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Exercicios de portugues- fernando pesssoa
Tipologia: Exercícios
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Página(s) Domínio / texto Cenário de resposta 26 Compreensão/ Expressão Oral
a. Situação político-social − Assassinato do rei D. Carlos e do príncipe Luís Filipe. − Implantação da República a 5 de outubro de 1910. − Início da Primeira Guerra Mundial no verão de 1914 (após assassinato do arquiduque Augusto Fernando, herdeiro do trono austro-húngaro). − Portugal tenta manter-se afastado do conflito, uma vez que procura sanar as dificuldades do início da República. − Declaração de guerra a Portugal, por parte da Alemanha, em 1917, o que obriga o país a entrar no conflito. − Golpe militar (1917) leva Sidónio Pais ao poder. − Fernando Pessoa acredita ver em Sidónio Pais a personificação do regresso de D. Sebastião. − Golpe militar de 28 de maio de 1926 e instauração da Ditadura Militar. − Nomeação de Oliveira Salazar como ministro das Finanças. − Agitação política a nível europeu durante a década de 1930. − (Acontecimentos sumariados após 1935 – Segunda Guerra Mundial, Guerra Colonial e a Guerra Fria, anos dourados do cinema, o advento da televisão…) b. Movimentos estético-culturais, objetivos e formas de divulgação − Publicações de Fernando Pessoa: A Águia , O Jornal , República , Renascença , O Raio … − Publicação, em 1915, do 1.º número da revista Orpheu e consequente polémica (discussão entre a admiração e o escárnio, o atrevimento e a vanguarda de uma nova geração: Fernando Pessoa e Álvaro de Campos, Mário de Sá-Carneiro, Almada Negreiros, Amadeo de Souza-Cardoso, Santa-Rita Pintor – a geração do Orpheu ). − Almada Negreiros sintetiza, No Ultimatum futurista às gerações portuguesas , a crítica: “o povo completo será aquele que tiver reunido no seu máximo todas as qualidades e todos os defeitos: coragem, portugueses, só vos faltam as qualidades”. − O Modernismo (estética, autores). − Publicação do segundo Orpheu. O escândalo repete-se. − Em Paris, a depressão de Sá-Carneiro acentua-se e, depois de intensa correspondência com Fernando Pessoa, põe termo à vida, em abril de 1916. Morrem, pouco depois, Santa-Rita e Souza-Cardoso. O Modernismo sobrevive, mas dispersa-se em múltiplas direções e Fernando Pessoa segue o seu próprio caminho. − O Modernismo tem o segundo fôlego com a revista Presença. Logo nos primeiros números, José Régio reconhece Fernando Pessoa como mestre da nova geração. c. Dados biográficos de Fernando Pessoa − Nascimento no Largo de S. Carlos no dia 13 de junho. − Torna-se órfão de pai aos 5 anos; pouco depois morre o irmão Jorge com meses de idade. A mãe casa com o cônsul português em Durban e a família parte para a África do Sul.
