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Os procedimentos para realizar a reanimação cardio-pulmonar (rcp) em presença de parada cardíaca, incluindo aplicação de medicamentos, verificação de ritmo e uso de desfibriladores externos automáticos. Além disso, são discutidos os diferentes tipos de paradas cardíacas, como a assistolia e a aesp, e os respectivos protocolos de tratamento.
Tipologia: Notas de estudo
Compartilhado em 19/08/2010
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∗ O presente protocolo segue as modificações implantadas pela American Heart Association (AHA) em novembro de 2005 a respeito das condutas de Advanced Cardiovascular Life Suport (ACLS): 2005 American Heart Association Guidelines for Cardiopulmonary Resuscitation and Emergency Cardiovascular Care.
∗ As modificações no tratamento da Parada Cardio-Respiratória foram idealizadas para minimizar as interrupções das compressões torácicas.
∗ Aplicação de ACLS eficaz começa com BLS (Basic Life Suport) de alta qualidade, principalmente com realização de Reanimação Cardio-Pulmonar (RCP) de alta qualidade.
∗ Trate o paciente, não o monitor.
∗ Via aérea permeável, ventilação, oxigenação, compressões torácicas e desfibrilação são mais importantes do que a administração de medicamentos e são prioritárias sobre obter um acesso venoso ou injetar agentes farmacológicos.
∗ Via aérea permeável (ou definitiva, ou protegida - entubação orotraqueal) pode não ser alta prioridade.
∗ Várias medicações (adrenalina, lidocaína e atropina) podem ser administradas via cânula endotraqueal, mas a dose deve ser de 2 a 2,5 vezes a dose endovenosa (EV).
∗ A administração de medicamentos EV ou IO (intra-ósseo) é preferível à via cânula endotraqueal.
∗ As medicações EV devem ser administradas rapidamente, em bolus.
∗ Após cada medicação IV, injetar um bolus de 20 a 30 mL de SSI EV e elevar, imediatamente, a extremidade – isto irá facilitar a chegada de drogas na circulação central (a qual pode levar 1 a 2 minutos).
Sem movimento ou resposta
Pegue o DESFIBRILADOR ou mande outro socorrista (se disponível) fazê-lo
Via aérea, cheque a RESPIRAÇÃO
Se não houver respiração, faça 2 VENTILAÇÕES que elevem o tórax
Se não houver resposta, cheque o pulso :
Você tem certeza que sente o pulso, 10 segundos?
Pulso presente
DEA / Desfibrilador CHEGA
Cheque o ritmo Ritmo Chocável
Aplique 1 choque Reinicie a RCP imediatamente por 5 ciclos
Reinicie a RCP imediatamente por 5 ciclos Cheque o ritmo a cada 5 ciclos, continue até que um provedor de SAV assuma ou a vítima se mova
PARADA SEM PULSO *Peça ajuda, faça RCP *Dê oxigênio *Conecte o monitor/desfibrillador
Cheque o ritmo Ritmo chocável?
FV / TV ASSITOLIA/ AESP
Dê um choque
Reinicie RCP imediatamente por 5 ciclos Quando acesso IV/IO disponível dê vasopressor Epinefrina 1 mg IV/IO Repita cada 3 a 5 min ou Pode ser 1 dose de vasopressina 40 U IV/IO no lugar da primeira ou segunda epinefrina Considere Atropina 1 mg IV/IO para assistolia ou AESP lenta Repita a cada 3 a 5 min (até 3 doses)
Cheque o ritmo Ritmo chocável? Cheque o ritmo Ritmo chocável?
Continue a RCP enquanto o desfibrilador carrega Aplique um choque
Cheque o ritmo Ritmo chocável?
Se assistolia vá para caixa 10 Se atividade elétrica cheque pulso Se não houver pulso vá p/ caixa 10 Se houver pulso inicie cuidados pós-ressuscitação
Vá para caixa 4
2
3
4
9
10
Faça 5 ciclos de RCP 5 Faça 5 ciclos de RCP 11
Faça 5 ciclos de RCP
NÃO
Não chocável Chocável
Chocável
12
13
7
6
Não
após reassume-se as compressões torácicas (caixa 4). Deve-se dar somente um choque em vez de três choques sucessivos, comparado ao protocolo anterior. Essa mudança foi motivada pelas evidências que o tempo de checagem do pulso, recarga do desfibrilador e aplicação de outro choque interrompem as compressões torácicas (por até 37 segundos). Dessa forma ocorre redução da pressão de perfusão das coronárias.
Quando a checagem de ritmo aponta FV/TV sem pulso o socorrista deve realizar RCP até que o desfibrilador esteja carregado e todos estejam afastados para então disparar o choque.
