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Ergonomia do Trabalho: Uma Introdução à Disciplina e sua Aplicação, Provas de Engenharia de Produção

PROVAS E EXERCICIOS 2023 ENGENHARIA

Tipologia: Provas

2023

Compartilhado em 31/10/2023

marcus-vinicius-f-barreto
marcus-vinicius-f-barreto 🇧🇷

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ERGONOMIA DO TRABALHO
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ERGONOMIA DO TRABALHO

Sumário

  • NOSSA HISTÓRIA
  • O que é Ergonomia
    • Cenas da vida diária.............................................................................
    • Problemas retrospectivos, prospectivos e emergentes
    • A explosão da demanda de ergonomia
  • A formação histórica da Ergonomia
  • As ergonomias contemporâneas
    • Intervenção ergonômica
    • Campo contemporâneo da ergonomia
  • Foco e critérios da ergonomia
  • O TRABALHO DE ENFERMAGEM E A ERGONOMIA
  • REFERÊNCIAS

O que é Ergonomia

Cenas da vida diária

Suponha um trabalhador diante de um microcomputador: monitor, teclado, mouse, mesa, assento formam um conjunto nem sempre harmônico. As pessoas trabalham com um 386, 486, Pentium, KM-6, rápidos, coloridos, em ar condicionado, em móveis Rodoflex by Cristina. Mas a pessoa se queixa de dores lombares, nas mãos, no pescoço. Alguém sabe explicar o porquê?

Vejamos uma grande confecção onde a produção acontece num galpão de grande porte. Impera o ruído das máquinas de corte, pesponto, costura, acrescidos do calor resultante da própria edificação e das prensas de acabamento. Os resíduos têxteis formam uma poeira que reduz a iluminação geral obrigando a que cada posto tenha uma iluminação local que aumenta ainda mais a contrante térmica e compromete a qualidade do ar. O ambiente se caracteriza ainda pelo odor de tecidos novos, alguns com muito pouco tempo de saída da tinturaria. Esta indústria tem a certificação ISO-9000 e não entende porque recebeu uma notificação da DRT.

A vida diária pode vir a ser muito injusta com um motorista de caminhão de entregas, muitas vezes ofendido por pessoas que certamente ignoram que para além do acelerar e trocar marchas, freiar e estacionar, esta atividade possui dimensões físicas como carga e descarga - dimensões mentais complexas e urgentes como o estabelecimento de itinerários sob pressão do horário de entrega e face a contingências como engarrafamentos, outros caminhões de entrega... e tendo instâncias afetivas importantes, já tudo isso se dá entre “barbeiros, navalhas e mauricinhos”, tendo ao fundo o delicioso concerto urbano de buzinas, comentários sobre a sua masculinidade em tenor, contralto e sopranos, tudo isso traspassado pela “suavidade diáfana” de motores desregulados em funcionamento...

Estes relatos acerca de situações do cotidiano pessoal ou profissional de milhares de pessoas pelo mundo afora, revela que a atividade produtiva de

homens e mulheres, jovens e idosos, sãos ou adoentados não é tão simples como possa parecer e que deve ser objeto de algum entendimento, de um estudo mais elaborado. E é isso a que se propõe a Ergonomia: produzir esse entendimento para que as mudanças possam ser feitas, os projetos mais bem elaborados e as decisões tecnológicas melhor assentadas. A saúde das pessoas, a eficiência dos serviços e a segurança das instalações estarão, a partir daí, sendo efetivamente incorporadas à vida das organizações.

Mas, o que é Ergonomia, efetivamente? Ergonomia, antes de mais nada, é uma atitude profissional que se agrega à prática de uma profissão definida. Neste sentido é possível falar de um médico ergonomista, de um psicólogo ergonomista, de um designer ergonomista e assim por diante. Esta atitude profissional advém da própria definição estabelecida pela Associação Brasileira de Ergonomia, com base num debate mundial:

A Ergonomia objetiva modificar os sistemas de trabalho para adequar a atividade nele existentes às características, habilidades e limitações das pessoas com vistas ao seu desempenho eficiente, confortável e seguro (ABERGO, 2000).

