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Tipologia: Esquemas
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1. Introdução
A Escola eclética ou dos ecléticos de medicina foi uma antiga escola de medicina na Grécia Antiga e em Roma. Elas foram assim chamadas porque selecionavam de cada escola filosófica as opiniões que para elas pareciam as mais prováveis. Elas pareciam ter sido um ramo da escola metódica. Elas foram fundadas, ao que parece, por Arquígenes. A partir do século II a.C., surge o ecletismo na Grécia que é uma atitude filosófica que procura reunir o que existe de melhor dos diversos sistemas existentes. Os ecléticos salientam que não temos um critério que nos leve a verdade, mas podemos atingir a probabilidade, podemos aproximar da verdade com a evidência da probabilidade. O provável passa a ser para nós o verdadeiro sabendo que é apenas o provável.
eclético é aplicado, sobretudo, aos representantes da filosofia helenística, aos neoplatônicos e filósofos renascentistas que procuraram conciliar o pensamento de diversos autores clássicos. Se opõe a toda a forma de dogmatismo e radicalismo. A finalidade do ecletismo é atingir a verdade e harmonizar teorias que são opostas.
1.1.Objectivos 1.1.1. Geral Saber sobre Escola eclética. 1.1.2. Específicos Identificar Ciclo de Formação - Aproximadamente 1835- 1848 ; Característica Periodização e Cronologia da Escola Ecléctica.
2. Metodologia Para a realização do trabalho foi a partir da consulta bibliográfica, que consistiu na leitura e análise das informações de diversas obras, e com auxilio da internet.
4. Periodização e Cronologia da Escola Ecléctica no Brasil 4.1.Periodização A publicação de quatro obras que exigiram longos anos de pesquisas – “A significação educativa do romantismo brasileiro: Gonçalves de Magalhães” (1973), de Roque Spencer Maciel de Barros; “A liberdade no Império” (1977), de Ubiratan Macedo; “As raízes cristãs do pensamento de António Pedro de Figueiredo” (1977), de Tiago Adão Lara e “Corrente ecléctica na Bahia” (1979), de António Paim – facultou uma visão renovada da Escola Ecléctica Brasileira, embora ainda haja aspectos a elucidar, como indicarei, e naturalmente muito a fazer para vencer o preconceito que persiste em relação àquele movimento, haurido muito mais da acepção vulgar do eclectismo (justaposição forçada de partes que não se coadunam) (Pinheiro, 1974). O nome talvez não expresse adequadamente a sua natureza profunda, porquanto o grande feito da Escola consiste na descoberta da prevalência dos problemas no curso da evolução da meditação filosófica. O inelutável aprofundamento desses problemas, que se alternavam, minava toda espécie de dogmatismo, impondo o refluxo de uma corrente e a ascensão de outra. Embora não haja abandonado a ideia de sistema, a Escola Ecléctica soube infundir nos seus seguidores a convicção de que os sistemas eram transitórios enquanto algumas questões magnas iriam eternamente instigar aos filósofos. Outro vezo que vai se tornando comum é o empenho de isolar da Escola Ecléctica a quem quer que tenha discordado das teses de seus corifeus, revelando, com esta postura, profunda incompreensão daquilo que o movimento tem de mais essencial. O grande mérito da Escola Ecléctica Brasileira consiste em haver atraído espíritos criativos nos quais havia sido infundida uma acepção adequada da filosofia - separando-a nitidamente da religião (contra os tradicionalistas) e também da ciência (contra os naturalistas) – e não um grupo devotado a macaquear alguns pensadores franceses. Essa independência seria firmada tão logo sua liderança se sentiu vitoriosa, de que nos ficaram como demonstração expressiva os ensaios de António Pedro de Figueiredo (1814- 1859), aparecidos em “O Progresso” (1846-1848), nos quais discute e busca rever algumas das principais teses da Escola. Tenha-se presente que Figueiredo traduziu e editou o “Curso de História da Filosofia Moderna”, de Cousin, e sendo mulato de origem humilde, fora apelidado de Cousin Fusco, por seus opositores. Ao caracterizar como fato primitivo da consciência ao esforço voluntário - decorrente da iniciativa do sujeito, sem que haja sido instado por estímulos externos – e assim se apreender como causa e liberdade, o espiritualismo ecléctico punha na balança um argumento
