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protocolo para suporte básico de vida do Corpo de Bombeiros Militar de Goiás
Tipologia: Notas de estudo
Oferta por tempo limitado
Compartilhado em 08/02/2013
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PREFÁCIO
O presente trabalho visa o aprimoramento técnico profissional dos bombeiros goianos na área de pronto socorrismo. Buscando um padrão de atendimento no âmbito estadual, fortalecendo o serviço hoje prestado à comunidade e principalmente criando um padrão de atendimento dentro do Corpo de Bombeiros. Desta forma esperamos estar contribuindo para a criação de uma doutrina dentro da Corporação. Este trabalho foi embasado e aprovado para aplicação nas ocorrências de resgate realizadas pelo CBMGO. Todos os direitos deste trabalho foram cedidos gentilmente pelos autores ao Corpo de Bombeiros Militar do Estado de Goiás.
PREFÁCIO DA COMISSÃO DE REVISÃO - 2011
O Protocolo para o Suporte Básico de Vida do CBMGO é um ato normatizador, constituindo um conjunto de ações a serem desenvolvidas pelas equipes de Resgate, tendo como objetivo melhorar a qualidade e agilizar a operacionalização do serviço prestado à nossa comunidade. As condutas estabelecidas foram atualizadas com base em doutrinas amparadas por estudos científicos de diversas instituições renomadas, descritas nas referencias bibliográficas deste protocolo. O conceito de “período de ouro”, foi amplante explorado, priorizando sempre a avaliação e o transporte rápido, sem prejudicar a segurança e a manutenção dos sinais vitais da vítima. O protocolo é um conjunto de regras e procedimentos que devem ser respeitados e registrados em relatório próprio, para amparar as ações de nossos Socorristas, sendo obrigatório sua aplicação no âmbito de nossa instituição.
ATENDIMENTO AVALIAÇÃO E TRANSPORTE
1.SEGURANÇA NO ATENDIMENTO E AVALIAÇÃO
a) CENA DO ACIDENTE ( SCENE ): b) S EGURANÇA ( SECURITY ); Segurança do socorrista (É obrigatório estar paramentado): Óculos de proteção; Máscara cirúrgica; Luvas de procedimento ou cirúrgica; Joelheiras; Capacete. Posicionamento da viatura, sinalização e isolamento. Segurança da vítima e dos curiosos; c) S ITUAÇÃO ( SITUATION ). O que realmente aconteceu? Qual o mecanismo de trauma (Cinemática)? Quantas vítimas envolvidas e qual a idade? É necessário reforço? Especificar.
Que tipo de impacto ocorreu - frontal, lateral, traseiro, angular, capotamento ou ejeção? Qual a velocidade em que ocorreu o acidente? Estava a vítima usando dispositivos de segurança? Onde supostamente estão as lesões mais graves? Que forças estão envolvidas? Qual o caminho seguido pela energia? Quais órgãos podem ter sido lesados nesse caminho? A vítima é uma criança ou um adulto?
Qual a altura? Qual a distância de parada? Que parte do corpo foi primeiramente atingida?
Qual a distância entre a explosão e o paciente? Quais as lesões primárias, secundárias e terciárias à explosão podem existir?
Onde está o agressor? Que arma foi usada? Se uma arma de fogo, qual o calibre e munição utilizada? A que distância e ângulo foi disparado?
É a condição de segurança alcançada por um conjunto de ações destinadas a prevenir, controlar, reduzir ou eliminar riscos inerentes às atividades que possam comprometer a saúde humana, animal e vegetal e o meio ambiente. Durante o serviço de resgate o bombeiro militar está exposto a riscos de contato com sangue ou secreção contaminada, de inalação de partículas de risco biológico e de exposição a doenças transmitidas por contato. Durante o resgate o risco biológico maior é de contato com sangue, e durante o transporte de pacientes estáveis entre hospitais o risco maior é o de contrair doenças por inalação ou por contato.
A exposição ao sangue durante um atendimento pode ocorrer de três formas:
Secreções vaginais Sêmen Líquor Líquido sinovial e pericárdico Líquido pleural e ascítico Líquido aminiótico
Urina, fezes
Durante horário comercial: No Serviço de segurança e medicina do trabalho do HUGO ou hospital de referência da cidade; Durante a noite e feriados procurar o médico do setor de sutura do HUGO para receber orientação. 3º Se não for possível receber orientação da conduta ou no caso de não haver assistência médica disponível no local, procurar assistência no Hospital de Doenças Tropicais (HDT). No caso das cidades do interior informar ao COB e pedir orientação ao médico regulador ou hospital de referência da cidade.
