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COPERVE CONCURSO VESTIBULAR-UFSC/2014 PROVA 1: AMARELA
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LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA BRASILEIRA
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TEXTO 1
A vida invisível
Há séculos, o ser humano começou a perguntar-se por qual razão
as sociedades
diferenciavam a tal ponto os dois sexos em matéria de hierarquia e funções. Uma ou outra
mulher especialmente intrépida já se havia feito essas perguntas, como, por exemplo, a
francesa Christine de Pisan, que em 1405 escreveu A cidade das mulheres
; mas foi
preciso que viessem o positivismo e a morte definitiva dos deuses para que os habitantes
do mundo ocidental desdenhassem a imutabilidade da ordem natural e começassem a
perguntar massivamente sobre o porquê das coisas, curi
osidade intelectual que
forçosamente teve de incluir, apesar da resistência apresentada por muitos e muitas, os
numerosos motivos relativos à condição da mulher: diferente, distante, subjugada.
Na realidade, ainda não há uma resposta clara a essas pergunt
as: como se
estabeleceram as hierarquias, quando isso aconteceu, se sempre foi assim. Cunharam-se
teorias, nenhuma suficientemente demonstrada, que falam de uma primeira etapa de
matriarcado na humanidade, de grandes deusas onipotentes, como a Deusa Branca
mediterrânea descrita por Robert Graves. Talvez não tenha sido uma etapa de
matriarcado, mas simplesmente de igualdade social entre os sexos, com domínios
específicos para umas e outros. A mulher paria, e essa assombrosa capacidade deve
-Ia tornado muito poderosa. As vênus da fertilidade que nos chegaram da pré-história
(como a de Willendorf gorda, bojuda, deliciosa) falam desse poder, assim como as
múltiplas figuras femininas posteriores, fortes deusas de pedra do neolítico.
Engels sustentava que a suj
eição da mulher se originou ao mesmo tempo que a
propriedade privada e a família, quando os humanos deixaram de ser nômades e se
assentaram em povoados de agricultores; o homem, diz Engels, precisava assegurar-se
filhos próprios, aos quais pudesse transferir suas posses, e por isso controlava a mulher.
Ocorre-
me que talvez o dom procriador das fêmeas assustasse demais os varões,
sobretudo quando os grupos se tornaram camponeses. Antes, na vida errante e caçadora,
o valor de ambos os sexos estava claramente estabelecido: elas pariam, amamentavam,
criavam; eles caçavam, defendiam. Funções intercambiáveis em seu valor, fundamentais.
Mas depois, na vida agrícola, o que os homens faziam de específico? As mulheres
podiam cuidar da terra tanto quanto eles, ou talve
z, sob um ponto de vista mágico, até
melhor, pois
a fertilidade era seu reino, seu domínio. Sim, é razoável pensar que eles
deviam achá-
Ias demasiadamente poderosas. Talvez a ânsia de controle dos homens
tenha nascido desse medo (e da vantagem de serem eles mais fortes fisicamente).
Nota-se esse receio ante o poder feminino já nos primeiros mitos de nossa cultura,
nas narrativas sobre a criação do mundo [...]. Eva arruína Adão e toda a humanidade por
deixar-se tentar pela serpente, e o mesmo faz Pandora, a
primeira mulher segundo a
mitologia grega, criada por Zeus para castigar os homens: o deus dá a Pandora uma
ânfora cheia de desgraças, jarra que ela destampa, movida por sua irrefreável curiosidade
feminina, liberando assim todos os males. Esses dois cont
os primordiais apresentam a
mulher como um ser débil, estouvado e carente de juízo. Mas, por outro lado, a
curiosidade é um ingrediente básico da inteligência, e nesses mitos é a mulher quem tem
o atrevimento de perguntar-se sobre o que existe além, o anseio de descobrir o que está
oculto. Além disso, os males que Eva e Pandora trazem ao mundo são a mortalidade, a
enfermidade, o tempo, condições que formam a substância mesma do humano, de modo
que, na realidade, a lenda lhes atribui um papel agridoce mas imenso, como fazedoras da
humanidade. [...] MONTERO, Rosa. A vida invisível. In: ______. Histórias de mulheres. Tradução de Joana
Angélica d’Ávila Melo. Rio de Janeiro: Agir, 2008. p. 9-13. [Adaptado]
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LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA BRASILEIRA