− Fernando Pessoa cresce, estuda e escreve sempre que pode, em português ou inglês, na língua que o poema falar, e cria os seus primeiros heterónimos. − Regressa a Portugal, com cerca de 17 anos. − Frequenta a Faculdade de Letras, torna-se empregado de escritório e traduz cartas comerciais. − Muda de casa constantemente e publica um pouco por toda a imprensa. − Amizade com Mário de Sá-Carneiro, um génio precoce que na adolescência já traduzia Goethe e Schiller, filho de famílias abastadas da alta burguesia. − Depois da morte do padrasto, a mãe e os irmãos de Fernando Pessoa regressam a Portugal e instalam-se no n.º 16 da rua Coelho da Rocha. Fernando Pessoa fixa-se, finalmente, na casa onde viverá até ao fim da sua vida. − Relação (“desjeitada” e relativamente curta) com uma jovem de nome Ofélia Queirós. − Perde a mãe em 1925 e entrega-se cada vez mais ao álcool. Vive obcecado com a sua obra e tem constantes crises depressivas. Por isso, a reaproximação a Ofélia Queirós volta a terminar pouco tempo depois do reatamento. − Publica o seu primeiro livro de poesia em português, em 1934: Mensagem. A obra é premiada pelo Secretariado da Propaganda Nacional, mas Pessoa falta à cerimónia. − Morre a 30 de novembro de 1935. d. Heterónimos pessoanos − Cria os primeiros heterónimos, Chevalier de Pas, com cerca de 6-7 anos de idade, e Alexander Search. − Criou, numa só noite, três heterónimos: o mestre, Alberto Caeiro; o médico e classicista, Ricardo Reis e o engenheiro futurista, Álvaro de Campos. Eram três personalidades distintas, com uma história própria, qualquer deles candidato a melhor poeta do seu tempo. − Terá inventado, ao longo da vida, mais de 70 heterónimos. Mas os três que ali nasciam eram mais que estilos de escrita. − Fernando Pessoa “viveu” com Bernardo Soares durante 20 anos, escrevendo na sombra quase doentia (aparece sempre que Pessoa está cansado ou sonolento. É um semi-heterónimo porque, não sendo a personalidade a dele, é uma mutilação dela). e. Particularidades genéricas do Livro do desassossego − Publicado em 1982. − Bernardo Soares, o semi-heterónimo, é o autor desse livro. − Caracterizado como um livro interminado, um livro impossível, sobre o qual os intervenientes destacam o hibridismo (valter hugo mãe), a surpresa, ideias intensas que se entrechocam. − Composto por mais de mais de 500 textos escritos à solta, sem um sentido concreto, sem princípio, nem meio, nem fim que refletem a solidão profunda de quem vive em sonho. − Livro traduzido em várias línguas. f. Intervenientes: profissões e opiniões Jerónimo Pizarro: editor e investigador − Considera Pessoa um dos maiores autores do século XX e afirma que Portugal é praticamente o único país que no século XX desafiou o grande autor e grande épico da literatura – Camões. Fernando Cabral Martins: professor na Universidade Nova de Lisboa − Diz que houve toda uma euforia de marchandise em torno do Pessoa que ganhou um peso cultural específico.
sua opinião com as afirmações de académicos de renome internacional, como Harold Bloom ou Eduardo Lourenço.
2. Esta publicação dará a conhecer a obra de Fernando Pessoa ao público em geral e fá-lo-á de forma cientificamente correta. A preocupação de usar textos fixados e trabalhados por alguns dos maiores especialistas pessoanos e editados por uma editora de referência como a INCM são aspetos que lhe conferem credibilidade e fiabilidade. 3. Trata-se de um artigo/texto de apreciação crítica, que se baseia na análise de uma publicação e que expressa o ponto de vista do autor. Este faz juízos de valor sobre vários aspetos, visíveis em afirmações como “Pessoa é a maior personalidade literária de Portugal” (l. 20), “A oportunidade de ler ou reler Fernando Pessoa, prefaciado por alguns dos maiores especialistas e amantes da sua obra, é um privilégio” (ll. 28-29), que evidenciam marcas de subjetividade, confirmadas na linguagem valorativa utilizada. 28 Informar (^) 1. Os dois textos destacam o tom dramático da poesia do ortónimo, tom que resulta da encenação, do fingimento, de que se reveste a criação poética e/ ou artística. Esta implica o abandono das emoções ou, melhor, a sua intelectualização. 29 Educação Literária 1. A poesia passa por diferentes etapas quer ao nível da produção quer ao nível da receção. Assim, o ponto de partida da produção é a sensação (“a dor sentida”); segue-se a dor recriada, transformada pela imaginação, originando uma síntese, ou seja, uma nova dor. É a esta última que o leitor acede, o que significa que o processo de receção se distancia dos dois inerentes à produção. 