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Um estudo de caso sobre o serviço autônomo de água e esgoto de governador valadares (saae/gv), explorando a gestão de recursos hídricos, o impacto ambiental e a saúde ocupacional. O estudo aborda a história da empresa, a toxicologia da poluição do rio doce, o controle ambiental e os recursos naturais, e a medicina do trabalho. O documento inclui exercícios e questões relevantes para estudantes de segurança do trabalho e áreas afins.
Tipologia: Exercícios
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Curso Superior Tecnologia em Segurança do Trabalho Polo: Governador Valadares
Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Governador Valadares – SAAE/GV PROJETO INTEGRADO MULTIDISCIPLINAR IX - PIM IX
Projeto Integrado Multidisciplinar IX para a obtenção do título de Curso Superior de Tecnologia em Segurança do Trabalho apresentado à Universidade Paulista – UNIP.
1 Resumo
Este estudo tem como objetivo desenvolver os conteúdos aprendidos durante o semestre em formas de projeto multidiscplinar, com onde são desenvolvidos os a prática articulada com a teoria acadêmica, a partir de uma organização empresarial que servirá de base para aplicação dos conhecimentos. Para tanto, inicialmente procedeu-se à caracterização da empresa, em seguida realizou-se um pesquisa bibliográfica onde foi analisada a forma como o Serviço Autônomo de Água e Esgoto SAAE/GV realizou importantes mudanças, ao longo das últimas décadas, manteve a estratégia de autarquia do poder público municipal, bem como sobre os fatores internos e externos à empresa, que influenciam a sua capacidade de acompanhar a dinâmica do mercado. No entanto desde novembro de 2015 quando houve o rompimento da barragem de Fundão poluindo a principal fonte de água de Governador Valadares o que prejudicou o controle ambiental da água tratada para a população, por isso, esse PIM IX responde de forma adequada à discussão sobre a toxicologia, controle ambiental e recursos naturais e ainda medicina do trabalho.
Palavras-chave : Controle. Recursos Naturais. Toxicologia. Medicina do Trabalho. SAAE/GV.
2 Introdução
O Projeto Integrado Multidisciplinar IX aborda os resultados de uma pesquisa de campo realizada na empresa Serviço Autônomo de Água e Esgoto SAAE/GV - fixada no município de Governador Valadares, interior de Minas Gerais, articulada com os conhecimentos relativos às disciplinas Toxicologia, Controle Ambiental e Recursos Naturais, bem como Medicina do Trabalho. A empresa escolhida foi a é uma autarquia do poder público municipal, instituição conceituada, pública, que possui um nível de organização moderno e que garante a manutenção do serviço de destruição de água e destinação dos esgotos , se adequando, sobrevivendo um ambiente administrativo público e exigente. No entanto desde novembro de 2015 quando houve o rompimento da barragem de Fundão poluindo a principal fonte de água de Governador Valadares o que prejudicou o controle ambiental da água tratada para a população, por isso, esse PIM IX responde de forma adequada à discussão sobre a toxicologia, controle ambiental e recursos naturais e ainda medicina do trabalho. O contexto de sustentabilidade no meio empresarial está levando as empresas a desenvolverem maiores habilidades, conscientizando que o atual ambiente empresarial tem experimentado um quadro adverso em função de grandes mudanças, o que tem exigido das empresas muitas transformações para vencer o mercado competitivo. Inicialmente será feita a descrição da empresa, um breve histórico da mesma, depois a citação das suas filiais e da sua responsabilidade social. O desenvolvimento consta de três partes: A primeira parte aborda a Toxicologia, área do conhecimento que aborda os mecanismos gerais em que as susbtâncias químicas interagem no meio biológico, seus efeitos toxicos e contaminantes, como destaque os metais pesados, agrotoxicos, solventes (SANTRUCI, 2016). Destaca-se aqui os efeitos tóxicos da poluição sofrida pelo rio Doce ao longo dos anos, estes causados pela ação de esgotos, rejeitos de minério, derramamento de óleo entre outros. Estes agentes como solventes, metais pesados e combustíveis tiveram efeitos prejudiciais à vida aquática do rio, causando a morte de seus peixes, criando algas como cianobactérias. A segunda parte discute os aportes teóricos e práticos da discplina Controle Ambiental e Recursos Naturais, esta que objetiva estudar as relações entre a
3 Desenvolvimento
3.1 Histórico da Autarquia Municipal SAAE/GV