TEXTO 1

A vida invisível

Há séculos, o ser humano começou a perguntar-se por qual razão as sociedades diferenciavam a tal ponto os dois sexos em matéria de hierarquia e funções. Uma ou outra mulher especialmente intrépida já se havia feito essas perguntas, como, por exemplo, a francesa Christine de Pisan, que em 1405 escreveu A cidade das mulheres ; mas foi preciso que viessem o positivismo e a morte definitiva dos deuses para que os habitantes do mundo ocidental desdenhassem a imutabilidade da ordem natural e começassem a perguntar massivamente sobre o porquê das coisas, curiosidade intelectual que forçosamente teve de incluir, apesar da resistência apresentada por muitos e muitas, os numerosos motivos relativos à condição da mulher: diferente, distante, subjugada. Na realidade, ainda não há uma resposta clara a essas perguntas: como se estabeleceram as hierarquias, quando isso aconteceu, se sempre foi assim. Cunharam-se teorias, nenhuma suficientemente demonstrada, que falam de uma primeira etapa de matriarcado na humanidade, de grandes deusas onipotentes, como a Deusa Branca mediterrânea descrita por Robert Graves. Talvez não tenha sido uma etapa de matriarcado, mas simplesmente de igualdade social entre os sexos, com domínios específicos para umas e outros. A mulher paria, e essa assombrosa capacidade deve tê-Ia tornado muito poderosa. As vênus da fertilidade que nos chegaram da pré-história (como a de Willendorf gorda, bojuda, deliciosa) falam desse poder, assim como as múltiplas figuras femininas posteriores, fortes deusas de pedra do neolítico. Engels sustentava que a sujeição da mulher se originou ao mesmo tempo que a propriedade privada e a família, quando os humanos deixaram de ser nômades e se assentaram em povoados de agricultores; o homem, diz Engels, precisava assegurar-se filhos próprios, aos quais pudesse transferir suas posses, e por isso controlava a mulher. Ocorre-me que talvez o dom procriador das fêmeas assustasse demais os varões, sobretudo quando os grupos se tornaram camponeses. Antes, na vida errante e caçadora, o valor de ambos os sexos estava claramente estabelecido: elas pariam, amamentavam, criavam; eles caçavam, defendiam. Funções intercambiáveis em seu valor, fundamentais. Mas depois, na vida agrícola, o que os homens faziam de específico? As mulheres podiam cuidar da terra tanto quanto eles, ou talvez, sob um ponto de vista mágico, até melhor, pois a fertilidade era seu reino, seu domínio. Sim, é razoável pensar que eles deviam achá-Ias demasiadamente poderosas. Talvez a ânsia de controle dos homens tenha nascido desse medo (e da vantagem de serem eles mais fortes fisicamente). Nota-se esse receio ante o poder feminino já nos primeiros mitos de nossa cultura, nas narrativas sobre a criação do mundo [...]. Eva arruína Adão e toda a humanidade por deixar-se tentar pela serpente, e o mesmo faz Pandora, a primeira mulher segundo a mitologia grega, criada por Zeus para castigar os homens: o deus dá a Pandora uma ânfora cheia de desgraças, jarra que ela destampa, movida por sua irrefreável curiosidade feminina, liberando assim todos os males. Esses dois contos primordiais apresentam a mulher como um ser débil, estouvado e carente de juízo. Mas, por outro lado, a curiosidade é um ingrediente básico da inteligência, e nesses mitos é a mulher quem tem o atrevimento de perguntar-se sobre o que existe além, o anseio de descobrir o que está oculto. Além disso, os males que Eva e Pandora trazem ao mundo são a mortalidade, a enfermidade, o tempo, condições que formam a substância mesma do humano, de modo que, na realidade, a lenda lhes atribui um papel agridoce mas imenso, como fazedoras da humanidade. [...] MONTERO, Rosa. A vida invisível. In: ______. Histórias de mulheres. Tradução de Joana Angélica d’Ávila Melo. Rio de Janeiro: Agir, 2008. p. 9-13. [Adaptado]

Com base na leitura do texto 1 e na norma padrão da língua portuguesa, assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S).

  1. Quando os habitantes do mundo ocidental passaram a desdenhar a imutabilidade da ordem natural e começaram a se perguntar massivamente sobre o porquê das coisas, foram os homens que resistiram à ideia de se discutirem os motivos que levaram à submissão da mulher.
  2. A primeira mulher a se questionar por qual motivo as sociedades diferenciavam a tal ponto os dois sexos em matéria de hierarquia e funções foi a francesa Christine de Pisan, que em 1405 escreveu A cidade das mulheres , uma obra de grande repercussão por polemizar o papel da mulher_._
  3. De acordo com o texto, a Deusa Branca mediterrânea e as vênus da fertilidade da pré-história tinham em comum a imagem de uma mulher forte, parideira. Já os mitos de Eva e Pandora evocam uma mulher curiosa e atrevida, a qual desrespeita as ordens de um deus masculino e causa grandes males.
  4. As narrativas míticas analisadas no texto – a Eva tentada pela serpente e a Pandora curiosa e descuidada – serviam para explicar a origem dos castigos divinos e alertar para o risco que as mulheres representavam; por isso, essas narrativas só deixam margem para interpretar a mulher como "um ser débil, estouvado e carente de juízo" (linha 39).
  5. As palavras sublinhadas no texto – por qual razão (linha 1); motivos (linha 9) e pois (linha 30)
    • podem ser substituídas por por que, porquês e porque, respectivamente, sem que isso acarrete erro.

