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Este texto discute a importância da profissão de informação, enfatizando a função social dos bibliotecários e documentalistas na era digital. Ele aborda a evolução da profissão, suas denominações, objetos de trabalho e métodos, além de discutir as novas tecnologias e suas implicações para a profissão.
Tipologia: Notas de estudo
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Hagar Espanha Gomes
À medida que a sociedade evolui, profissões e ocupações desaparecem para dar lugar a outras. Algumas, no entanto, conseguem acompanhar a evolução porque sua função social permanece mudando ou não sua denominação. Dentre estas, cumpre destacar o bibliotecário. Poderíamos nos deter aqui a defender este profissional, presos que estaríamos à sua denominação. Esta abordagem não nos parece adequada pois, como afirmamos anteriormente, é a função social que conta. Sua permanência, no entanto, depende de acuidade suficiente para as demandas da sociedade por informação e para as novas formas e canais de comunicação. O profissional de informação pode ter inúmeras denominações que, de fato, enfatizam o tipo, a técnica, a modalidade de ação, ou qualquer outro aspecto. Assim, ele pode se chamar bibliotecário, documentalista, técnico de informação, analista de informação, corretor de informação, para citar os mais corriqueiros. Com toda essa diversidade, então, o que é que caracteriza tal profissional? Seu objeto de trabalho e seus métodos e técnicas. O bibliotecário, mesmo nos países desenvolvidos, reivindica mais atenção para seu exercício profissional e mais reconhecimento. Como diz uma colega, talvez por que nossa profissão seja "yin", e estamos numa sociedade "yang". Para ganhar mais prestígio, procuramos alterar a denominação e assim passamos a reivindicar o nome documentalista, e agora, profissional de informação. Independentemente de considerar isto bom ou ruim, precisamos nos voltar para nosso objeto de trabalho. Se estamos numa biblioteca, o livro (lato sensu) é nosso objeto. Se estamos num centro especializado, nosso objeto é o documento. Mas o livro não é um documento? Então onde está a diferença? E o jornalista? Não é ele também um profissional de informação? O jornalista produz notícia, informação, que gera registro (documento). Este é o campo que nos interessa, pois não há informação sem documento, nem documento sem informação. Então, nosso métier é Informação - Documento -I-D. O advento de múltiplas novas tecnologias vem mudando os tipos e formas dos documentos e em particular o sistema social em que são escritos e lidos. Elas têm afetado seu modo de produção e também seu uso pelas pessoas. Sua forma e modo de disponibilização e acesso se constituem em grande preocupação dos profissionais de I-D. A Internet, vista por alguns como uma grande biblioteca, já que constituída de milhões de documentos - acervo não é uma característica
da biblioteca? - é, ainda, de fato, uma grande miscelânea que freqüentemente deixa seus usuários perdidos no ciberespaço. Cientistas da computação, junto com bibliotecários estão em busca da solução para estes problemas estudando metadados, que nada mais são do que indicações de categorias de dados para que os browsers possam encontrar as informações requeridas pelos usuários. Para tanto, grande cuidado está sendo devotado ao estudo das estruturas dos documentos, de forma que os bibliotecários estão sendo visto por outros especialistas como "arquitetos de informação" .Este nome demonstra a relevância de sua contribuição para a solução do disciplinamento da produção de documentos eletrônicos e sua disponibilização nas bibliotecas digitais. Este é, sem dúvida, um aspecto novo para uma velha técnica, a catalogação - já agora em outro contexto e forma, mas basicamente com a mesma finalidade. Mas esta não é a única novidade. O serviço de referência, por exemplo, agora pode ser exercido via correio eletrônico ou nas caixas de ajuda dos serviços e produtos informacionais disponibilizados em meio eletrônico, como catálogos, bibliografias, cadastros. Se sairmos do ambiente biblioteca e formos para as organizações, cujos documentos produzidos são em grande parte a base para diagnósticos de atuação e para a tomada de decisão, também aí o profissional de I-D vai estar presente na concepção do modelo conceitual dos sistemas de informação que já não se contentam com a emissão de relatórios, mas precisam de serviços de recuperação de informação e de indicadores. Uma alteração profunda em sua forma de atuação é que agora o profissional de I-D atua em parceria com os profissionais de informática e precisa, ele mesmo, ter grande domínio dos aplicativos. Agora que os serviços podem ser acessados até na casa dos interessados, o profissional de I-D- longe de se sentir inútil-ganha mais um papel: o de treinador do usuário nas técnicas de recuperação de informação. Embora muitos usuários prefiram, eles mesmos fazer as buscas, uma grande quantidade não tem tempo ou disposição. E aqui, novo espaço se abre para o profissional de I-D atuar como "information broker" (corretor/intermediário). Técnicas novas, não necessariamente ligadas ao processamento de informação, precisam ser dominadas para que o profissional de I-D otimize seus produtos e serviços. A mais relevante, a nosso ver, é a de hipertexto, fundamental para que ele apresente os "sites". Usei propositadamente o verbo "apresentar", porque a "construção" de um "site" requer a adoção de princípios que os bibliotecários já dominam de há muito, pois o que é um "site", senão um "guia de informação"?