O Serviço Autônomo de Água e Esgoto de Governador Valadares – SAAE/GV é uma autarquia do poder público municipal, criada pela Lei Municipal Nº276 de 01/09/1952, “sem finalidades lucrativas e cujas atuações desenvolvem-se no sentido de criar melhores condições de saúde e bem estar à população, implantando tecnicamente, confiáveis sistemas de abastecimento de água.” (SAAE, 2015, P.2). A missão do SAAE/G é de garantir o “fornecimento de água potável, com qualidade e quantidade, e realizar o tratamento do esgoto sanitário, promovendo qualidade de vida com responsabilidade social e ambiental, no município de Governador Valadares-MG.” (SAAE/GV, 2014, p.1). Segundo dados extraídos do web site do SAAE/GV a criação da autarquia se deu na década de 1940, quando a população de Governador Valadares era de aproximadamente 1.000 habitantes. No ano de 1943 o Município construiu uma captação de água no Rio Doce, e um pequeno sistema de distribuição e reservação de água bruta, que era levada aos domicílios, porém sem nenhum tipo de tratamento. (SAAE/GV, 2014). Já no ano de 1946 com a criação do SESP (Serviço Especial de Saúde Pública) órgão do governo federal brasileiro criado em parceria com o governo dos Estados Unidos da América, houve um grande desenvolvimento na saude e no saneamento básico do Vale do Rio Doce e do Rio Amazonas, uma vez que haviam bases militares norte americanas nessas duas regiões brasileiras. Assim foi construída em Governador Valadares uma galeria de infiltração, paralela ao Rio Doce, que obtinha água percolada através das camadas filtrantes, por intermédio de 250 metros de galerias e poços coletores, espaçados de 50 em 50 metros, interligados e levando a um poço final, onde a água era recalcada para o sistema. (SAAE/GV, 2014). No ano de 1947 com o investimento do SESP houve uma avaliaçãso do sistema da galeria de infiltração em que foi constatado seu baixo rendimento, por isso, iniciaram-se os estudos de ampliação da Estação de Tratamento de água (ETA), como o objetivo de fornecer o tratamento convencional da água do Rio Doce.
Também se iniciou a coloração das águas do sistema, além de ampliar o horário de funcionamento para 24 horas. (SAAE/GV, 2014). Durante o ano de 1948 iniciou-se o processo da Estação de Tratamento de água, no mês de agosto do mesmo ano foram construídos e revestidos os decantadores. No ano de 1949 a casa de Química ficou concluída junto com a conclusão das obras da ETA, que inteiramente concluída, entrou em plena operação fornecendo água tratada durante 24 horas por dia à população da cidade. (SAAE/GV, 2014). Havia ainda grandes desafios a ser vencidos , uma vez que areposição dos bens depreciados, a manutenção e a operação do sistema de abastecimento de água construído era um problema para o qual a grande maioria dos municípios brasileiros não estava preparada àquela época. O SAAE/GV de forma pioneira, onde o município com o auxílio do SESP criou o primeiro Serviço Autônomo de Água e Esgoto do País, em 14 de novembro de 1952. Este modelo de gestão foi exportado para outros municípios brasileiros e inspiraram a criação, ainda no final da década que se iniciou em 1950, de companhias regionais de saneamento, que por sua vez deram origem as companhias estaduais de saneamento criadas a partir de
Mesmo assim, a construção da Estação de Tratamento de Esgoto – ETE de Governador Valadares encontra-se ainda em construção e atenderá quando concluída cerca de 75% do esgoto da cidade. Segue a foto da construção em andamento : Figura 1 : Construção ETE de Governador Valadares
Fonte: DRD
A toxicologia apresenta alguns campos de estudo, em particular foi destacado nesse PIM IX, a toxologia ambiental, que é objeto da atividade do Serviço Autonôno de Água e Esgoto de Governador Valadares. Nesse sentido,
A Toxicologia apresenta inúmeras áreas de estudo: ocupacional, social, de cosméticos e medicamentos, de alimentos e ambiental. Atualmente, são tópicos abordados na Toxicologia os estudos de carcinogenicidade, mutagenicidade, alem de aspectos preventivos e comportamentais de substancias químicas. Esses tópicos têm sido estudados em diversas áreas da Toxicologia, inclusive na Toxicologia Ambiental, que e de particular interesse neste momento e que pode ser dividida em Toxicologia Analitica, Clinica e Experimental (PATTO, 2016, p.10). A água recurso natural que é tratado pelo SAAE/GV tem sido escassa nos últimos anos em todo o Sudeste brasileiro. A escassez de água está relacionada a vários aspectos, de modo especial dos gases poluentes que afetam a atmosfera. Assim,
É evidente que a falta de água em diversos países esta fortemente relacionada à emissão de gases poluentes que causam sérios impactos a atmosfera, alem, e claro, da poluição direta de efluentes, tornando ainda
mais importante os estudos de Ecotoxicologia. A água e essencial a vida. Desde estudos relacionados ao metabolismo celular ate os estudos macroscópicos, todos evidenciam a participação da água e provam que, sem água de boa qualidade, nenhum tipo de vida poderia existir no planeta. Ate analises em Astronomia provam que, com a presença de água em outros planetas, seria possível insinuar a existência de vida (PATTO, 2016, p.11).