Questão 02

Com base na leitura do texto 1 e na norma padrão da língua portuguesa, assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S).

  1. Segundo o texto, ao trazerem ao mundo "a mortalidade, a enfermidade e o tempo" (linhas 42- 43), Eva e Pandora macularam a imagem da mulher para sempre, uma vez que condenaram a humanidade ao sofrimento.
  2. Os vários adjetivos que caracterizam a mulher no texto – intrépida (linha 3), subjugada (linha 9), débil (linha 39), estouvada (linha 39), etc. – só lhe atribuem traços de personalidade negativos, o que sugere uma concordância da autora com a visão machista presente desde há milênios na história da civilização ocidental.
  3. A autora do texto 1 associa a curiosidade feminina à inteligência, o que contradiz a ideia de que a curiosidade é um defeito nas mulheres.
  4. As palavras “domínio” (linha 30) e “juízo” (linha 39) são ambas acentuadas por serem paroxítonas terminadas em “o”.
  5. O trecho “apesar da resistência apresentada por muitos e muitas” (linha 8) poderia ser reescrito “devido à resistência apresentada por muitos e muitas”, sem que isso implicasse mudança no sentido da frase no texto.
  6. Na linha 44, se o pronome “lhes” fosse substituído por “as” – “a lenda as atribui um papel agridoce” –, haveria erro quanto à regência do verbo atribuir.

Com base na norma padrão da língua portuguesa, na leitura do texto 2, no romance Helena , publicado pela primeira vez em 1876, e no contexto do Romantismo brasileiro, assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S).

  1. A descrição física de Helena, apresentada no texto 2, bem como suas características de personalidade, reveladas ao longo do romance, correspondem, em linhas gerais, ao modelo da heroína romântica: uma jovem bela, submissa ao homem, infantilizada, recatada e ingênua.
  2. Na descrição do olhar de Helena, anuncia-se a ambiguidade de caráter que marcará algumas das personagens femininas da fase realista de Machado, notadamente Capitu, de Dom Casmurro.
  3. Mostrada neste trecho como um anjo, Helena revela-se, mais tarde, uma jovem manipuladora, que não hesita em levar adiante a farsa de ser filha do Conselheiro visando à posição da herdeira.
  4. Uma vez provado que Helena não é, afinal, a irmã biológica de Estácio, o rapaz está livre para tomá-la como esposa; o casamento só não acontece devido à morte de Helena.
  5. Como se pode ver no texto 2, apesar de Helena ser uma obra da fase romântica de Machado de Assis, nela já se encontra a linguagem econômica em adjetivos, comedida, com termos menos carregados de emoção, que irá caracterizar a produção realista do autor.
  6. Com a forma verbal “disséreis” (linha 8) – segunda pessoa do plural do pretérito mais-que-perfeito do indicativo do verbo dizer –, o narrador dirige-se aos leitores, o que é um recurso comum na prosa de Machado de Assis.
  7. Na sentença “As linhas puras e severas do rosto parecia que as traçara a arte religiosa” (linha 5), ocorre um desvio de concordância, pois o verbo parecer deveria estar flexionado no plural para concordar com o sujeito “as linhas puras e severas do rosto”. Isso constitui um exemplo da liberdade formal dos românticos.

Glossário voluptuosas – sensuais púrpura – certo tom de vermelho; cálida – morna (fig.) roupas usadas por nobres langues – sensuais vetusta – antiga; respeitável polichinelo – certa personagem do augusta – elevada, solene teatro de humor; fantoche

TEXTO 3

O Soneto Nas formas voluptuosas o Soneto tem fascinante, cálida fragrância e as leves, langues curvas de elegância de extravagante e mórbido esqueleto. A graça nobre e grave do quarteto recebe a original intolerância, toda a sutil, secreta extravagância que transborda terceto por terceto. E como um singular polichinelo ondula, ondeia, curioso e belo, o Soneto, nas formas caprichosas. As rimas dão-lhe a púrpura vetusta e na mais rara procissão augusta surge o sonho das almas dolorosas...

