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projeto tcc conclusão, Manuais, Projetos, Pesquisas de Pedagogia

tcc conclusão de curso letras ultimo periodo

Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas

2020
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cristhianni-rodrigues
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Sistema de Ensino A DISTÂNCIA
licenciatura em letras e suas respectivas literaturas
CURSO DE LETRAS
Diamantina
2019
4
ANA PATRICIA PEREIRA CORREIA
PROJETO DE ENSINO
EM LETRAS
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Sistema de Ensino A DISTÂNCIA licenciatura em letras e suas respectivas literaturas CURSO DE LETRAS Diamantina 2019

ANA PATRICIA PEREIRA CORREIA

PROJETO DE ENSINO

EM LETRAS

Diamantina 2019

VARIAÇÃO LINGUÍSTICA:

UMA ANÁLISE PARTICULAR DA LINGUAGEM ORAL E

ESCRITA NO 1º ANO DO ENSINO MÉDIO

Projeto de Ensino apresentado à Unopar, como requisito parcial à conclusão do Curso de Letras. Docente supervisor: Prof. Juliana Fogaça Sanches Simm

ANA PATRICIA PEREIRA CORREIA

INTRODUÇÃO

Em toda língua do mundo existe um fenômeno chamado variação: nenhuma língua é falada do mesmo jeito em todos os lugares, pois a variação é fruto de vários aspectos como o social, o econômico e é produto de um processo histórico particular, e que muitas vezes remete a língua a mudanças sucessivas que atende as necessidades da sociedade que a emprega. Desta forma, o presente projeto tem como objetivo apontar a importância da atenção que os professores de Língua Portuguesa devem ter com relação às propostas de ensino, principalmente dos alunos inseridos no 1º Ano do Ensino Médio da rede pública de ensino. No entanto, propõe se a obra Quarto de Despejo, por ser um livro apaixonante e que despertará no aluno o gosto pela leitura. Trata-se de um diário de frases curtas, com poesia, que apresenta a realidade e uma grande diversidade linguística, possui uma linguagem simples, que normalmente se aproxima da linguagem que o aluno já está habituado, linguagem essa, do grupo de amigos e familiar. Para este destaque, consideramos o fato de que alunos do Ensino Médio vão prestar exames de diferentes contextos e precisam estar preparados. Precisam atentar, principalmente, para a diversidade e mudanças que acontecem na língua em concordância com o ensino tradicional de língua materna, que atualmente ganha cada vez mais novas possibilidades de atuação e metodologias diversas, sobretudo, ao que concernem às leituras, interpretações, análises e produções escritas, visando a variedade de textos pertencentes a diferentes gêneros textuais e discursivos que são abordados em sala de aula. No entanto, os alunos, crianças, adolescentes ou adultos – quando chegam à escola já sabem a língua. Considerando este saber e, conforme pesquisas linguísticas e documentos oficiais parametrizados, o ensino de língua portuguesa deve desenvolver a competência comunicativa levando em conta: uso de formas orais em situações diferentes das cotidianas; processos argumentativos e de raciocínio crítico; análise das interações verbais, produções discursivas, e atividades cognitivas e reflexão sobre a língua e seus usos. Sob essa ótica, o papel principal do professor é propiciar a mudança, ou seja, levar o aluno a usar formas linguísticas consideradas de prestígio – ou variedades prestigiadas – e também refletir sobre a norma – padrão priorizada pela gramática normativa.

Com isso, espera-se colaborar para a divulgação dos estudos sociolinguísticos e a extinção do tão arraigado preconceito linguístico presente em nossa sociedade. 1 TEMA DO PROJETO

