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Segurança de pessoas: evitando potenciais perigosos de toque e de passo, através de terras de baixa impedância e ligação à terra de equipamentos que permitam ...
Tipologia: Notas de aula
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O presente capítulo tem por objectivo apresentar uma solução para o sistema de terras das infra-estruturas de telecomuni- cações em edifícios. Para tal, será efectuada uma análise considerando os problemas associados às descargas atmosféricas, interferências e a implementação prática da rede de terras de acordo com a legislação actual. Ao longo dos pontos seguintes existem recomendações claras do que se considera ser um bom sistema de terras, aplicável aos edifícios. O esquema eléctrico e de terras, no final deste capítulo, apresenta as obrigatoriedades consideradas mínimas, para este tipo de instalações.
O sistema de terras deve ter sempre em consideração não só o sistema de telecomunicações mas também o sistema eléctrico de potência. Deste modo, este sistema deve ter por objectivo as seguintes funções:
Existem diversos tipos de eléctrodos de terra, nomeadamente:
FIGURA 116: Eléctrodos de terra do tipo combinado Os eléctrodos do tipo malha são constituídos por um conjunto de varetas ou fitas, colocadas horizontalmente no solo. Com a utilização das fitas obtém-se uma maior superfície de contacto com a terra, conseguindo-se deste modo uma terra mais adequada às altas frequências. Este tipo de eléctrodos favorece a distribuição de potencial, no entanto, é mais susceptível às mudanças da constituição do solo. FIGURA 117: Eléctrodos de terra do tipo malha O eléctrodo do tipo fundação é constituído por troços de metal condutor embebidos no cimento das fundações do edifício. Uma das vantagens deste tipo de eléctrodo é que as partes metálicas não necessitam de uma protecção adicional anticorro- siva. Este tipo de eléctrodo é considerado como uma solução muito prática para o sistema de terras do edifício.
Os valores obtidos com origem no Comité da Protecção de Descargas Atmosféricas da Comissão Electrotécnica Internacional ( Technical Committee 81 da I.E.C. ) demonstram que 50% das descargas atmosféricas apresentam uma corrente de pico de 33kA e 5% uma corrente superior a 85kA. A taxa de crescimento da corrente pode atingir valores superiores 65kA/μs. O rápido crescimento da corrente pode dar origem a uma tensão muito elevada, que poderá ser obtida a partir da seguinte expressão: onde L é a indutância dos condutores de descarga e do eléctrodo de terra [H] R é a resistência do eléctrodo de terra [Ω] Dependendo da corrente de descarga e das propriedades do sistema de terras, a tensão gerada por uma descarga atmosfé- rica pode atingir valores muito elevados, por vezes muito superiores à tensão da rede eléctrica. Deste modo, para garantir a protecção das instalações é necessário utilizar descarregadores de sobretensões e uma estrutura de ligação à terra. Outro dos factores que pode afectar os sistemas de telecomunicações é a tensão de referência dos respectivos equipa- mentos. Para que um equipamento, interligado com outros, possa funcionar correctamente, a tensão de referência deve ser estável para todos os equipamentos. Para se obter uma tensão de referência estável, é necessário garantir que a impedância do circuito de terras seja muito reduzida. Deste modo, procura-se que a totalidade do sistema de terras, representado pelo condutor de terra, seja basi- camente uma superfície equipotencial. Na prática é extremamente difícil obter uma diferença de potencial entre todos os pontos de terra igual a zero. Contudo, essa diferença deve ser suficientemente baixa para não causar mau funcionamento ao equipamento. A interferência electromagnética é outro dos fenómenos que pode afectar os sistemas de telecomunicações. Normalmente, os equipamentos eléctricos e electrónicos produzem alguma radiação electromagnética. Contudo, muitos destes equipamen- tos também são sensíveis a esses mesmos efeitos. Um dos factores que permite atenuar esse fenómeno é o sistema de terras utilizado. No sentido de reduzir este tipo de interferência sobre os equipamentos é necessário reduzir as malhas de terra. É de salientar que os cabos ligados às estruturas metálicas permitem que essas estruturas se comportem como condutores de terra paralelos. Assim, através desta ligação é possível reduzir a impedância da malha formada pelo cabo e pela rede de terras. No passado foram utilizados sistemas de terra separados, tais como, terra para a rede eléctrica, terra para as descargas atmos- féricas e terra de sinal. No entanto, o sistema de terras separado foi abandonado e as normas internacionais prescrevem agora um sistema de terras único. O capítulo seguinte apresenta algumas das considerações constantes da regulamentação nacional em vigor.