1º Data e hora; 2º Onde e como foi o ocorrido; 3º Providenciar duas testemunhas (o motorista e o outro socorrista); 4º Anotar o local do corpo e seu estado; 5º Se agulha, qual tipo; 6º Tipo, quantidade de material e grau de exposição; 7º Detalhes da fonte do contato (colher exames se possível – conseguir consentimento com a vítima ou a família); 8º Apresentar cartão de vacinas
A exposição a doenças infecciosas desta natureza ocorre comumente durante transporte de doentes entre hospitais. Habitualmente se há médico regulador ele na regulação da ocorrência define o grau de risco e as condutas que serão tomadas para prevenção. Durante o deslocamento para o atendimento do transporte a guarnição pode entrar em contato com o COB para receber orientações e esclarecimentos quanto aos procedimentos com a vítima e viatura. Para doenças com risco de transmissão por inalação utilizar a máscara N e ter cuidado de circular ar na viatura por 15 minutos com janelas e portas abertas antes de retirar a máscara no final do transporte. Para doenças com risco de transmissão por contato utilizar as luvas de procedimento e descartá-las logo após o contato com paciente para não contaminar outras superfícies. Em caso de doenças de transmissão pelo ar e contato (por exemplo, herpes zoster em HIV positivo)
utilizar a máscara N95, proceder à renovação do ar da viatura e utilizar as luvas descartáveis.
2. AVALIAÇÃO PRIMÁRIA
Visa checar os sinais vitais da vítima e tratar as condições que o colocam em risco iminente de morte. Para melhor avaliação adota-se o processo mnemônico da seqüência alfabética ( A-B-C-D-E ).
A A Desobstrução das vias aéreas com controle da coluna cervical
A vítima responsiva possui vias aéreas desobstruídas, apresenta função respiratória, circulatória e perfusão cerebral. 2º- Estabilizar a coluna cervical com as mãos, se necessário com os joelhos; 3º- Desobstruir as vias aéreas: Usar a tração de mandíbula (Jaw Thrust) em vítimas de trauma; Elevação da mandíbula (Chin Lift); Hiperextensão do pescoço em casos clínicos; Usar cânula orofaríngea em vítimas inconscientes; Executar a manobra de Heimlinch em vítimas com Obstrução das Vias Aéreas por Corpo Estranho (OVACE).
D D Avaliar o déficit neurológico – nível de consciência 1º- Avaliar a Escala de Coma de Glasgow; ESCALA DE COMA DE GLASGOW ABERTURA OCULAR MELHOR RESPOSTA VERBAL MELHOR RESPOSTA MOTORA
Espontânea 4 Orientada(Balbucio se < 5 anos) 5 Obedece Comando verbal(Movimentos espontâneos) 6
Ordem Verbal 3 Confuso(Choro irritado se < 5 anos) 4 Localiza a dor(retira ao toque se < 5 anos) 5
Dor 2 Palavras inapropriadas(choro e dor se < 5 anos) 3 Reação inespecífica(retira à dor se < 5 anos) 4
Sem resposta 1 Sons(Gemidos à dor se < 5 anos) 2 Flexão anormal (decorticação)(Flexão normal se < 5 anos) 3
Sem resposta 1 Extensão a dor (descerebração) (Flexão anormal se < 5 anos) 2 Sem resposta 1 CONCLUSÃO DA AVALIAÇÃO Resultado ≤ 8 - significa TCE Grave (a vitima está em coma); Resultado compreendido entre 9 a 13 - significa TCE Moderado; Resultado compreendido entre 14 a 15 - significa TCE Leve; Adaptação da Teasdale G,Jennett B. “Assessment of coma and impaired consciousness. A practical scale.” The Lancet 13;2(7872):81 – 4, 1974 2º- Avaliar as pupilas (observar tamanho, simetria e reação à luz), caso a vítima não esteja acordada, orientada e capaz de responder a comandos. AVALIAÇÃO DO DIÂMETRO DAS PUPILAS SINAIS A SEREM OBSERVADOS SITUAÇÃO^ DIAGNÓSTICO-PROVÁVEL ISOCÓRICAS (NORMAIS): São simétricas e reagem à luz.
Esta condição é normal, porém deve- se reavaliar constantemente. MIÓSE: Ambas estão contraídas, sem reação à luz.
Lesão no sistema nervoso central ou abuso no uso de drogas (toxinas). ANISOCÓRICAS: Uma dilatada e outra contraída. (assimétricas)
Acidente vascular cerebral - AVC, Traumatismos Craniencefálico-TCE.
MIDRÍSE: Pupilas dilatadas.
Ambiente com pouca luz, anóxia ou hipóxia severa, inconsciência, estado de choque, parada cardíaca, hemorragia, TCE. NOTA -1: O Socorrista deverá observar a presença de lentes de contato e próteses. NOTA -2: Pupilas opacas, embaçadas, suspeitar de Estado de Choque, Coma ou Morte cerebral (Atenção! Suspeitar, mas não diagnosticar).
E E Exposição e ambiente com controle da temperatura
1º- Realizar a exposição da vítima, retirando ou cortando as vestes no sentido da costura para melhor visualizar as lesões, tendo o cuidado de preservar o pudor da vítima e explicar o porquê desse procedimento que será efetuado; 2º- Tratar as lesões de extremidades; 3º- Realizar controle de temperatura para evitar hipotermia; 4º- Realizar curativos evitando a contaminação.
