes a etiquetagem, anotan-
do-se as respectivas profundidades dos horizontes (ou camadas) e
o respectivo número do perfil.
3. HORIZONTE DIAGNÓSTICO DE SUBSUPERFÍCIE
O horizonte diagnóstico de subsuperfície é utilizado para
classificar o solo porque sofre pouca ou nenhuma influência do
manejo, sendo que o horizonte B2 é considerado diagnóstico de
subsuperfície porque apresenta o grau máximo de desenvolvi-
mento de cor, textura, estrutura e cerosidade (se ocorrer), ao con-
trário do BA (antigo B1) e do BC (antigo B3), que são horizontes de
transição. Se o solo não possui o horizonte B em subsuperfície,
utiliza-se o horizonte C como diagnóstico, e, finalmente, se não
existe o horizonte B e nem o horizonte C, utiliza-se o horizonte A
como diagnóstico de superfície.
A Tabela 1 resume os critérios gerais de classificação dos
vários tipos de horizonte B.
Na Tabela 2 são relacionadas as seqüências de horizontes
A-B, A-C, A-R, A-(B e/ou C pouco espessos), A-E-Btg, A-Cg
e H-Cg, com as respectivas possibilidades de classificação do solo.
1. INTRODUÇÃO
Apedologia, uma ciência relativamente recente (tem
pouco mais de um século), estuda o solo tendo como
base o seu perfil. O perfil do solo é uma secção
vertical que contém horizontes ou camadas sobrejacentes ao mate-
rial de origem.
O levantamento pedológico consiste de dois componentes:
mapa e relatório técnico. O mapa mostra a distribuição espacial dos
solos na paisagem, enquanto o relatório aborda as suas carac-
terísticas morfológicas, químicas, físico-hídricas e mineralógicas.
Tem-se verificado que as informações pedológicas são sub-
utilizadas pelo usuário com poucos conhecimentos de solos.
Procurando mudar esta situação, foram escolhidas algumas infor-
mações básicas de como identificar os solos no campo e feitos os
comentários gerais sobre as potencialidades e limitações dos
principais solos que ocorrem no país.
2. PROCEDIMENTO NO CAMPO PARA SE CLASSIFI-
CAR O SOLO
São vários os procedimentos que devem ser tomados no
campo para se classificar os solos. As observações podem ser feitas
mediante tradagens, trincheiras ou em barrancos adequados de
estradas (sem sinais de erosão ou de adição de materiais).
O estudo dos solos mediante a amostragem por tradagens
tem alguns inconvenientes, tal como a destruição das unidades
estruturais, impossibilitando a avaliação correta da estrutura, da
cerosidade e da consistência nos estados seco e úmido. Entretanto,
é possível examinar a cor, avaliar a textura e a consistência do solo
no estado molhado.
O estudo em trincheiras ou em barrancos de estrada permite
o exame das características morfológicas sem limitações, pois as
unidades estruturais estão no seu estado natural. Deve-se ter o
máximo cuidado para não amostrar o solo em local onde foi
adicionado material estranho.
Para se estudar os solos em barrancos de estrada recomenda-
se cavar aproximadamente 30-50 cm para dentro do barranco, e em
toda a extensão do perfil, para se evitar que o ressecamento
prejudique a avaliação da estrutura e da consistência nos estados
seco e úmido.
Hélio do Prado(1)
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POTAFOS – Caixa Postal 400 CEP 13400-970 Piracicaba-SP Telefone e fax: (19) 433-3254 1

ARQUIVO DO AGRÔNOMO - Nº 1

(2ª edição - ampliada e totalmente modificada)

(^1) Engº Agrº, Dr., Pesquisador Científico do Instituto Agronômico, CEP 13020-902 Campinas-SP. Telefones: (19) 231-5422 (IAC) ou (19) 434-5336 (residência).

Tabela 1. Critérios gerais de classificação dos vários tipos de horizonte B (CAMARGO et al., 1987).

B latossólico (Bw): Horizonte mineral não iluvial e muito intemperizado (teor de argila semelhante ao do horizonte A). B textural (Bt): Horizonte mineral iluvial com concentração de argila translocada do horizonte A (teor de argila bem mais elevado do que no horizonte A). Se o teor de argila for relativamente uniforme entre os horizontes A e B, deve ocorrer cerosidade relativamente nítida nos agregados estruturais. B nátrico (Btn): Horizonte B textural rico em sódio trocável.

B incipiente (Bi): Horizonte mineral não iluvial e com menor grau de intemperização do que o B latossólico (teor de argila semelhante ao do horizonte A). B podzol (Bh, Bs, Bhs): Horizonte mineral iluvial, com concentração de matéria orgânica e/ou ferro translocados do horizonte A.

A PEDOLOGIA SIMPLIFICADA

Deve-se verificar se há boa luminosidade, ou seja, se não há

sombra na face da trincheira escolhida ou no lado do barranco de

estrada. Isto porque a pouca luminosidade dificulta a separação dos

horizontes.

É recomendável não descrever o perfil de solo logo após dias

chuvosos, pois nessas condições há dificuldade em se avaliar certas

características morfológicas como estrutura, consistências seca e

úmida, e cerosidade (se ocorrer).

A descrição morfológica é feita segundo as normas contidas

no Manual de descrição e coleta do solo no campo, de LEMOS &

SANTOS (1984).

