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PROJETO - Projeto Visitar, Manuais, Projetos, Pesquisas de Design de Interiores

futuro de vitoria, es

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2012

Compartilhado em 12/05/2012

sara-ndrade-10
sara-ndrade-10 🇧🇷

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APRESENTAÇÃO
Durante décadas, o centro de Vitória foi espaço de convergência de pessoas,
grupos de investimentos públicos e privados, referência administrativa, social,
econômica, política e cultural da cidade de Vitória e, também, da Grande Vitória.
Pode-se dizer que, até o final dos anos 70, funcionava como centro vital da cidade
e como núcleo central da região que englobava os demais municípios vizinhos.
Concentrava um grande e diversificado número de instituições públicas de
prestação de serviço à sociedade: Legislativo, Judiciário e Infra-estrutura.
No entanto, problemas como adensamento de trânsito, aumento da poluição
aliados a insegurança e a falta de espaço para sua expansão, acarretou a
decadência da qualidade de vida e a fuga de parte da população residente. Desta
forma, a partir do início da década de 80 observa-se que os interesses e as
atividades de diversos segmentos passaram a se direcionar para a região norte
de Vitória, que engloba os bairros Bento Ferreira, Enseada do Suá, Praia do
Canto, Jardim da Penha e Jardim Camburi.
Todavia, apesar do esvaziamento sofrido, o centro de Vitória continua a abrigar
valor histórico e arquitetônico de enorme interesse turístico e cultural, motivando
esforços direcionados em sua valorização/revitalização. Sendo assim, este projeto
tem como objetivo propor ações que busquem a valorização deste núcleo como
centro histórico e religioso, proporcionando condições para que determinados
atrativos permaneçam abertos à visitação, de forma a possibilitar o resgate de
parte importante da história e identidade no eixo histórico da Cidade Alta, local
onde Vitória nasceu.
Para tanto, torna-se importante preconizar a adoção de ações que explorem o
potencial econômico, turístico e cultural do centro, com destaque para: atividades
de cunho histórico cultural, campanhas educacionais junto as escolas e
comunidade, ações de sensibilização, sistemas de informações turísticas, criação
e implementação do circuito turístico cultural.
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APRESENTAÇÃO

Durante décadas, o centro de Vitória foi espaço de convergência de pessoas, grupos de investimentos públicos e privados, referência administrativa, social, econômica, política e cultural da cidade de Vitória e, também, da Grande Vitória.

Pode-se dizer que, até o final dos anos 70, funcionava como centro vital da cidade e como núcleo central da região que englobava os demais municípios vizinhos. Concentrava um grande e diversificado número de instituições públicas de prestação de serviço à sociedade: Legislativo, Judiciário e Infra-estrutura.

No entanto, problemas como adensamento de trânsito, aumento da poluição aliados a insegurança e a falta de espaço para sua expansão, acarretou a decadência da qualidade de vida e a fuga de parte da população residente. Desta forma, a partir do início da década de 80 observa-se que os interesses e as atividades de diversos segmentos passaram a se direcionar para a região norte de Vitória, que engloba os bairros Bento Ferreira, Enseada do Suá, Praia do Canto, Jardim da Penha e Jardim Camburi.

Todavia, apesar do esvaziamento sofrido, o centro de Vitória continua a abrigar valor histórico e arquitetônico de enorme interesse turístico e cultural, motivando esforços direcionados em sua valorização/revitalização. Sendo assim, este projeto tem como objetivo propor ações que busquem a valorização deste núcleo como centro histórico e religioso, proporcionando condições para que determinados atrativos permaneçam abertos à visitação, de forma a possibilitar o resgate de parte importante da história e identidade no eixo histórico da Cidade Alta, local onde Vitória nasceu.

Para tanto, torna-se importante preconizar a adoção de ações que explorem o potencial econômico, turístico e cultural do centro, com destaque para: atividades de cunho histórico cultural, campanhas educacionais junto as escolas e comunidade, ações de sensibilização, sistemas de informações turísticas, criação e implementação do circuito turístico cultural.