O estudo da Toxicologia de poluentes aponta que os esgotos são os principais poluentes da água. Por isso, cabe ressaltar que:
Dentre as maiores fontes de poluição do ambiente aquático, encontram ‑se os lançamentos de efluentes líquidos domésticos e industriais de estações de tratamento de esgoto (ETE) ou o esgoto in natura, sem o devido tratamento. Muitos efluentes são extremamente complexos, do ponto de vista físico e químico, e sao fontes de grande diversidade de poluentes para o ambiente aquático. A estratégia mais eficiente e o uso integrado de analises físicas, químicas e ecotoxicologicas para avaliação e previsão do risco ambiental (PATTO, 2016, p.25).
Em relação a origem dos contaminantes do rio Doce, cabe ressaltar os que os rejeitos de minério da barragem de Fundão agravou a vida aquática do rio, recentemente um derramento de óleo foi relatado na cidade de Governador Valadares. Conforme a seguir :
Um acidente ambiental, ocorrido em um posto de combustível no bairro de Lourdes, provocou o derramamento de cerca de 3.000 litros de óleo diesel (quantidade estimada pela Polícia Ambiental e Bombeiros) na rede pluvial, atingindo o Córrego Figueirinha e na sequência, o Rio Doce. Em função deste acidente, o Serviço Autônomo de Água e Esgoto – SAAE, interrompeu preventivamente a captação em três Estações de Tratamento de Água – ETA’s: as do Recanto dos Sonhos e São Vitor, que ficam à jusante do acidente, ou seja, na rota por onde o óleo vai escoar; e, por medida de precaução, a ETA Central, mesmo sua captação estando à vazante, ou seja antes da rota do óleo. A Polícia Ambiental, o Corpo de Bombeiros e técnicos da Superintendência Regional de Meio Ambiente – SUPRAM estão acompanhando a evolução do derramamento do óleo na correnteza. A defesa Civil também está acompanhando os trabalhos. Técnicos da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável – SEMAD estão sendo esperados para ajudar nos trabalhos. Foram recolhidas amostras da água em três diferentes pontos do rio, para analisar qual o impacto que o óleo terá sobre a água e quais providências devem ser tomadas. Enquanto isso, a captação permanece suspensa, e a direção do SAAE pede ajuda da população, para que economize água, uma vez que ainda não há previsão para o resultado das análises (SECOM, 2017, p.1).
A poluição dos rios é tratada com preocupação pelos órgãos de fiscalização ambiental, bem como da sociedade na busca de soluções sustentáveis para impedir a origem dos contaminantes do meio ambiente. Estes poluentes podem ser
região da Bacia do Rio Doce, outro problema tem sido os esgotos não tratados que há anos agrava a situação do rio.