Após separar os horizontes, tendo-se como base as variações

de cor, textura, estrutura, cerosidade (se ocorrer), consistência e

transição entre horizontes, inicia-se a coleta de amostras de solo,

começando pelos horizontes ou camadas mais profundas, até os

horizontes mais superficiais, para evitar a contaminação entre as

amostras de horizontes, o que poderia ocorrer caso a amostragem

fosse feita no sentido inverso.

As amostras de solo são acondicionadas em sacos plásticos

em quantidade de 2-5 kg, fazendo-se antes a etiquetagem, anotan-

do-se as respectivas profundidades dos horizontes (ou camadas) e

o respectivo número do perfil.

3. HORIZONTE DIAGNÓSTICO DE SUBSUPERFÍCIE

O horizonte diagnóstico de subsuperfície é utilizado para

classificar o solo porque sofre pouca ou nenhuma influência do

manejo, sendo que o horizonte B 2 é considerado diagnóstico de

subsuperfície porque apresenta o grau máximo de desenvolvi-

mento de cor, textura, estrutura e cerosidade (se ocorrer), ao con-

trário do BA (antigo B 1 ) e do BC (antigo B 3 ), que são horizontes de

transição. Se o solo não possui o horizonte B em subsuperfície,

utiliza-se o horizonte C como diagnóstico, e, finalmente, se não

existe o horizonte B e nem o horizonte C, utiliza-se o horizonte A

como diagnóstico de superfície.

A Tabela 1 resume os critérios gerais de classificação dos

vários tipos de horizonte B.

Na Tabela 2 são relacionadas as seqüências de horizontes

A-B, A-C, A-R, A-(B e/ou C pouco espessos), A-E-Btg, A-Cg

e H-Cg, com as respectivas possibilidades de classificação do solo.

1. INTRODUÇÃO

A

pedologia, uma ciência relativamente recente (tem

pouco mais de um século), estuda o solo tendo como

base o seu perfil. O perfil do solo é uma secção

vertical que contém horizontes ou camadas sobrejacentes ao mate-

rial de origem.

O levantamento pedológico consiste de dois componentes:

mapa e relatório técnico. O mapa mostra a distribuição espacial dos

solos na paisagem, enquanto o relatório aborda as suas carac-

terísticas morfológicas, químicas, físico-hídricas e mineralógicas.

Tem-se verificado que as informações pedológicas são sub-

utilizadas pelo usuário com poucos conhecimentos de solos.

Procurando mudar esta situação, foram escolhidas algumas infor-

mações básicas de como identificar os solos no campo e feitos os

comentários gerais sobre as potencialidades e limitações dos

principais solos que ocorrem no país.

2. PROCEDIMENTO NO CAMPO PARA SE CLASSIFI-

CAR O SOLO

São vários os procedimentos que devem ser tomados no

campo para se classificar os solos. As observações podem ser feitas

mediante tradagens, trincheiras ou em barrancos adequados de

estradas (sem sinais de erosão ou de adição de materiais).

O estudo dos solos mediante a amostragem por tradagens

tem alguns inconvenientes, tal como a destruição das unidades

estruturais, impossibilitando a avaliação correta da estrutura, da

cerosidade e da consistência nos estados seco e úmido. Entretanto,

é possível examinar a cor, avaliar a textura e a consistência do solo

no estado molhado.

O estudo em trincheiras ou em barrancos de estrada permite

o exame das características morfológicas sem limitações, pois as

unidades estruturais estão no seu estado natural. Deve-se ter o

máximo cuidado para não amostrar o solo em local onde foi

adicionado material estranho.

Para se estudar os solos em barrancos de estrada recomenda-

se cavar aproximadamente 30-50 cm para dentro do barranco, e em

toda a extensão do perfil, para se evitar que o ressecamento

prejudique a avaliação da estrutura e da consistência nos estados

seco e úmido.

Hélio do Prado (1)

2 ARQUIVO DO AGRÔNOMO Nº 1 – DEZEMBRO/95 (2ª edição – ampliada e totalmente modificada)

Tabela 2. Seqüência de horizontes e classificação do solo.

Seqüência de horizontes^1 Classificação do solo

A-Bw-C Latossolos Ferríferos, Latossolos Roxos, Latossolos Vermelho-Escuros, Latossolos Vermelho-Amarelos, Latossolos Amarelos, Latossolos Brunos e Latossolos "variação Una" A-Bt-C Rubrozéns, parte dos Podzólicos Vermelho Escuros, parte dos Podzólicos Vermelho-Amarelos, parte dos Brunos Não Cálcicos, parte dos Podzólicos Amarelos, parte dos Podzólicos Brunos Acinzentados, parte dos Podzólicos Acinzentados A-E-Bt-C Planossolos, parte dos Podzólicos Vermelho Escuros, parte dos Podzólicos Vermelho-Amarelos, parte dos Brunos Não Cálcicos, parte dos Podzólicos Amarelos, parte dos Podzólicos Bruno Acinzentados, parte dos Podzólicos Acinzentados A-Btn-Cn Parte dos Solonetz Solodizados A-E-Btn-Cn Parte dos Solonetz Solodizados A-Bi-C Cambissolos, parte dos Brunizens A-E-Bh-C ou A-E-Bhs-C ou A-Bh-C ou A-Bhs-C Podzóis A e/ou Eg-Bhg ou Ag e/ou Bhsg-Cg Podzóis hidromórficos A-C Areias Quartzosas, Regossolos, Vertissolos, Solonchaks, parte das Rendzinas e Solos Aluviais A-R Litossolos, Solos Litólicos e parte das Rendzinas A-(B e/ou C pouco espessos) Litossolos, Solos Litólicos e parte das Rendzinas A-E-Btg-Cg Parte dos Planossolos e Hidromórficos Cinzentos A-Cg Glei Húmico e Glei Pouco Húmico H-Cg Glei Húmico e Solo Orgânico