Viabilizar movimento intenso e continuado nos espaços públicos de lazer e cultura é resgatar a memória cultural e investir na tradição histórica do centro. Criar espaços culturais integrados a Igrejas e implementar o circuito cultural na Cidade Alta constitui demandas urgentes e passos importantes para concretização das ações aglutinando os setores envolvidos, formando a cadeia turística e captando recursos da iniciativa privada no processo de revitalização.

1. BREVE HISTÓRICO

No final de 1996, a cidade de Vitória passou por uma grande avaliação, com a realização da primeira versão do projeto “Vitória do Futuro”, um planejamento estratégico desenvolvido com ampla participação de todos os segmentos organizados da sociedade e que buscou indicar caminhos a serem trilhados pela cidade até 2010. O diagnóstico elaborado naquela ocasião indicava o esvaziamento do Centro de Vitória, em um processo aparentemente irreversível, caso não houvesse intervenção do poder público.

A Administração Municipal (1997-2004) adotou o “Vitória do Futuro” como programa de governo e transformou alguns dos seus indicativos no Planejamento Estratégico para a cidade de Vitória, onde o Projeto de Revitalização do Centro foi alçado como Projeto Prioritário de Governo. Projeto este que continua sendo desenvolvido pela atual administração (2004-2008).

Sendo assim, o Projeto de Revitalização ganhou um novo impulso, que se transformou em programa, por prever projetos e ações estruturadas e integradas, no sentido de sua valorização cultural, artística e turística, com ganhos sociais e econômicos para a região, a partir do envolvimento da sociedade e melhoria das condições de acesso e permanência.

De acordo com o “Vitória do Futuro”, o cenário desejável para o Centro de Vitória foi assim resumido:

O Centro de Vitória terá revertido o processo de esvaziamento econômico, recuperando sua importância como local para se viver e

1.1.2. Vitória do Futuro – Versão 2002

Revisão do Plano Estratégico – 1996- Revitalização do Centro de Vitória

O Grupo de especialistas sobre Revitalização do Centro – Versão 2002 propôs que se deva REPENSAR/REORGANIZAR o que seria a VOCAÇÃO DO CENTRO:

- quais as características positivas do Centro? - quais os pontos fortes, oportunidades atuais e possíveis?

  • quais as características possíveis?

Sob essa ótica, faz-se importante resgatar os principais elementos que indicam uma ou mais vocações para o Centro, como: patrimônio histórico arquitetônico; estrutura urbana com características coloniais; topografia; e características de uma cidade portuária. Tais elementos são importantes pois alavancam oportunidades turísticas e atividades culturais diversificadas, ressaltadas a seguir.

Estudo Temático do Turismo: Centro Histórico e Porto de Vitória vistos enquanto marcos históricos referenciais da cidade. No Centro estão a maioria dos atrativos turísticos da cidade; a grande relevância para o turismo se baseia nas ruas históricas e culturais e no grande potencial da área para o desenvolvimento de produtos turísticos; condições para o desenvolvimento do Turismo de Negócios, do Turismo Náutico e do Turismo de Lazer.

Estudo Temático da Cultura: Revitalizar o Centro significa recuperar a sua história e humanizá-lo retomando a sua função e formas originais, incentivando, ao mesmo tempo, sua modernização. Entende-se que é impossível qualquer processo de revitalização sem a atividade cultural; neste sentido a criação de um corredor cultural seria fundamental para dar vida a esta parte significativa da cidade – Do Saldanha da Gama, passando pela Casa Porto, Escola de Música, Escola de Teatro e Dança Fafi, Museu de Artes Plásticas, Teatro Carlos Gomes, Cine Teatro Glória, igrejas e conjunto

arquitetônico da Cidade Alta, antiga Assembléia Legislativa, Galeria Homero Massena, Galpões da Codesa, Fafabes, Parque Moscoso, Mercado da Vila Rubim, Tancredão, Sambódromo e Escola da Ciência.