3.3 Controle Ambiental e Recursos Naturais
A atividade empresarial (seja esta em pequenas empresas do comércio ou indústrias) é responsável pela maior parcela de resíduos sólidos produzidos na cidade de Governador Valadares, conforme dados do Plano Municipal de Saneamento Básico da PMGV (2015). Quando uma empresa descarta seus resíduos no meio ambiente, seja de por meio do reaproveitamento de materiais na reciclagem ou de forma aleatória, está mostrando sua política de gestão ambiental. O descarte de materiais que podem ser reciclados por meio da coleta não seletiva de lixo, causa impactos negativos para o meio ambiente. Em Governador Valadares há uma iniciativa da ASCANAVI - Associação dos Catadores de Materiais Recicláveis Natureza Viva, que faz a preparação para o reaproveitamento dos materiais recicláveis, no entanto, o desconhecimento de ramo empresarial em relação a coleta seletiva e seu destino pode impactar de forma negativa o meio ambiente. Dessa forma, o mercado atual cada vez mais globalizado e exigente, tem aumentado sua produção para atender o consumo, nesse contexto de crescimento há na mesma escala a produção de resíduos sólidos, que logo serão encaminhados ao ambiente. A política de desenvolvimento sustentável tem sido uma normativa para a relação da sociedade de consumo e o ambiente. A ação do homem sobre a natureza tem sido amplamente debatida na busca do desenvolvimento sustentável. Como continuar produzindo bens de consumo e causar menos impacto ambiental? Este questionamento incide diretamente gestão ambiental. O conceito de desenvolvimento sustentável remete à urgência de ações que visam o equilíbrio entre a produção industrial e o meio ambiente. Assim,
O conceito desenvolvimento sustentável sinaliza uma alternativa às teorias e aos modelos tradicionais do desenvolvimento, desgastadas numa série infinita de frustrações. E não eram poucas as teorias que queriam esclarecer as causas do subdesenvolvimento (BRÜSEKE, 1995, p.20).
A busca de uma mudança de paradigma da atividade empresarial, pois os recursos naturais não são inesgotáveis, trouxe em escala internacional a preocupação com o desgaste sofrido pelo meio ambiente, onde o conceito de desenvolvimento sustentável passa ser discutido por diferentes organismos internacionais e no meio acadêmico, por isso,
O conceito de desenvolvimento sustentável tem uma conotação extremamente positiva. Tanto o Banco Mundial, quanto a UNESCO e outras entidades internacionais adotaram-no para marcar uma nova filosofia do desenvolvimento que combina eficiência econômica com justiça social e prudência ecológica. Esse tripé virou fórmula mágica, que não falta em nenhuma solicitação de verbas para projetos da natureza mais variada no campo eco-sócio-econômico dos países e regiões do nosso velho Terceiro Mundo11. O conceito desenvolvimento sustentável sinaliza uma alternativa às teorias e aos modelos tradicionais do desenvolvimento, desgastadas numa série infinita de frustrações. E não eram poucas as teorias que queriam esclarecer as causas do subdesenvolvimento (BRÜSEKE, 1995, p.20). O termo desenvolvimento sustentável passou ser utilizado pela comunidade internacional como uma superação do ambientalismo que não conseguiu atingir os níveis de proteção de desenvolvimento ambiental, assim,
Verificam-se atualmente, em todos os foros de debate, documentos oficiais e publicações científicas, o uso indiscriminado do conceito de desenvolvimento sustentável, termo definitivamente legitimado e absorvido pela comunidade ambientalista após a Conferência do Rio. Julga-se que ocorreu uma evolução conceitual do ecodesenvolvimento para o desenvolvimento sustentável, e portanto, ambas expressões poderiam ser consideradas e utilizadas como sinônimo (LAYARGUES, 1997, p.3).
Na segunda metade do século XX houve uma série de previsões ambientais negativas em relação ao desenvolvimento ambiental, o pessimismo sobre a ação do homem sobre a natureza mostrou-se que as modificações atuais sofridas pela natureza terão resultados alarmantes em um futuro próximo. Nesse sentido,
Ao se falar de rota de colisão entre homem e natureza, não se está pregando catastrofismo. Muito ao contrário, realçar a noção de uma economia da sustentabilidade diz respeito ao fato de que as funções ecossistêmicas são parâmetros que não se podem modificar impunemente, necessitando de estabilidade diante de perturbações suscitadas pelas ações do homem (BRÜSEKE, 1995, p.22). O desenvolvimento econômico deve estar em consonância com a natureza, por isso, deve-se evitar o rompimento do equilíbrio ambiental.