pode ser negado a esses alunos o conhecimento, sob penas de se fecharem para eles as portas, já estreitas, da ascensão social. Ainda segundo a estudiosa, a língua é, por excelência, uma instituição social e, portanto, é preciso levar em conta as variáveis extralinguísticas – socioeconômicas e históricas – que lhe condicionam a evolução. A função da escola é justamente desenvolver outras variedades que vão se juntar ao vernáculo básico. Desse modo, é importante que fique claro para o educando que a língua é sócio histórica, por isto está em constante transformação e varia de acordo com o sexo, a etnia, o grau de escolaridade, comunidade, tensão discursiva, profissão do falante, o contexto em que ele está inserido e com a modalidade (oral ou escrita). Assim, é necessário ter em mente que não existe um modo de falar “superior” ou “inferior”. Segundo Votre (2008), é preciso atribuir à escola o mérito de ser responsável por uma parcela relevante da tarefa socializadora que o uso de uma língua nacional, de prestígio, requer. A escola é necessária para fazer a mudança linguística, porém, ela não a faz sozinha. A escola pode quebrar a lacuna que há entre a língua coloquial e a língua culta, com professores que façam adequadamente o uso da língua culta, exemplificando, explicando as diferenças linguísticas e mostrando a importância de se saber o padrão culto na sociedade em que vivemos. A escolha da obra Quarto de Despejo, foi realizada pois, além de ser um livro apaixonante, desperta a leitura. Trata-se de um diário de frases curtas, com poesia, que apresenta a realidade e uma grande diversidade linguística, possui uma linguagem simples, que normalmente se aproxima da linguagem que o aluno já está habituado, linguagem essa, do grupo de amigos e familiar. A variação linguística faz parte da realidade escolar, pois a língua portuguesa não é homogênea, e nas escolas é o local mais perceptível, das diversidades regionais, históricas e sociais. Essa percepção é essencial para o bom rendimento do aluno, pois contribui com o referencial que ele já possui evitando a sua exclusão. Deverá fazer-se a leitura de identificação do negro, da mulher, da luta de uma mãe, da política, e por vezes da pouca escolarização correlacionando, se possível, com alguém na família ou do círculo social. Será solicitado que os alunos realizem uma comparação entre a linguagem da personagem e da pessoa utilizada como referência. A respeito desse assunto, Bagno (2002), afirma que,

Parece ser mais interessante (por ser mais democrático) estimular, nas aulas de Língua, um conhecimento cada vez maior e melhor de todas as variedades sociolinguísticas, para que o espaço da sala de aula deixe de ser o local para o espaço exclusivo das variedades de maior prestígio social e se transforme num laboratório vivo de pesquisa do idioma em sua multiplicidade de formas e usos. (BAGNO, 2002, p. 32) As variações linguísticas podem ser entendidas por meio de sua história no tempo (variação histórica) e no espaço (variação regional). Assim, além do português padrão, há outras variedades de usos da língua cujos traços mais comuns podem ser evidenciados no linguajar dos alunos nas salas de aulas, ficando deste modo claro o fenômeno de mescla linguística, a qual o Brasil é objeto. Portanto, esta proposta com o ensino da variação linguística visa levar os alunos a perceberem o uso da língua materna e as modalidades na sua forma oral e escrita, apresentando um ensino dinâmico de variações diatópicas, onde o foco seja a compreensão da interferência da fala na escrita. De acordo com as orientações dos PCN (1999), que traz como proposta de tema transversal a pluralidade cultural que também se revela na diversidade linguística, o aluno será capacitado a identificar palavras em desuso que ajuda a ampliar seu vocabulário, as substituições escritas feitas por hábitos orais que nos levam a adaptar a oralidade na grafia; fazer graficamente um estudo de aumento ou diminuição da popularidade da língua, de costumes e da população e o ajudará a entender certas atitudes e causas históricas do nosso povo. Entende- se por preconceito linguístico: O preconceito linguístico se baseia na crença de que só existe [...] uma única língua portuguesa digna deste nome e que seria a língua ensinada nas escolas, explicada nas gramáticas e catalogada nos dicionários. Qualquer manifestação linguística que escape desse triângulo escola- gramática- dicionário é considerada, sob a ótica do preconceito linguístico, “errada, feia, estropiada, rudimentar, deficiente [...]. (BAGNO, 2006, p.40). A variação linguística é uma temática instigante e que deve ser contemplada nas aulas de português. As aulas de português, geralmente enfatizam apenas os conteúdos de gramática, deixando de abordar as variações que existem na língua portuguesa. A língua muda, sofre variação, mas muitos fecham os olhos para esta realidade. Ensinar português não é ensinar apenas gramática, como se a gramática em si explicasse todos os fenômenos da língua. A gramática aborda a língua culta, mas ela é apenas uma variação da língua portuguesa, a variante padrão. Existe a