Estratégias:

- Criar uma identidade visual: despoluição visual da paisagem urbana; - Criar, a médio e longo prazo, uma demanda por cultura; - Viabilizar o funcionamento intenso e continuado dos espaços públicos de cultura, lazer e religião; - Viabilizar parcerias entre: poder público (municipal e estadual), grupos religiosos, grupos culturais, grupos esportivos, entidades de classe, movimentos comunitários, artistas, artesãos e escolas; - Fazer uma campanha de conscientização e divulgação, direcionada aos diversos públicos a serem atendidos, para que as pessoas sejam despertadas no seu desejo do consumir o Centro como um produto: ESPAÇO QUE PROMETE LAZER, CULTURA E FÉ.

Fazendo-se um comparativo entre as estratégias delineadas nas duas versões do “Vitória do Futuro”, percebe-se que não ocorreram muitas mudanças em relação aos objetivos buscados na primeira versão; na verdade, as ações para Revitalização do Centro foram ainda mais ressaltadas, no sentido de se criar uma identidade cultural e turística para o Centro de Vitória.

Quanto à preservação dos bens de interesse histórico e cultural, alguns projetos foram concluídos, como: Reforma do Mercado da Vila Rubim, Reforma do Parque Moscoso, Pintura de fachadas dos imóveis da Praça Costa Pereira, Praça Oito e Reforma do Cais do Hidroavião. No entanto, nem tudo que foi planejado foi executado, de forma que existem projetos em andamento, cujas estratégias e ações serão resumidas a seguir.

1.1.4. Reavaliação do Programa 5 do Plano de Desenvolvimento Sustentável do Turismo da Cidade de Vitória - 2000/2008, solicitação do COMTUR.

Em dezembro de 2005, durante a 30ª Reunião do Conselho Municipal de Turismo foi ressaltada pela Conselheira Leonor de Franco Araújo, representante do Sindicato Estadual dos Guias de Turismo do Espírito Santo, a questão dos Patrimônios Culturais do Centro Histórico de Vitória, como as dificuldades que o visitante tem em encontrar estes Patrimônios abertos e preparados para visitações. De acordo com a Conselheira, é necessário que seja feita a intervenção por parte da Subsecretaria de Turismo baseando-se nos preceitos supracitados no Plano de Política Pública Municipal para Revitalização do Centro. Tal necessidade foi acolhida em consenso geral pelos Conselheiros presentes e registrado em ATA.

Dando seqüência às demandas dos conselheiros, e já sendo uma proposta que vinha sendo avaliada pela atual equipe da Subsecretaria de Turismo (2004 – 2008), o Programa 5 – Desenvolvimento de novos produtos do Plano de Desenvolvimento Sustentável do Turismo da Cidade de Vitória 2000 – 2008, foi reavaliado, dando origem ao Programa Circuitos da Ilha, que prevê a criação de um circuito turístico pela cidade em roteiros segmentados, sendo o piloto deste programa o centro histórico, a partir do projeto Visitar – A história abre suas portas.

1.2 HISTÓRICO DOS PATRIMÔNIOS ELENCADOS

Para aplicar a proposta de planejamento interpretativo foram escolhidos como piloto cinco patrimônios do Centro Histórico da capital, administrados pela Mitra Arquidiocesana de Vitória e Irmandades, de relevante importância histórica e cultural para a cidade, além do planejamento da ambiência de entorno dos 29 patrimônios que compõem a região da cidade alta.

O processo de escolha dos patrimônios culturais contemplados pelo Projeto se fez pelo reconhecimento de sua importância para a preservação da memória do

Espírito Santo, e também pelo movimento de turistas, na visitação a esses monumentos.

