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Poemas de William Blake, Notas de estudo de Administração Empresarial

Poemas diversos de William Blake, traduzidos

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 09/02/2008

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mauro-roberto-dias-miranda-4 🇧🇷

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William Blake
Canções da Inocência
e da Experiência
Tradução de
Renato Suttana
O Arquivo de Renato Suttana
http://www.arquivors.com/wblake1.pdf
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William Blake

Canções da Inocência

e da Experiência

Tradução de

Renato Suttana

O Arquivo de Renato Suttana http://www.arquivors.com/wblake1.pdf

Nota do tradutor: Esta tradução está em fase de aprimoramento. O tradutor aceita comentários e sugestões que visem a melhorá-la.

  • CANÇÕES DA INOCÊNCIA................................................................ SUMÁRIO
  • INTRODUÇÃO ..........................................................................................
  • O ECOANTE VERDOR ..............................................................................
  • O CORDEIRO ...........................................................................................
  • O PASTOR ................................................................................................
  • INFANTE ALEGRIA .................................................................................
  • O MENININHO NEGRO...........................................................................
  • CANÇÃO SORRIDENTE ..........................................................................
  • PRIMAVERA ...........................................................................................
  • UMA CANÇÃO PARA BERÇO ..................................................................
  • CANÇÃO DA AMA ...................................................................................
  • QUINTA-FEIRA SANTA ...........................................................................
  • O AMOR-PERFEITO................................................................................
  • O LIMPADOR DE CHAMINÉS .................................................................
  • A IMAGEM DIVINA .................................................................................
  • NOITE ....................................................................................................
  • UM SONHO ............................................................................................
  • SOBRE A MÁGOA ALHEIA......................................................................
  • O MENININHO ENCONTRADO................................................................
    • CANÇÕES DA EXPERIÊNCIA..........................................................
  • INTRODUÇÃO ........................................................................................
  • A RESPOSTA DA TERRA.........................................................................
  • CANÇÃO DA AMA ...................................................................................
  • O MOSQUITO .........................................................................................
  • O TIGRE.................................................................................................
  • A MENININHA PERDIDA.........................................................................
  • A MENININHA ENCONTRADA.................................................................
  • O TORRÃO E O SEIXO ...........................................................................
  • O PEQUENO VAGABUNDO.....................................................................
  • QUINTA-FEIRA SANTA ...........................................................................
  • UMA ÁRVORE DE VENENO....................................................................
  • O ANJO ..................................................................................................
  • A ROSA DOENTE ...................................................................................
  • MINHA BELA ROSEIRA ..........................................................................
  • AH, GIRASSOL .......................................................................................
  • A VOZ DO BARDO ANTIGO ....................................................................
  • PARA TIRZAH .........................................................................................
  • O LÍRIO ..................................................................................................
  • O JARDIM DO AMOR .............................................................................
  • UM MENININHO PERDIDO.....................................................................
  • MÁGOA INFANTIL ..................................................................................
  • O ESCOLAR ...........................................................................................
  • LONDRES...............................................................................................
  • UMA MENININHA PERDIDA ................................................................... William Blake – Canções da Inocência e da Experiência
  • O LIMPADOR DE CHAMINÉS .................................................................
  • O ABSTRATO HUMANO..........................................................................
    • APÊNDICE.....................................................................................
  • A IMAGEM DIVINA .................................................................................

William Blake – Canções da Inocência e da Experiência

CANÇÕES DA INOCÊNCIA

William Blake – Canções da Inocência e da Experiência

O ECOANTE VERDOR

O sol que no céu desponte dá alegria ao horizonte; o sino canta a canção da florescente estação; canta o tordo e a cotovia, e a ave da mata bravia, ao retumbante clamor dos sinos, por sobre os campos; enquanto, jovens, brincamos pelo Ecoante Verdor.

O velho João, já grisalho, esquece faina e trabalho; senta-se entre a velha gente à sombra, no dia quente. Ao verem nosso folgar se põem a comentar: “O mesmo alegre fervor, e equivalente alegria em nossa infância se via pelo Ecoante Verdor.”