(^1) w = intensa alteração do solo, com inexpressiva acumulação de argila, com ou sem concentração de sesquióxidos; t = acumulação de argila silicatada; n = acumulação de sódio; h = acumulação aluvial de matéria orgânica; i = desenvolvimento incipiente, imaturo; s = acumulação de óxidos de ferro e alumínio; g = cor glei (cinza). Observação: a classe do Plintossolo exige a presença do horizonte plíntico e pode ser solo hidromórfico ou não.

No exame do perfil de solo deve-se verificar qual é a

seqüência de horizontes, ou seja, se é A-Bw ou A-Bt ou A-E-Bt ou

A-Btn ou A-E-Btn ou A-Bi ou A-E-Bh ou A-E-Bhs ou A-Bh

ou A-Bhs ou A-C ou A-R ou A-(e/ou C pouco espessos) ou A-E-

Btg ou A-Cg ou H-Cg. A Figura 1 mostra o esquema de um perfil

de solo hipotético, contendo os principais horizontes ou camadas

(EMBRAPA, 1988).

Figura 1. Esquema de um perfil de solo hipotético mostrando os prin- cipais horizontes ou camadas.

4. PRINCIPAIS ATRIBUTOS DO SOLO PARA FINS DE

CLASSIFICAÇÃO

4.1. Cor

A cor é a sensação visual que se manifesta na presença da

luz e, de certo modo, reflete a quantidade de matéria orgânica, o

tipo de óxido de ferro presente, além da classe de drenagem do solo.

A carta Munsell é comumente utilizada na designação de cores do

solo. Nela constam o matiz, o valor (ou tonalidade) e o croma (ou

intensidade). O matiz refere-se à combinação dos pigmentos

vermelho (do inglês red) e amarelo (do inglês yellow), o valor

indica a proporção de preto e de branco e o croma refere-se à

contribuição do matiz. Os matizes variam de 5R (100% de vermelho

e 0% de amarelo) até 5Y (0% de vermelho e 100% de amarelo)

(Figura 2).

Figura 2. Carta Munsell para designação de cores do solo.

4 ARQUIVO DO AGRÔNOMO Nº 1 – DEZEMBRO/95 (2ª edição – ampliada e totalmente modificada)

Tabela 5. Relação entre atributos de textura, interpretação pedológica, características do solo e implicações de manejo (PRADO, 1991).

Atributos Interpretação pedológica Características do solo Implicações de manejo

Textura arenosa Fração sólida mineral normalmente Elevada suscetibilidade à erosão. CTC baixa, A drenagem excessiva favorece a livixiação de nu- constituída de quartzo. Teor de argila + quase que exclusivamente contribuição da trientes, especialmente nitratos. Necessidade do silte ≤ 15%. matéria orgânica. O tamanhos dos poros é parcelamento do adubo potássico, quando recomen- grande. Baixos valores de retenção de água, dado em doses elevadas. Baixa fixação de fósforo. não só a altas como a baixas tensões. Alta Empregar dose menor de herbicida do que aque- taxa de infiltração de água. Densidade do solo la para solo argiloso devido à menor adsorção desse apresenta valor próximo a 1,3 g/cm^3 em área produto pelo colóide do solo. Sob o mesmo nível não compactada. de manejo, utilizar menor suporte, ou seja, menor número de cabeças de gado/ha.

Textura média Teor de argila + silte maior que 15% e Baixa/moderada suscetibilidade à erosão. Quando apresentam baixa CTC, reduzir o número argila ≤ 35%. Médios/baixos valores de retenção de água de gradagens em relação aos solos mais argilosos. não só a altas como a baixas tensões. Necessidade de subsolagem em áreas compacta- Densidade do solo apresenta valor próximo a das, especialmente se o teor de areia fina for alto. 1,3 g/cm^3 em área não compactada.

Textura argilosa Teor de argila varia de 35 a 60%. No Solo menos suscetível à erosão em área não Em condições úmidas há grande aderência da caso de latossolos, são elevados os muito declivosa. massa do solo no implemento agrícola. Formação valores de porosidade total e micropo- Drenagem boa ou acentuada. Altos valores de grande torrões de solo, necessitando-se maior sidade. Sensação "areia", sendo que de retenção de água não só a altas como a número de gradagens para desfazer esses torrões. essa sensação de aspereza na massa do baixa tensões. Densidade do solo apresenta Reduzir o número de passagens com as máquinas solo desaparece quando se faz mais valor muito próximo a 1 g/cm^3 em área não para atenuar o efeito da compactação, diminuindo pressão com os dedos, pois são destruí- compactada. os danos às plantas. dos os flóculos de argila. Possibilidade de se obter teor de argila subestimado na análise granulométrica devido ao elevado grau de floculação da fração argila. Se não ocorrer ade- quada ação do agente dispersante, essa argila continuará floculada, não sendo determinada.

Textura muito argilosa Teor de argila superior a 60%. Demais Idem à textura argilosa. Idem à textura argilosa. aspectos pedológicos idem aos da tex- tura argilosa.