1.2.1 Catedral Metropolitana

Localizada na Cidade Alta, foi construída entre 1920 e 1970, em estilo neogótico como exigia a Igreja Católica no início do século XX. Seus vitrais, originários da França, foram doados por importantes famílias e em seu altar-mor há mosaicos elaborados pelo artista italiano Formenti. Em frente à Catedral está a Praça Dom Fernando Scortegagna, construída na década de 20. É charmosa por seu chafariz e belo jardim.

1.2.2 Igreja São Gonçalo

Edificada no início do século XVIII, a Igreja de São Gonçalo constituiu um marco da ocupação da cidade de Vitória no período colonial. Construída em pedra, cal, borra de óleo de baleia e areia, a Igreja foi inaugurada em 1766 e abriga a irmandade que a erigiu, hoje a venerável Arquiconfraria da Boa Morte e Assunção.

Monumento tombado pelo Patrimônio Histórico e Artístico Nacional desde 1948 (juntamente com todo seu acervo), mantém sua função religiosa original tendo sido, inclusive, Igreja Matriz e sede paroquial durante o período de demolição da Igreja de São Tiago e de construção da Catedral Metropolitana de Vitória.

Segundo a crença popular é a “Igreja dos enlaces duradouros e felizes”. As procissões consagradas a Nossa Senhora da Assunção realizadas todos os anos nos dias 14 e 15 de agosto, respectivamente, são acompanhadas pelos irmãos, homens e mulheres da confraria, pela banda da polícia militar, por jovens das forças armadas e pelos fiéis da vizinhança.

a formação da procissão, livros de registro, partituras da extinta Filarmônica Rosariense, baús e caixas de guardados.

1.2.4 Convento de São Francisco

Localizado na Cidade Alta, o convento foi edificado no século XVI e é o mais antigo da Região Sudeste. Construído em estilo colonial, apresenta frontispício e alpendre com características do estilo barroco. No pátio posterior do Convento encontra-se os túmulos com restos mortais dos freis franciscanos que morreram no Espírito Santo e a Capela Nossa Senhora das Neves, construída no século XVIII em arquitetura colonial e tombada pelo Patrimônio Histórico.

1.2.5 Capela do Carmo

Antiga capela do Convento das Carmelitas é uma construção do século XVII, substituindo a pequenina capela do Carmo que ai tinha sido construído. Em 1682, a atual Igreja do Carmo já se destaca no prédio do convento. A bela escadaria que hoje dá acesso a Igreja foi edificada na década de 20 do séc. XX, e o prédio do convento foi modificado, sendo hoje de utilização particular.

1.2.6 Teatro Carlos Gomes

O Teatro Carlos Gomes é uma referência cultural para Vitória e todo o Espírito Santo desde os anos vinte. O projeto inicial é de autoria do Italiano André Carloni, nascido em Bolonha, radicado no Espírito Santo desde 1890. Em 1925, com o fechamento do Teatro Melphômene pelo Governo do Estado, Carloni inicia projeto que, do antigo Teatro, utiliza no projeto os balaústres e as colunas de ferro fundido trabalhado, que servem até hoje de sustentação para os camarotes.

A inauguração aconteceu em 05 de janeiro de 1927, com a exibição do filme “o que faria com um milhão”. A administração, inicialmente do próprio André Carloni, passar por arrendamento em 10 de novembro de 1929 para a Empresa Santos, que transforma o teatro em cinema. Em 1943 o prédio é vendido ao Governo do Estado, continuando sob a administração da Empresa Santos.

Terminando o contrato com o Governo do Estado na década de 60, a Empresa Santos retirou as cadeiras e equipamentos cinematográficos, ficando o prédio abandonado até sua re-inauguração em 15 de dezembro de 1970, após árduo trabalho de recuperação das fundações do prédio e restauração de suas características originais. Outras reformas ocorreram em 1978, 1985, 1992 e 2003. Tombado pelo Conselho Estadual de Cultura em 12 de março de 1983, o principal teatro da Grande Vitória está situado na Praça Costa Pereira, no centro histórico da cidade.