Esta definição que coloca finalidades - modificar os sistemas de trabalho

  • propósitos -adequar a atividade às características, habilidades e limitações das pessoas - e critérios - eficiência, conforto e segurança - necessita ser complementada por uma outra, que estabeleça qual a tecnologia a que a Ergonomia está referida ou que possua um referente de suas finalidades, propósitos e critérios. Esta tecnologia é a tecnologia de realização2 de interfaces3 entre as pessoas e os sistemas, melhor dizendo, estabelecendo uma relação de adequação entre os aspectos humanos presentes na atividade de trabalho e os demais componentes dos sistemas de produção : tecnologia física, meio-ambiente, softwares, conteúdo do trabalho e organização. Qualquer forma de interação entre o componente humano e os demais componentes do sistema de trabalho constituir-se-á em uma interface, sem que tenhamos necessariamente uma boa interface. As boas interfaces (adequadas) atenderão de forma conjunta, integrada e coerente os critérios de conforto, eficiência e segurança.

a Sociologia, a Linguística e práticas profissionais como a Medicina do Trabalho, o Design, a Sociotécnica e as Tecnologias de estratégia e organização. Toda esta interdisciplinaridade se centra no conceito de atividade de trabalho, o verdadeiro objeto da Ergonomia.

Problemas retrospectivos, prospectivos e emergentes

Como uma disciplina concomitantemente útil, prática e aplicada, a ergonomia é indicada para tratar de problemas nos sistemas de produção. Empresas e organismos diversos têm podido empregar, com muitas vantagens, os serviços dos ergonomistas para intervir sobre estes diversos tipos de problemas com que a produção se defronta. Esses problemas podem ser referentes ao histórico da empresa (retrospectivos), à disposição para mudanças (prospectivos) ou mesmo urgentes e/ou desconhecidos ate então ( caso das emergências).

A compreensão do que está acontecendo e que requer uma intervenção ergonômica - ou seja, a construção de um diagnóstico ergonômico de um sistema de trabalho - vai requerer o levantamento de problemas retrospectivos como:

  • custo de doenças ligadas ao trabalho;
  • inadequação dos postos de trabalho ou dos ambientes;
  • Qualidade insatisfatória dos produtos e dos processos de produção;
  • ineficiências dos métodos de produção, de formação, de inspeção
  • defeitos dos produtos, com consequente perdas de mercado e aumento do nível de reclamações dos clientes;
  • funcionamento inadequado de equipamentos e softwares. De posse de um diagnóstico ergonômico é preciso agir para adequar as diferentes interfaces. A ação ergonômica, a partir dos elementos que o diagnóstico ergonômico lhe fornece, lida com problemas prospectivos como:
  • a concepção de novos produtos, de sistemas de produção, de novas instalações ;
  • as inovações nos equipamentos: mobiliário, maquinário, instrumentos e acessórios;
  • a construção da formação de novos empregados na implantação de novas tecnologias e/ou novos sistemas organizacionais;

Porém em certas passagens é necessário que o sistema de trabalho responda a situações inusitadas e tenha a capacidade de absorver fatos novos. Assim sendo a Ação Ergonômica é indicada para tratar de alguns problemas emergentes, sobretudo para gerar cenários de simulação de situações novas e estruturar o treinamento necessário e dali advindo.

A explosão da demanda de ergonomia

Constatamos que, em todo o mundo, a ergonomia tem sido objeto de uma explosão de demanda, com um número crescente de empresas solicitando consultorias e criando cargos para ergonomistas em seus organogramas. Se nos limitarmos ao Brasil, a demanda já ultrapassa bastante a capacidade de formação e treinamento hoje disponível no mercado.

Hendrick (1998), aponta ao menos quatro razões explicativas para esse quadro:

(i) paradoxalmente um número razoável de pessoas se confrontaram com o que Chong (1996) denomina de “voodoo ergonomics”, no sentido da criação de ilusão de soluções fáceis. Isto produziu produtos, ambientes e processos rotulados como ergonômicos quando na verdade foram elaborados por pessoas sem uma competência certificada ou acreditada em ergonomia. Essa é uma das razões que tem levado a IEA a estabelecer como prioritária e urgente o estabelecimento de padrões de formação e de certificação profissional, uma realidade já efetiva na América do Norte e na União Europeia.