Figura 5. Classes texturais do material constitutivo do solo (LEMOS & SANTOS, 1984).

Figura 6. Classificação textural simplificada do material constitutivo do solo (EMBRAPA, 1979).

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  • prismática: a estrutura é em forma de prisma quando as

partículas do solo estão arranjadas em torno de uma linha vertical

dominante. Os limites entre as superfícies verticais são relativa-

mente planos. Esta estrutura pode ter dois subtipos: prismático e

colunar.

  • granular: apresenta partículas também arranjadas em

torno de um ponto, como na estrutura em blocos.

  • laminar : as partículas do solo estão arranjadas em torno

de um plano horizontal. As unidades estruturais têm aspecto de

lâminas de espessura variável, porém, a linha horizontal é sempre

maior.

A Figura 7 apresenta os vários tipos de estrutura do solo.

4.4. Consistência

A consistência do solo ocorre em função das forças de

adesão e coesão, que variam com o grau de umidade do solo.

A consistência inclui propriedades como resistência à

compressão e ao esboroamento, friabilidade, plasticidade e pega-

josidade. Ela varia com textura, quantidade de matéria orgânica,

quantidade e natureza do material coloidal e teor de água.

4.5. Cerosidade

São filmes de material inorgânico muito fino de natureza

diversa, orientados ou não, constituindo revestimentos ou super-

fícies brilhantes na superfície dos elementos estruturais. Quando

bem desenvolvidos são facilmente perceptíveis, apresentando o

aspecto lustroso. A cerosidade é um dos critérios utilizados para

enquadrar o solo como possuidor de horizonte B textural.

4.6. Transição entre horizontes

Refere-se à faixa de transição na separação entre os hori-

zontes. Pode ser:

Tabela 6. Valores de saturação por bases (V%), saturação por alumínio (m%) e de retenção de cátions (RC) empregados pelo Instituto Agronômico e relacionados com os termos eutrófico, distrófico, álico e ácrico.

Interpretação V m RC

                • % - - - - - - - - cmol(+)/kg argila Eutrófico(1)^ ³ 50 < 50 > 1, Distrófico < 50 < 50 > 1, Álico < 50 ≥ 50 (2)^ > 1, Ácrico (3)^ (3)^ ≤ 1, (1) (^) Mínimo de 1,5 cmol(+)/kg de solo, em relação à soma de bases. (2) (^) Mínimo de 0,3 cmol(+)/kg de solo, em relação ao alumínio trocável. (3) (^) Não diagnóstico (valores de m ou V maiores, menores ou iguais a 50%).

Calcula-se o valor de saturação por bases (V), expressa em

porcentagem, dividindo-se a soma de bases (S) pela capacidade de

troca de cátions (T ou CTC), ou seja:

S

T

onde S = Ca2+^ + Mg 2+^ + K +^ + Na+^ , e T = S + Al 3+^ + H +, em cmol(+)/

kg solo.

Calcula-se o valor da saturação por alumínio (m), expresso

em porcentagem, dividindo-se o valor de Al 3+^ pela soma de bases

+ Al3+^ , ou seja:

Al3+

(S + Al 3+^ )

Calcula-se a retenção de cátions (RC), expressa em cmol(+)/

kg de argila, dividindo-se S + Al3+^ pela porcentagem de argila, ou

seja:

S + Al3+

% argila

  • abrupta: quando a linha que separa dois horizontes é

traçada em menos de 2,5 cm;

  • clara: quando a linha de separação entre dois horizontes

é traçada entre 2,5 e 7,5 cm;

  • gradual: quando a referida linha é traçada entre 7,5 e

12,5 cm;

- difusa: quando a linha traçada separando ambos os

horizontes ocorre numa faixa superior a 12,5 cm.

4.7. Atributos químicos

Os valores de saturação por bases (V%) e saturação por

alumínio (m%) servem para indicar o potencial nutricional dos

solos, e o de retenção de cátions (RC) para informar sobre sua

capacidade de reter cátions. A Tabela 6 apresenta a interpretação

desses valores no horizonte B.

Figura 7. Tipos de estrutura do solo: a) laminar; b) prismática (b1 = subtipo prismático, b2 = subtipo colunar); c) blocos (c1 = blocos angulares, c2 = blocos subangulares) e d) granular (LEMOS & SANTOS, 1984).

5. IDENTIFICAÇÃO NO CAMPO, POTENCIALIDADES E

LIMITAÇÕES DOS PRINCIPAIS TIPOS DE SOLO DO

BRASIL

Os diversos sistemas de classificação de solos desenvolvi-

dos no exterior não nos atendem satisfatoriamente, pois temos

predominantemente solos desenvolvidos em condições de clima

tropical, e não de clima temperado, daí a necessidade do nosso

próprio sistema de classificação.

m(%) = x 100

RC = x 100

b1 b2 c1 c

a d

V(%) = x 100

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LATOSSOLO FERRÍFERO

LATOSSOLO ROXO

Foto 1. Perfil de um Latossolo Ferrífero (Original: Igo F. Lepsch).

Identificação no campo : Este solo tem ocorrência restrita a áreas elevadas (próximo de 900 m de altitude), no quadrilátero Ferrífero e em Itabira (MG), principalmente. Apresenta textura argilosa ou muito argilosa ao longo do perfil e cor vermelho-púrpura. Possui atração magnética muito forte e comumente concreções de ferro na massa do solo.