CRUZ E SOUSA, J. da. Últimos sonetos. p. 17. Disponível em: . Acesso em: 2 set. 2013.

Com base na leitura do texto 3, no livro de poemas Últimos sonetos , obra publicada pela primeira vez em 1905, e no contexto geral da literatura brasileira da época de sua primeira edição, assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S).

  1. No elogio que faz à forma do soneto, Cruz e Sousa aproxima-se, tematicamente, de alguns poemas parnasianos que têm por tema a própria poesia; isso pode estar relacionado com o desejo de reconhecimento, expresso em outros poemas de Últimos sonetos.
  2. Neste, como em outros poemas de Últimos sonetos , Cruz e Sousa exercita certa liberdade formal, manifesta especialmente na métrica irregular e no uso pouco convencional do vocabulário; essas características fazem com que o poeta seja hoje visto como um dos precursores da revolução modernista da década de 1920.
  3. Neste poema, o soneto é visto, metaforicamente, como uma mulher sensual, o que sugere uma valorização da fertilidade e da vida; porém, a evocação da figura do esqueleto remete à ideia da morte inevitável. Dessa tensão entre vida e morte, resulta a valorização da vida como um momento efêmero para celebração e humor, sintetizado na figura do polichinelo.
  4. Nos versos “tem fascinante, cálida fragrância” e “e as leves, langues curvas de elegância”, ocorrem, respectivamente, sinestesia e aliteração, figuras de linguagem utilizadas na poesia do Simbolismo.
  5. O primeiro quarteto do soneto “Vida obscura” – Ninguém sentiu o teu espasmo obscuro , / ó ser humilde entre os humildes seres. / Embriagado, tonto dos prazeres, / o mundo para ti foi negro e duro. – revela o envolvimento de Cruz e Sousa, como poeta e jornalista, na denúncia das condições miseráveis em que viviam os trabalhadores no início do processo de industrialização brasileiro.
  6. Nos dois últimos versos do soneto “Cárcere das almas” – que chaveiro do Céu possui as chaves / para abrir-vos as portas do Mistério?! –, aparece um tema frequente na poesia de Cruz e Sousa, a libertação do espírito pela morte.

TEXTO 4

Menina – pensa Amaro. – Tu nunca poderias compreender. Nem tu nem ninguém sabe quanta ternura há em mim. Eu hei de ser sempre para vocês todos o seu Amaro melancólico e taciturno, o seu Amaro que trabalha num banco e faz música nas horas vagas, o seu Amaro que vai ler livros à sombra dos plátanos; o seu Amaro que não sabe fazer um gesto de amizade nem de acolhimento. Vocês nunca compreenderão. E tu, menina, não podes compreender também a alegria íntima que me dás. Porque és poesia, és música, és... nem sei o que és... Tudo isto se pode sentir, tudo isto se pode pensar. Mas nada disto se pode dizer. Seria piegas, seria idiota, como seria idiota também eu dizer que te amo. Tenho mais do dobro da tua idade. E algumas rugas no rosto. Pirulito não pode apanhar o raio de sol. O raio de sol é de um outro mundo. Clarissa, se eu pudesse falar, se tu pudesses entender... eu te diria que nunca desejasses que o tempo passasse. Eu te pediria que fizesses durar mais e mais este momento milagroso. A vida é má, menina, a vida envenena. Amanhã serás gorducha e prática como titia. Amanhã terás filhos, te transformarás numa matrona respeitável. Onde estará então a menina em flor que corria no pátio atrás das borboletas? Mas tu tens curiosidade de conhecer a vida... É natural. Talvez nem compreendas a significação deste momento. Quanta coisa eu teria para dizer se eu pudesse falar, se pudesses entender... VERISSIMO, Erico. Clarissa. São Paulo: Companhia de Bolso, 2011. p.159-160.

Com base no texto 5, na leitura do romance Amar, verbo intransitivo , lançado em 1927, e no contexto de sua publicação, assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S).