As Regras Técnicas das Instalações Eléctricas de Baixa Tensão (RTIEBT), aprovadas pela Portaria nº 949-A/2006, estabelecem alguns conceitos e critérios para a definição das redes de terras de protecção e de equipotencialização das instalações eléctricas em edifícios, com vista à protecção das pessoas contra contactos indirectos.
Nessas Regras são estabelecidas condições que conduzem à definição de critérios para ligação à terra de outro tipo de instalações, como é o caso das instalações de equipamentos informáticos. Indirectamente, podem estabelecer-se critérios para a ligação à terra das Instalações de Telecomunicações. São também objecto de referência, nas RTIEBT, o modo de ligação à terra dos descarregadores de sobretensão das Instalações Telefónicas. De acordo com a secção 413 das RTIEBT, a protecção de pessoas contra contactos indirectos é assegurada pela ligação à terra de todas as massas metálicas normalmente sem tensão, embora associada à utilização de aparelhos de corte automático sensíveis à corrente diferencial – residual, instalados nos quadros. A ligação das massas à terra deve ser efectuada pelo condutor de protecção incluído em todas as canalizações e ligado ao circuito geral de terras através dos quadros. Os condutores de protecção serão sempre de cor verde/amarelo, do tipo dos condutores activos e de secção igual à dos condutores de neutro. Outra das acções conducentes à protecção de pessoas consiste em dotar os edifícios de ligações equipotenciais com a rede de terras de protecção, através da ligação de condutores entre todas as partes metálicas e o barramento principal de terra, nomeadamente:
Nas Regras Técnicas das Instalações Eléctricas de Baixa Tensão (RTIEBT) - Anexo V, apresentam-se os critérios para a ligação entre os descarregadores de sobretensão das instalações telefónicas e as instalações fixas dos edifícios. Desse anexo transcrevemos alguns trechos que nos parecem mais significativos: “Os descarregadores de sobretensão das instalações telefónicas podem ser ligados aos eléctrodos de terra das massas das instalações eléctricas desde que sejam respeitadas simultaneamente as seguintes condições: a) A resistência do eléctrodo seja compatível com as condições exigidas para a ligação à terra dos descarregadores de sobretensão das instalações telefónicas. b) O condutor de ligação à terra dos descarregadores de sobretensão das instalações telefónicas seja ligado directamente ao terminal principal de terra do edifício por meio de um condutor que não seja identificado pela cor verde -amarela. ” “Se as características e as disposições do eléctrodo de terras das massas da instalação eléctrica não forem adequadas às correntes resultantes de uma descarga atmosférica, deve ser utilizado um eléctrodo de terra especial para os descarrega- dores de sobretensão das instalações telefónicas, como pode ser o caso dos eléctrodos que não sejam anéis de fundação dos edifícios. Os dois eléctrodos de terra devem, neste caso, ser interligados por um condutor de equipotencialidade de secção não inferior a 6mm^2 , se de cobre, ou de secção equivalente, se de outro material, identificado como condutor de protecção pela cor verde - amarela.” Em síntese, pode afirmar-se que as implicações das RTIEBT são as seguintes:
De acordo com os pressupostos anteriormente referidos recomenda-se, para a rede de terras das telecomunicações, associada à rede de terras da instalação eléctrica do edifício, a seguinte estrutura:
Esta protecção será efectuada através de sistema de pára-raios do edifício caso exista. No caso de tal não existir, os sistemas de antenas devem estar preparados para este tipo de protecção. Nesta situação, as antenas devem ser ligadas directamente ao anel de terras. Neste ponto de ligação poderá ser colocado um eléctrodo de terra do tipo vareta, ligado por soldadura aluminotérmica. Na figura seguinte é apresentado um esquema geral do sistema de terras para um edifício. Tal como foi referido, no ponto anterior, o regulamento de instalações eléctricas não considera algumas das propostas aqui referidas para o sistema de terras das telecomunicações, nomeadamente:
LEGENDA DO ESQUEMA ELÉCTRICO E DE TERRAS Gx – Condutor de protecção com “x” mm^2 de secção. 3G 2,5 – 3 condutores de cobre, de 2,5mm^2 de secção cada um, sendo um de protecção. DST – Descarregador de sobretensão para cabos coaxiais. BGT – Barramento Geral de Terras das ITED. QE – Quadro de Entrada de fogo.