que então se considerava como correspondendo plenamente às exigências da observação científica. Como Biran nunca se propusera refutar o empirismo, mas apenas torná-lo coerente, introduzia-se a psicologia no caminho da ciência moderna. A afirmativa da realidade espiritual se fazia incorporando a conquistas da Época Moderna e, ao mesmo tempo, ampliando o campo de aplicação do que se entendia como a metodologia de eficácia: comprovada. De acordo com Barreto,(1974) É certo que a passagem do que se poderia denominar, contemporaneamente, de capacidade do espírito humano de criar sínteses ordenadoras do real, a exemplo da ideia de causalidade, para a afirmativa da possibilidade de demonstrar racionalmente a existência da divindade não chega a ser satisfatoriamente equacionada na filosofia de Cousin. Mas essa dificuldade somente iria aparecer no ciclo posterior de ascendência e maturidade da Escola. No momento que se considera, sobressai a integração, numa doutrina harmónica, dos momentos de afirmação do espírito de afirmação da ciência. Idem Foi essa integração que permitiu a formação da Escola Ecléctica, provocando adesões entusiásticas. Nos principais centros, seus partidários criam publicações periódicas e sociedades literárias. Consideram-se também mentores do romantismo e artífices da monarquia constitucional. Eram, portanto, portadores de amplo projecto unitário assim caracterizado por Victor Cousin: Esta filosofia (o espiritualismo) é aliada natural de todas as boas causas. Acalenta o espírito religioso; estimula a arte verdadeira, a poesia digna deste nome, a grande literatura; é o apoio do directo; recusa tanto a demagogia como a tirania; ensina a todos os homens a respeitar-se e amar-se, e conduz pouco a pouco as sociedades humanas à verdadeira república, este sonho de todas as almas generosas que, em nossos dias, na Europa, somente a monarquia constitucional pode realizar. Em síntese, a pesquisa contida nos livros mencionados permitiu verificar que o ciclo de formação da Escola abrange aproximadamente de 1833 a 1848. Nesse ciclo prevalece a questão do conhecimento. Os eclécticos conquistam as cátedras de filosofia no Colégio Pedro II e nos Liceus Estaduais. Como o chamado “surto de ideias novas” da década de setenta correspondia a uma rebelião contra o espiritualismo dominante, sempre se partiu do reconhecimento da existência de uma fase de apogeu e domínio. Não se sabia, entretanto, que durante esse ciclo os eclécticos foram vigorosamente fustigados pelos tradicionalistas a ponto de tê-los obrigado a discutir prevalece a questão da moralidade. E como os tradicionalistas brasileiros - pelo menos enquanto durou a
nós mesmos essa obra, a fim de formarmos juízo próprio, sendo este certamente o meu próprio caso, desde que somente o fiz recentemente. Quem se der a esse trabalho verificará sem dificuldade o primarismo das teses de Taine que, pelo menos nessa obra, não tem a menor noção do que seja filosofia. Nas edições recentes, na apresentação, Henri Gouhier como que se desculpa pelo fato de tratar-se de artigos de um jovem de 27 anos, aparecidos em 1855 e 1856 na “Revue de L’Instruction Publique”. O confronto entre as simplificações do positivismo, que então se ocupa de difundir, e o que Victor Cousin fez em matéria de história da Filosofia, como indiquei precedentemente, serve para mostrar de que lado milita o autêntico saber. A recuperação da imagem de Cousin, que pretendo haver iniciado, talvez possa resgatar o significado da Escola Ecléctica Brasileira (Magalhães, 1865). Acredito que a cronologia adiante inserida possa dar uma ideia da magnitude assumida pelo movimento filosófico que passou à história com a denominação de Escola Ecléctica Brasileira. 4.2.Cronologia 4.2.1. Ciclo de Formação - Aproximadamente 1835- 1828 - 1832 (?) - Estada de Salustiano Pedrosa (fins do século XVIII -1858) em Paris onde conclui o curso de direito, na Sorbonne, e frequentou cursos de Jouffroy. 1833 - 2 de Fevereiro. Início do magistério de Salustiano Pedrosa em Cachoeira (Recôncavo da Bahia). 1834 - Ano provável do término do “Compêndio de Filosofia”, de Monte Alverne (1784-1858), publicado postumamente (1859), onde faz profissão de fé ecléctica. Da Ordem Franciscana e pregador da Capela Imperial, atraiu, para o Eclectismo vário jovens (entre estes Manuel de Araújo Porto Alegre, mais tarde Barão de Santo Ângelo (1806- 1874); Francisco de Sales Torres Homem (1812-1876) e Domingos de Magalhães). 1835 - Início do magistério de Frei José do Espírito Santo (1812:1872), no Convento da Ordem Franciscana, na Bahia, de que diz Sacramento Blake ter sido “O primeiro brasileiro que vulgarizou as doutrinas da Escola Ecléctica, fundada em França por Cousin e Royer Collard”. 1836 - Edição em Paris de dois números de “Niterói – Revista Brasiliense”, onde aparece um dos primeiros textos filosóficos de Magalhães ( Filosofia da Religião ) e colaboração de Silvestre Pinheiro Ferreira. 1837- Frei José do Espírito Santo passa a ensinar também no Seminário Arquiepiscopal da Bahia.