Potencialidades: A saturação por alumínio é reduzida em profundidade e, por ser profundo, não há restrição, sob o ponto de vista físico, ao enraizamento em profundidade.

Limitações: Normalmente são distróficos ou ácricos, condições que limitam o enraizamento sob o ponto de vista químico. Em condições naturais, os teores de fósforo e micronutrientes são reduzidos. Outras limitações: suscetibilidade à erosão e baixa quantidade de água disponível às plantas.

Identificação no campo: Na paisagem ocorre em relevo plano ou suavemente ondulado e sua cor avermelhada é bastante homogênea em profundidade. O teor de argila é quase o mesmo ao longo do perfil, o que pode ser estimado mediante a sensação ao tato da amostra molhada, ou seja, há semelhante pegajosidade da amostra de solo tanto da camada superficial como da subsuperficial. Outro procedimento de campo refere-se à estimativa do teor de óxido de ferro total, utilizando-se um ímã, no qual verifica-se a aderência de partículas de solo, inclusive na região central do ímã.

Potencialidades: O relevo plano ou suavemente ondulado favorece muito a mecanização agrícola. Este tipo de relevo, aliado às boas condições físicas (solo profundo, muito poroso, de textura homogênea ao longo do perfil) condicionam maior resistência à erosão. Por serem solos profundos, não há impedimento físico ao desenvolvimento do sistema radicular em profundidade, e este enraizamento é mais abundante se o solo for eutrófico. Conseqüentemente, o vigor da planta é maior, o que é importante para superar possíveis condições adversas de falta de água durante o "veranico".

Limitações:

O enraizamento em profundidade é muito limitado se o solo for álico, pois então será grande a concentração de alumínio tóxico (a reduzida quantidade de cálcio limita a exploração radicular no horizonte B). Se o solo for ácrico, o enraizamento em profundidade será limitado, porém, não tanto quanto no solo álico. Isso ocorre porque no ácrico a concentração de alumínio tóxico não é tão elevada. A quantidade de água disponível é baixa, em especial se o solo for ácrico, porque são solos extremamente intemperizados e, como conseqüência, há elevada microagregação, o que tem reflexo na rápida perco- lação da água. Em condições naturais, os teores de fósforo (P) são baixos e necessitam ser elevados através da adubação. Por serem solos bastante suscetíveis à compactação, recomenda-se reduzir o tráfego de veículos, além de se evitar a aração e a subsolagem quando o solo estiver muito úmido.

Foto 2. Perfil de um Latossolo Roxo (Ori- ginal: Francisco Carlos Mainardes da Silva).

8 ARQUIVO DO AGRÔNOMO Nº 1 – DEZEMBRO/95 (2ª edição – ampliada e totalmente modificada)

LATOSSOLO VERMELHO ESCURO

LATOSSOLO VERMELHO-AMARELO

Foto 3. Perfil de um Latossolo Vermelho Escuro (Original: Pablo V. Torra- do).

Foto 4. Perfil de um Latossolo Vermelho- Amarelo (Original: Hélio do Prado).

Identificação no campo:

O relevo onde ocorre é predominantemente plano ou suave ondulado, morfologicamente apresenta cor amarelada homogênea em profundidade, e pode apresentar textura média ou argilosa ou muito argilosa.

Potencialidades: O relevo plano ou suavemente ondulado onde ocorre permite facilmente a mecanização agrícola. Por ser profundo, poroso ou muito poroso e se for eutrófico, há condições adequadas para um bom desenvolvimento radicular em profundidade.

Limitações: Se for álico, ou distrófico, ou ácrico, haverá limitações de ordem química em profundidade, que restringem o desenvolvimento do sistema radicular. Em geral apresenta baixa quantidade de água disponível às plantas. Em condições naturais os teores de fósforo são baixos e devem ser elevados através da adubação. Outra limitação refere-se à compactação não só se a textura for argilosa ou muito argilosa, mas também se a textura for média, especialmente se o teor de areia fina for alto.

Identificação no campo: Sua ocorrência é predominante no relevo plano ou suavemente ondulado. A cor vermelha é uniforme em profundidade, e a textura pode ser média, argilosa ou muito argilosa. Quando apresenta textura argilosa ou muito argilosa parece muito com o Latossolo Roxo, e pode-se diferenciá-lo no campo mediante o emprego de um ímã. No Latossolo Vermelho Escuro a atração magnética é baixa/média e, em geral, verifica-se que o centro do ímã não é totalmente preenchido com partículas do solo, enquanto no Latossolo Roxo a atração é alta, ficando o centro do ímã totalmente preenchido pelas partículas.

Potencialidades: O relevo plano ou suavemente ondulado onde ocorre permite facilmente a mecanização agrícola, e por ser profundo, poroso ou muito poroso e se for eutrófico existem condições adequadas para um bom desenvolvimento radicular em profundidade.

Limitações:

O potencial nutricional dos solos álicos é bastante reduzido, pois existe a "barreira química" do alumínio que impede o desenvolvimento radicular em profundidade. Se o solo for ácrico, existe também uma "barreira química", no caso devido mais aos baixos valores da soma de bases (especialmente cálcio) que à saturação por alumínio, que não é alta. Outra limitação refere-se à baixa quantidade de água disponível às plantas, geralmente constatada. São solos que, em condições naturais, apresentam baixos níveis de fósforo. Haverá problema de compactação não só se a textura for argilosa ou muito argilosa, mas também se a textura for média, especialmente se o teor de areia fina for elevado.

