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Este documento discute o conceito de responsabilidade social empresarial e a importância da sustentabilidade em empresas. Ele explica o papel da transparência, dos objetivos corporativos e da gestão ambiental na implementação de práticas sustentáveis. Além disso, ele apresenta os princípios do sistema de gestão ambiental (sga) e a importância da redução de desperdícios, da reutilização e da reciclagem de resíduos. O documento também discute a importância de se considerar a relação com stakeholders e a responsabilidade da empresa pelo ciclo completo do produto.
Tipologia: Notas de estudo
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Não perca as partes importantes!





















































































Como podemos notar, é imprescindível que o setor privado reconheça o seu poder no controle de impactos ambientais e que os líderes empresariais sejam protagonistas nessa jornada, garantindo as boas práticas e baseando-se tanto na ética quanto na governança responsável. Só a união do setor direcionará a transformação desse quadro. No entanto, colocar esses conceitos em prática é ainda um desafio. Em 2019, o CEO Study, realizado pelo Pacto Global juntamente com a consultoria Accenture, mostrou que, apesar de 71% dos CEOs acreditarem que as empresas têm uma grande responsabilidade no atingimento dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, 25% dizem que a falta de clareza com o valor do negócio é uma das maiores barreiras para a implementação da sustentabilidade. Para reverter esse quadro, entidades empresariais e os próprios empresários precisam levantar a bandeira da sustentabilidade nos negócios e fomentar agendas de discussão sobre o assunto de maneira transparente. A implantação de práticas sustentáveis não deve ser apenas uma estratégia de marketing, mas fazer parte do DNA da Instituição, e isso só é possível por meio do desenvolvimento de líderes conscientes e responsáveis. Em outras palavras, confiança, aptidão e vontade de fazer a diferença são características imprescindíveis a líderes que queiram transformar e influenciar o cenário atual das suas empresas e de outros setores. Nesse ponto, a educação executiva é a via para a inovação e para a disseminação do conhecimento com foco em valores. Considerando esse contexto, o objetivo da apostila Práticas de gestão empresarial sustentável é oferecer reflexões e modelos de gestão sustentável a serem aplicados nas organizações. Para tanto, iniciaremos o nosso estudo apresentando um histórico da questão socioambiental no Brasil e no mundo. Em seguida, ilustraremos práticas de gestão sustentável nas empresas, de modo a contribuir para a construção de estratégias eficazes e para o aperfeiçoamento do relacionamento e da comunicação com stakeholders. Discutiremos também acerca dos novos paradigmas de sustentabilidade presentes na sociedade contemporânea. Sob esse foco, esta apostila está estruturada em quatro módulos. No módulo I, apresentaremos uma retrospectiva sobre a questão socioambiental no Brasil e no mundo. Para isso, abordaremos a importância e o papel das empresas na geração de riquezas e os princípios que regem a sua responsabilidade para com a sociedade. Além disso, apresentaremos a Agenda 2030, documento que trata dos objetivos do desenvolvimento sustentável como uma oportunidade de desenvolvimento empresarial. No módulo II, focaremos algumas práticas para gerir organizações baseadas no contexto da sustentabilidade, mais especificamente sob o viés ambiental. Para tanto, abordaremos temas como estratégias de gestão de projetos, ciclo de vida dos produtos, Sistema de Gestão Ambiental, ISO e legislações pertinentes. No módulo III, buscaremos entender quem são as partes interessadas da empresa e veremos a forma mais adequada de comunicar a esse público as iniciativas e os avanços relacionados à sustentabilidade.
No módulo IV, discutiremos alguns temas que propõem certa reflexão acerca dos novos paradigmas ligados à sustentabilidade. Abordaremos, por exemplo, como a inovação transversal e a sua integração com a sustentabilidade podem impactar novas maneiras de fazer negócio. Discutiremos também o conceito de economia circular e a tendência de criação das smart cities , que colocam a população como o centro das atenções e utilizam a sustentabilidade e a inovação como fator de transformação e reorganização. Discutiremos, por fim, o tema da liderança para a sustentabilidade e a questão da inserção dos conceitos de ética e compliance nas organizações.