  1. A história é narrada pelo próprio protagonista, Carlos, que, após adulto, relembra a difícil experiência de iniciação sexual que tivera com a governanta Elza. Ainda traumatizado pelo término da relação, faz uso de um tom amargurado, repleto de introspecções e análises pessoais permeadas por lembranças da São Paulo da década de 1920.
  2. No trecho “Elza é filho chegado do sítio ou mãe que volta de Caxambu” (linha 1), fica evidente o distanciamento, a insensibilidade e a dificuldade de adaptação que marcaram a chegada de Elza na família Sousa Costa. A governanta repelia a curiosidade alheia mantendo certo afastamento e frieza, além de ditar ordens incansavelmente. Não por acaso, o narrador destaca o fato de ela vir a tornar-se “ponteiro do relógio familiar” (linha 12).
  3. O vocábulo “Fräulein” é comparado a uma mosca azul, por permitir “bonitas assombrações” na imaginação das crianças, que desconheciam o significado do termo e o papel da governanta. Todavia, tais associações nunca ocorreriam, tendo em vista os métodos de Elza, que dissecava não apenas palavras, mas sentimentos, posturas e gestos, a fim de ensinar metodicamente o que compreendia ser a forma saudável do amor.
  4. No trecho “A mosca sucumbira, rota, nojenta, vil. E baça.” (linha 19), temos uma gradação de adjetivos destinados à caracterização da mosca. Se por um instante o inseto sugeriu um mundo de fantasias, foi rapidamente devolvido a sua animalidade asquerosa, com a familiarização do som que agora remetia apenas à mulher diante deles.
  5. Em “era pras pequenas” (linha 10) e “que nem semente que dorme” (linha 15), as palavras destacadas são exemplos do projeto encampado por Mário de Andrade e outros modernistas de romper formalmente com a escrita do português de Portugal, em prol de um brasileirismo vocabular e gramatical que melhor representasse a gente e a fala do nosso país.

TEXTO 6

CLIO

Quem não tem Juízo? O que pergunta ou o que responde? O que quer dar um pouco do que é seu Ou o que tinha juízo e que perdeu E que nem sabe onde?

ORFEU (como para si mesmo) Sabe onde. Sabe onde! Minha mãe, neste momento O juízo de Orfeu tem outro nome Um nome de mulher... Neste momento O juízo de Orfeu canta baixinho Um poema de Orfeu que não é seu: É um nome de mulher... Neste momento O juízo de Orfeu, todo de branco Sobe o morro para encontrar Orfeu! [...]

ORFEU [...]

Minha mãezinha, eu quero me casar Com Eurídice...

CLIO (a voz desesperada) Com Eurídice, meu filho? Com Eurídice, nego? Mas... pra quê?

ORFEU (dedilhando docemente) Eu gosto dela, minha mãe; é um gosto Que não me sai nunca da boca, um gosto Que sabe a tudo o que de bom já tive... Aos seus beijos de mãe quando eu menino À primeira canção que fiz, ao sonho Que tive de chegar onde estou hoje... Um gosto sem palavras, como só A música pode saber...

MORAIS, Vinícius de. Orfeu da Conceição : tragédia carioca em três atos. Disponível em: . Acesso em: 25 ago. 2013.

Com base na leitura do texto 6, na peça Orfeu da Conceição , de 1956, e no contexto do Modernismo brasileiro, assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S).

  1. A peça Orfeu da Conceição baseia-se no mito grego de Orfeu e mostra a história de amor de Orfeu e Eurídice ambientada nos morros do Rio de Janeiro; entretanto, desvia-se da história original, por exemplo, quando Eurídice é morta por Aristeu e não pela picada de uma serpente.
  2. Orfeu da Conceição combina trechos em prosa com trechos em verso e inclui também músicas compostas por Vinícius de Morais e Tom Jobim; essa fusão de diferentes formas de arte é contrária ao princípio modernista de estabelecer fronteiras nítidas entre as artes.
  3. Apolo, o pai de Orfeu, tem ação pouco destacada na peça, de forma geral; todavia, compadecido com o sofrimento de Orfeu, participa decisivamente no resgate de Eurídice, que fora aprisionada no Inferno.
  4. Como se pode ver nas linhas 11 a 17, Orfeu não ama exclusivamente a Eurídice, porque em seu “juízo” (sua cabeça), outro nome de mulher surge; daí o espanto de Clio, mostrado nas linhas 24 e 25, quando Orfeu diz que pretende casar-se com Eurídice.
  5. Na linha 30, o verbo saber tem o sentido de “ter sabor de”, “ter gosto de”; seu longo objeto compreende o trecho desde “a tudo o que de bom já tive...” até “ao sonho / Que tive de chegar onde estou hoje...” (linhas 30-33).