10 ARQUIVO DO AGRÔNOMO Nº 1 – DEZEMBRO/95 (2ª edição – ampliada e totalmente modificada)

TERRA ROXA ESTRUTURADA

Foto 8. Perfil de Terra Roxa Estruturada (Original: Ricardo Coelho).

TERRA BRUNA ESTRUTURADA

Foto 10. Perfil de um solo Podzólico Ver- melho Escuro (Original: IAC).

PODZÓLICO VERMELHO ESCURO

Foto 9. Perfil de Terra Bruna Estrutura- da (Original: EMBRAPA).

Identificação no campo:

Normalmente ocorre em relevo ondulado ou fortemente ondulado, em locais de clima subtropical. A textura em geral é argilosa ou muito argilosa e a coloração do horizonte B é brunada.

Potencialidades: Solo profundo com boas condições físicas para o enraizamento em profundidade.

Limitações:

Normalmente é distrófico ou álico, logo, há restrição ao enraizamento em profundidade. Problemas de compactação podem ocorrer, por isso deve-se evitar tráfego intenso de veículos. A ocorrência de geada com certa freqüência constitui outra limitação.

Identificação no campo: Em geral ocorre em relevo ondulado e normalmente o teor de argila no horizonte B (de cor vermelha) é bem maior do que no horizonte A. Esse incremento de argila pode ser percebido sem dificuldade quando se faz o exame de textura, especialmente se ocorrer o caráter abrupto. Potencialidades:

Se for eutrófico, há boas condições para o enraizamento em profundidade. Limitações: Caso seja distrófico ou álico, existe a restrição do desenvolvimento radicular ao longo do perfil. A compactação é uma limitação se a textura do horizonte A for média ou argilosa, principalmente. Outro aspecto refere-se à erodibilidade, devido ao relevo geralmente movimentado, e à ocorrência do caráter abrupto.

Identificação no campo: Ocorre predominantemente em relevo ondulado, apresenta cor avermelhada uniforme ao longo do perfil e textura argilosa ou muito argilosa, tanto no horizonte A como no horizonte B. O horizonte B apresenta estrutura prismática ou em blocos subangulares, forte ou moderadamente desenvolvidos, além da presença de cerosidade facilmente reconhecida.

Potencialidades: Quando eutrófico, o horizonte B permite adequado enraizamento em profundidade, o que também é favorecido porque o solo geralmente é profundo. Apresenta teores de micronutrientes relativamente elevados. Limitações:

O relevo favorece a erosão do solo, portanto, a conservação do solo merece os devidos cuidados. Há maior limitação para o desenvolvimento radicular em profundidade se o solo for álico devido à alta saturação por alumínio (no solo distrófico a limitação é menor). A baixa quantidade de água disponível constitui outro fator limitante. Solo suscetível à compactação.

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Identificação no campo:

Geralmente este solo ocorre em relevo suave ondulado, é raso, ou seja, a soma dos horizontes A e B raramente ultrapassa 1 m de profundidade, e apresenta usualmente a mudança textural abrupta. O horizonte B é de cor vermelho-amarelado.

Potencialidades: Apresenta o caráter eutrófico, assim, a alta saturação por bases no horizonte B favorece o enraizamento em profundidade. Outro aspecto refere-se à presença de minerais primários facilmente intemperizáveis (reserva nutricional). Limitações:

Se a quantidade de pedras for alta no horizonte A a mecanização agrícola é dificultada. Devido à mudança textural abrupta a erodibilidade é elevada. Há também a limitação quanto à água disponível no solo, e esta limitação é maior se o solo ocorre em locais mais secos (clima semi-árido). Solo sujeito à compactação.

Identificação no campo: Geralmente ocorre em relevo ondulado ou fortemente ondulado. A soma da espessura dos horizontes A e B em geral não supera 100 cm. O horizonte A é escuro e relativamente espesso e o horizonte B possui estrutura prismática e/ou subangular e/ou angular. O gradiente textural entre os citados horizontes geralmente é baixo.

Potencialidades: O caráter eutrófico é bastante acentuado, logo, as condições para o enraizamento em profundidade são muito boas, principalmente se a profundidade do solo for adequada.

Limitações: O risco de erosão é grande neste solo, apesar de ser de textura argilosa ou muito argilosa. Outro aspecto refere-se à dificuldade no preparo do solo devido a sua consistência muito dura no estado seco, além da mecanização agrícola dificultada quando o declive é mais acentuado. Solo sujeito à compactação.

PODZÓLICO VERMELHO-AMARELO

BRUNIZEM AVERMELHADO

Foto 12. Perfil de um solo Bruno Não Cál- cico (Original: José Coelho de Araújo Filho).

BRUNO NÃO CÁLCICO

Foto 13. Perfil de um solo Brunizem Avermelhado (Original: Marcio Rossi).

Identificação no campo: Geralmente ocorre em relevo ondulado ou forte ondulado, apresenta cor amarelada ou vermelho- amarelada no horizonte B, o qual em geral apresenta maior teor de argila do que o horizonte A. Normalmente apresenta cerosidade, especialmente se a textura for argilosa ou muito argilosa. Potencialidades:

Se for eutrófico, há condições favoráveis para o enraizamento ao longo do perfil. Outro aspecto favorável ao enraizamento ocorre por ser solo normalmente profundo.