Até que, exaustos os novos, não podendo mais com os jogos, no ocidente o sol declina, e nosso folgar termina. Em torno ao colo das mães, diversos irmãos e irmãs, como as aves ao calor dos ninhos, vão repousar; e não se vê mais folgar no anoitecido Verdor.

William Blake – Canções da Inocência e da Experiência

O CORDEIRO

Cordeiro, quem te fez? Sabes tu quem te fez? Deu-te vida e alimentou-te sobre o prado e junto à fonte; cobriu-te com veste pura, veste branca que fulgura; deu-te a voz meiga e tão fina para alegrar a campina! Cordeiro, quem te fez? Sabes tu quem te fez?

Cordeiro, eu te direi, Cordeiro, eu te direi! Por teu nome ele é chamado, pois assim se tem nomeado: Ele é meigo e pequenino, e um dia se fez menino: Cordeiro tu, menino eu - nos une um nome que é Seu. Cordeiro, Deus te guarde. Cordeiro, Deus te guarde.

William Blake – Canções da Inocência e da Experiência

INFANTE ALEGRIA

“Não tenho nome: só de dois dias sou.” Como te chamarei? Sou só feliz, Alegria é meu nome. Que sejas bem feliz!

Meiga Alegria! Doce, e só de dois dias. Doce Alegria chamo-te. Enquanto ris, canto um pouquinho; que sejas bem feliz!

William Blake – Canções da Inocência e da Experiência

O MENININHO NEGRO

Minha mãe me gerou lá numa austral devesa, e sou negro, mas – oh! – sei que minha alma é clara; clarinha como um anjo é uma criança inglesa, mas negro sou, como se a luz não me tocara.

À sombra de um baobá minha mãe me educou e, sentada comigo ante o calor do dia, tomou-me certa vez ao colo e me beijou e, indicando o nascente, eis o que me dizia:

“Olha o nascer do sol – lá Deus tem sua casa, de lá nos manda a luz e envia Seu calor, que a árvore, a flor, a fera, o homem, tudo abrasa, confortando a manhã e alegrando o sol-pôr.

“Nosso tempo na terra é só uma curta estada, para aprender a suportar o amor radioso; e este corpo tão negro, e esta face queimada é uma nuvem somente ou um bosque penumbroso.

“Quando tiver nossa alma esse ensino aprendido, a nuvem se esvairá, e uma voz há de soar, dizendo: ‘O bosque abandonai, gado querido, e vinde em torno à Minha tenda festejar.’”

Minha mãe disse assim, beijando-me na face, e ao menininho inglês assim também falei. Que, quando a nuvem negra e a nuvem branca passe, e em torno à tenda se ajuntar a Sua grei,

vou guardá-lo do sol, que ele há de suportar quando feliz ao pé de nosso Pai se ajoelhe; quero, ao seu lado, as áureas mechas lhe afagar, e ele então me amará, e eu serei como ele.

William Blake – Canções da Inocência e da Experiência

PRIMAVERA

Toque a flauta, que faz falta; cotovia noite e dia; rouxinol no arrebol; ave a voar, e a cantar, para saudar alegre, alegremente o ano.

Menininho alegrinho; menininha tão meiguinha; canta o galo, imitá-lo; linda voz tendes vós para saudar alegre, alegremente o ano.

Vem, Cordeiro, bem ligeiro; lambe então minha mão; branco pêlo, quero vê-lo; dou um beijo no teu queixo: para saudar alegre, alegremente o ano.

William Blake – Canções da Inocência e da Experiência

UMA CANÇÃO PARA BERÇO

Vinde, vinde, doces sonhos, o meu pequeno embalar; doces sonhos de risonhos, silentes raios de luar.

De cílios vem lhe tecer uma coroa, Anjo meigo, doce, doce adormecer, para o seu sono e sossego.

Guardai-o, sorrisos ternos, que ele é meu gozo sem par; doces sorrisos maternos, a noite inteira a velar.

