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Trabalho apresentado ao curso de Licenciatura em História da Universidade de Uberaba como requisito para aprovação na disciplina – Prática Pedagógica I.
Tipologia: Exercícios
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Franca- SP 2021
Trabalho apresentado ao curso de Licenciatura em História da Universidade de Uberaba como requisito para aprovação na disciplina – Prática Pedagógica I. Franca- SP 2019
casas que mais gostei de morar, com uma decoração simples feita pela minha mãe e com muitas comidas gostosas, eu estava com um vestido de daminha de honra e me sentia uma princesa. Não posso dizer quantos anos estava fazendo naquela época, mas me gerou uma memória com bons sentimentos e uma sensação de paz, sem muitos detalhes por fazer mais 10 anos. Tenho um DVD com vídeos caseiros da minha infância que sempre gostei de assisti-los, até estragar, mas era gostoso ver uma garotinha minúscula cantando as músicas da Xuxa com um microfone quase do seu tamanho, pulando enlouquecidamente pela sala da casa, em algumas cenas tinha meu pai ou minha mãe dançando comigo. Me fazia perceber como era bom ser criança, pois um simples microfone e um CD que gostava fazia o meu dia e facilitava a minha mãe, pois era dali para um profundo sono. Além disso, me fez tornar um choque de realidade, porque quanto mais a gente cresce mais vamos gostando da correira, das coisas complicadas e complexas, sendo que uma música pode mudar o dia de uma criança e para adultos céticos não é possível. Um ser que foi completamente especial na minha vida foi a minha cachorra que ganhei aos meus 3 anos de idade e apelidei de Sandy- eu era completamente apaixonada por Sandy & Junior-, da minha tia. Na chácara da irmã do meu pai a base deles haviam dado crias, lembro de ir até o local e escolher a Sandy, mas ela ainda não poderia desmamar. Quando ela chegou o período correto meu pai e tia apareceram de surpresa em casa e me entregaram ela. A Sandy viveu 16 anos, fazendo parte dos principais períodos da minha vida, foi uma irmã basicamente, a minha companhia no dia a dia. Comecei a estudar numa escola particular situada na saída da cidade, era uma escola grande, com fazendinha, campo de vôlei, futebol e piscina. Ingressei nessa escola aos 4 anos de idade e fui até os 6. As aulas eram divididas em quatro salas: a de robótica, artes, humanas e exatas, eram bem interativas. Foi nessa escola que me encantei com uma professora Luísa, que sempre fazia a sala escrever histórias, contagiava a gente com sua alegria e eu me lembro que parecia que ela amava o que fazia, fiquei extremamente triste quando mudamos de professora, não lembro em qual ano, e era uma extremamente rígida e antipática.
Me recordo que muitas vezes tínhamos o dia do brinquedo, que cada aluno levava o seu brinquedo, as duas últimas aulas eram reservadas para recreação, íamos para um pátio de grama e parquinho, para interagirmos com as outras classe. Além disso, todo final de aula, por conta do trabalho, minha mãe ia me buscar mais tarde e muitos dias eu estava com areia até nas costuras de roupa, pois a Tia Loudes, uma inspetora, deixava eu esperar na quadra de vôlei. A alegria do mês era as duas aulas de educação física na piscina, me lembro muito bem das guerras de água, os afogamentos jogando futebol na água e o professor sempre muito animado. Foi uma escola muito especial para mim por ser um período de crescimento tão importante, me sentia bem na fazendinha, plantando as mudas e gostava muito dos animais, tinha dois pavões, uns 3 cavalos, coelhos e galinhas, uma educação extremamente privilegiada, eu diria. Com 6 anos me mudei para outra escola, a qual não tenho memória, apenas relatos da minha mãe me contando que foi lá que aprendi a ler. Após um ano, mudei para uma escola municipal, no quarta ano, por problemas financeiros e a separação dos meus pais, não gostava muito da escola, pois a merenda era ruim, as salas bagunçadas e foi um período que sofri muito bullying, a única coisa que me animava era o pão com salsicha, distribuído uma vez na semana. .No sexto ano, voltei para uma escola particular, mas com o desejo de retornar a escola da fazendinha. Esse período foi quando aprofundei ainda mais a minha paixão por história, pois foi aos 4 anos de idade que descobri ela, falando que eu gostaria de ser uma arqueóloga. A professora de história contava tudo com muito entusiasmo, me fazia viajar e imaginar como se estivesse vivendo aquele momento. Entretanto, não posso apontar professores para falar qual foi o que me fez descobrir essa a paixão, nem mesmo a minha mãe recorda, quando eu pergunto ela sempre fala: “Você sempre gostou de história, não sei qual professor(a) também não.”. Os professores sempre comentavam da minha escrita, no programa do Proerd, na escola pública, ganhei medalha de melhor redação da região, com um texto de 5 páginas, fiquei muito feliz, apesar de hoje não concordar com a forma que é abrangido o tema de drogas nas escolas. No sétimo ano voltei a escola da fazendinha, mas olhando para trás talvez