Atenção: a pressão em ambas as pás do desfibrilador deve ser de aproximadamente 12 kg. Imediatamente após liberação do choque elétrico, reiniciar RCP (começando pelas compressões torácicas) sem atraso e contínuas por 5 ciclos (ou por 2 minutos se há uma via aérea permeável). A verificação do ritmo deve ser feita após 5 ciclos completos de RCP ou 02 minutos (caixa 5). Estabelecimento de acesso endovenoso EV é importante, mas não deve interferir com a RCP e com as desfibrilações.
O momento de iniciar drogas vasopressoras (adrenalina) é geralmente após o 1º ou 2º choques mais RCP. Faz-se Adrenalina 1 mg a cada 3 a 5 minutos durante a parada cardíaca.
Não deve ser interrompida a RCP para se administrar medicações. A droga deve ser administrada sempre que possível logo após a checagem do ritmo.
Segue-se o sequinte esquema “virtualmente” contínuo:
∗ → RCP (05 ciclos ou 02 minutos) → Checagem ritmo → RCP (enquanto droga é administrada e desfibrilador é carregado) → Choque → volta ao ∗
Essa proposta de algoritmo procura minimizar as interrupções das massagens torácicas externas.Quando a FV/TV persiste após 2 ou 3 choques e administração de adrenalina considerar uso de antiarrítmico como a amiodarona. Se amiodarona está indisponível, lidocaína pode ser considerada.Sulfato de magnésio deve ser considerado para torsades de pointes associada com QT longo no ECG de repouso.
Se um ritmo não chocável está presente no monitor e o ritmo é organizado, verificar o pulso.Checagem de ritmo deve ser breve e a verificação de pulso somente será feita caso haja um ritmo organizado no monitor/pás. Se houver qualquer dúvida acerca da presença do pulso retome as massagens cardíacas externas e siga o algoritmo até a próxima verificação. Se o ritmo do paciente converter-se para Assistolia / Atividade Elétrica sem Pulso seguir o algoritmo apropriado para essa situação.
Após a inserção da cânula orofaríngea deve-se inflar o “cuff” com pressão adequada e verificar-se o posicionamento correto. Utiliza-se o método clínico: ausculta dos 4 campos pulmonares (bases direita e esquerda, ápices direito e esquerdo) e o foco gástrico para descartar-se entubação esofágica. Uma vez que o som está audível e simétrico em todos os quatro campos pulmonares e ausente do foco gástrico, considera-se que, a princípio , a entubação está adequada e pode ser fixada a cânula pela equipe de enfermagem.
Caso haja ausculta somente em campos pulmonares direitos sugere entubação seletiva em brônquio fonte direito. Desinsufla-se o “cuff” e procede-se a tração de poucos centrímetros na cânula. Na ausência de som à ausculta pulmonar e presença de som de “borbulhar” no foco gástrico estamos frente a uma entubação esofágica. Desinsuflar o “cuff”, retirar imediatamente a cânula e prosseguir a RCP para oxigenação adequada da vítima e nova tentativa após 2 minutos de RCP. O manual de ACLS preconiza o uso de dispositivos de verificação, além da verificação clínica: detector de CO2 exalado ou detector esofagiano. Porém, tais dispositivos não são de fácil acesso na nossa rotina de atendimento. Lembrar sempre que uma entubação a princípio bem sucedida deve ser monitorizada continuamente, pois há o risco de deslocamento da cânula e outras intercorrências passíveis de intervenção.
Classe IIa para torsades, principalmente no contexto de hipomagnesemia e torsades associado a QT longo Dose: 1 a 2g diluídos em 10 ml de solução de glicose a 5%, administrada EV em 5 minutos. Em grandes doses, diminui a pressão sangüínea, o que, não necessariamente, compromete a pressão de perfusão coronariana, porque também leva à dilatação das artérias coronarianas.
A partir das novas diretrizes deixou de ser indicada nos algoritmos de FV/TV sem pulso.
Uma vez que a FV/TV esteja resolvida, iniciar uma infusão IV de antiarrítmicos que ajudará na restauração e manutenção do pulso. Se a desfibrilação sozinha (sem medicações) levou ao retorno da circulação, fazer:
Dose de ataque: 150 mg diluída em SF0,9% 125 mL IV (correr em 10 minutos ); Infusão contínua: 1 mg/Kg/h nas primeiras 6 horas e depois 0,5 mg/Kg/h nas próximas 18 horas.
Dose de ataque: 0,5 a 1,5 mg/Kg até um total de 2 mg/Kg ; Infusão contínua: 2 a 4 mg/minuto nas primeiras 24 horas. ATENÇÃO:
A Atividade Elétrica Sem Pulso, representa um grupo heterogêneo de ritmos que incluem dissociação eletromecânica (DEM), pseudo-DEM, ritmos idioventriculares, ritmos de escape ventriculares, ritmos idioventriculares pós- desfibrilação e ritmos bradissistólicos. O principal ponto crítico nestas arritmias é que elas estão freqüentemente associadas a um estado clínico específico, que pode ser revertido quando identificado precocemente e tratado apropriadamente. A ausência de pulso detectável e a presença de algum tipo de atividade elétrica definem este grupo de arritmias. Quando a atividade elétrica apresenta complexo QRS estreito e nenhum pulso é detectável têm-se aplicado termo dissociação eletromecânica (DEM). As outras AESP’s observadas na parada cardíaca são arritmias que são mais largas do que os complexos estreitos da DEM.