Doces queixas de pombinhos não o venhais perturbar; doces queixas, sorrisinhos, fazei as queixas cessar.

Dorme, dorme, meu pequeno, toda a criação dormiu; dorme, dorme, bem sereno, tua mãe vela por ti.

Em teu rosto, pequenino, sagrada imagem se vê; Quem te criou foi menino, chorou por mim, meu bebê,

por todos, por mim, por ti, quando se fez num infante; e hoje do céu te sorri, em tudo vê Seu semblante.

Por todos, por mim, por ti é que ele dá o riso Seu: como criança sorri, a velar por terra e céu.

William Blake – Canções da Inocência e da Experiência

QUINTA-FEIRA SANTA

Foi numa Quinta-feira Santa, iam com as faces bem lavadas, duas a duas, as crianças, em roupas de cores variadas; mãos brancas e brancos cabelos, à frente os bedéis caminhavam; e, entrando a abóbada de Paulo, como a água do Tâmisa escoavam.

Que grande multidão somava de Londres essa floração! Em companhias assentadas, com brilho próprio e irradiação. Rumor de multidão lá havia, porém multidão de ovelhinhas, mil meninos e mil meninas a erguer inocentes mãozinhas.

Agora, como um vento forte, sobem ao Céu suas canções, como entre os bancos celestiais o som de harmônicos trovões. Sábios guardiões dos pobres, foram entre eles os velhos sentar. Sê pois piedoso e não expulses um anjo de teu limiar.

William Blake – Canções da Inocência e da Experiência

O AMOR-PERFEITO

Feliz pardalzinho! Entre as folhas verdes, um amor-perfeito te vê rapidinho encontrar teu ninho junto ao meu peito.

Gentil corruíra! Entre as folhas verdes, um amor-perfeito ouve o teu suspiro, gentil corruíra, junto ao meu peito.

William Blake – Canções da Inocência e da Experiência

A IMAGEM DIVINA

Por Clemência, Piedade, Paz e Amor todos rezamos na aflição; e para tais virtudes deliciosas se volta a nossa gratidão.

Pois Clemência, Piedade, Paz e Amor é Deus, nosso pai adorado; e Clemência, Piedade, Paz e Amor o Homem, Seu filho e Seu cuidado.

Pois a Clemência tem um peito humano, e o Amor forma humana celeste, e um rosto humano tem a Piedade, e a Paz exibe humana veste.

Assim todo homem, pelo mundo afora, que reza em sua humana dor, pede só à divina forma humana Clemência, Paz, Piedade, Amor.

E amar a forma humana devem todos, sejam pagãos, turcos, judeus; onde habitam Clemência, Amor, Piedade, ali também habita Deus.

William Blake – Canções da Inocência e da Experiência

NOITE

O sol já se deitou para o poente, e a estrela vespertina se acendeu; cada ave no seu ninho está silente, porém ainda procuro pelo meu. A lua – flor descerrada do céu na alta latada – com silencioso prazer senta-se, rindo para o anoitecer.

Verde campina, alegre bosque, adeus, onde pastaram com deleite os gados; e onde agora os anjinhos movem seus silenciosos pés iluminados. Invisíveis, eles vêm para abençoar também os brotos e as florações e mais os adormidos corações.

Em cada quieto ninho vão olhar as aves que, aquecidas, lá dormitam, e depois nas cavernas vão cuidar também das rudes feras que as habitam. Se descobrem algum pranto, trazem depressa acalanto, e dão sono a quem chorar, à cabeceira pondo-se a velar.

E quando o tigre e o lobo estão caçando, eles choram de pena e de tristeza, das brancas ovelhinhas afastando os que delas fizerem sua presa. Se estes atacam sem rogo, prestes, os anjos vêm logo as ternas almas levar, para novos mundos herdar.

E então os rubros olhos do leão, puras lágrimas de ouro hão de verter; e, tendo por quem chora compaixão, enquanto as furnas corre, irá dizer: “O ódio, por Sua clemência; por Sua saúde, a doença destes dias imortais foram banidos para nunca mais.