Neste módulo, apresentaremos uma retrospectiva sobre a questão socioambiental no Brasil e no mundo. Para isso, abordaremos a importância e o papel das empresas na geração de riquezas e os princípios que regem a sua responsabilidade para com a sociedade. Além disso, apresentaremos a Agenda 2030, documento que trata dos objetivos do desenvolvimento sustentável como uma oportunidade de desenvolvimento empresarial.
O desenvolvimento de uma sociedade é papel de todos, e esse esforço coletivo deve estar atrelado ao fortalecimento da economia. As empresas são uma das principais responsáveis por esse fortalecimento, pois fazem com que bens e serviços circulem pelo planeta. Esse processo é chamado de comercialização de bens ou prestação de serviços, e é administrado por sócios ou gestores profissionais (capital) e exercido por empregados (trabalho), podendo ou não ser aberta a todos a participação nos lucros (NONES, 2013). O conceito de empresa não deve, contudo, resumir-se à sua atividade produtiva, visto que, além de visar ao lucro, toda empresa deve exercer a sua função social e atuar com responsabilidade em relação ao meio ambiente.
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Segundo o Instituto Ethos, a responsabilidade social empresarial (ou corporativa) pode ser conceituada como uma forma de gestão definida pela ética transparente da empresa com todos os públicos com os quais ela se relaciona ( stakeholders ) e pelo estabelecimento de metas corporativas que estimulem o desenvolvimento sustentável da sociedade, preservando recursos do meio ambiente e da cultura para gerações futuras, respeitando a diversidade e promovendo a redução das desigualdades.
O Instituto Ethos de Empresas e Responsabilidade Social é uma das principais referências no que se refere à responsabilidade social empresarial (RSE). Criado em 1998 por um grupo de executivos da iniciativa privada, é uma Oscip que tem como objetivo mobilizar, sensibilizar e ajudar as empresas a gerirem os seus negócios de forma socialmente responsável, tornando-as parceiras na construção de uma sociedade sustentável e justa.
Para garantir o sucesso desse processo, a RSE deve procurar harmonizar interesses privados dos acionistas com interesses coletivos de outros stakeholders , provendo resultados financeiros e socioambientais a curto e a longo prazo, visando à perenidade da organização (ARTIACH et al., 2010). A definição de stakeholder é crucial para entendermos o conceito de responsabilidade social da empresa. Entende-se por stakeholder um grupo ou um indivíduo que legitima as ações de uma organização exercendo um papel direto ou indireto nos seus resultados e que pode por eles ser afetado de maneira positiva ou negativa, dependendo da forma como essa organização atua. Internamente, os stakeholders de uma empresa podem ser, por exemplo, os seus colaboradores, gestores, proprietários, acionistas, fornecedores, clientes, etc. Em um âmbito mais externo, podem ser organizações sociais, prefeituras, governos, sindicatos, concorrentes e diversas outras organizações que se relacionem com determinada ação ou projeto. Quando entendem a importância dos stakeholders , os gestores conseguem enxergar de maneira mais ampla todos os envolvidos no processo de entrega da proposta de valor da organização, analisando de que forma eles podem contribuir para o sucesso desse processo e determinando como serão impactados pela sua realização.
Os stakeholders são elementos fundamentais no planejamento estratégico e no processo de geração de riquezas de uma empresa ou organização.
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Agravamento dos problemas ambientais mundiais
Ao analisarmos a evolução histórica das sociedades, podemos observar que, desde o início dos tempos, o ser humano tem modificado o ecossistema para suprir as suas necessidades e os seus interesses. Isso contribui, de forma progressiva, para o desequilíbrio do planeta e da humanidade. Após o advento da Revolução Industrial, o ser humano mudou a sua interação com o planeta, buscando, principalmente, elevar a produtividade e os ganhos socioeconômicos. A poluição do ar, as mudanças climáticas, o desmatamento, a extinção de espécies, a escassez de água e a superpopulação são alguns dos grandes problemas ambientais mundiais gerados por essa busca desenfreada pelo desenvolvimento industrial e pelo lucro. A seguir, veremos cada um deles com mais detalhes.