A divisão de uma comunidade em setores sociais não significa que o intercâmbio linguístico entre indivíduos de distintos estratos seja prejudicado por dificuldades de compreensão, como poderia ocorrer entre duas comunidades regionais. Significa, antes, que o uso de certas variantes é indício, numa sociedade estratificada, do nível socioeconômico e cultural de seus membros e, portanto, indício de alto ou baixo grau de prestígio. Em relação à idade, o autor afirma: Sabe-se que velhos falam como se falava antes, e jovens acolhem as mudanças na língua que foram generalizadas posteriormente (CASTILHO, 2010, 3 SÉRIE/ANO A QUE O PROJETO SE DESTINA Alunos do 1º ano do Ensino Médio. 4 OBJETIVOS Objetivo Geral: Incentivar o aluno a escrever sua história através da pesquisa, da leitura, da escrita, para que eles acreditem que são capazes e que deixarão suas lembranças em seus escritos por onde eles passarem. Objetivos Específicos: Refletir sobre a língua e suas variações; Identificar contextos e adequações; Distinguir as características entre língua padrão (escrita) e vernáculo brasileiro (fala); Estimular o espírito do aluno pesquisador-investigador. 5 PROBLEMATIZAÇÃO O objetivo maior em trabalhar a variação linguística na sala de aula do ensino médio, fará com que os alunos encarem os diversos níveis de aprendizagem e o estudo da língua não mecanicamente ou como uma “decoreba” de regras que, muitas vezes, para eles nada significam. Em sua maioria, não conseguem realizar uma leitura além da superfície. Não há interlocução com os textos, o que acarreta

total falta de articulação do conhecimento. Solicitar a um aluno que explique com as próprias palavras um assunto, supostamente compreendido, pode ser um imenso desafio. Para tratar-se do tema variação linguística, é preciso definir o que é língua: A língua como atividade social corresponde a um conjunto de usos concretos, historicamente situados, que envolvem sempre um locutor e um interlocutor, localizados num espaço particular, interagindo a propósito de um tópico conversacional previamente negociado. [...] é um fenômeno funcionalmente heterogêneo, representável por meio de regras variáveis socialmente motivadas. (CASTILHO, 2000, p. 12) Muitas vezes se trabalha com a variação linguística em sala de aula apenas mostrando contextos regionais e sociais através de charges, textos bem conhecidos. “Uma língua não é homogênea e, dessa maneira, deve ser compreendida justamente pelo que caracteriza as pessoas como a diversidade, a possibilidade de mudanças”. De acordo com ela, os estudos linguísticos atuais revelam que há a necessidade de se entender que essas mudanças não se encerram somente no tempo, mas também, manifestam-se no espaço, nas classes sociais e nas representações estilísticas. “Cada aluno teve a oportunidade de vivenciar essa riqueza linguística e cultural por meio de dramatizações, músicas, poemas, comidas típicas e, principalmente, dialetos e sotaques de cada região. 6 CONTEÚDOS CURRICULARES Linguagem Variação linguística Variação social Oralidade Gêneros linguísticos  Aula expositiva sobre variações linguísticas;  Pesquisa na internet sobre as diversas variedades linguísticas existentes em nosso país;  Elaboração de portfólio  Apresentação das atividades desenvolvidas

com os alunos do 1º ano do ensino médio, podendo também ser desenvolvido com os demais alunos do Ensino Médio e Ensino Fundamental II. 1ª Aula: Apresentação e explicação do Projeto aos alunos Apresentação sobre a variação linguística e o livro Quarto de Despejo. Explicar aos alunos que a diversidade linguística é um fenômeno que acontece com a língua e pode ser compreendida por intermédio das variações históricas, regionais e culturais. Em um mesmo país, com um único idioma oficial, a língua pode sofrer diversas alterações feitas por seus falantes. A apresentação do livro será feita por meio de comentários e informações sobre a obra e a autora, relatando que um dos motivos da escolha desse livro é por ser um diário escrito nos anos (60) sessenta, que pretende despertar o interesse do aluno, pois evidencia fatos que estão acontecendo atualmente em nosso país. O livro Quarto de Despejo: diário de uma favelada, de Carolina Maria de Jesus (1914 - 1977), deriva dos diários escritos por Carolina, uma favelada, catadora de papel, mãe, negra e semianalfabeta, que relata a triste realidade da favela, suas dificuldades relativas ao emprego, fome e violência. Com uma linguagem simples, não há muito rebuscamento semântico, o vocabulário é usual, marcado pela oralidade, e também marcado por uso de palavras regionais. Há usos poéticos e expressivos da língua, combinados com outros usos de uma linguagem mais cotidiana, mais associados ao relato de fatos do que à sua análise. A autora conseguiu descrever os acontecimentos da realidade da favela, a preocupação com a educação de seus filhos e as discriminações por que passava. Seu maior objetivo era ter seus escritos publicados para a realização de seu sonho que era de comprar sua casa. O jornalista Audálio Dantas (jornalista que descobriu os diários de Carolina Maria de Jesus e os transformou em livro) ao fazer uma reportagem na favela, viu os escritos de Carolina e os transformou em um livro, o qual foi discutido e admirado em vários idiomas tornando-se um best-seller na América do Norte e na Europa, mostrando uma visão privilegiada de uma favela, porque escrita por uma moradora. As palavras podem contar o mundo. Carolina em sua narrativa apresenta a divisão de classes, exclusão social e ideologia da época. Seus escritos apresentavam uma variedade linguística desprestigiada socialmente, o que não a impediu de se tornar um livro, de ter leitores, de tornar a escritora e suas dificuldades conhecidas de um grande público.