2. O poema pode dividir-se em três partes, correspondendo a cada uma das quadras, em que são apresentados conceitos diferentes. Na primeira estrofe é possível efetuar uma subdivisão, atendendo a que o verso 1 apresenta a ideia-chave que será explicitada nos versos seguintes (a tese de que o fingimento é inerente ao ato criativo). Na segunda quadra, confirma-se que o leitor não acede à dor do poeta, até porque a dor foi metamorfoseada. Na última quadra distingue-se o coração da razão, para evidenciar o engano a que os sentimentos conduzem e que o poeta terá de abandonar forçosamente, dado ser-lhe exigido o uso da razão. 3. Neste poema, Fernando Pessoa esclarece o modo como a poesia se constrói, afirmando que “o poeta é um fingidor” (v. 1). Implicitamente, defende a ideia de que a criação artística é um processo intelectual que se afasta do mero mimetismo. 4. O texto A refere especificamente o título e alguns versos do poema pessoano; o texto B faz referência ao fingimento como algo implícito à criação poética. No fundo, ambos os textos descodificam, em parte, a tese “o poeta é um fingidor” apresentada no poema “Autopsicografia”. 29 Expressão oral (^) 1. Resposta de caráter pessoal. No entanto, os alunos poderão abordar/desenvolver os seguintes tópicos: − o tema do diálogo é o sentido da existência humana; − a necessidade de saber “por que existimos” parece não ser importante para o interlocutor de Mafalda seja porque nunca se questionou sobre o assunto seja porque a existência é um fim em si mesma, não necessitando, portanto, de explicação; − embora a personagem Mafalda apresente um ar “reflexivo” e, de certa forma, “apreensivo”, o seu interlocutor ostenta uma atitude bastante descontraída face à complexidade do tema; conclui-se que Filipe atribui pouca importância à questão; − entre o sujeito poético de “Autopsicografia” e o interlocutor de Mafalda são notórias as diferenças: à atitude reflexiva e à intelectualidade de Pessoa, opõe-se a superficialidade e a leviandade intelectual de Filipe, que se mostra ansioso pela resolução do “problema”, não importando a resposta que irá obter. 30 Educação Literária (^) 1. Fingir, segundo o sujeito poético, é sentir com a imaginação; mentir será, por isso, sentir apenas, usar unicamente o coração, os sentimentos.
2. O coração é o ponto de partida para a imaginação, ou seja, o poeta parte do que sente, mas recria o sentimento através da razão, afastando-se, assim, do que inicialmente sentiu. No fundo, é a imaginação que distancia o artista do homem comum. 3. O verso significa que aquilo que está além do mundo terreno, o que se encontra no mundo superior, a que se acede por meio do intelecto, é o que o poeta deve alcançar, até porque esse é o espaço da perfeição. 4. Sendo a escrita um ato artístico, que exige o recurso à imaginação, percebe-se a necessidade de se afastar daquilo que “está ao pé” (v. 12) – as sensações imediatas, os sentimentos, pois estes enleiam, enganam. 5. Com a interrogação, o sujeito poético está a conferir um estatuto de menoridade ao leitor, comparativamente ao artista, pois este precisa de usar a imaginação. Por isso, ironicamente, ordena que o leitor se limite a sentir, como se visse nele a incapacidade de usar a razão. 6. Trata-se de um poema composto por três quintilhas, todas com seis sílabas métricas. A rima é cruzada e emparelhada, atendendo ao esquema rimático: ababb / cdcdd / efeff. 7. Complemento direto. 8. “que” – conjunção subordinativa completiva; “ou” – conjunção coordenativa disjuntiva. 9. Tem valor conclusivo. 10. Oração subordinada substantiva relativa. 31 Educação Literária (^) 1. A expressão deste desejo resulta da consciência que o "eu" tem do mal que o uso excessivo da razão produz em si próprio. Porém, esse desejo encerra um conteúdo paradoxal, porque o “eu” quer ser inconsciente como a ceifeira sem deixar de ser ele, um ser consciente. 2. A sinceridade está relacionada com a inconsciência, dado associar-se à espontaneidade e ao instinto. Já o fingimento implica o uso da razão e da consciência. Assim, o sujeito poético aspira ao impossível: ninguém pode ser inconsciente e ter consciência disso. 3. A antítese, em “alegra e entristece” (v. 9), sugere o efeito contraditório do canto da ceifeira no sujeito poético; a apóstrofe “Ó campo! ó canção!” (v.