O prédio é um exemplo do estilo eclético. Coroando a fachada principal, destacam-se esculturas que fazem menção às artes e, no centro, o busto do grande músico brasileiro que empresta o nome ao teatro.

A importância do Teatro Carlos Gomes é inegável, em especial por ter atravessado toda a história do Teatro Capixaba do século XX, proporcionando ao público momentos inesquecíveis com artistas nacionais e internacionais, através de espetáculos cênicos e musicais, exposições de artes plásticas, locação para filmes, palestras e cursos.

1.2.7 Capela Santa Luzia

Localizada na Cidade Alta, erguida sobre uma rocha com traços arquitetônicos simples, é a edificação mais antiga da cidade, edificada no início da povoação de Vitória, ocorrida a partir de 1537.

Construída em pedra e cal de ostra, coberta com telhas de barro tipo canal, era a capela particular da fazenda de Duarte Lemos, na sesmaria doada pelo primeiro donatário da Capitania do Espírito Santo, Vasco Fernandes Coutinho.

Estava em ruínas quando, em 1946, foi inscrita no livro de tombo do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional, como bem cultural a ser protegido e valorizado. Esta passando por restauro e abrigará o museu de Arte Sacra.

bondes foi desativado. O nome Caramuru refere-se à irmandade de São Benedito localizada no Convento São Francisco.

2. OBJETIVOS

2.1 OBJETIVO GERAL

Fomentar o respeito, a proteção e a preservação dos principais marcos da paisagem urbana, da cultura e da memória social, estimular a consciência de preservação; desenvolver e estabelecer Circuito Cultural no Centro Histórico de Vitória com todo o atendimento e estrutura necessária para recepcionar os visitantes e turistas, que se torne sustentado a médio prazo, auxiliando na inclusão social das comunidades atingidas através do resgate da história regional, elevação da auto-estima e da ampliação da atividade turística focada no consumo de bens culturais e na melhor distribuição do capital cultural e econômico entre a população.

2.2 OBJETIVOS ESPECÍFICOS

 Promover a valorização dos Patrimônios da Cidade;  Levantar o estado atual do patrimônio e seu acervo no que diz respeito a suas condições físicas, ao seu entorno, a sua administração, e a atividade turística ali desenvolvida com perfil do visitante;  Otimizar de Infra-estrutura básica os Patrimônios Históricos para melhor receber comunidade e turistas;  Instalar sinalização interpretativa, a partir da metodologia de planejamento interpretativo no centro histórico e nos patrimônios, de forma condizente a paisagem e arquitetura local;  Realizar pesquisa de campo com as comunidades do entorno para avaliar o envolvimento destas com o Patrimônio Histórico e a atividade turística;  Sensibilizar a comunidade sobre sua importância no envolvimento para conservação, manutenção e divulgação dos patrimônios da cidade, agindo como multiplicador da sua própria história;

 Produzir texto didático que contemple o histórico dos patrimônios envolvidos e sua utilização no turismo cultural capixaba, à luz da interpretação do patrimônio;  Criar circuito turístico no Centro Histórico de Vitória a partir de intervenções pontuais nos patrimônios escolhidos como piloto e seus entornos que, a médio prazo, possam ser sustentáveis;

3. JUSTIFICATIVA

O conceito de Patrimônio evoluiu substancialmente na historiografia e na cultura, tanto que hoje usamos o termo “Patrimônio Cultural” para nos referir a tudo àquilo que consiste na memória oral, escrita, usos e costumes, arquitetura, arte, ou seja, os patrimônios materiais e imateriais da humanidade.

Às vezes a solenidade atribuída ao termo patrimônio sugere que dele façam parte apenas os grandes edifícios ou as grandes obras de arte, mas o patrimônio cultural abrange tudo que constitui parte do engenho humano [...] (FUNARI e pinsk, 2003, P. 9)

Devemos lembrar também que a atividade turística, importante fonte de renda e também de preservação, depende deste espaço preservado e bem administrado para o desenvolvimento do turismo cultural, atividade hoje que promove a sustentabilidade de diversos Patrimônios da Humanidade, principalmente através da metodologia de “Interpretação do Patrimônio”.