Limitações: Os aspectos da paisagem e do próprio solo contribuem para que o processo erosivo se constitua no fator dos mais limitantes, pois o relevo é movimentado e o solo apresenta gradiente textural (média do teor de argila do horizonte B dividido pela média do teor de argila do horizonte A) em geral alto, especialmente se ocorrer o caráter abrupto, ou seja, se o teor de argila do horizonte B for muito maior do que no horizonte A na região de contato entre estes horizontes. Se for álico ou distrófico, há baixo potencial nutricional no horizonte B. Baixo teor de água disponível às plantas se a textura do horizonte A for arenosa. Solo sujeito `a compactação se o horizonte A for especialmente de textura média ou mais argilosa.

Foto 11. Perfil de um solo Podzólico Ver- melho-Amarelo (Original: Mar- cio Rossi).

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Foto 19. Perfil de um Vertissolo (Original: Pablo V. Torrado).

Identificação no campo:

Ocorre em relevo predominantemente ondulado, forte ondulado ou montanhoso, e geralmente não é profundo. É comum ocorrer também em terraços de rios ou riachos. O teor de argila é semelhante entre os horizontes A e B, sendo que a textura pode ser média, argilosa ou muito argilosa. É identificado no campo pela presença de mica na massa do solo e pela sensação de sedosidade na textura, devido ao silte.

Potencialidades :

Se for eutrófico haverá condições adequadas para o enraizamento em profundidade. Limitações :

Caso ocorra o caráter distrófico ou álico haverá limitação ao desenvolvimento do sistema radicular em profundidade, que pode ser prejudicado também pela presença de rochas duras. A mecanização agrícola é dificultada se o relevo for movimentado. A compactação do solo também constitui limitação, especialmente se o teor de silte for alto.

Foto 17. Perfil de um Cambissolo (Origi- nal: Igo F. Lepsch).

Identificação no campo: Este solo ocorre em relevo plano ou suave ondulado, apresenta textura arenosa ao longo do perfil e cor amarelada uniforme abaixo do horizonte A, que é ligeiramente escuro.

Potencialidades:

Considerando-se o relevo de ocorrência, o processo erosivo não é alto, porém, deve-se precaver com a erosão devido à textura ser essencialmente arenosa. Por ser solo profundo, não existe limitação física para o desenvolvimento radicular em profundidade.

Limitações :

O caráter álico, ou distrófico, limita o desenvolvimento radicular em profundidade, que é ainda mais limitado devido à reduzida quantidade de água disponível (textura essencialmente arenosa). Os teores de matéria orgânica, fósforo e micronutrientes são muito baixos. A lixiviação de nitrato é intensa devido à textura essencialmente arenosa.

Foto 18. Perfil de uma Areia Quartzosa (Original: Hélio do Prado).

Identificação no campo:

A presença de fendas profundas e o microrelevo gilgai são típicos deste solo. A consistência do solo molhado é plástica e pegajosa e quando o torrão está seco a consistência é muito dura ou extremamente dura; no estado úmido é muito firme.

Potencialidades :

A saturação por bases muito alta favorece o enraizamento em profundidade.

Limitações :

As propriedades físicas não são boas devido à mineralogia do tipo 2:1, pois no estado seco o solo é muito consistente e no estado molhado, plástico e pegajoso ou muito plástico e muito pegajoso. Tais condições dificultam as operações mecânicas, e a presença de grande torrões não permite uma adequada mistura do adubo ao solo.

CAMBISSOLO

VERTISSOLO

AREIA QUARTZOSA

14 ARQUIVO DO AGRÔNOMO Nº 1 – DEZEMBRO/95 (2ª edição – ampliada e totalmente modificada)

Foto 20. Perfil de um Solonchak (Original: Marcio Rossi).

Foto 22. Perfil de um Solo Aluvial (Original: Pablo V. Torrado).

Identificação no campo:

Geralmente ocorre em relevo plano de várzea, por isso, normalmente apresenta gleisação. O solo fica desnudo nos locais onde a concentração de sais é elevada.

Potencialidades : Este solo praticamente não apresenta potencialidades.

Limitações : A concentração de sais solúveis no solo é alta e a dessalinização é difícil e cara.

RENDZINA

Identificação no campo: Apresenta a seqüência de horizontes A-C-R ou A-R, sendo o horizonte A de cor escura e o horizonte C bastante claro devido à presença de carbonato de cálcio.

Potencialidades: Por ser eutrófico há condições bastante favoráveis para o enraizamento em profundidade.

Limitações :

O risco de erosão é grande onde o relevo é mais movimentado. Possibilidade de ocorrerem deficiências de micronutrientes devido ao efeito alcalino (pH alto).

SOLO ALUVIAL

Foto 21. Perfil de uma Rendzina (Original: Igo F. Lepsch).

Identificação no campo:

Sua ocorrência é próxima a rios ou drenagens no relevo plano, sendo evidentes as camadas de solo depositadas, que se diferenciam pela cor e textura.

Potencialidades : Se for eutrófico, haverá condições adequadas para o enraizamento em profundidade, o que também é facilitado por ser solo profundo.

Limitações : Se for álico ou distrófico haverá condições desfavoráveis para o enraizamento em profundidade. Há risco de inundação, que pode ser freqüente ou muito freqüente.