2ª e 3ª Aula: Exposição das opiniões e reflexões sobre o livro Quarto de Despejo: Após a leitura do livro, com a disposição das carteiras em forma de círculo, os alunos irão expor sua opinião sobre o livro e o professor fará algumas reflexões:  Identificação e explicação sobre as variedades linguísticas, sociais e culturais identificadas no livro;  Fazer anotações das palavras e expressões, que apresentem diferentes palavras com o mesmo conceito, palavras em desuso, diferentes sotaques e redução de palavras identificadas no livro. Ex. quarar, aludir, telegrafista, empório, pungente, andrajosa.  Comparar a linguagem do livro com os saberes do aluno,  Decorrentes de outras leituras, convivência familiar e social sobre as variações linguísticas. Com isso, pretende-se a interação do aluno para evitar o preconceito linguístico. 4ª Aula: Debate e Pesquisa  O livro escrito em forma de diário prendeu e facilitou a leitura? Os alunos realizarão pesquisas sobre a variação linguística e seus tipos (variação histórica, geográfica, sociocultural) em revistas, livros, internet, etc. Portanto os alunos irão à biblioteca, pesquisar em dicionários as palavras e expressões encontradas no livro até então desconhecidas analisando o significado e sinônimos das palavras selecionadas, para posteriormente ser montado um portfólio. *Portfólio- Registro das atividades considerando todo o desenvolvimento e participação durante o processo e a pesquisa sobre variação linguística. 5ª Aula: Apresentação da pesquisa realizada Todas as discussões feitas em sala de aula deverão ser escritas como se fosse um diário, fazendo com que o aluno tenha a percepção de que a escrita está correta, o que difere são as palavras com suas variações e seus sinônimos. 6ª Aula: Registro no portfólio É muito importante ficarmos atentos para as variedades linguísticas, portanto os alunos farão uso da biblioteca quantas vezes for necessário, realizando pesquisas das palavras e expressões encontradas no livro até então desconhecidas analisando o

educação para todos. A produção de textos, ao ser proposta para os estudantes, deve objetivar a funcionalidade e realizar um efetivo evento comunicativo. É preciso superar, segundo Faraco (2008, p. 176), os velhos modelos de “redação escolar”, que levam produção de textos artificiais e são produzidos apenas com o intuito de cumprir uma tarefa que desencadeará em nota. Melo e Silva (2006, p. 96), salientam que, “É importante que as atividades de produção de textos solicitem ainda o entendimento a situações de interação comunicativas não apenas escolares, mas também daquelas que ultrapassam esse domínio e se estendem às práticas de linguagem reais.” Pois produção escrita é um atividade social, com fins comunicativos. Do mesmo modo, é necessário superar a visão de língua homogênea, em que variedades linguísticas são tratadas como “erros”. O processo de ensino-aprendizagem, diante desse contexto, requer do professor conhecimentos do funcionamento da língua nos diferentes níveis, da história da formação da língua e do perfil linguístico da comunidade na qual seus alunos estão inseridos. A articulação desses elementos como objetos de ensino pode auxiliar o aluno a compreender que a fala e a escrita estão relacionadas, porém, apresentam características distintas que impõe comportamentos e conhecimentos distintos. Cabe à escola, portanto, apresentar ao aluno a escrita padrão, sua organização, regras e arbitrariedades. Isto é necessário para que o aluno entenda como a língua funciona e se organiza. 8 TEMPO PARA A REALIZAÇÃO DO PROJETO O projeto dar se a num período de 10 aulas, totalizando (7) sete dias, conforme cronograma a seguir:

