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Poemas diversos de William Blake, traduzidos
Tipologia: Notas de estudo
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Não perca as partes importantes!
















































O Arquivo de Renato Suttana http://www.arquivors.com/wblake1.pdf
Nota do tradutor: Esta tradução está em fase de aprimoramento. O tradutor aceita comentários e sugestões que visem a melhorá-la.
William Blake – Canções da Inocência e da Experiência
William Blake – Canções da Inocência e da Experiência
O sol que no céu desponte dá alegria ao horizonte; o sino canta a canção da florescente estação; canta o tordo e a cotovia, e a ave da mata bravia, ao retumbante clamor dos sinos, por sobre os campos; enquanto, jovens, brincamos pelo Ecoante Verdor.
O velho João, já grisalho, esquece faina e trabalho; senta-se entre a velha gente à sombra, no dia quente. Ao verem nosso folgar se põem a comentar: “O mesmo alegre fervor, e equivalente alegria em nossa infância se via pelo Ecoante Verdor.”
Até que, exaustos os novos, não podendo mais com os jogos, no ocidente o sol declina, e nosso folgar termina. Em torno ao colo das mães, diversos irmãos e irmãs, como as aves ao calor dos ninhos, vão repousar; e não se vê mais folgar no anoitecido Verdor.
William Blake – Canções da Inocência e da Experiência
Cordeiro, quem te fez? Sabes tu quem te fez? Deu-te vida e alimentou-te sobre o prado e junto à fonte; cobriu-te com veste pura, veste branca que fulgura; deu-te a voz meiga e tão fina para alegrar a campina! Cordeiro, quem te fez? Sabes tu quem te fez?
Cordeiro, eu te direi, Cordeiro, eu te direi! Por teu nome ele é chamado, pois assim se tem nomeado: Ele é meigo e pequenino, e um dia se fez menino: Cordeiro tu, menino eu - nos une um nome que é Seu. Cordeiro, Deus te guarde. Cordeiro, Deus te guarde.
William Blake – Canções da Inocência e da Experiência
“Não tenho nome: só de dois dias sou.” Como te chamarei? Sou só feliz, Alegria é meu nome. Que sejas bem feliz!
Meiga Alegria! Doce, e só de dois dias. Doce Alegria chamo-te. Enquanto ris, canto um pouquinho; que sejas bem feliz!
William Blake – Canções da Inocência e da Experiência
Minha mãe me gerou lá numa austral devesa, e sou negro, mas – oh! – sei que minha alma é clara; clarinha como um anjo é uma criança inglesa, mas negro sou, como se a luz não me tocara.
À sombra de um baobá minha mãe me educou e, sentada comigo ante o calor do dia, tomou-me certa vez ao colo e me beijou e, indicando o nascente, eis o que me dizia:
“Olha o nascer do sol – lá Deus tem sua casa, de lá nos manda a luz e envia Seu calor, que a árvore, a flor, a fera, o homem, tudo abrasa, confortando a manhã e alegrando o sol-pôr.
“Nosso tempo na terra é só uma curta estada, para aprender a suportar o amor radioso; e este corpo tão negro, e esta face queimada é uma nuvem somente ou um bosque penumbroso.
“Quando tiver nossa alma esse ensino aprendido, a nuvem se esvairá, e uma voz há de soar, dizendo: ‘O bosque abandonai, gado querido, e vinde em torno à Minha tenda festejar.’”
Minha mãe disse assim, beijando-me na face, e ao menininho inglês assim também falei. Que, quando a nuvem negra e a nuvem branca passe, e em torno à tenda se ajuntar a Sua grei,
vou guardá-lo do sol, que ele há de suportar quando feliz ao pé de nosso Pai se ajoelhe; quero, ao seu lado, as áureas mechas lhe afagar, e ele então me amará, e eu serei como ele.
William Blake – Canções da Inocência e da Experiência
Toque a flauta, que faz falta; cotovia noite e dia; rouxinol no arrebol; ave a voar, e a cantar, para saudar alegre, alegremente o ano.
Menininho alegrinho; menininha tão meiguinha; canta o galo, imitá-lo; linda voz tendes vós para saudar alegre, alegremente o ano.
Vem, Cordeiro, bem ligeiro; lambe então minha mão; branco pêlo, quero vê-lo; dou um beijo no teu queixo: para saudar alegre, alegremente o ano.