Instalação do Colégio Pedro II, no Rio de Janeiro, cabendo a Domingos de Magalhães a regência da cadeira de Filosofia. O curso somente será inaugurado no ano lectivo de
7 de Setembro. Instalação do Liceu na capital da Bahia, incumbindo a Salustiano Pedrosa reger a cadeira de filosofia, que não parece haver assumido de imediato, mas que ocupa até o ano de sua morte (1858). 1842 – Magalhães inicia o curso de filosofia do Colégio Pedro II, mas é substituído em Outubro. Publica a aula inaugural com o título de “Discurso sobre o objecto e importância da filosofia”. 1843, Novembro - 1845 - Circula no Rio de Janeiro a revista “Minerva Brasiliense” (31 números ao todo) liderada pelos eclécticos. 1843 - Aparecimento do primeiro volume do “Curso de História da Filosofia Moderna” de Victor Cousin (Recife; tradução de António Pedro de Figueiredo 1814- 1859). 1844 - Aparecimento dos dois últimos volumes do “ Curso de História da Filosofia Moderna”, de Cousin. Julho. Concurso para provimento da cadeira de filosofia do Colégio Pedro II, de que resulta a consagração da Escola Ecléctica. A “Minerva Brasiliense” relata-o pormenorizadamente nos números de Julho, agosto e Setembro. O concurso é ganho por Torres Homem, mais tarde panfletário famoso e político influente.
4.3.Ciclo do Apogeu-Fins da Década de Quarenta Aos Começos da Década de Oitenta 1849 - Publicação, no Rio de Janeiro, da tradução de “Filosofia Popular”, de Victor Cousin. O tradutor é Moraes Valle, professor da Faculdade de Medicina. 1851 - Posse na cadeira de filosofia do Colégio Pedro II de Frei José de Santa Maria Amaral (1821-1889), beneditino, autor de um “ Tratado de Filosofia”, que se supõe tenha permanecido inédito. Aparecimento do “Compêndio de Filosofia”, em dois volumes, de Moraes Valle. Frei José do Espírito Santo cai gravemente enfermo, não mais se recuperando. Registando o seu falecimento, a 15 de Fevereiro de 1872, a “Crónica Religiosa” (25.02.1872) consigna ter sido “orador exímio, grande conhecedor da Teologia e ornamento de duas Ordens” acrescentando ter padecido cruéis sofrimentos durante 21
que consagra a expressão “eclectismo esclarecido” para caracterizar o método (historicista) adoptado pela Escola Ecléctica (Pinheiro, 1974). 4.4.Ciclo de Declínio e Desaparecimento- A Partir da Segunda Metade da Década de Oitenta Para Barreto, (1974) 1903 - Aparecimento do livro “A vida psíquica do homem filosófico sobre o materialismo e o espiritualismo”, de Vicente Cândido Figueiredo, Visconde de Sabóia, (1835-1909), que se manteve fiel ao eclectismo, a que adere em fins da década de cinquenta como estudante de medicina.
5. Conclusão Chegando esse ponto, conclui-se que a Escola Eclética representa expressivo movimento intelectual, dotado de plena autonomia em relação às fontes inspiradoras, Além do mais, seus principais integrantes ainda não estavam movidos pela inferioridade que se apossou de grande número de intelectuais brasileiros como subproduto da ascensão do positivismo -, razão pela qual discutiram em pé de igualdade com Victor Cousin e outros representantes franceses da Escola. De todos os modos, as causas internas que a levaram a tão fragorosa derrota, nos decênios posteriores aos anos oitenta, ainda não foram suficientemente estudadas. À primeira vista, com a solução dada por Janet à questão mais significativa do Ciclo do Apogeu, a Escola Eclética Brasileira passava a dispor de proposta inteiramente diferenciada dos tradicionalistas, o que a tomaria apta a enfrentar, no terreno das idéias, a onda cientificista. Tal enfrentamento, entre outras coisas, inclui-se entre os aspectos insuficientemente pesquisados.