preservação do meio ambiente e a segunda a diminuição da pobreza no mundo (ALMEIDA; RIGOLIN, 2005). A definição de resíduos sólidos, permite o entendimento do mesmo enquanto lixo e material descartável. “De acordo com o Dicionário de Aurélio Buarque de Holanda, lixo é tudo aquilo que não se quer mais e se joga fora; coisas inúteis, velhas e sem valor" (MONTEIRO et. al., 2001, p.25). Os resíduos sólidos, conhecidos como lixo pela população também é definido pela Associação Brasileira de Normas Técnicas – ABNT, como
Os restos das atividades humanas, considerados pelos geradores como inúteis, indesejáveis ou descartáveis, podendo-se apresentar no estado sólido, semi-sólido1 ou líquido2, desde que não seja passível de tratamento convencional (MONTEIRO et. al., 2001, p.25). Os resíduos sólidos são considerados inúteis para que o descarte no meio ambiente, no entanto, tratando-se de desenvolvimento sustentável este mesmo resíduo pode ter valor no seu reaproveitamento, nesse sentido,
Há de se destacar, no entanto, a relatividade da característica inservível do lixo, pois aquilo que já não apresenta nenhuma serventia para quem o descarta, para outro pode se tornar matéria-prima para um novo produto ou processo. Nesse sentido, a idéia do reaproveitamento do lixo é um convite à reflexão do próprio conceito clássico de resíduos sólidos. É como se o lixo pudesse ser conceituado como tal somente quando da inexistência de mais alguém para reivindicar uma nova utilização dos elementos então descartados (MONTEIRO et. al., 2001, p.25). A gestão de resíduos sólidos no processo de produção requer a compreensão de diminuição de desperdício, planejamento para o encaminhamento sustentável de todos os resíduos produzidos na indústria, provocando menos impacto ao meio ambiente. Os resíduos sólidos podem ser classificados como: Classe I ou perigosos, Classe II ou não inertes, Classe III ou inertes. OS resíduos sólidos perigosos são aqueles que possuem características:
Intrínsecas de inflamabilidade, corrosividade, reatividade, toxicidade ou patogenicidade, apresentam riscos à saúde pública através do aumento da mortalidade ou da morbidade, ou ainda provocam efeitos adversos ao meio ambiente quando manuseados ou dispostos de forma inadequada (MONTEIRO et. al., 2001, p.25).
Os resíduos não inertes são semiperigosos, por apresentar “características de combustibilidade, biodegradabilidade ou solubilidade, com possibilidade de acarretar riscos à saúde ou ao meio ambiente.” (MONTEIRO et. al., 2001, p.25). Os resíduos inertes não oferecem riscos à saúde e ao meio ambiente, desde que acondicionados segundo as normas da ABNT, nesse sentido, estes resíduos,
São aqueles que, por suas características intrínsecas, não oferecem riscos à saúde e ao meio ambiente, e que, quando amostrados de forma representativa, segundo a norma NBR 10.007, e submetidos a um contato estático ou dinâmico com água destilada ou deionizada, a temperatura ambiente, conforme teste de solubilização segundo a norma NBR 10.006, não tiverem nenhum de seus constituintes solubilizados a concentrações superiores aos padrões de potabilidade da água, excetuando-se os padrões de aspecto, cor, turbidez e sabor (MONTEIRO et. al., 2001, p.25).
A gestão de resíduos sólidos industriais ainda está sendo consolidada, uma vez que a produção em larga escala produz resíduos na mesma proporção que os bens gerados, por isso questões de orçamento financeiro devem ser discutidos e planejados para que cada produto fabricado tenha consigo a destinação correta de seu resíduo produzido, este processo encarece o custo final, mas tem sido uma forma indispensável de produzir de forma sustentável, assim,
Quanto à situação financeira para a gestão dos resíduos industriais, o equilíbrio e a sustentabilidade têm que ser buscados dentro do universo dos próprios geradores e dos centros de tratamento e disposição finais, também operados pela iniciativa privada. Como os investimentos nessas unidades são elevados e seu licenciamento junto aos órgãos de controle ambiental é um processo complexo, o sistema ainda não está equilibrado. De qualquer forma, supõe-se que, quando uma indústria prepara um determinado produto, em seu preço de venda esteja embutido o valor necessário à cobertura dos custos com a disposição final adequada dos resíduos provenientes do seu processo produtivo (MONTEIRO et. al., 2001, p.25). No Brasil, a busca de um desenvolvimento sustentável para a indústria, tem mobilizado vários setores, entre eles do poder público e de suas políticas ambientais, assim,
A crescente preocupação com o meio ambiente vem mobilizando vários segmentos do mercado. Inúmeros órgãos governamentais e indústrias estão se preparando para aplicar uma política ambiental que diminua os impactos negativos à natureza. O resíduo industrial, depois de gerado, necessita de destino adequado, pois, além de criar potenciais problemas ambientais, os resíduos representam perdas de matérias-primas e energia, exigindo investimentos significativos em tratamentos para controlar a poluição (PELIZER, 2007, p.116).
