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Este documento detalha uma prática de laboratório em engenharia mecânica, focada na determinação da viscosidade de fluidos utilizando a lei de stokes. Aborda conceitos teóricos sobre viscosidade, fluidos newtonianos, lei de stokes e métodos de medição de incertezas. Apresenta um procedimento experimental passo a passo, com a utilização de equipamentos como esferas de aço, tubos transparentes, termômetro e densímetro, e inclui tabelas com dados coletados e cálculos realizados. Útil para estudantes de engenharia mecânica que desejam aprofundar seus conhecimentos sobre viscosidade e métodos de medição.
Tipologia: Exercícios
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Graduação em Engenharia Mecânica Gabriel Oliveira Serra Luísa Fernandes Pontes Pedro Henrique Ribeiro Rocha Vitor Bicalho Lacerda PRÁTICA DE OBTENÇÃO DE VISCOSIDADE Belo Horizonte 2025
De início, se torna necessário a revisão de alguns conceitos relacionados à viscosidade para o entendimento da prática correspondente. Dessa forma, pode-se entender um “fluido” como uma matéria que se deforma continuamente sob a ação de uma tensão de cisalhamento. Assim, viscosidade é a propriedade que representa a resistência interna do fluido ao cisalhamento, podendo-se associar também à sua resistência ao movimento ou à fluidez. Figura 1 : Experimento de Newton Considere a situação ilustrada na Figura 1. Um fluido está ocupando o espaço entre duas placas paralelas, sendo uma fixa e outra móvel, que estão a uma distância y. Ao aplicar uma força constante F na placa superior, no sentido indicado na figura, a mesma, que possui uma área A, irá se movimentar com uma velocidade constante V , fazendo com que o fluido, por estar em contato com ela, também adquira a mesma velocidade. De forma análoga, o fluido em contato com a placa fixa terá a mesma velocidade dela, sendo esta igual a zero. Nota-se, portanto, que o perfil de velocidades criado nesta situação é linear, fazendo com que a tensão de cisalhamento (𝜏 = 𝑑𝐹 𝑑𝐴 ) seja proporcional à taxa de deformação do fluido ( 𝑑𝑉 𝑑𝑦
𝑑𝑉 𝑑𝑦
. Introduzindo, portanto, a constante de proporcionalidade, tem-se que 𝜏 = 𝜇 𝑑𝑉 𝑑𝑦 , sendo μ o coeficiente de viscosidade absoluta ou dinâmica. Vale ressaltar, por sua vez, que é de costume na engenharia trabalhar com o conceito de viscosidade cinemática υ , sendo esta propriedade definida como: 𝜐 = 𝜇 𝜌
em que ρ é a massa específica do fluido. Nesse contexto, sabe-se que fluidos considerados newtonianos são aqueles que apresentam a tensão de cisalhamento diretamente proporcional à taxa de deformação e que a viscosidade é constante para uma determinada temperatura. Como exemplo, pode-se citar: água, óleo e ar. A presente prática irá trabalhar apenas com fluidos newtonianos, fazendo com que a explicação de fluidos não-newtonianos se torne desnecessária. Além desses conceitos, também deve-se mencionar a Lei de Stokes, cuja aplicação é a base de toda a prática presente neste relatório. Segundos Stokes, sempre que um fluido escoa por uma esfera em repouso, ou quando a esfera se move através de um fluido em repouso, ela está sujeita à ação de uma força resistente que, por sua vez, pode ser determinada através da expressão:
E isolando o termo μ , encontra-se a expressão para o cálculo da viscosidade do líquido: 𝜇 =
É válido ressaltar, por sua vez, algumas considerações gerais a respeito da Lei de Stokes:
Sendo: 𝐷 = 𝑑𝑖â𝑚𝑒𝑡𝑟𝑜 𝑑𝑎 𝑒𝑠𝑓𝑒𝑟𝑎; 𝑣 = 𝑣𝑒𝑙𝑜𝑐𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑡𝑒𝑟𝑚𝑖𝑛𝑎𝑙 (𝑙𝑖𝑚𝑖𝑡𝑒)𝑑𝑎 𝑒𝑠𝑓𝑒𝑟𝑎; 𝜈 = 𝑣𝑖𝑠𝑐𝑜𝑠𝑖𝑑𝑎𝑑𝑒 𝑐𝑖𝑛𝑒𝑚á𝑡𝑖𝑐𝑎 𝑑𝑜 𝑓𝑙𝑢𝑖𝑑𝑜.
Em que 𝑚 1 , 𝑚 2 , 𝑚 3 𝑒 𝑚𝑛 são os valores obtidos e, n, o número de medidas.
Em que 𝐷𝐴 1 , 𝐷𝐴 2 , 𝐷𝐴 3 𝑒 𝐷𝐴𝑛 são os valores dos desvios absolutos de cada medida e, n, o número de medidas.