Estudos recentes mostram que durante a AESP existe atividade mecânica, porém essas contrações não produzem débito cardíaco suficiente para produzir uma pressão sangüínea detectável pelos métodos clínicos usuais (palpação e esfigmomanometria).
Usualmente, ASSISTOLIA representa extensa isquemia miocárdica, decorrente de prolongados períodos de inadequada perfusão coronária. A taxa de sobrevivência de parada cardíaca em assistolia é sombria. Durante a tentativa de ressuscitação breves períodos de complexos organizados podem aparecer na tela do monitor, mas raramente a circulação espontânea é restabelecida. Como na AESP o objetivo da ressuscitação é identificar e tratar causas reversíveis. Devido a similaridade de causas e manejo desses ritmos de parada cardíaca, o seu tratamento foi agrupado em uma segunda parte do algoritmo de Parada Cardíaca.
Pacientes em AESP ou Assistolia não se beneficiam de desfibrilação. O foco da ressuscitação é na RCP de alta qualidade com mínimas interrupções e a identificação de causas tratáveis e reversíveis. Uma via aérea permeável (entubação orotraqueal) deve ser providenciada enquanto se realiza as manobras de RCP na freqüência já definida para FV/TV sem pulso: 30:2 (30 compressões para 2ventilações).
Fatores precipitantes de Assistolia / AESP e seu tratamento
Condição
Características do ritmo ao eletrocardiograma
Indícios de historio e exame físico
Tratamento
Hipóxia Freqüência lenta
Cianose, problemas de viasaéreas, condição dos gasessangüíneos
Oxigenação, ventilação
Hipovolemia
Complexo QRS estreito, freqüência rápida
História clínica, veias do pescoço planas, mucosas secas
Infusão de volume
Hidrogênio, íon (acidose) Complexos QRS de amplitude baixa
História de diabetes melito, acidose preexistente que responde a bicarbonato, insuficiência renal
Bicarbonato de sódio, hiperventilação
Hipercalemia ou hipocalemia
Hipercalemia
Hipercalemia: história de insuficiência renal, diabetes melito, diálise recente, fístulas de diálise, medicações Hipocalemia: perda anormal de potássio, uso de diuréticos
Hipercalemia: bicarbonato de sódio, solução glicose + insulina, cloreto de cálcio, resinas de troca iônica, diálise (a longo prazo), salbutamol Hipocalemia: infusão rápida, porém controlada, de potássio; acrescentar magnésio
Hipotermia Onda J de Osborne História de exposição ao frio
Aquecimento externo e através da infusão endovenosa de soluções aquecidas
Hipoglicemia Variado
Diabetes em uso de medicações, infecções, sepse
Aporte de glicose
Toxicidade (intoxicação por fármacos – tricíclicos, digoxina, b- bloqueadores, bloqueadores dos canais de cálcio)
Diversos efeitos no ECG, QT predominantemente prolongado
Bradicardia, histórico de ingestão, frascos vazios no local, pupilas, exame neurológico
Testes para pesquisa de drogas, entubação, lavagem gástrica, carvão ativado, conforme protocolo específico para intoxicação
Tamponamento cardíaco
Complexo estreito, freqüência rápida
História (trauma, insuficiência renal, malignidade torácica), não há pulso com a RCP, distenção das veias do pescoço
Pericardiocentese
Tensão no tórax (pneumotórax hipertensivo)
Complexo estreito, freqüência lenta (hipóxia)
História, não há pulso com a RCP, distensão das veias do pescoço,sons respiratórios assimétricos, dificuldade para ventilar o paciente
Descompressão por agulha
Trombose coronária: SCA
ECG de 12 derivações anormal:ondas Q, alterações no segmento ST, ondas T invertidas
História, ECG, enzimas Agentes fibrinolíticos
Tromboembolismo pulmonar
Complexo estreito, freqüênciarápida
História, não se sente o pulso com a RCP, veias do pescoço dilatadas
Arteriografia pulmonar, embolectomia cirúrgica, fibrinolíticos
Trauma
Variado, com taquicardia (hipovolemia) ou bradicardia (hipóxia, trauma cerebral)
História e exame clínico
Estabilização do paciente, entubação, aporte volêmico
Protocolo revisado por:
Revisado e atualizado por Dr. Julio César Matte – Especializando em Cardiologia - junho/2007. Supervisionado por Prof. Dr. Murilo Guérios Bittencourt.