Integração dos aspectos técnicos, ambientais, sociais, institucionais e políticos para assegurar a sustentabilidade; Consolidação da base legal necessária e dos mecanismos que viabilizem a implementação das leis; Mecanismos de financiamento para a autosustentabilidade das estruturas de gestão e do gerenciamento; Informação à sociedade, empreendida tanto pelo poder público quanto pelos setores produtivos envolvidos, para que haja controle social; Sistema de planejamento integrado, orientando a implementação das políticas públicas para o setor.
A gestão de resíduos deve ter uma função ambiental e social, uma vez que reduz impactos para o meio ambiente e beneficia a qualidade de vida da população por meio de programas de geração de renda, lucratividade para as empresas na redução de perdas de matérias primas.
3.4 Medicina do Trabalho
A adoção de medidas de segurança do trabalho em uma empresa torna-se necessária, uma vez que há inúmeros fatores que podem provocar acidentes em uma linha de produção. Além disso, os funcionários devem estar orientados quanto às posturas a serem adotadas, como aqueles que trabalham durantes muitas horas com atividades repetitivas, bem o uso de equipamentos que demandam maior conhecimento técnico devido ao risco de acidentes. O conceito de segurança do trabalho deve ser entendido dentro do contexto da saúde do trabalho, prevenção de acidentes e promoção de conscientização do trabalhador em relação às posturas corretas no desempenho de suas funções. Peixoto (2011, p.5), define segurança do trabalho como: “conjunto de medidas adotadas, visando minimizar os acidentes de trabalho, doenças ocupacionais, bem como proteger a integridade e a capacidade de trabalho das pessoas envolvidas.” Em busca de definição do conceito de saúde do trabalhador, cabe ressaltar que há dois termos a serem definidos de forma prioritária, a saúde e o trabalhador.
Entende-se por saúde do trabalhador o conjunto de conhecimentos oriundos de diversas disciplinas, como Medicina Social, Saúde Pública, Saúde Coletiva, Clínica Médica, Medicina do Trabalho, Sociologia, Epidemiologia Social, Engenharia, Psicologia, entre tantas outras, que – aliado ao saber do trabalhador sobre seu ambiente de trabalho e suas vivências das situações de desgaste e reprodução – estabelece uma nova forma de compreensão das relações entre saúde e trabalho e propõe uma nova prática de atenção à saúde dos trabalhadores e intervenção nos ambientes de trabalho (NARDI, 1997, p.21).
O trabalhador por sua vez é definido desde o processo de trabalho e sua relação de interação com o ambiente ocupacional, seja na modalidade doméstica ou empresarial. Assim,
Para este campo temático, trabalhador é toda pessoa que exerça uma atividade de trabalho, independentemente de estar inserido no mercado formal ou informal de trabalho, inclusive na forma de trabalho familiar e/ou doméstico. Ressalte-se que o mercado informal no Brasil tem crescido acentuadamente nos últimos anos. (BRASIL, 2001, p.7). O Conselho Nacional de Saúde no entendimento da Lei N. 8.080/90 define a saúde do trabalhador como:
Um conjunto de atividades que se destina, através das ações de vigilância epidemiológica e vigilância sanitária, à promoção e proteção da saúde dos trabalhadores, assim como visa à recuperação e reabilitação da saúde dos trabalhadores submetidos aos riscos e agravos advindos das condições de trabalho (BRASIL, 2013, p.1). A saúde do trabalhador tem sido objeto de estudo interdisciplinar, pois o conjunto das condições de trabalho proporciona ao individuo uma gama de experiências que são discutidas em termos de saúde ocupacional por vários ramos dos conhecimentos (NARDI, 1997). O entendimento da saúde ocupacional no plano de estudo de várias áreas do conhecimento mostra a complexidade do tema, desde o modelo teórico de atenção à saúde, visando-se assim, a promoção, prevenção, cura e reabilitação, incluídas, aí, as ações de vigilância sanitária e epidemiológica (NARDI, 1997). A saúde é fundamental para as relações de trabalho, por isso o Plano Nacional de Humanização discute os princípios que Visam valorizar o trabalho e a saúde do trabalhador. A meta é discutir como o trabalho pode ser tornar uma atividade prazerosa capaz de promover a saúde e não o agravar os riscos de doenças do trabalho (BRASIL, 2011).