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Produção de biodiesel utilizando módulo didático
Tipologia: Trabalhos
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Felipe Mendes RA: João Paulo Pransteter RA: Raphael Rancan RA:
A presente prática consistiu em produzir biodiesel por meio da transesterificação de triglicerídeos de óleo de soja catalisada por metanol e hidróxido de potássio. A reação ocorreu em regime batelada, sob agitação constante, à 40 ºC, com duas proporções molares de metanol (6:1 e 12:1), tendo a segunda proporção resultado em um biodiesel de menor teor de água e maior qualidade. Para a caracterização fez-se uso da titulação por método de Karl Fischer, centrifugação em Eppendorf e destilação para aferir teor de água, viscosímetros rotativo e de Copo Ford para medir viscosidade e picnômetro para mensurar massa específica. Os resultados são mostrados ao decorrer do trabalho, tendo se concluído que a otimização da qualidade do produto final deve levar em conta a natureza e proporção de catalisador, fator preponderante no grau de conversão.
Em tempos onde a sustentabilidade se torna cada vez mais uma necessidade, o biodiesel, combustível renovável produzido principalmente a partir de óleos vegetais, vem ganhando espaço como alternativa ao uso de combustíveis fósseis e fonte de renda substantiva para países como o Brasil. Composto majoritariamente de ésteres de alquila, o biodiesel é fabricado em escala industrial por transesterificação a metanol com catálise homogênea, sendo o metóxido de sódio o catalisador mais comum por razão de custo, em regime contínuo ou batelada (BART et al., 2010). Dentre as especificações que caracterizam o biodiesel quanto à sua qualidade, aferem-se o teor de água (sendo a titulação de Karl Fischer uma técnica eficiente) e sua viscosidade (mensurável por viscosímetros rotativo e de Copo Ford).
2. REVISÃO BIBLIOGRÁFICA 2.1.Transesterificação Ácido carboxílico é a função química que caracteriza os compostos possuidores do grupo carboxila (-COOH) (MCMURRY, 2011). São exemplos desse grupo o ácido acético e o ácido lático. Ácidos carboxílicos podem, por meio de reações de substituição nucleofílica, dar origem a compostos derivados, dentre os quais os pode se destacar os ésteres. Ésteres contém em sua estrutura o grupo – COOR, sendo R um radical orgânico que substituiu um átomo de hidrogênio. Dentre os mecanismos de síntese de ésteres destaca-se o de esterificação de Fischer, descrito na figura 1.
Figura 1: Mecanismo de esterificação de Fischer (Fonte: Carboxylic Acids – Master Organic Chemistry. Disponível em: <http://masterorganicchemistrycom.c.presscdn.com/wp-content/uploads/ 2012/04/2-fischer.png. Acesso: 4 out. 2015>) Presentes em óleos vegetais, os triglicerídeos são ésteres que, por meio de reações ditas de transesterificação (SCHUCHARDT et al., 1998), geram ésteres de alquila, principais constituintes do biodiesel, através do mecanismo denotado na figura 2. Figura 2: Mecanismo de transesterificação de triglicerídeos (Fonte: SCHUCHARDT, Ulf; SERCHELI, Ricardo; VARGAS, Rogério Matheus. Transesterification of vegetable oils: a review. J. Braz. Chem. Soc. , São Paulo , v. 9, n. 3, p. 199-210, Mai 1998. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php? script=sci_arttext&pid=S0103-50531998000300002&lng=en&nrm=iso>. Acesso em 04 Out. 2015) 2.2. Catálise Reações de transesterificação são comumente conduzidas por meio de catalisadores, sendo dos mais eficientes os hidróxidos (NaOH, KOH) e alcóxidos (CH 3 ONa) de metais alcalinos, sendo que os últimos têm alto rendimento (> 98%), e curtos períodos de reação (30 min). O mecanismo de transesterificação catalisada por alcóxido se inicia pela reação entre uma base e um álcool, produzindo o alcóxido e o catalisador protonado. O ataque nucleofílico à carbonila do triglicerídeo gera um
que as viscosidades cinemática e dinâmica se relacionam , a equação abaixo demonstra essa relação: ν = η / ρ ν : viscosidade cinemática ; η: viscosidade dinâmica; ρ: massa específica. Para o viscosímetro Copo Ford, é associada a cada rosca de orifício uma equação, que relaciona o tempo de escoamento com a viscosidade cinemática em centistokes ou mm²/s. Para o presente experimento realizaram-se análises de viscosidade com os orifícios 2, 3 e 4, cujas equações estão discriminadas a seguir. Para orifício 2: 2,388t-0,007t²-57,008 (1) Para orifício 3: 2,314t-15,200 (2) Para orifício 4: 3,846t-17,300 (3)