TEXTO 7

Ia alto o sol reconquistado na véspera quando, aos gritos de dona Arminda, Nacib acordou:

  • Vamos espiar os enterros, menina. Vale a pena!
  • Inhora, não. O moço ainda não levantou. Pulou da cama: como perder os enterros? Saiu do banheiro já vestido, Gabriela acabava de pôr na mesa os bules fumegantes de café e leite. Sobre a alva toalha, cuscuz de milho com leite de coco, banana-da-terra frita, inhame, aipim. Ela ficara parada na porta da cozinha, interrogativa:
  • O moço precisa me dizer do que é que gosta. Engolia pedaços de cuscuz, os olhos enternecidos, a gula a prendê-lo à mesa, a curiosidade a dar-lhe pressa, era hora dos enterros. Divino aquele cuscuz, sublimes as talhadas de banana frita. Arrancou-se da mesa com esforço. Gabriela amarrara uma fita nos cabelos, devia ser bom morder-lhe o cangote moreno. Nacib saiu quase correndo para o bar. A voz de Gabriela acompanhava-o no caminho, a cantar [...] O enterro de Osmundo despontava na praça, vindo da avenida na praia.
  • Não tem gente nem para pegar nas alças do caixão... – comentou alguém. Pura verdade. Era difícil imaginar-se enterro mais magro de acompanhamento. Só mesmo as mais chegadas a Osmundo tiveram a coragem de acompanhá-lo nesse seu último passeio pelas ruas de Ilhéus. Levar o dentista ao cemitério era quase uma afronta ao coronel Jesuíno e à sociedade. Ari Santos, o Capitão, Nhô-Galo, um redator do Diário de Ilhéus , uns poucos mais, revezavam-se nas alças do caixão. O morto não tinha família em Ilhéus, mas nos meses que ali passara fizera muitas relações, homem dado, amável, freqüentador dos bailes do Clube Progresso, das reuniões do Grêmio Rui Barbosa, das danças familiares, dos bares e cabarés. No entanto ia para o cemitério como um pobre diabo, sem coroas e sem lágrimas. [...] AMADO, Jorge. Gabriela, cravo e canela. São Paulo: Companhia das Letras, 2008_._ p. 146_._

Com base no texto 8, na leitura do romance A hora da estrela , lançado em 1977, e no contexto de sua publicação, assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S).

  1. Macabéa, personagem central de A hora da estrela , mantém ao longo da vida uma crença cega na igreja, traço incutido pela tia beata que a obrigara a decorar e a repetir os padre-nossos e as ave-marias desde menina.
  2. No romance A hora da estrela , a autora tentou ocultar-se por trás do pseudônimo de Rodrigo S. M., um narrador onisciente intruso que busca o tempo todo problematizar o processo de criação.
  3. O vocábulo "mulherice" (linha 12) é um neologismo derivado do substantivo mulher. Diferentemente da condição física atribuída automaticamente às pessoas do sexo feminino, o narrador dá a entender que a "mulherice" seria constituída pela personagem ao longo do tempo, física e psicologicamente.
  4. A datilógrafa Macabéa adorava goiabada com queijo, divertia-se recortando anúncios de jornais velhos, bebia o mesmo refrigerante que todos bebem, passeava aos finais de semana no cais e dividia seu quarto com outras cinco meninas, todas de nome Maria. Essa associação de Macabéa a banalidades, gostos, comportamentos e pessoas comuns ajuda a compor a imagem de uma mulher sem traços próprios, cópia sem viço de tantas outras sertanejas indigentes.
  5. O romance de Clarice Lispector distancia-se, pelo tempo e pela temática, da geração de 1930; ainda carrega parte da crítica social característica daquele momento, mas a imagem da menina cuja herança do sertão é o raquitismo de retirante fica em segundo plano, ganhando maior relevo a problemática da modernização das cidades de Maceió e do Rio de Janeiro, locais onde Macabéa tenta ganhar a vida.
  6. O título da obra revela forte ironia, tendo em vista que é algo que nunca se concretiza: a hora da estrela, quando finalmente Macabéa brilharia tal qual suas artistas de cinema preferidas, não ocorre, devido ao acidente fatal sofrido pela protagonista.

Questão 11

Das oito obras cuja leitura foi solicitada para o presente exame vestibular, sete têm mulheres como protagonistas ou ocupando algum outro papel de relevância no enredo. Assinale a(s)

proposição(ões) CORRETA(S) quanto à postura ou papel dessas mulheres nas narrativas.

  1. Ao revelar abertamente sua origem como fruto de uma relação extraconjugal, Helena ousa afrontar os valores da época e assume uma postura surpreendentemente avançada para uma heroína romântica.
  2. Em Orfeu da Conceição , as três personagens femininas de maior importância, Eurídice, Clio e Mira, são mostradas como mulheres fortes, capazes de alterar o próprio destino e até o destino do herói, Orfeu; assim, a peça pode ser tomada como um manifesto a favor do feminismo.
  3. Em O detetive de Florianópolis , Ivete vive com Domingos uma relação amorosa avançada para os padrões da década de 1980, tendo-se entregado ao chefe logo poucos dias após ser admitida como secretária no escritório do detetive.
  4. Mesmo sendo personagens tão distintas, Clarissa, Fräulein Elza e Macabéa reproduzem o discurso do casamento como ideal feminino de realização, sonho que nutrem ao longo das respectivas narrativas.
  5. Gabriela prezava de tal forma a liberdade que foi comparada por João Fulgêncio a uma flor do campo que não serviria para jarro. Entretanto, propõe-se a casar com Nacib, não por interesse financeiro, mas por entender as convenções sociais que o imigrante libanês buscava respeitar a fim de inserir-se na sociedade de Itabuna.