(ii) A ergonomia contribui decisivamente para que os operadores tenham as condições requeridas para executar satisfatoriamente suas tarefas. Assim sendo, a explosão da demanda por Ergonomia se explica pelo fato de que na vida cotidiana atual nos tornamos todos operadores, como o sustenta Mallet (1995). Cada um de nós “opera” diariamente alguns tipos de sistema tais como: automóveis, computadores, televisão aberta ou a cabo, telefones convencionais

atividade de trabalho através de contribuições num sentido ainda mais amplo, que incluem a organização do trabalho e os softwares, procedimentos e estratégias operatórias. Como se deu esse caminho, essa evolução?

Primeira definição de ergonomia A primeira definição de Ergonomia foi feita em 1857 na égide do movimento industrialista europeu. Esta definição foi feita por um cientista polonês, Wojciech Jarstembowsky numa perspectiva típica da época, de se entender a Ergonomia como uma ciência natural em um artigo intitulado “Ensaios de ergonomia, ou ciência do trabalho, baseada nas leis objetivas da ciência sobre a natureza”. Esta primeira definição estabelecia que:

A ergonomia como uma ciência do trabalho requer que entendamos a atividade humana em termos de esforço, pensamento, relacionamento e dedicação (Jastrze-bowski, 1857). KARWOWSKY (1991), assim descreve o texto pioneiro:

A partir de que Wojciech Jastrzebowski da Polônia (1857) definiu ergonomia juntando dois termos gregos ergon= trabalho e nomos= leis naturais, os pesquisadores têm procurado estabelecer as leis fundamentais baseadas nas quais este disciplina em desenvolvimento pode ser classificada como uma ciência6. O conceito de Jastrzebowski para esta proposta trata da maneira de mobilizar quatro aspectos da natureza anímica, quais seriam a natureza físico- motora, a natureza estético-sensorial, a natureza mental-intelectual e a natureza espiritual-moral. Esta ciência do trabalho portanto significava a ciência do esforço, jogo, pensamento e devoção. Uma das ideias básicas de Jastrzebowski é a proposição chave de que estes atributos humanos deflacionam-se e declinam devido a seu uso excessivo ou insuficiente.

Ergonomia no período clássico Na antiguidade aparecem algumas referências como as alusões às deformações posturais apontadas por Plaute. Neste mesmo período, anotam-se trabalhos no campo da toxicologia e da patologia do trabalho, abordando

particularmente riscos físicos como os impactos do temperatura e da umidade (Villeneuve, Idade Média; Coulomb e Lavoisier, séc. XVIII), riscos ergonômicos como a adoção de posturas inadequadas (Villeneuve, Idade Média,). Entretanto, é no período dito moderno onde mais elementos podem ser aludidos dada a existência de fontes históricas mais consistentes como os estudos de manuseio inadequado de cargas (Vauban e Bélidor, séc XVII), riscos químicos como inalação de vapores e poeiras (Fourcroy, séc XVIII). Existem, também, registros de estudos de biomecânica e antropometria (Leonardo Da Vinci), trabalhos de higiene industrial, basicamente sobre ventilação e iluminamentos dos locais (Désargulires, Hales e Camus, séc XVI; D’Arret, séc. XIX) e de medicina do trabalho, tanto num âmbito específico de afecções profissionais (Ramazzini e Tissot, séc XVIII), como na epidemiologia (Villermé e Patissier, séc. XIX). Este último século é também a origem da higiene do trabalho (D’Arret, regras de higiene nas fábricas; Patissier, mentor do movimento para criação da inspeção do trabalho na França).

Importante menções cabem ser feitas ao período que circundou a chamada Revolução Industrial, que não pode ser limitada a avanços nos processos técnicos mas a toda uma evolução das formas de divisão do trabalho e das formas de interação entre pessoas e equipamentos técnicos. A passagem do putting-out system para as manufaturas engendrou a criação de postos de trabalho que rapidamente se diferenciaram das instalações da produção doméstica. Em seguida a instrumentação de energia possibilitada pelo sucesso da Spinning Jenny de James Watt cria novas possibilidades. Mais adiante as propostas de Adam Smith significaram postos e métodos de trabalho distintos de seus antecessores. E é nesse bojo que aparece a proposição de Wojciech Jastrzebowski, autor da primeira definição de ergonomia.