O principal foco da interpretação é estabelecer uma comunicação efetiva com o visitante, mantendo importantes interfaces com o turismo, a preservação do patrimônio e o desenvolvimento cultural das comunidades locais. Para o produto turístico a interpretação é um componente essencial, sobretudo quando se apoia na cultura e em paisagens especiais. Ela possibilita aos visitantes conhecer e apreciar mais lugares, podendo levá-los a prolongar sua permanência e estimular novas visitas. Se, além de bem recebido e acomodado, o turista for também tocado de forma especial pelo lugar, através de uma boa interpretação ele saíra satisfeito. E sabemos que cliente satisfeito gera bom negócio. (MURTA e ALBANO, 2002, p. 10)

os diversos setores da comunidade envolvidos por esse planejamento, como citado anteriormente.

O planejamento interpretativo tem como objetivo:

 Promover o interesse popular no patrimônio cultural e natural;  Fomentar atitudes preservacionistas;  Criar e recuperar espaços públicos;  Incentivar a montagem de serviços e atrações turísticas.

“Nesses moldes, um plano interpretativo local ou regional visa orientar e induzir investimentos no Patrimônio histórico e ambiental como atrações do turismo cultural ecológico”. (MURTA e GOODEY, 1995, p. 16)

Num conceito simples “a interpretação é um processo de adicionar valor à experiência de um lugar, por meio da provisão de informações e representações que realcem sua história e suas características culturais e ambientais”.(ibdem, p.

O planejamento da interpretação, que resulta num planejamento estratégico, contempla ações como: recuperação, orientação e restauração do todo ou de partes do patrimônio material; sinalização turística harmônica com a “alma do lugar” estabelecendo novas e relendo trilhas urbanas e rurais para melhor compreensão do ambiente, ampliando a participação popular na visitação e “leitura” de sítios, patrimônios e coleções históricas. Como exemplos atuais cita- se a preparação de Barcelona para as Olimpíadas e a revitalização de South Street Seaport, em Nova York, que utilizaram o planejamento interpretativo. (ibdem, p.22)

Consideramos três etapas para o plano interpretativo: o registro, o desenho e montagem de interpretação, e a publicidade e gestão (ibdem, p. 25). Em seu primeiro momento, surgindo mais como uma demanda da sociedade, o Projeto Visitar abre 5 Patrimônios pilotos com horário de visitação estabelecido de 09 às 17 horas, de terça a domingo com monitoramento interno. Para incentivar a

demanda são oferecidos aos fins de semana visitas guiadas para fazer os roteiros criados contemplando 29 Patrimônios do Centro Histórico, além da visita interna aos cinco monumentos monitorados do projeto.

4.1 O REGISTRO

O registro consiste em levantamento de informações dos recursos disponíveis, principalmente com relação a bens culturais e seus entornos, e a importância desses para a atividade turística, além do delineamento dos marcos e características locais e regionais. Compreende também a escolha do objeto que será alvo do planejamento, no levantamento de informações que o definem nas suas especificidades como histórico e topografia, personagens e lendas, tipos de edificações e sítio histórico. Na sua complementação final, o registro compreende ouvir a comunidade local, profissionais da área e entusiastas que possam retribuir com planejamento, e levantamento de perfil do visitante e do mercado a ser atingido. O registro então será desenvolvido através da pesquisa bibliográfica e documental, a pesquisa de campo, com técnicas de História Oral que compreende a realização de entrevistas na recuperação da memória local, e aplicação de questionários voltados para a caracterização do visitante, seu volume e o mercado que se quer atingir. Nessa última etapa também nos valeremos das pesquisas de fluxo turístico já realizado no estado, que propiciarão grande parte de dados estatísticos de determinação do mercado e do visitante.