TEXTO 9

As tirinhas abaixo são do quadrinista argentino Joaquín Salvador Lavado Tejón, mais conhecido como Quino. Nelas, vê-se sua personagem mais famosa, Mafalda (a menina de cabelos pretos), e sua colega Susanita. Leia com atenção as tiras para responder à questão 12.

QUINO. Toda Mafalda. 2. ed. São Paulo: Martins Fontes, 2010. p. 26; 87; 306.

INGLÊS

TEXT 1

Six months ago, Malala Yousafzai was lying in a hospital bed, recovering from a Taliban attack in which she was shot in the head and neck. The shooting was intended to silence the Pakistani teenager who had defied the Taliban's ban against girls in school. But it had the opposite effect: Instead of silencing the 15-year-old, the attack only made her voice more powerful.

Malala's story has raised global awareness of girls' education. And now that she's out of the hospital and back in school, she is determined to keep fighting for equality.

"God has given me this new life," she said in February, her first public statement since the shooting. "I want to serve the people. I want every girl, every child, to be educated." Worldwide, there are 66 million girls out of school, according to UNESCO – many more than boys, who don't have to face the same discrimination and obstacles that girls do in some countries.

Malala was critically injured in the attack, but she suffered no permanent brain injuries. She underwent several successful surgeries in Pakistan and the United Kingdom, where she now lives after her father was given a job with the Pakistani Consulate.

In March, she went back to school for the first time since the attack, attending an all-girls high school in Birmingham, England. And while she recovers from her injuries, she is continuing to raise awareness and money for education. Last month, she announced a $45,000 grant to a fund that was set up in her name – and the first to benefit will be girls from the Swat Valley.

By Kyle Almond, CNN June 17, 2013 – Updated 1346 GMT (2146 HKT)

Adapted from: Accessed on: July 18 th^ , 2013.

Questão 13

Select the appropriate title(s) for text 1.

  1. Schools for boys and girls
  2. Religion against violence
  3. Fighting for women’s right to study
  4. Raising money to build hospitals for girls
  5. Schools in Pakistan and England
  6. Malala’s battle for life and education

Select the CORRECT proposition(s) according to the information in text 1.

  1. Malala still lives in Pakistan.
  2. All of Malala’s surgeries were performed in the United Kingdom.
  3. Malala got injured because her family was irresponsible.
  4. The attack could have killed Malala.
  5. Currently Malala attends a school for female students.
  6. The Pakistani government has donated money to help Malala in her campaign.
  7. Malala has already raised money to help girls.

Questão 15

Select the CORRECT proposition(s).

Text 1 gives information about:

  1. the number of girls who are out of school all over the world.
  2. Malala’s current age and health state.
  3. the amount of money Malala’s father receives from the government.
  4. the reason why Pakistani girls cannot attend school.
  5. Malala’s plans for the future.
  6. the specific type of surgeries Malala underwent.

Questão 16

Select the proposition(s) which contains (contain) the CORRECT definition for the underlined words as they are used in text 1.

  1. ban: prohibition
  2. injuries: insults
  3. attending: listening to
  4. recovers: gets over an illness
  5. awareness: consciousness
  6. grant: financial aid

.

Select the CORRECT ending(s) for the following sentence, according to text 2.

Jill’s family…

  1. expected her to become an underwater explorer.
  2. gave her the necessary financial support.
  3. didn’t impose limits on her dreams.
  4. had no prejudices in relation to people.
  5. wanted her to inspire other young people.

TEXT 3

Women with unusual careers

Barb Johnson Carpenter

Barb Johnson's favorite thing about carpentry is starting out with nothing but a sheet of paper in the morning and transforming that drawing into something useful and beautiful. “And at the end of the day, it is always perfectly clear what I have accomplished with my time,” she says. Johnson claims 30 years in the business and owned Novio Wooden Furniture until Hurricane Katrina destroyed it in 2005. Home shows on television have made carpentry a more practical career for women because they see others doing it, Johnson says. When Johnson first started out, she was the only female carpenter in her city. “Now it's not uncommon to see a woman carpenter,” she says. “I mean, it's not a rare occurrence.” These days, Johnson's focus is on writing, but she says it parallels carpentry in many ways. “I essentially write the way I build,” she says. “I construct some sort of framework and get to know

the piece as I go along.” She also recently taught a carpentry class for female undergraduates

at Tulane University in New Orleans.