SEQUÊNCI

A

AULAS DESENVOLVIMENTO

1º Momento 1ª Aula 1 Aula (50 minutos) Apresentação e explicação do Projeto aos alunos: Como será desenvolvido e seus objetivos. 2º Momento 2ª e 3ª aula 2 Aulas (50 minutos cada aula) Exposição das opiniões e reflexões sobre o livro Quarto de Despejo. 3º Momento 4ª aula 1 Aula (50 minutos) Debate e pesquisa sobre a variação Linguística 4º Momento 5ª aula 1 Aula (50 minutos) Apresentação da pesquisa realizada 5º Momento 6ª aula 1 Aula (50 minutos) Registro no portfólio 6º Momento 7ª e 8ª aula 2 Aulas (50 minutos cada) Apresentação Oral e escrita do portfólio 7º Momento 9ª e 10ª aula 2 Aulas (50 minutos cada) Reflexão final das variações linguísticas 9 RECURSOS HUMANOS E MATERIAIS Humanos Professor Aluno Supervisor

linguística e de sua abordagem diferenciada em sala de aula, além de apresentar toda a mitologia e preconceito que envolve este tema tão importante. Os textos produzidos poderão ser relacionados com a história de cada um, com seus sonhos. Embora os escritos do livro sejam dos anos sessenta, até hoje se presenciam a fome, a falta de moradia, de saneamento básico, a discriminação, as visitas de políticos em época de eleição e o preconceito. O livro tem uma linguagem comum que contribui para a identificação de diferentes regiões, em que se fala a mesma língua, porém com variação relativa ao vocabulário ou formas diferentes de linguagem no Brasil, levando a uma reflexão a respeito do preconceito linguístico Os estudos de Bagno, por exemplo, apresentam como esse preconceito foi enraizado na realidade linguística brasileira, além de identificar muitos fatores que alimentam a ideia de que só deve usar e estudar a língua considerada padrão. Pudemos observar em seus estudos os fatores diversos que causam e reafirmam a variação linguística e que com estas justificativas não se deve minimizá-las, mas, sobretudo, respeitar o diferente e, a partir dele, refletir e investigar as causas das variações. O ensino de língua portuguesa passou por várias mudanças nas últimas décadas e até hoje vemos um grande interesse acerca dos objetivos que o ensino de língua deve priorizar, tendo por base, principalmente, os parâmetros e as orientações curriculares nacionais e locais. Estes documentos sugerem mudanças na perspectiva teórico-metodológica as quais são imprescindíveis à qualidade do ensino que se deve oferecer à sociedade. É necessário, além de reverter esta visão, que o ensino da língua portuguesa vise uma reformulação que se coadune com o objetivo de formar cidadãos críticos. Assim, cabe ao professor respeitar e valorizar as diferentes formas de expressão de seu aluno, visando aprimorar a sua competência linguística por meio de práticas que lhe possibilitem o conhecimento e a aquisição de um vocabulário mais amplo. Proporcionando, desta maneira, o contato com o dialeto padrão e possibilitando ao falante ajustar a sua linguagem conforme a situação em que se encontra. Pois, de acordo com Bortoni-Ricardo (2005, p. 26), “resguardar -se, assim, o direito que o educando possui à preservação de sua identidade cultural específica, seja ela rural ou urbana, popular ou elitista.” Neste sentido, é dever do professor apresentar ao seu educando os diversos pontos de vista a respeito de um mesmo assunto ou conteúdo, para que este tenha possibilidades de conhece-los e ampliar o seu repertório intelectual.

De acordo com as Diretrizes Curriculares da Educação Básica de Língua Portuguesa (,2008, p. 38) “É nos processos educativos, e notadamente nas aulas de Língua Materna, que o estudante brasileiro tem a oportunidade de aprimoramento de sua competência linguística, de forma a garantir um inserção ativa e crítica na sociedade.” Continuar encarando a variação linguística como erro e tachar os seus usuários de incultos, é uma postura que não tem mais espaço dentro das escolas. É preciso, portanto, aceitar as diferenças, entender como elas se constituem e buscar teorias e práticas que sejam capazes de explica-las. Para então, encontrar mecanismos diversos para trabalhar as variedades linguísticas dentro de sala de aula.