William Blake – Canções da Inocência e da Experiência
Vinde, vinde, doces sonhos, o meu pequeno embalar; doces sonhos de risonhos, silentes raios de luar.
De cílios vem lhe tecer uma coroa, Anjo meigo, doce, doce adormecer, para o seu sono e sossego.
Guardai-o, sorrisos ternos, que ele é meu gozo sem par; doces sorrisos maternos, a noite inteira a velar.
Doces queixas de pombinhos não o venhais perturbar; doces queixas, sorrisinhos, fazei as queixas cessar.
Dorme, dorme, meu pequeno, toda a criação dormiu; dorme, dorme, bem sereno, tua mãe vela por ti.
Em teu rosto, pequenino, sagrada imagem se vê; Quem te criou foi menino, chorou por mim, meu bebê,
por todos, por mim, por ti, quando se fez num infante; e hoje do céu te sorri, em tudo vê Seu semblante.
Por todos, por mim, por ti é que ele dá o riso Seu: como criança sorri, a velar por terra e céu.
William Blake – Canções da Inocência e da Experiência
Foi numa Quinta-feira Santa, iam com as faces bem lavadas, duas a duas, as crianças, em roupas de cores variadas; mãos brancas e brancos cabelos, à frente os bedéis caminhavam; e, entrando a abóbada de Paulo, como a água do Tâmisa escoavam.
Que grande multidão somava de Londres essa floração! Em companhias assentadas, com brilho próprio e irradiação. Rumor de multidão lá havia, porém multidão de ovelhinhas, mil meninos e mil meninas a erguer inocentes mãozinhas.
Agora, como um vento forte, sobem ao Céu suas canções, como entre os bancos celestiais o som de harmônicos trovões. Sábios guardiões dos pobres, foram entre eles os velhos sentar. Sê pois piedoso e não expulses um anjo de teu limiar.
William Blake – Canções da Inocência e da Experiência
Feliz pardalzinho! Entre as folhas verdes, um amor-perfeito te vê rapidinho encontrar teu ninho junto ao meu peito.
Gentil corruíra! Entre as folhas verdes, um amor-perfeito ouve o teu suspiro, gentil corruíra, junto ao meu peito.
William Blake – Canções da Inocência e da Experiência
Por Clemência, Piedade, Paz e Amor todos rezamos na aflição; e para tais virtudes deliciosas se volta a nossa gratidão.
Pois Clemência, Piedade, Paz e Amor é Deus, nosso pai adorado; e Clemência, Piedade, Paz e Amor o Homem, Seu filho e Seu cuidado.
Pois a Clemência tem um peito humano, e o Amor forma humana celeste, e um rosto humano tem a Piedade, e a Paz exibe humana veste.
Assim todo homem, pelo mundo afora, que reza em sua humana dor, pede só à divina forma humana Clemência, Paz, Piedade, Amor.
E amar a forma humana devem todos, sejam pagãos, turcos, judeus; onde habitam Clemência, Amor, Piedade, ali também habita Deus.
William Blake – Canções da Inocência e da Experiência
O sol já se deitou para o poente, e a estrela vespertina se acendeu; cada ave no seu ninho está silente, porém ainda procuro pelo meu. A lua – flor descerrada do céu na alta latada – com silencioso prazer senta-se, rindo para o anoitecer.
Verde campina, alegre bosque, adeus, onde pastaram com deleite os gados; e onde agora os anjinhos movem seus silenciosos pés iluminados. Invisíveis, eles vêm para abençoar também os brotos e as florações e mais os adormidos corações.
Em cada quieto ninho vão olhar as aves que, aquecidas, lá dormitam, e depois nas cavernas vão cuidar também das rudes feras que as habitam. Se descobrem algum pranto, trazem depressa acalanto, e dão sono a quem chorar, à cabeceira pondo-se a velar.
E quando o tigre e o lobo estão caçando, eles choram de pena e de tristeza, das brancas ovelhinhas afastando os que delas fizerem sua presa. Se estes atacam sem rogo, prestes, os anjos vêm logo as ternas almas levar, para novos mundos herdar.
E então os rubros olhos do leão, puras lágrimas de ouro hão de verter; e, tendo por quem chora compaixão, enquanto as furnas corre, irá dizer: “O ódio, por Sua clemência; por Sua saúde, a doença destes dias imortais foram banidos para nunca mais.