Adapted from: Accessed on: Aug. 26 th^ 2013.

What does text 3 say about Barb Johnson?

Select the CORRECT proposition(s).

  1. She owns a furniture factory.
  2. She is no longer the only woman carpenter in her city.
  3. She learned carpentry by seeing others doing it.
  4. Teaching is her main motivation nowadays.
  5. She can see similarities between writing and carpentry.
  6. Her interests include different activities.

Questão 20

According to the first paragraph of text 3, when Barb Johnson says “And at the end of the day, it is always perfectly clear what I have accomplished with my time,” she is expressing:

  1. satisfaction for having done a good job.
  2. pleasure for the productive use of her time.
  3. curiosity for what happens in her profession.
  4. confidence in the people who work with her.
  5. concern about working and making money.

Assinale a(s) proposição(ões) CORRETA(S).

  1. O^ número^ do^ cartão^ de^ crédito^ é^ composto^ de^^16 algarismos. Zezé teve seu cartão quebrado, perdendo a parte que contém os quatro últimos dígitos. Apenas consegue lembrar que o número formado por eles é par, começa com 3 e tem todos os algarismos distintos. Então, existem 280 números satisfazendo essas condições.
  2. No prédio onde Gina mora, instalaram um sistema eletrônico de acesso no qual se deve criar uma senha com 4 algarismos, que devem ser escolhidos dentre os algarismos apresentados no teclado da figura. Para não esquecer a senha, ela resolveu escolher 4 algarismos dentre os 6 que representam a data de seu nascimento. Dessa forma, se Gina nasceu em 27/10/93, então ela pode formar 15 senhas diferentes com 4 algarismos distintos.
  3. Entre as últimas tendências da moda, pintar as unhas ganha um novo estilo chamado de “filha única”. A arte consiste em pintar a unha do dedo anelar de uma cor diferente das demais, fazendo a mesma coisa nas duas mãos, conforme mostra o exemplo na figura. Larissa tem três cores diferentes de esmalte, então, usando essa forma de pintar as unhas, poderá fazê-lo de 6 maneiras diferentes.
  4. Uma fábrica de automóveis lançou um modelo de carro que pode ter até 5 tipos de equipamentos opcionais. O número de alternativas deste modelo com respeito aos equipamentos opcionais é igual a 120.
  5. Jogando-se simultaneamente dois dados idênticos e não viciados, observa-se a soma dos valores das faces que ficam voltadas para cima. A soma com maior probabilidade de ocorrer é 7.

32. O número de soluções inteiras não negativas de x + y + z = 6 é igual a 28.

  1. Se a soma de quatro números primos distintos é igual a 145 , então o menor deles é 3.

Seja p um polinômio de grau 4 dado por (^) ( ) ( )

4

p x = x + 1. Com essa informação, assinale a(s)

proposição(ões) CORRETA(S).

  1. O polinômio^ p é igual a^ p x (^ ) =^ x^4 +^ 4x^3 +^ 6 x^2 +^ 4x^ +^^1.

02. O único número real no qual^ p^ se anula é^ x^ = −^1^.

  1. Se k é um polinômio dado por k ( x ) = x^4 + 4x 3 + 6 x^2 + 4x + 3 , então o menor valor

possível para o polinômio k , quando x varia em todo o conjunto dos números reais, é 2.

  1. (^) O coeficiente do termo de expoente 5 do polinômio dado por p x ( ) (⋅ x – 1 )^4 é igual a 1.

Questão 23

Duas cidades, marcadas no desenho abaixo como A e B , estão nas margens retilíneas e opostas de um rio, cuja largura é constante e igual a 2,5 km , e a distâncias de 2,5 km e de 5 km , respectivamente, de cada uma das suas margens. Deseja-se construir uma estrada de A até B que, por razões de economia de orçamento, deve cruzar o rio por uma ponte de comprimento mínimo, ou seja, perpendicular às margens do rio. As regiões em cada lado do rio e até as cidades são planas e disponíveis para a obra da estrada. Uma possível planta de tal estrada está esboçada na figura abaixo em linha pontilhada:

Considere que, na figura, o segmento HD é paralelo a AC e a distância HK’ = 18 km.

Calcule a que distância, em quilômetros, deverá estar a cabeceira da ponte na margem do lado da cidade B (ou seja, o ponto D ) do ponto K , de modo que o percurso total da cidade A até a cidade B tenha comprimento mínimo.