4.2 DESENHO E MONTAGEM

A montagem dos meios de interpretação será balizada pelos dados fornecidos pela etapa de registro. É crucial, para essa etapa, que o planejador tenha claro perfil do seu visitante e do mercado, para elaboração das estratégias de interpretação, lembrando sempre que a linha de ação será na valorização dos patrimônios elencados como objeto desse planejamento. Nesta etapa serão elaboradas as ações necessárias para transformar o patrimônio em atrativo turístico. Aqui cabem as proposições para reforma, restauro e resgate do patrimônio com base no levantamento anteriormente, assim como a preparação de publicações como guias, roteiros, mapas ilustrados, folhetos e cartões postais

A metodologia de interpretação do patrimônio, nos resultados esperados, sugere intervenção nos patrimônios elencados, projetos esses que estarão ouvindo entidades e instituições envolvidas com o tema, no intuito de absorver e adequar à intervenção.

A publicidade do projeto será efetuada através de peças definidas na fase de desenho e montagem, passando por sinalização indicativa, ações pontuais de divulgação, seminários, mídia espontânea, convênios específicos, etc.

Há diversas formas de se compartilhar os custos de instalação e/ou manutenção de um atrativo cultural com entidades publicas e privadas. As várias maneiras de se buscar patrocínio devem, portanto ser orientadas para a qualidade da proposta apresentada, o que determinará o sucesso do empreendimento.

O acompanhamento da sustentabilidade dos patrimônios depois de transformados em atrativos turísticos, após a conclusão do projeto, será feito a partir do Conselho Municipal de Turismo (COMTUR) que deverá formar uma comissão para avaliar o andamento e a sustentabilidade do projeto, propondo novas intervenções quando necessário.

5. PARCEIROS

O projeto foi concebido pela Subsecretaria de Turismo da PMV, e em sua primeira fase (registro) em convênio com a ABAV – Associação Brasileira de Agências de Viagem - tendo como contrapartida levar o produto final, que são os roteiros que irão compor o circuito histórico, para as prateleiras das agências e operadoras de turismo. Foram firmados convênios de cooperação técnica visando integrar as ações com órgãos e entidades competentes necessários para executar os processos de trabalho previstos na metodologia do Projeto.

5.1 IPHAN

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional é uma Instituição que obedece a um princípio normativo, atualmente contemplado pelo artigo 216 da Constituição da República Federativa do Brasil, que define patrimônio cultural a partir de suas formas de expressão; de seus modos de criar, fazer e viver; das criações científicas, artísticas e tecnológicas; das obras, objetos, documentos, edificações e demais espaços destinados às manifestações artístico-culturais; e dos conjuntos urbanos e sítios de valor histórico, paisagístico, artístico, arqueológico, paleontológico, ecológico e científico.

A Constituição também estabelece que cabe ao poder público, com o apoio da comunidade, a proteção, preservação e gestão do patrimônio histórico e artístico do país. Parceria firmada com o projeto através de convênio de cooperação técnica.

5.2 MITRA ARQUIDIOCESANA DE VITÓRIA

Responsáveis pela administração da Catedral Metropolitana de Vitória, Convento São Francisco e Igreja do Carmo, a Mitra Arquidiocese de Vitória firmou parceria com o Projeto Visitar através de convênio de cooperação técnica visando estabelecer horário de funcionamento e monitoramento interno. Como responsável administrativa destes três Patrimônios devem participar das decisões relativas as intervenções que serão propostas e a implementação e manutenção da atividade turística que se deseja instaurar.

5.3 VENERÁVEL ARQUICONFRARIA NOSSA SENHORA DE BOA MORTE E ASSUNPÇÃO

Responsável pela administração da Igreja de São Gonçalo desde 15 de agosto de 1707 tem parceria firmada com o projeto através de convênio de cooperação técnica, visando estabelecer horário de funcionamento e monitoramento interno, devendo participar das decisões relativas ás intervenções que serão propostas e a implementação e manutenção da atividade turística que se deseja instaurar.