c. F – O pensamento vitima aquele que o usa em excesso. d. V e. F – Fernando Pessoa foi dos que mais sofreram por ter usado o pensamento como ninguém. f. V g. V 35 Educação Literária (^) 1. “terra de suavidade” (v. 3), “ilha extrema do sul” (v. 4), “vida é jovem”, “amor sorri” (v. 6), “palmares inexistentes” (v. 7), “Áleas longínquas” (v. 8), “Sombra ou sossego” (v. 9), “ilhas do fim do mundo” (v. 19), “palmares de sonho” (v. 20).
2. As duas primeiras estrofes espelham a esperança de que o sonho se possa realizar, como atesta o uso do advérbio “Talvez” (v. 7). A terceira estrofe, introduzida pela conjunção adversativa “Mas”, dá início ao desvirtuamento, ao desalento, com a constatação de que o pensamento anula o sonho; por isso, nessa terra (a do sonho), o bem não é duradoiro. Na última estrofe, evidencia-se a certeza de que a cura para os nossos problemas tem de estar em nós, e de que só a nossa ação nos permitirá ser felizes. 3. Na primeira ocorrência, o advérbio “ali” refere-se à “terra de suavidade” (v. 3), à “ilha extrema do sul” (v. 4); já na segunda ocorrência (última estrofe), o mesmo advérbio tem como referente o “nós”. 4. Destaca-se, logo no primeiro verso, o emprego da antítese, para salientar a oposição que se estabelece entre o “sonho” e a “realidade” − “Não sei se é sonho, se realidade” − e na última estrofe entre “mal” e “bem” − “Que cura a alma seu mal profundo, / Que o bem nos entra no coração” (vv. 21-22) −, com o intuito de realçar a inoperância do sonho e a imposição do real sobre o imaginário. Emprega-se também a metáfora ao associar a ilha ao sonho (veja-se os vv. 19 e 20), dado que os locais exóticos são considerados espaços de evasão, de fuga à realidade. 5. a. Sonho; b. Realidade; c. Mistura 6. Os deíticos de natureza pessoal e temporal estão exemplificados no pronome “nós”, nas formas verbais, no presente do indicativo, como “sei” (v. 1); o advérbio “ali” (v. 23) corresponde a um deítico de valor locativo. 7. Trata-se da coesão lexical por substituição (sinonímia). 36 Educação Literária (^) “Tudo o que faço ou medito” 1. Na primeira quadra verifica-se a oposição entre o fazer e o meditar, o querer e o fazer, remetendo para a dualidade sonho/realidade. Percebe-se que entre o imaginado e o realizado existe um fosso, pois a ação real fica sempre aquém do que foi sonhado. 2. O sujeito poético sente repulsa de si mesmo (“Que nojo de mim”, v. 5) quando dá conta da sua incapacidade para concretizar o imaginado. Mostra-se confuso, considerando-se “um mar de sargaço” (v. 8), mas também lúcido (v. 7). A dúvida e a confusão existencial são reforçadas nos dois últimos versos, em que acentua ainda mais a ideia de angústia. 3. O verso ilustra uma metáfora que sugere a grande confusão interior em que se encontra o sujeito poético: o mar remete para a imensidão e o sargaço para o emaranhado, para a confusão.