3. MATERIAIS E MÉTODOS Os materiais utilizados no experimento foram: -Óleo de soja (marca) -Metanol PA -KOH -Balança analítica -2 pipetas de Pasteur -2 balões volumétricos de 2L -Espátula
-2 béqueres de 500 mL -1 béquer de 250 mL -1 vidro relógio -1 cronômetro -Condensador -1 picnômetro de 50 mL
Alterando a proporção de 12:1 para 6:1 e utilizando 7 g de KOH outra tabela foi montada. Esses resultados são observados na tabela 2 a seguir. Tabela 1. Tabela de quantidades de metanol e óleo de soja de 6: Metanol Oleo de soja Quantidade molar 0,687 0, Quantidade mássica(g)
Massa no reator(g)
Volume no reator(mL)
Tanto a primeira,de 12:1,quanto a segunda,de 6:1, foram deixadas no reator em um tempo de 54 mim. Para a caracterização, primeiramente foi determinada a quantidade de agua em cada amostra. Foi utilizado o titulador Karl-Fischer, a centrífuga e o condensador. Através da centrífuga e do condensador não foi possível determinar essa quantidade, pois esses equipamentos não conseguiram realizar uma separação. Já com o titulador foi possível e os resultados são mostrados na tabela
Em média as amostras referentes a 12:1 e 6:1 apresentaram uma porcentagem de umidade respectivamente de 0,073% e 0,127% Os outros ensaios de caracterização realizados foram feitos para o biodiesel de proporção 12:1 , pois foi notado que para proporção de 6:1 não houve uma formação de biodiesel. Para determinação da densidade do biodiesel foi pesado o picnômetro vazio em seguida, foi completado com biodiesel pesado novamente e com o volume do picnômetro calculou-se a densidade. Os valores encontrados são apontados na tabela 4. Tabela 4. Valores utilizados para calculo da densidade Massa picnômetro vazio(g) 33, Massa picnômetro cheio (g) 77, Massa Biodiesel 43, Volume picnômetro(mL) 50 A densidade do biodiesel é: D =^ m V
=0,8799 (^) g/mL A caracterização em relação a viscosidade foi realizada com o auxilio do copoford e do viscosímetro. Para o copoford foram utilizados os orifícios 2,3 e 4 e os tempos obtidos para cada orifício são mostrados na tabela 5 a seguir. Tabela 5. Tempo de escoamento para cada orifício Orifício 2 Orifício 3 Orifício 4 Tempo(s) 38,45 18,81 12,
C 1406 5 4052 ISO 3675 EN ISO 12185 De acordo com a especificação a quantidade de água máxima que se pode ter em um biodiesel é de 200 mg para cada kg. O biodiesel produzido apresentou quantidade de 683,222 g, portanto deveria ter uma quantidade máxima de água de 136,6 mg (0,683222 kg * 200mg). O biodiesel obtido apresentou uma quantidade de água média de 0,073%, assim apresentou uma quantidade de água de 0, g( 683,2220,073/100), que corresponde a 498,7 mg, dessa maneira a quantidade está fora da especificação. Erro relativo(água)= (498,7-136,6 / 136,6)100 = 265% Erro relativo(densidade)= (879,9- 875/875)100 =0,56% Obs: Para calculo do erro relativo de densidade, foi considerada a média de densidade da especificação. Erro relativo (viscosidade)= (27,93-4,5 / 4,5) 100= 521% OBS: Para o calculo do erro relativo da viscosidade, foram consideradas as médias de viscosidades dos orifícios e a média da viscosidade da especificação.
5. CONCLUSÃO
Os resultados obtidos apresentaram um erro extremamente grande, fato que pode ser explicado devido a quantidade de amostra que o grupo possuía para fazer caracterização do material, apresentava uma pequena quantidade, pois no decorrer do experimento ocorreu uma contaminação por mercúrio, assim parte da amostra foi descartada. Outro fator que pode ter favorecido ao erro, foi uma confusão causada do que era biodiesel e o que era glicerina.A densidade encontrada apresentou um valor dentro da faixa especificada. Apesar dos empecilhos, pode-se dizer que o experimento foi válido. REFERÊNCIAS SCHUCHARDT, Ulf; SERCHELI, Ricardo; VARGAS, Rogério Matheus. Transesterification of vegetable oils: a review. J. Braz. Chem. Soc., São Paulo , v. 9, n. 3, p. 199-210, Mai 1998. Disponível em: <http://www.scielo.br/scielo.php?