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Pseudomonas, Notas de estudo de Farmácia

Principais características das Pseudomonas

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 31/05/2010

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vinicius-correa-6 🇧🇷

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Pseudomonas
CARACTERÍSTICAS GERAIS
As espécies do gênero Pseudomonas são bacilos Gram-negativos, aeróbios e móveis.
Possuem necessidades nutricionais mínimas, sobrevivendo em uma grande variedade de
ambientes. Encontram-se amplamente distribuídas no solo e na água, e podem também fazer
parte da microbiota normal do trato intestinal e pele de 3 a 5 % da população.
Figura 1: Pseudomonas sp: bacilos Gram-negativos
Adaptado de: www.bact.wisc.edu/Bact330/lecturepseudomonas
Pseudomonas aeruginosa
É o principal patógeno humano do grupo, podendo causar infecções oportunistas
especialmente em pacientes imunocomprometidos, como vítimas de queimaduras, pacientes
com câncer ou brose cística. Crescem facilmente mesmo em condições desfavoráveis aos
outros microrganismos e possuem resistência intrínseca e adquirida aos antimicrobianos mais
comuns, sendo causa freqüente de infecções nosocomiais.
É uma bactéria invasiva e toxigênica. O conhecimento das características da P. aeruginosa
e de seus mecanismos de patogênese é muito importante para os prossionais de saúde.
FATORES DE VIRULÊNCIA
Os fatores de virulência são os fatores próprios das bactérias utilizados para produzir
as infecções. Estes fatores podem ser estruturais (ex: fímbrias) ou produzidos e liberados para o
meio (ex: enzimas e toxinas).
Como principais fatores de virulência de P. aeruginosa podemos citar (Figura 2):
Fímbrias ou pili que se extendem a partir da superfície celular;
Flagelo que confere mobilidade;
Cápsula polissacarídica com ação anti-fagocitária, importante para escapar do Sistema
Imune do hospedeiro;
Proteases que destroem proteínas da matriz extracelular;
Fosfolipase C que hidrolisa a lecitina, um fosfolipídio da membrana celular das células
animais;
Hemolisina que promove morte celular, principalmente entre as células de defesa;
Toxina A que promove necrose tecidual por interromper a síntese de proteínas nas células,
mecanismo semelhante ao da toxina diftérica;
Endotoxina (lipopolissacarídeo LPS) presente na membrana externa, responsável pelas
manifestações sistêmicas.
Adaptado de : Baron's Medical Microbiology 4th edition, 2000.
PATOGENIA
A infecção por P. aeruginosa é facilitada pela presença de uma doença de base, como
neoplasias malignas e brose cística, ou por uma falha no sistema de defesa inespecíco do
hospedeiro (ex: perda da barreira física da pele nos pacientes queimados ou com escaras e
perda da integridade tecidual nos pacientes em uso prolongado de cateteres intravenosos ou
urinários).
Para causar a doença, a bactéria precisa inicialmente se xar à pele ou às mucosas do
paciente, através de suas fímbrias e outras estruturas superciais. Em seguida ela prolifera e
coloniza a área, driblando as células de defesa através da produção da cápsula polissacarídica e
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Pseudomonas

CARACTERÍSTICAS GERAIS

As espécies do gênero Pseudomonas são bacilos Gram-negativos, aeróbios e móveis. Possuem necessidades nutricionais mínimas, sobrevivendo em uma grande variedade de ambientes. Encontram-se amplamente distribuídas no solo e na água, e podem também fazer parte da microbiota normal do trato intestinal e pele de 3 a 5 % da população.

Figura 1: Pseudomonas sp: bacilos Gram-negativos Adaptado de: www.bact.wisc.edu/Bact330/lecturepseudomonas

Pseudomonas aeruginosa

É o principal patógeno humano do grupo, podendo causar infecções oportunistas especialmente em pacientes imunocomprometidos, como vítimas de queimaduras, pacientes com câncer ou fibrose cística. Crescem facilmente mesmo em condições desfavoráveis aos outros microrganismos e possuem resistência intrínseca e adquirida aos antimicrobianos mais comuns, sendo causa freqüente de infecções nosocomiais. É uma bactéria invasiva e toxigênica. O conhecimento das características da P. aeruginosa e de seus mecanismos de patogênese é muito importante para os profissionais de saúde.