4. O conector tem valor disjuntivo ou de alternância. 5. A oração tem valor restritivo. “Nada sou, …” 6. Através da repetição do advérbio “nada”, seguido de verbos que apontam, semanticamente, para a gradação, o sujeito poético assume uma atitude nihilista, de anulação de si mesmo e de tudo o que o rodeia. 7. Para além da anulação expressa no primeiro verso, ao longo do texto confirma-se a incerteza em que o “eu” vive, pois traz o seu ser “por ilusão”, não sabe se há de ser já que não é nada, como se comprova nos versos 2, 3 e 4. 8. No penúltimo verso está presente a oposição sonho/realidade, tornando-se visível a inutilidade do sonho e da própria inconsciência. No fundo, destaca-se a importância de ter consciência da irrealidade do sonho. 9. O último verso, que encerra um apelo, traduz a incerteza da vida do “eu”: o coração é incerto e a sombra remete para o sonho, logo para a irrealidade. 10. Predominam, ao longo do texto, sons sibilantes (/s/) e nasais (/-m/, /-ão/, /nh/), sugerindo o estado de angústia e de reflexão em que o “eu” se encontra. 37 Educação Literária (^) 1. Fernando Pessoa viu-se impossibilitado de ser feliz porque foi sempre movido pela vontade de conhecer, recorrendo incessantemente à inteligência e procurando uma realidade suprassensível, existente apenas num mundo abstrato. 2. A verdadeira vocação do poeta foi pensar e sonhar. Com efeito, autoanalisou-se, recorrendo permanentemente ao pensamento, tentou iludir a vida através dos sonhos, mas, porque se entregou “obsidiantemente ao pensamento” e se virou “para o sonho”, acabou por se separar do mundo e não atingiu a felicidade. 3. Por “fantasmas mágicos” pode entender-se tudo aquilo que o levou a evadir-se da realidade concreta, nomeadamente o sonho e o pensamento. 4. A afirmação “O poeta dissipou os dias erguendo sonhos inúteis a um céu impassível” (ll. 30-31) aponta claramente para a inutilidade do sonho. A afirmação “a vida que iludiu sonhando” (l. 32) encerra a ideia de que o sonho foi inútil. 39 Verificar (^) 1. a. Iterativo b. Imperfetivo c. Habitual d. Habitual e. Perfetivo f. Genérico g. Perfetivo h. Genérico i. Imperfetivo j. Iterativo
− a mentira nunca se coaduna com a honradez; − a mentira como causadora de graves problemas; − … 41 Escrita
1. Resposta de caráter pessoal. No entanto, os alunos poderão referir que: − se, por um lado, pôr fim à vida é considerado um ato condenável, pelo menos numa perspetiva cristã, por outro, há filosofias que preconizam que seja o ser humano a conduzir o seu destino; − o sofrimento é algo que afeta não só a pessoa mas também quem a rodeia, daí haver correntes de opinião que defendem que em casos extremos se possa pôr fim à vida; − a decisão poderá caber a quem está a sofrer, caso a pessoa seja maior, esteja consciente e seja essa a sua vontade. 42 Educação Literária (^) 1. A repetição da palavra “memória” e do possessivo “meus” concorre para acentuar a importância que o sujeito poético dá, no presente, ao passado que agora reconstrói por não o ter valorizado outrora. 2. Através da memória, o “eu” regressa ao passado e, no presente, lamenta ter perdido aquela “história” personalizada nos contos de fadas. A recordação traz memórias que contrastam com os cansaços do presente e justificam o apelo final: “Torna-me aos dias felizes / E deixa chorar quem riu.” (vv. 11-12) Estes últimos versos ilustram de forma significativa a oposição passado/presente. 3. O sujeito poético admite estar em sofrimento, referindo-se à dor causada pela perda “daquela história”, aos seus “cansaços ateus”, e almeja regressar aos dias felizes porque, se agora chora, no passado “riu”. 4. O presente de dor, desencadeado pelo uso excessivo da razão, leva o sujeito poético a evocar o tempo em que a razão não o atormentava. Esse era o tempo da infância, conotado com o tempo de ouro em que o ser humano experiencia a felicidade. Os contos de fadas são a metáfora da infância, na medida em que espelham um mundo de fantasia, de liberdade, e lembram as primeiras explicações para muitos dos enigmas do mundo. Contudo, a última página, que instituía o final feliz que povoava os contos de fadas, fora rasgada. Talvez seja essa a razão do seu choro. 5. A personificação está presente no papel que o “eu” atribui à memória (invocada por meio do vocativo), responsabilizando-a por ações que são única e exclusivamente da responsabilidade do ser humano. 6. “memória” – vocativo; “daquela história” – complemento do nome. 7. O referente é o sujeito poético (enunciador). 8. Coesão lexical (substituição). 9. Valor imperfetivo. 10.1 [B].