Ergonomia na primeira metade do século A virada do século XIX para o século XX caracterizou-se pela passagem dos fisiologistas aos engenheiros como os principais agentes ergonômicos. Já no início do século a proposta de F.W. Taylor não se limitava a um novo projeto organizacional. Seu estudo sobre as pás - de capacidade maior para o manuseio do carvão, material mais leve, e de menor capacidade para o minério, material mais pesado e, sem sombra de dúvida um dos primeiros trabalhos empíricos de

A ergonomia na II guerra mundial: importância dos fatores humanos

Na II guerra mundial, a falta de compatibilidade entre o projeto das máquinas e dispositivos e os aspectos mecânico-fisiológicos do ser humano se agravou com o aperfeiçoamento técnico dos motores. Foram registradas situações terríveis, agora atingindo tropas e material bélico em pleno uso. Os aviões, por exemplo, passaram a voar mais alto e mais rápido. Os pilotos, porém, sofriam da falta de oxigênio nas grandes altitudes, perda de consciência nas rápidas variações de altitude exigidas pelas manobras aéreas, e vários outros "defeitos" no subsistema fisiológico. Os projetistas não consideraram o funcionamento do organismo em diversas altitudes e submetidos a acelerações importantes! Como consequência, muitos aviões se perderam. A perda do material bélico era importante, vultosa e por si só justificaria esforços. No entanto, dado que o treinamento de um piloto levava dois a quatro anos, a perda de um piloto treinado se constituía em perda irreversível no duração da guerra.

Nessas novas circunstâncias foram formados, tanto na Inglaterra como nos Estados Unidos, novos grupos interdisciplinares, agora com a participação de psicólogos somados aos engenheiros e médicos. Os objetivos eram os de "elevar a eficácia combativa, a segurança e o conforto dos soldados, marinheiros e aviadores". Os trabalhos desses grupos foram voltados para a adaptação de veículos militares, aviões e demais equipamentos militares às características físicas e psicofisiológicas dos soldados, sobretudo em situações de emergência e de pânico. E o que nos interessa particularmente, estes estudos se baseavam na análise e nos estudos dos materiais que retornavam e no relato de seus problemas operacionais. Assim sendo, em seu nascedouro, a Ergonomia se alimentou profundamente de dados e estudos de manutenção bélica.

Segundo nos relata Iida (1990), os cientistas que haviam participado desse esforço de guerra decidiram continuar a empreitada voltando-se para a produção civil, utilizando os métodos, técnicas e dados obtidos para a indústria. Numa precursora forma de extensão universitária, são formados laboratórios universitários para atender a demandas industriais, com sucesso. Em decorrência é formada em 1947 a primeira sociedade de Ergonomia do planeta, a Ergonomics Research Society. Nasce a corrente de ergonomia chamada de

fatores humanos (Human Factors Engineering ou HFE ), como uma continuidade da prática acima mencionada em operações civis. Desde então a corrente HFE tem buscado responder à seguinte pergunta: o que se sabe acerca do ser humano e que pode ser empregado nos projetos de instrumentos, dispositivos e sistemas. Em suas interfaces com o operador humano a HFE, até o presente, tem sido baseada em procedimentos experimentais que vão do laboratório clássico para o estudo de fatores humanos em si mesmo até às modernas técnicas de simulação, buscando uma melhor conformação das interfaces entre pessoas e sistemas técnicos. Os principais tratados de ergonomia foram produzidos nos anos 60 tendo como dominante a abordagem HFE. Os mais interessantes a nosso ver são Woodson e Conover, (USA, 1966) e Grandjean (Suiça, 1974), aqui lançado pela Editora Qualimark sob o título “Ergonomia”. Uma compilação acessível destes livros pode ser obtida em Iida,(1991). Para um uso prático de especialistas recomendamos o “Ergonomic Checkpoints” editado pela International Labour Office, em Genebra, com o apoio da International Ergonomics Asso-ciation – IEA