1. Tubo transparente contendo glicerina 2. Tubo transparente contendo óleo de rícino 3. Tubo transparente contendo óleo lubrificante SAE 30 4. Termômetro 5. Densímetro 6. Esferas de aço com 𝑚 = 144 𝑚𝑔 e 𝐷 = 3,175 𝑚𝑚 7. Cronômetro As fotos dos equipamentos correspondentes estão apresentadas a seguir: Figura 3: Esferas de aço Figura 4: Tubos transparentes com os respectivos líquidos Figura 5: Densímetro e termômetro
Em um primeiro momento, fizemos as medições da temperatura e da densidade de cada fluido, com o auxílio do termômetro e do densímetro, respectivamente, e também definimos as distâncias a serem percorridas pelas esferas de acordo com a graduação de cada tubo. Vale mencionar que, no presente experimento, os tubos com as cores vermelho, amarelo e transparente contêm, respectivamente, os seguintes fluidos: óleo lubrificante SAE 30, óleo de rícino e glicerina. Em seguida, soltamos uma esfera na superfície de cada um dos fluidos e, com o auxílio do cronômetro, medimos o tempo gasto para cada uma das esferas percorrer as distâncias graduadas do seu respectivo tubo. Realizamos esse procedimento para cada um dos líquidos separadamente. Após anotar todas as medições na folha de teste, calculamos a viscosidade cinemática de cada fluido e o número de Reynolds correspondente, além dos respectivos desvios e a expressão correta dos resultados. Por fim, consultamos tabelas e/ou gráficos na literatura a fim de anotar os valores das viscosidades dinâmica e cinemática teóricos dos fluidos de teste e, assim, fazer uma análise comparativa.
Média (ν) DA (ν) DR (ν) DP (ν) % DMA (ν) 0,
[Silva (1990)] μ ν Pa.s m²/s 0, 52 0,00054 5 Em relação ao óleo lubrificante SAE 30 , em seguida, foram obtidos os seguintes dados: Grandeza Valor Unidade Temperatura (T) 29,5 ºC Massa específica (ρ) 883 kg/m³ Peso específico (γ) 8662,23 N/m³ Queda Tempo Velocidade m s m/s 0,2 1,02 0, 0,4 2,21 0, 0,5 2,84 0, 0, 6 3,39 0, Visc. absol. Visc. absol. Visc. cinét. Visc. cinét. Nº Reynolds Pa.s Poise m²/s Stokes - 0,2161 2,161 0,0002448 2,448 2, 0,2341 2,341 0,0002652 2,652 2, 0,2407 2,407 0,0002726 2,726 2, 0,2394 2,394 0,0002712 2,712 2,
Média (μ) DA (μ) DR (μ) DP (μ) % DMA (μ) 0,
Média (ν) DA (ν) DR (ν) DP (ν) % DMA (ν) 0,
[Silva (1990)] μ ν Pa.s m²/s 0,25 0, Em relação à glicerina , por fim, foram obtidos os seguintes dados: Grandeza Valor Unidade Temperatura (T) 30 ºC Massa específica (ρ) 883 kg/m³ Peso específico (γ) 8662,23 N/m³ Queda Tempo Velocidade m s m/s 0,2 1,02 0, 0,4 2,21 0, 0,5 2,84 0, Visc. absol. Visc. absol. Visc. cinét. Visc. cinét. Nº Reynolds Pa.s Poise m²/s Stokes - 0,4339 (^) 4,339 0,0003568 3,568 0, 0,5525 5,525 0,0004543 4,543 0, 0,6171 6,171 0,0005075 5,075 0,
Primeiramente, pode-se dizer que a presente prática, levando em consideração o objetivo estipulado na seção 2 , alcançou ele com efetividade, visto que foram determinadas todas as três viscosidades dos fluidos trabalhados. Em relação aos resultados obtidos, pode-se dizer que estão coerentes ao compará-los com a fonte de consulta estabelecida. A diferença entre os valores literários para os experimentais, por sua vez, se deve a, provavelmente, erros de medição humana ao longo da prática, podendo estar relacionados à leitura dos dados, às marcações de tempo pelo cronômetro, dentre outros. Por fim, vale mencionar que, conforme mencionado na seção 1 , o Nº de Reynolds encontrado para os fluidos deveria ser menor que 1 , de modo que os resultados encontrados sejam válidos. No entanto, nota-se que para o óleo lubrificante SAE 30 foram encontrados valores próximos a 2. Contudo, deve-se lembrar que, conforme também mencionado na fundamentação teórica, casos em que o Nº de Reynolds for um pouco maior que 1 também podem ser válidos, englobando, portanto, esse caso.
AULA DE LABORATÓRIO N.º 2, Viscosidade: Lei de Stokes para determinação da viscosidade de um fluido. Aula de laboratório n.º 2 , [S.l.], [S.d.]