3. AVALIAÇÃO SECUNDÁRIA
É realizado após a estabilização dos sinais vitais da vítima. Consiste em uma avaliação minuciosa, a qual se inicia na cabeça e vai até os pés, na parte anterior (frente) e posterior (costas), identificando lesões que apesar de sua gravidade não colocam a vítima em risco iminente de morte. Esta avaliação é dividida em Subjetiva e Objetiva.
A parte subjetiva é um rol de perguntas direcionadas à complementação da avaliação da vítima (ANAMNESE): 1º- Conversar com a vítima, se consciente, perguntar: nome, idade, descrição do acidente, queixas principais, endereço e telefone; 2º- Usar o (acrônimo) AMPLA ( A mbiente, M edicamentos, P assado médico, L íquidos e alimentos e A lergias); 3º- Conversar com acompanhantes e testemunhas.
TRANSPORTE DA VÍTIMA AO SUPORTE AVANÇADO
No atendimento pré-hospitalar o transporte da vítima tem que ser rápido não podendo ser retardado por causa de um procedimento, apenas por medidas de segurança, tais como atender uma vítima antes da polícia neutralizar os bandidos ou agressores. Estudos têm mostrado que este retardo na condução da vítima ao hospital tem aumentado a mortalidade das vítimas. Uma grande diferenciação do atendimento pré-hospitalar é o rápido atendimento e rápido transporte, não confundindo como “pegar e jogar” feito sem critério nenhum. Esta agilidade presume-se em saber reconhecer lesões graves e manter a estabilidade de lesões que comprometem a vida da vítima como uma hemorragia externa significativa, estabilização de uma cervical, permeabilidade das vias aéreas. Mesmo com todo o treinamento adequado o pré-hospitalar é limitado principalmente em duas situações. São elas:
Para que este atendimento e transporte sejam adequados o sistema de emergência tem que definir protocolos de atendimentos e encaminhamentos das vítimas aos hospitais de referência conforme a situação desta vítima e/ou local do atendimento. Nem sempre o hospital de referência é o mais indicado. Os CAIS possuem uma estrutura menos complexa do que os centros cirúrgicos como os Hospitais de Urgências da capital e interior. A portaria 2048 do Ministério da Saúde explica bem a hierarquização do atendimento de saúde e é importante conhecer o seu funcionamento para que as regiões do Estado de Goiás definam o local adequado de atendimento para o transporte. Geralmente as cidades pequenas possuem apenas um hospital de referência na cidade e vítimas mais graves tem que ser encaminhadas aos grandes centros urbanos ou até mesmo a capital do Estado de Goiás. O hospital de referência será definido pela administração de cada Unidade do Corpo de Bombeiros (sistema de emergência local) em comunicação com os demais sistemas de emergência da região e o serviço de saúde do seu município. Este tópico visa apenas direcionar e estabelecer critérios no transporte da vítima ao local adequado. Um dos objetivos do suporte básico é transportar ao suporte avançado no pré-hospitalar ou intra-hospitalar. Existem situações que extrapolam a capacidade de atendimento ou as Unidades de Resgate (UR) deparam com vítimas graves. Nestas situações caberá a central de operações do Corpo de Bombeiros, através do Coordenador de Operações e do Médico Regulador, em decidir as seguintes situações:
FLUXOGRAMA DE ACIONAMENTO DA UR/USA
Vítima instável ou grave? ¹
Acionar UR
Fazer triagem da vitima na central de regulação.
Encaminhar ao hospital de referência para vítimas estáveis.²
Encaminhar ao hospital de referência (centros cirúrgicos complexos) ³
Acionar USA
Acionar UR ao local
Tempo resposta da USA superior a 20 minutos? 4
Acionar USA ao local
Encaminhar ao hospital de referência (centros cirúrgicos complexos) ³
A USA pode encontrar com a UR no deslocamento? 4
A UR deverá encaminhar ao hospital de referência (centros cirúrgicos complexos) ³
Acionar USA Encaminhar ao hospital de referência (centros cirúrgicos complexos) ³
UR mais próxima que a USA?
NOTAS: 1- A vítima é considerada instável quando se encontra com sinais vitais muito alterados correndo risco de vida; 2- As vítimas estáveis são encaminhadas aos hospitais de referência para o tratamento das lesões existentes e deve ser estipulado pela central de regulação médica ou já estipulado pela OBM; 3- As vítimas instáveis ou graves deverão ser encaminhadas aos hospitais de referência com estrutura adequada de estabilização da vítima e deve ser estipulado pela central de regulação médica ou já estipulado pela OBM; 4- Em caso afirmativo à pergunta e a USA podendo encontrar a UR no caminho a USA continuará com o atendimento da vítima que começou a ser estabilizada pela UR. O tempo resposta de 20 minutos baseia-se na hora dourada, pois o ideal é que a vítima receba o tratamento cirúrgico em até uma hora após o trauma. Levando-se em conta que a viatura gaste uns 10 minutos para chegar ao local e mais 10 minutos para atender temos um total de 20 minutos e mais uns 10 minutos até o hospital teremos 30 minutos, que é o tempo resposta ideal gasto para levar a vítima até o hospital. Este princípio baseia-se nos índices de morbimortalidade e no espaço trimodal das mortes.