olhava para mim, como se falassem “Vai, Tabita, fala aí militante”, eu odiava, pois às vezes só queria escutar. Posso dizer que a política me encontrou. Retornando a escolha do meu primeiro curso,. Foi em uma aula de geologia, que um professor, extremamente deságradavel, contava uma história de um primo que passou em Ciência Política e a família não deixou ele cursar por achar que não era algo relevante. Quando ele contou aquilo anotei no meu celular o nome do curso e fui pesquisar em casa, foi como se eu tivesse encontrado o que amava, uma segunda paixão, por isso falo que a política me achou, foi tudo muito repentino. Então aos 17 anos passei em uma universidade federal no interior do Rio Grande do Sul, no curso de Ciência Política e comecei a viver uma das melhores experiências da minha vida. Foram 2 anos e meio de muita loucura e aprendizado, que me tornaram a mulher que sou hoje. Em 2020, por conta da pandemia, voltei para Franca, me formarei a distância em março de 2023, pois o COVID-19 acabou atrasando minha formação. Foi nessa faculdade que descobri o meu amor pelo ensino, sempre tive a vontade de mudar o Brasil e aprendi na política que a base de tudo é a educação, não a melhorias se nossas crianças estão tendo uma educação duvidosa e de baixa qualidade. Quando cheguei em Franca, minha mãe quis me matricular em letras, pois, além da história e política, a literatura clássica brasileira me encanta, mas fazendo os cálculos e com muita persuasão a convenci que seria melhor eu me matricular em história já que não tem forma melhor de compreender a situação política brasileira sem compreender o nosso passado, pois acredito fielmente que a história se repete com alguns ajustes temporais e de conceitos. Ou seja, consegui juntar minhas duas paixões para um dia conseguir repassar aos alunos o meu conhecimento de forma mais ampla e concreta. Eu sempre olhei o quanto minha mãe sofria em sala de aula e pensava que não queria aquilo para mim, mas hoje é o que quero, pois conforme fui crescendo fui ouvindo histórias de alunos dela e como ela mudou a vida deles, já me pediram para agradecer ela porque o ex-aluno estava cursando faculdade e o motivo era a forma de ensino dela. Passei por muitos professores incríveis que me ajudaram a trilhar esse caminho do ensino, mas acredito que minha maior inspiração está dentro de
casa, sempre batalhando e buscando o melhor para os alunos. Mesmo com o governo maltratando os professores ela está ali, batalhando até hoje para que pessoas acima de 18 consigam concluir sua educação- hoje ela já está aposentada das salas de aula, depois de mais de 30 anos. Não conheço o modelo de ensino da minha mãe, não concordo com o de muitos professores, principalmente de história, pois me dói os ouvidos escutar “Descobriram o Brasil”, não se descobre terras com donos (indígenas), foi invasão e exploração e uma nação construída a base do estupro. Então eu quero buscar o meu modelo de ensino, ensinar a história sem a visão eurocentrista que está presente até mesmo nessa licenciatura, pois o brasileiro não é nacionalista, não amamos o nosso país, cresci aprendendo que Portugal salvou os índios e trouxe a civilização para cá e não é assim, a própria história diz isso, então precisamos ensinar as crianças quem realmente é o brasileiro, sua história, suas guerras e .perdas. Talvez seja sonhar alto, mas eu ainda tenho 21 anos, minhas batalhas já estão escolhidas e agora é só batalhar. A educação muda vidas, muda nações e se os professores em formação não buscarem e guerrear para um ensino público realmente de qualidade ficaremos parados onde estamos. Não podemos reclamar do Brasil que estamos se ficarmos acomodados, precisamos batalhar por uma educação de qualidade e gratuita para toda população. Hoje vejo que não há outra profissão para mim, apesar de ter negado isso por muitos anos.