43 Educação Literária (^) 1. As dicotomias presentes são passado/presente, jovem/adulto, sonho/vida real. Por intermédio delas, o sujeito opõe o passado ao presente, dado que o sonho deu lugar à estranheza em face da vida.
2. No passado, ainda que a vida fosse má, parecia-lhe serena; hoje a vida é estranha e “a pena, ou a mágoa, ou o cansaço” (v. 9) impõem-se. 3. Os canteiros do jardim remetem para a beleza, para a harmonia e para a fragilidade que caracterizam os momentos felizes do passado. O verbo pisar, por seu lado, adquire um valor disfórico, sugerindo o facto de o presente anular o passado. 4. A adjetivação − “má” (v. 3), “serena” (v. 3) – permite caracterizar a vida do “eu” no passado; a enumeração, com recurso ao polissíndeto, em “a pena, ou a mágoa, ou o cansaço” (v. 9), reforça o estado de espírito negativo do sujeito poético no momento presente. 5. Orações subordinadas adverbiais temporais – “Quando era jovem” (v. 1); “quando tinha pena” (v. 1); oração subordinada adjetiva relativa restritiva – “Que me visita o ser” (v. 8). 6. Valor disjuntivo. 7. Conversão. 44 Educação Literária 1. Na primeira estrofe há um jogo temporal entre passado e o presente, em que o primeiro se reflecte no segundo. Com efeito, o “eu” traz para o presente as recordações do passado, em particular o jardim e a fantasia de outrora, e admite que no futuro também não saberá o que foram essas vivências anteriores. 2. Os versos parentéticos correspondem às presumíveis respostas da ama, o interlocutor direto do “eu”, que é símbolo do passado e o único que poderia dar as respostas que o “eu” procura, graças à relação e ao conhecimento que tem desse passado, agora revisitado. 3. A cor salientada é o azul, particularmente o “azul do céu” (v. 7), que simboliza a pureza, a inocência, o que está além da realidade, que, por sua vez, se associam à infância, ao sonho e à imaginação típicas das crianças. Contudo, estão subjacentes outras cores na referência às “Flores de tantas cores…” (v. 13), que, simbolicamente, sugerem a alegria mas também a fragilidade. 4. As aproximações devem-se ao facto de o sujeito poético ser do género feminino e de, no final de cada estrofe, existir um verso que funciona como uma espécie de refrão e que representa a resposta da ama. Portanto, tanto o caráter dialogal, como a centralidade da figura feminina e a presença do refrão são aspetos que remetem para as cantigas de amigo. 5. A anáfora permite realçar o modo carinhoso como a “ama” trata o sujeito poético. Simultaneamente, reitera o vocativo e a apóstrofe. 6. Oração subordinada substantiva relativa. 7. Como marcas deíticas, surgem as formas verbais no presente e no pretérito perfeito que contêm marcas temporais e pessoais (“Conta-me” e “fui”), bem como pronomes (“me”). Por outro lado, também a expressão “Esse dia” configura uma marca temporal, e [esse] “jardim” uma marca deítica de natureza espacial. Idealização da infância 11
Texto A
− Destacam-se as vivências do quotidiano e o modo como, sistematicamente, até em tarefas mais básicas, o recurso à memória é importante e fulcral, e de que forma esse quotidiano é afetado quando não conseguimos recordar-nos de informações essenciais. − Apesar de a maioria das cenas decorrer em interiores, o filme ganha com a seleção de belos espaços exteriores, nomeadamente jardins e praias onde decorrem algumas filmagens. − A realização é cuidada, e são frequentes os planos da protagonista em que as expressões faciais denunciam apreensão perante os avanços da doença. 51 Verificar 1. [D]
2. [A] 3. [A] 4. [B] 5. [D] 6. [C] 7. [A]