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fichamento Os trabalhos e os dias
Tipologia: Notas de estudo
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DISCIPLINA: Mitologias Greco-romana e Nórdica ALUNO: José Givaldo Oliveira de Lima Mat.: 11113278
Texto: HESÍODO. Os trabalhos e os dias. São Paulo: Iluminuras, 2009, p. 57-64.
Prometeu e Pandora
Hesíodo apresenta o mito de forma própria em seus dois famosos poemas, uma combinação feita de matrizes antigas (p. 57).
Quatro obras notáveis da Antiguidade helênica apresentam o mito de Prometeu, são elas: Prótagoras , de Platão; Prometeu de Ésquilo; Teogonia e Erga de Hesíodo (p. 57).
É perceptível a noção da necessidade de ordem, organização e harmonia tanto divina como humana nos dois poemas de Hesíodo (p. 57).
As duas versões
O mito é contado nas duas versões de Hesíodo, porém sob pontos de vista diferente de personagem e enredo que se completam (p.57 e 59).
Na Teogonia vemos o mito esquematizado pelos personagens centrais: Prometeu marcado por sua astúcia e sua arte fraudulenta e Zeus com sua astúcia superior e inteligência soberana (p. 58). Ainda aparecem Atena e Hefestos que confeccionam a primeira mulher, o “belo mal” (p. 58).
O mito dá-se a explicar a separação e a instauração do sacrifício para um relacionamento eficaz entre os deuses e os homens, os quais viviam harmoniosamente antes do incidente (p. 58).
De forma resumida o mito é contado seguindo esta ordem: “Prometeu oferece um sacrifício fraudulento a Zeus (ossos cobertos com gordura), Zeus aceita a oferenda e, irritado, não concede mais o fogo celeste aos mortais; Prometeu, então, rouba-o e o entrega aos homens; Zeus, em resposta, dá aos homens uma mulher”. Isso ocorrera em Mekona, local mítico cujo nome liga-se a fertilidade da terra (p. 58).
Em Erga , a primeira mulher dada por Zeus é nomeada, Pandora, e sua presença é enfática nesse poema (p. 58).
Ainda em Erga o duelo do Cronida Zeus e do titã Prometeu é marcado por uma novo posicionamento de Zeus, de sua métis , que ao invés de tirar, como fazia anteriormente,
acrescenta (Pandora, dom do Cronida a Prometeu e aos homens). Assim a mudança de estratégia de Zeus encerra o duelo com maestria sem possibilidade de réplica do titã (p.59).
É com Pandora que os homens iniciam um novo ciclo por meio da sexualidade, até então autóctones: de ánthropoi (seres humanos) para ándres (homens) e gynaikes (mulheres) (p. 59).
O sacrifício, o sexo, o dom, o trabalho
O confronto entre Zeus e Prometeu tem como primeiro resultado a repartição ritual dos pedaços do animal imolado. Nesse momento estabelece definitivamente a diferença entre mortais e imortais (p. 59).
Na Teogonia o sacrifício prometéico é pela carne de boi já nos Trabalhos é pelos produtos da terra cultivada, afirmando assim a oposição desses sacrifícios. “Os homens que comem pão são mortais e os deuses que comem ambrosia são imortais” (p. 59).
Com J.P. Vernant o mito justificaria a não identificação humana com os deuses ou com os animais, mas com o surgimento de Pandora participaria dessas duas naturezas sem se identificar com os deuses ou com os animais (p. 60).
É com Pandora que surge a sexualidade que separa homens e mulheres como também os une pelo sexo dando-lhes a perpetuação e diversificação da espécie (p. 60).
“Pandora é ligada a ideia do alimento que vem da terra e à instituição do casamento” que a semelhança do lançar a semente dentro da terra o homem lança a semente dentro da mulher para procriar (p. 60).
Portanto são “três elementos que diferenciam imortais dos imortais: sacrifício, agricultura-alimento, sexualidade-casamento” (p. 60).
Segundo Pietro Petrucci o mito revela a precariedade humana diante do favor divino (dom), os quais são irrecusáveis e sempre acrescentam a vida humana que sempre tem falta (p. 61).
Pandora também é ligada a cultura, pois ambas são produzidas, feitas e não aparecem como ánthropoi (seres humanos) que apenas surgiam da terra (p. 61).
É ainda com Pandora, dom Cronita, que surge a necessidade do trabalho como uma das contingências humana, inexistente em tempos anteriores harmônicos (p. 62).
Os personagens
Prometeu, ankylométis , é o habilidoso na arte de tramar desafiando Zeus, pai dos homens e dos deuses, que surge sem epíteto com sua incontestável soberania. Esses juntamente com Pandora são protagonistas em Os trabalhos e os dias (p. 62).