A ergonomia na reconstrução europeia: a análise ergonômica do trabalho

No período do pós-guerra surgiu uma outra vertente da ergonomia, ensejada pelas necessidades da reconstrução do parque industrial europeu dizimado. No bojo de um amplo pacto social, o projeto de reconstrução abria uma janela para o estudo de condições de trabalho, tendo como emblema a fábrica de automóveis Renault que, dadas suas características peculiares tornar- se-ia um modelo da nova política industrial francesa7. Esta segunda vertente partiu da seguinte questão: como conceber adequadamente os novos postos de trabalho a partir do estudo da situação existente? Desta preocupação nasce em 1949 com Suzanne Pacaud, a análise da atividade em situação real, resgatada em 1955 por Obrendame & Faverge como análise do trabalho. Estes autores preconizavam que o projeto de um posto de trabalho deveria ser precedido por um estudo etnográfico da atividade e mostravam o distanciamento entre as suposições iniciais e o auferido nas análises. A proposta veio a ser formalizada

estudos e análises de caráter apenas descritivo ou sem comprometimento de fato com as mudanças no trabalho, como a produção de laudos ou diagnósticos puramente acadêmicos.

Caracterização O que caracteriza uma intervenção ergonômica é a construção que vai viabilizar a mudança necessária, e que possa inserir os resultados da ergonomia nas crenças e valores das organizações que as demandam e recebem os seus resultados. Esta construção divide a intervenção e se realiza em distintas etapas: a instrução da demanda, a análise da atividade e dos riscos ergonômicos, a concepção de soluções ergonômicas e a implementação ergonômica.

A instrução da demanda compreende todo o encaminhamento contratual da intervenção, o que passa pelo ajuste e foco do problema, identificação do processo de tomada de decisão na que passa pelo ajuste e foco do problema, identificação do processo de tomada de decisão na organização, levantamento dos recursos humanos para formar a consultoria interna, e determinação das formas de apresentação de resultados.

A análise da atividade e dos riscos ergonômicos consiste no conjunto de coletas de dados e informações que permitem ao ergonomista realizar as modelagens necessárias para prover mudanças no ambiente de trabalho. Por risco ergonômico entenderemos a condição ou a prática que traga obstáculos à produtividade, que desafie a boa qualidade ou que traga prejuízos ao conforto, segurança e bem estar do trabalhador.

A etapa de concepção de soluções ergonômicas varia de acordo com a natureza do problema e da forma com a demanda foi instruída e ainda dos resultados da fase anterior.

A implementação ergonômica se constitui na fase final de uma intervenção.

Utilidade Os trabalhos em ergonomia têm uma dupla vertente: cientifica e prática. Os resultados práticos se traduzem nas mudanças implantadas nas organizações onde as intervenções são realizadas. Do ponto de vista científico

os resultados das intervenções ergonômicas vão interagir nos diversos campos e áreas do conhecimento. Numa intervenção em uma agência de notícias (Pavard et al.,1980), a finalidade era realizar um rearranjo das instalações para torná-la compatível com os procedimentos de editoração eletrônica em redes e da estrutura dinâmica de uma grande redação de jornal. O resultado da intervenção foi efetivamente um rearranjo, porém o estudo no qual se baseou permitiu uma discussão conceitual em arquitetura (Dejean, 1981), teórica em psicolinguística (Pavard, 1982) e mesmo metodológica em ergonomia (Guérin et al.,1981).

Praticidade A ergonomia é uma disciplina para a ação sobre o real, e, como tal, se expressa de forma especialmente pertinente para os projetos de mudanças na tecnologia física e de gestão. Os desdobramentos de uma intervenção ergonômica, no âmbito científico e tecnológico podem ser muitos, mas o que confere a uma ação no ambiente de trabalho, o caráter de intervenção ergonômica é o resultado materializado num projeto implantado de mudanças para melhor. Assim, uma intervenção cujo resultado aparentemente pífio seja a redefinição de especificações da compra de mobiliário (Santos e Palmer, 1992) é ergonômica na medida em que atinge um resultado em termos de boas modificações da situação de trabalho; inversamente, uma profunda reflexão detalhada e interessante sobre as dimensões psíquicas dos maquinistas ferroviários sem repercus-sões concretas (Moscovici, 1977) não caracteriza uma intervenção ergonômica10.