O carbono é fundamental para a vida na Terra, fazendo parte do seu solo, da sua atmosfera e dos seus oceanos. O CO 2 atmosférico absorve e reflete os raios ultravioleta do Sol, fazendo com que o solo, as águas e o ar fiquem mais quentes, o que garante a manutenção da vida terrestre. No entanto, tudo em excesso torna-se um problema. As atividades industriais, a queima de combustíveis fósseis e o desmatamento aumentaram a concentração atmosférica de CO 2 em quase duas vezes nos últimos 200 anos. A emissão desenfreada desses gases acentua a ação do chamado efeito estufa, ou seja, deixa a “camada protetora” da atmosfera mais grossa, a ponto de não permitir que a radiação solar, depois de absorvida na Terra, volte ao espaço. Isso bloqueia o calor, gerando um aumento da temperatura média no planeta. Um dos principais danos causados por esse aquecimento é o derretimento das calotas polares, que gera a elevação do nível dos mares e oceanos, inundando cidades costeiras e afetando o dia a dia de comunidades ou atividades econômicas como agricultura e pesca.
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As florestas são reservas de biodiversidade e funcionam de modo parecido com o dos nossos pulmões, absorvendo o CO 2 e mantendo os gases nocivos fora da atmosfera e dos oceanos. Segundo o WWF, os principais impactos do desmatamento são os seguintes: perda de biodiversidade; degradação de habitats ; modificação do clima mundial e perda do ciclo hidrológico.
Todos esses impactos geram também impactos sociais. Com a redução das florestas, as pessoas têm menos possibilidade de usufruir dos benefícios advindos dos recursos naturais oferecidos por esses ecossistemas.
A destruição de habitats é um dos principais fatores que levam à extinção das espécies, seguida apenas da caça ilegal de animais selvagens para obtenção de carne ou produção de itens “medicinais”. A União Internacional para Conservação da Natureza (UICN) calcula que 95% das espécies que passaram pela Terra já desapareceram. Hoje são extintas cerca de 5 mil espécies por ano, aproximadamente 13 por dia. A Indonésia é o país recordista em destruição de biodiversidade, perdendo uma espécie por dia, o que se deve, principalmente, ao aumento da degradação ambiental: poluição das águas, dos solos e do ar, desmatamento e contaminação do meio ambiente por radioatividade e agrotóxicos.
A cada ano, nascem cerca de 81 milhões de pessoas, número próximo ao da população de toda a Alemanha. Nesse ritmo crescente, segundo a ONU, chegaremos a 9,6 bilhões de habitantes em 2050, 2 bilhões de pessoas a mais do que temos hoje no planeta. Sabemos que a Terra possui, praticamente, a mesma quantidade de água (em todos os estágios) e terra de milhares de anos atrás e que a ciência ainda não encontrou formas de ampliar essa quantidade de maneira efetiva. Isso significa que, com o aumento populacional, recursos básicos para a sobrevivência humana, como água e alimentos, começarão a faltar. Hoje a maior parte da população mundial vive nas áreas mais pobres da África e da Ásia, e os estudos apontam que isso deve manter-se nos próximos anos. Entre 2010 e 2100, as estimativas são de que os países africanos tenham taxas de crescimento populacional que cheguem a 1.200%.
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O gráfico a seguir é resultante de um estudo lançado em 2017 pelo Department of Economic and Social Affairs da ONU (Desa) e mostra a divisão populacional do nosso planeta por áreas habitadas.
Figura 2 – População total por grande área
O gráfico nos mostra que metade das pessoas que habitarão o planeta em 2100 estarão vivendo em apenas oito países: Tanzânia, Congo, Nigéria, Uganda, Etiópia, Índia e Estados Unidos. Essa configuração se deve não só a fatores culturais e religiosos, mas também à falta de educação, de acesso a métodos contraceptivos e de planejamento familiar, especialmente nos países subdesenvolvidos.
Sempre ouvimos dizer que a Terra é o Planeta Água. No entanto, 97% de toda essa água é salgada, ou seja, não pode ser consumida por seres humanos. Os outros 3% estão no subsolo do planeta ou nos seus polos, caso em que se encontra congelada. Resta menos de 1% nas redes de distribuição para utilização, o que inclui o consumo próprio, o uso industrial e o agrícola.
A escassez de água é um problema para toda a humanidade. 40% da população do planeta é afetada por falta de água, mais de 2 bilhões de pessoas bebem água insegura para consumo e 4,5 bilhões não têm acesso a saneamento básico.