SOLONCHAK

16 ARQUIVO DO AGRÔNOMO Nº 1 – DEZEMBRO/95 (2ª edição – ampliada e totalmente modificada)

GLEI POUCO HÚMICO

Identificação no campo : Ocorre em relevo plano de várzea. Apresenta horizonte A de cor clara ou escura (se for escuro será pouco espesso). Abaixo do horizonte A ocorre uma camada acinzentada com ou sem mosqueado ou variegado.

Potencialidades : Se for eutrófico, as condições para o enraizamento em profundidade serão bastante adequadas.

Limitações : Se o solo for álico ou distrófico, haverá limitação em subsuperfície para o desenvolvimento do sistema radicular. Devido ao nível elevado do lençol freático, há necessidade de se fazer a drenagem do solo. Caso este solo apresente o caráter tiomórfico, recomenda-se não drená-lo. Isto porque em condições naturais a acidez é reduzida (pH em água próximo a 7,0), e quando drenado torna- se extremamente ácido (pH em água próximo de 3,5). O aproveitamento agrícola do solo é dificultado se o risco de inundação for freqüente, ou muito freqüente. Baixo teor de fósforo natural.

Foto 26. Perfil de um Glei Pouco Húmico (Original: Igo F. Lepsch).

NOTA: Os interessados em obter maiores informações sobre os assuntos abordados podem consultar os livros: "Manejo dos solos – aspectos pedológicos e suas implicações", "Manual de Classificação de solos do Brasil" e "Solos tropicais – potencialidades, limitações, manejo e capacidade de uso", de autoria de Hélio do Prado. Para obtê-los, contactar o autor no seguinte endereço: Rua Floriano Peixoto nº 1630 - aptº 81 - Edifício Copenhagen CEP 13417-050 Piracicaba-SP Fone: (019) 434-5336.

Foto 27. Perfil de um Solo Orgânico (Ori- ginal: Igo F. Lepsch).

Identificação no campo:

Ocorre em locais muito mal drenados, onde o ambiente é hidromórfico. Apresenta camada de material orgânico, ou seja, carbono% ≥ 8 + 0,067 x (% argila), em geral nos 40 cm iniciais desde a superfície.

Potencialidades: Se for eutrófico, haverá condições adequadas para o enraizamento em profundidade. Apresenta valores elevados de capacidade de troca de cátions (CTC).

Limitações :

Se for distrófico, ou principalmente álico, haverá restrição ao enraizamento em profundidade. O nível do lençol freático é elevado e há necessidade de se fazer a drenagem do solo. O risco de inundação é freqüente. Devido ao alto poder tampão do solo há necessidade da aplicação de altas doses de calcário. O solo pode conter compostos de enxofre (jarosita) sendo o pH próximo a 7,0. Se for drenado, passa a ter uma condição extremamente ácida (pH ≤ 3,5).

SOLO ORGÂNICO

6. LITERATURA CITADA

CAMARGO, M.N.; KLANT, E.; KAUFFMAN, J.H. Classificação de solos usada em levantamento pedológico no Brasil. Boletim Informativo da Sociedade de Ciência do Solo, Campinas, v.12, n.1, p.11-33, 1987. CURI, N.; LARACH, J.O.I.; KÄMPF, N.; MONIZ, A.C.; FONTES, L.E.F. Vocabulário de Ciência do Solo. Campinas: SBCS, 1993. 89p. EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Centro de Pesquisas Pedológicas. Levantamento exploratório-reconhecimento de solos do Estado de Sergipe. Recife, 1975. 606p. (Boletim Técnico, 36) EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Serviço Nacional de Levantamento e Conservação de Solos. Definição e notação de horizontes e camadas de solo. 2ª ed. Rio de Janeiro, 1988. 54p. EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Serviço Nacional de Levantamento e Conservação de Solos. Súmula da REUNIÃO TÉCNICA DE LEVANTAMENTO DE SOLOS, 10., Rio de Janeiro, 1979. 83p. (Miscelânia, 1) EMPRESA BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA. Serviço Nacional de Levantamento e Conservação de Solos. Sistema brasileiro de classificação de solos (2ª aproximação). Rio de Janeiro, 1981. 107p. EUA. Department of Agriculture. Keys to Soil Taxonomy. Soil Survey Staff, Soil Conservation Service, Soil Management Support Services. Blacksburg: Pocahontas Press, 1992. 542p. INTERNATIONAL SOIL CLASSIFICATION. In: WORKSHOP, 8., Rio de Janeiro, 1986. Rio de Janeiro: EMBRAPA/SNLCS, 1986. 285p. LEMOS, R.C. & SANTOS, R.D. dos. Manual de descrição e coleta de solo no campo. 2ed. Campinas: SBCS/SNLCS, 1984. 45p. PRADO, H. Manejo dos solos – aspectos pedológicos e suas implicações. São Paulo: Nobel, 1991. 116p. PRADO, H. Manual de classificação de solos do Brasil. Jaboticabal: FUNEP/UNESP, 1993. 197p. PRADO, H. Solos tropicais – potencialidades, limitações, manejo e capacidade de uso. Piracicaba, 1995. 166p. QUAGGIO, J.A. Métodos de laboratório para a determinação da necessidade de calagem em solo. In: REUNIÃO BRASILEIRA DE PESQUISA AGROPECUÁRIA, 15., Campinas, 1983. Anais. Campinas: SBCS, 1983. p.33-46.