FATORES DE VIRULÊNCIA

Os fatores de virulência são os fatores próprios das bactérias utilizados para produzir as infecções. Estes fatores podem ser estruturais (ex: fímbrias) ou produzidos e liberados para o meio (ex: enzimas e toxinas). Como principais fatores de virulência de P. aeruginosa podemos citar (Figura 2):

  • Fímbrias ou pili que se extendem a partir da superfície celular;
  • Flagelo que confere mobilidade;
  • Cápsula polissacarídica com ação anti-fagocitária, importante para escapar do Sistema Imune do hospedeiro;
  • Proteases que destroem proteínas da matriz extracelular;
  • Fosfolipase C que hidrolisa a lecitina, um fosfolipídio da membrana celular das células animais;
  • Hemolisina que promove morte celular, principalmente entre as células de defesa;
  • Toxina A que promove necrose tecidual por interromper a síntese de proteínas nas células, mecanismo semelhante ao da toxina diftérica;
  • (^) Endotoxina (lipopolissacarídeo – LPS) presente na membrana externa, responsável pelas manifestações sistêmicas.

Adaptado de : Baron's Medical Microbiology 4th edition, 2000.

PATOGENIA

A infecção por P. aeruginosa é facilitada pela presença de uma doença de base, como neoplasias malignas e fibrose cística, ou por uma falha no sistema de defesa inespecífico do hospedeiro (ex: perda da barreira física da pele nos pacientes queimados ou com escaras e perda da integridade tecidual nos pacientes em uso prolongado de cateteres intravenosos ou urinários). Para causar a doença, a bactéria precisa inicialmente se fixar à pele ou às mucosas do paciente, através de suas fímbrias e outras estruturas superficiais. Em seguida ela prolifera e coloniza a área, driblando as células de defesa através da produção da cápsula polissacarídica e

da hemolisina. A partir do local onde a P. aeruginosa foi introduzida, ela invade o tecido subjacente e atinge a corrente sangüínea. Os fatores de virulência que permitem a invasão tecidual são a fosfolipase C, a toxina A e o flagelo (entre outros). O LPS é responsável nesta fase pelas manifestações sistêmicas: febre, choque, oligúria, leucocitose ou leucopenia, coagulação intravascular disseminada (CID) e síndrome da angústia respiratória do adulto (SARA). Os sinais e sintomas específicos da infecção por pseudomonas dependem do órgão ou tecido onde o microrganismo se instalou inicialmente, este patógeno oportunista pode colonizar virtualmente qualquer tecido.

MANIFESTAÇÕES CLÍNICAS

  • Infecções de feridas traumáticas ou cirúrgicas e queimaduras, produzindo um exsudato azul-esverdeado devido a liberação de dois pigmentos, a piocianina (azul) e pioverdina (verde);
  • Meningite, quando introduzida por punção lombar;
  • Infecção do trato urinário, quando introduzida por cateteres urinários e outros instrumentos ou soluções de irrigação das vias urinárias;
  • Pneumonia necrotizante, pelo uso de respiradores contaminados;
  • Otite externa branda dos nadadores, já que a bactéria é amplamente encontrada em ambientes aquáticos;
  • Otite externa maligna (invasiva) em pacientes diabéticos;
  • Infecção ocular após lesão traumática ou procedimentos cirúrgicos;
  • Sepse fatal, principalmente em lactentes e indivíduos muito debilitados (pacientes com leucemia e linfoma que foram submetidos a radioterapia ou quimioterapia, pacientes com queimaduras muito graves);
  • Ectima gangrenoso, necrose hemorrágica da pele que ocorre na sepse por P. aeruginosa.

Adaptado de: Baron's Medical Microbiology 4th edition, 2000.

Figura 4: Infecção ocular causada por P. aeruginosa devido ao uso prolongado de lente de contato, desrespeitando as instruções de limpeza das lentes. Adaptado de: www.eyecasualty.co.uk/maincontent1/cornealinfections.html

DIAGNÓSTICO

Amostras: lesões cutâneas, exsudato, urina, sangue, LCR e escarro, dependendo do local da infecção. Esfregaço: presença de bacilos Gram-negativos.

Cultura: pode ser utilizado o ágar-sangue ou meios para o crescimento de bacilos Gram-negativos entéricos. A incubação pode ser feita a 42ºC, o que inibe o crescimento de outras espécies de Pseudomonas. Na cultura podem ser observados os seguintes aspectos:

  • Colônias circulares e lisas, com produção de pigmento azul (piocianina) e/ou esverdeado fluorescente (pioverdina);
  • Hemólise (no cultivo em meio ágar-sangue);
  • Odor característico.

Figura 5: Crescimento de P. aeruginosa em agar nutriente. Note a produção de pigmento azul-esverdeado que se difunde no meio, conferindo a placa uma coloração característica.