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Aperfeiçoamento tecnológico e evolução da gestão ambiental
Segundo José Barbieri (2011), uma das grandes referências da área no Brasil, as manifestações iniciais de gestão ambiental surgiram devido ao esgotamento de recursos naturais como a madeira, cuja exploração, para a construção de moradias, móveis e instrumentos, e a produção de combustível, era intensa desde a era medieval. A escassez de qualquer recurso gera um alerta e provoca a reflexão, o que foi bastante importante nessa trajetória. Nos anos 1950 e 1960, não se falava muito em gestão ambiental nas empresas, que se limitavam a atender a pobre legislação vigente na época. Muito comuns até os anos 1970, as tecnologias de remediação eram as que imperavam, ou seja, as empresas só se preocupavam com a gestão ambiental quando ocorria algum tipo de desastre ambiental. Nesse contexto, um marco importante foi o lançamento do livro Primavera silenciosa ( Silent spring ), de Rachel Carson. Publicada em1962, nos Estados Unidos, a obra, que ficou alguns anos na lista das mais vendidas, alertava para o uso de agrotóxicos no meio ambiente, principalmente em aves, causando a diminuição da espessura das cascas dos ovos, criando problemas reprodutivos e, consequentemente, levando a mortes. O movimento ambientalista ganhou força a partir desse momento e passou a ter um certo grau de destaque na sociedade. O aumento da preocupação com os impactos do processo produtivo no meio ambiente resultou em dois grandes marcos nos anos 1970:
a) Relatório do Clube de Roma: O relatório do Clube de Roma, chamado Os limites do crescimento , apresentou estudos realizados por pesquisadores do MIT e concluiu que, se a humanidade continuasse a consumir os recursos naturais no modelo da época por consequência da industrialização, eles se esgotariam em até 100 anos.
b) Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano: A Conferência das Nações Unidas sobre o Meio Ambiente Humano, realizada em Estocolmo, em 1972, foi primeira grande reunião de chefes de estado organizada pela ONU para tratar de questões relacionadas à degradação ambiental.
A partir desses marcos, a discussão sobre a temática se acirrou, refletindo bastante na gestão e no posicionamento dos países. No Brasil, por exemplo, o Governo Federal editou as suas normas e políticas ambientais e criou, já em 1975, a Sema (Secretaria Especial do Meio Ambiente). Nos anos seguintes, reformulou a Política Nacional do Meio Ambiente e, em 1986, a partir da obrigatoriedade da realização de estudos e relatórios de impacto ambiental, apoiou crescentes debates em relação às questões ambientais e aos novos padrões de produção e consumo.
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A pressão da sociedade e dos governos impactou o ambiente empresarial, provocando o surgimento dos processos chamados fim-de-tubo, em que são aplicadas tecnologias aos resíduos gerados pela empresa (perdas do sistema de produção, como emissões de gases nocivos à atmosfera, resíduos sólidos e efluentes líquidos) a fim de minimizar os impactos ambientais. No entanto, apesar de esses processos e tecnologias serem bastante efetivos no fim-do-tubo, como o próprio nome já diz, a preocupação só começa após a geração de resíduos. Com a sofisticação e o encarecimento do processo de tratamento de alguns resíduos, as empresas passaram a estimular ações anteriores a geração desses resíduos, ou seja, passaram a agir de maneira preventiva. Dessa forma, percebeu-se que a questão ambiental não era apenas um problema que ocorria na saída do sistema de produção, mas que fazia parte da estratégia da organização. Assim foram surgindo ferramentas que buscavam minimizar a geração de resíduos, como os sistemas de gestão ambiental (SGA) e a produção mais limpa (P+L).
A diminuição da geração de determinado resíduo por meio de técnicas de P+L gera, usualmente, menores custos de tratamento, o que traz também um diferencial competitivo para a empresa perante o mercado e a sociedade.
Como vimos, as mudanças aconteceram de maneira gradativa e começaram a ser efetivas quando o setor privado percebeu que poderia beneficiar-se da incorporação de questões ambientais nos seus modelos de negócio e produção. O conceito de ecoeficiência surge nesse contexto, sendo definido como a capacidade de produzir e realizar atividades com o menor impacto ambiental possível, consumindo menos recursos naturais e gerando o mínimo de resíduos. Em 1987, o termo “desenvolvimento sustentável” foi utilizado pela primeira vez no relatório Nosso futuro comum , também conhecido como Relatório de Brundtland. Nele foi demonstrado que, para garantir a perenidade dos negócios, as empresas não devem olhar apenas para a questão ambiental, mas também para os aspectos sociais e econômicos. Em outras palavras, considerando a sua função produtiva, as empresas devem levar em consideração esse tripé da sustentabilidade e trabalhar sob um modelo de negócio que satisfaça as necessidades presentes sem comprometer as necessidades das gerações futuras.