Macroergonomia Caracterização O ensinamento básico da macroergonomia é que as organizações precisam buscar um equilíbrio sociotécnico entre pessoas, tecnologias e organização.

Utilidade A macroergonomia aparece como uma resposta mais ampla da Ergonomia sobretudo nos Estados Unidos, nos estertores do significativo

Praticidade Ao longo do CESERG detalharemos uma série de métodos de inspiração macroergonomica, dentre eles nossa contribuição pessoal, o método negocial e incremental do GENTE/COPPE - MENINGE.

Antropotecnologia A Antropotecnologia é a combinação de aspectos ergonômicos e macroergonômicos envolvidos numa transferência de tecnologia. O termo foi cunhado por Alain Wisner que realizou estudos em mais de vinte países incluindo alguns relativos à realidade brasileira.

Caracterização A construção da noção de antropotecnologia nasce de uma ação ergonômica numa empresa petrolífera cuja extração de óleo se dava em distintos países e com leis e costumes diversificados. A empresa encontrava dificuldades para se adequar a este esquema que lhe impunha uma taxa de emprego autóctone para explorar o óleo. “Não conseguimos sequer candidatos a emprego que sejam aprovados no exame admissional”, lamentavam seus dirigentes. E nesta ação ergonômica foi verificada um extremo rigor admissional, o que fazia com que os vários candidatos a emprego terminassem por serem rejeitados. Ocorria que o equipamento - importado - exigia um grau de esforço elevado, para o que já seria difícil generalizar este emprego mesmo nos países de onde advinha a tecnologia. O problema era apenas minimizado por exemplo nos Estados Unidos ou no Canadá pelo fato desta tecnologia já se encontrar implantada há tempos. A ação ergonômica, reestruturando parcialmente a atividade no derrick e verificando a exigência real de esforço nas ações características do processo, permitiu a flexibilização das normas de contratação, beneficiando a mão-de-obra local.

Os estudos subsequentes em antropotecnologia (Wisner,1985), mostraram os fracassos, parciais ou totais, de muitas experiências de transferência de tecnologia, que se traduziram por baixas taxas de utilização dos equipamentos, uma qualidade medíocre dos produtos, inúmeras panes nos equipamentos, acidentes também frequentes e patologias técnicas diversas.

Tais problemas têm origens das mais diversas tais como:

  • problemas ligados às condições geográficas, por exemplo : efeitos do clima quente e dos transportes e a qualidade ruim dos meios de transporte (Abrahao, 1986);
  • a instabilidade da distribuição de eletricidade (Aw,1988);
  • dificuldades de obtenção de peças de reposição( Sahbbi, 1984);
  • políticas de manutenção inadequadas e formação insuficiente dos trabalhadores para o uso e manuseio dos artefatos, mentefatos e sociofatos característicos da tecnologia transferida (Santos, 1985);
  • das regras e práticas de mercado características (Vidal, 1985);
  • das formas de conversa e entendimentos dentro e fora do processo de trabalho (Langa, 1995, Mhadi, 1996).

Ainda segundo Wisner (1985) os processos de transferência de tecnologia são na maior parte das vezes parciais. Os equipamentos são importados, mas a organização, os serviços de manutenção, a formação dos operadores ou técnicos e a documentação que acompanha os dispositivos técnicos é inadequada ou incompleta. O domínio de uma tecnologia transferida só é possível, segundo o professor francês, quando os dispositivos técnicos, a organização do trabalho e a formação dos trabalhadores sofrem um processo global de reconcepção, que leva em consideração as dificuldades locais e os recursos naturais e industriais disponíveis como trunfos para manter a variabilidade sob controle (Vidal, 1985). Assim a capacidade do tecido industrial11 de adaptar, ajustar ou reparar os equipamentos, bem como de fornecer peças de reposição, a capacidade das instituições de pesquisa de produzir novos conhecimentos, a competência em gestão, a organização do trabalho adotada e as competências dos trabalhadores têm um papel central para o domínio das tecnologias transferidas.

Utilidade A quase totalidade das pesquisas em Antropotecnologia realizadas no CNAM/Paris entre 1985 e 1991, mostraram que a importação de tecnologia