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Uma observação sobre a atuação de membros de uma equipe de saúde da família no contexto do programa de saúde da família (psf) do brasil. Ele descreve a função do agente comunitário de saúde (acs) como um elo entre a comunidade e o sistema de saúde, além de discutir suas competências e desafios. O texto também aborda a importância do acs na redução da morbimortalidade associada à diabetes mellitus e hipertensão arterial no brasil.
Tipologia: Notas de estudo
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O estudo foi realizado no município de Teresina-Piauí, no Bairro Cidade Nova, área de trabalho da equipe 113. O setor saúde dispõe de uma Unidade Básica de Saúde, na qual atuam quatro equipes do PSF. A equipe que foi acompanhada é responsável pela área que abrange as ruas, Costa Rica, Rua Peru, Bolívia, e Peru. A sistemática adotada pela dupla (Socorro Vasconcelos e Antonio Elenilton) para a realização das entrevistas foi: agendar o encontro, explicar os objetivos e propósitos da entrevista, solicitar permissão para gravação dos depoimentos fotos e, finalmente, proceder à entrevista A observação neste trabalho foi feita no intuito de revelar as características da atuação dos membros de uma equipe de saúde da família e conseqüentemente, confirmar ou negar um trabalho de articulação/integração entre as atividades de saúde, via ações do PSF. O ACS é um cidadão que emerge das comunidades e se integra às equipes de saúde, sem trazer qualquer bagagem cultural ou técnica, específicas a essa área. Esse papel lhe é conferido pela instituição executora das políticas públicas de saúde, dando-lhe acesso a novas práticas, mediante incipientes dinâmicas de capacitação. Tal processo envolve uma parceria com outros espaços institucionais pertinentes ao contexto social onde esse agente atuará.
vínculos com a comunidade e possibilitando o compromisso e a co- responsabilidade tanto da equipe quanto da comunidade. A recomendação é de atuação em equipes interprofissionais, sendo que uma equipe deve ficar responsável por uma área onde residem entre 600 a 1.000 famílias, com limite máximo de 4.500 habitantes. As equipes de saúde do PSF são compostas por um médico generalista (ou da família), um enfermeiro, um auxiliar de enfermagem, um odontólogo, um técnico em higiene bucal e quatro a seis agentes comunitários. Além disso, outros profissionais como assistentes sociais, psicólogos e educadores físicos, também podem ser incluídos na equipe, de acordo com as necessidades do local no qual a equipe se encontra inserida (Ministério da Saúde, 2000).
O PROGRAMA DE AGENTE DE SAÚDE O Programa de Agente de Saúde, que teve início no Ceará em 1987, foi uma tentativa de fixar profissionais da saúde em locais sem recursos econômicos e sociais, atendendo a recomendações da Organização Mundial de Saúde de criar opções viáveis para amenizar os problemas de saúde da população (Silva, 1997). O slogan a saúde bate à sua porta, criado pelo Governo do Ceará, destaca a importância política do Agente de Saúde, a mudança preconizada do fazer saúde e sua posição estratégica junto à comunidade, já que tem acesso aos domicílios e pode estar ligado às famílias por laços afetivos e até de parentesco (Silva, 1997). O Ministério da Saúde (2000) define como competências para o Agente Comunitário de Saúde: o trabalho em equipe, as visitas domiciliares, o planejamento das ações de saúde, a promoção de saúde, a prevenção e o monitoramento de grupos específicos, a prevenção e o monitoramento das doenças prevalentes e o acompanhamento e a avaliação das ações de saúde. A figura do Agente Comunitário de Saúde (ACS), inserido no PSF, emerge como um elo entre a comunidade e o sistema de saúde, uma vez que deve residir na própria comunidade em que atua. Acredita-se que por ser parte da comunidade em que vive e para quem trabalha conhece melhor as necessidades desta, compartilha um mesmo contexto social e cultural e um mesmo universo lingüístico e, portanto, está mais apto a lutar pelos direitos da
comunidade. (Dirigente da Fundação Nacional de Saúde, 1991, citado por Silva & Dalmaso, 2002). O fato de os agentes comunitários de saúde compartilharem o mesmo contexto com a comunidade é apontado como decisivo no aumento da eficácia das ações de educação em saúde. Além disso, a entrada no mundo familiar é sinônimo de contato com a intimidade das pessoas, com o seu universo privado, trazendo novas construções relacionais e novos sentidos para essas relações. Segundo Silva e Dalmaso (2002), consegue-se identificar duas dimensões principais de atuação dos ACS: uma mais política, não apenas de solidariedade à população e da inserção da saúde no contexto geral da vida, mas também no sentido de organização da comunidade e de transformação das condições de saúde; outra mais técnica, relacionada ao atendimento aos indivíduos e famílias e à intervenção para a prevenção dos agravos ou para o monitoramento de grupos ou problemas específicos. As referidas autoras apontam, também, alguns desafios para o saber fazer e saber ser agente comunitário de saúde, dentre eles: a enorme variedade de contexto, exigindo flexibilização em sua prática e nos processos e metodologias de preparação de pessoal; a amplitude das finalidades do Programa, exigindo ora uma vertente mais assistencial e de vigilância e ora de promoção de saúde e qualidade de vida; o desenvolvimento de tecnologia de trabalho adequada às necessidades; o trabalho em equipe e a identidade do agente, compondo dimensões técnicas e políticas do trabalho.
A Organização das Nações Unidas (ONU) considera o período de 1975 a 2025 como a era do envelhecimento, dado o crescimento marcante da fração
de saúde, o ACS deve viabilizar, no que concerne a sua competência, os argumentos do arcabouço jurídico estabelecido na Política Nacional do Idoso. A Lei no 8.842/94 busca o envelhecimento saudável, além de garantir os direitos dos idosos. A realização de estudos que visem a pesquisar concepções sobre o envelhecimento, com trabalhadores envolvidos no cuidado com o idoso, pode contribuir para implementação de políticas públicas. Assim, ajudariam na construção de conteúdos para: formação e capacitação de pessoal, instrumento para gestão, e como apoio na tomada de decisões, por meio da avaliação para gestão.
CONTROLE DA DIABETES MELITTUS Há grande relevância quanto à incidência de doenças crônicas não transmissíveis (DCNT) no mundo. Estimativas da Organização Mundial de Saúde (OMS) mostram que estas são causadoras de 58,5% de todas as mortes1. No Brasil, as doenças cardiovasculares e neoplasias respondem por cerca de metade de todas as mortes com causa conhecida2, sendo que a proporção de mortes provocadas por DCNT chegou a triplicar entre as décadas de 1930 e 19903. O aumento da incidência destas doenças tem sido relacionado às mudanças no estilo de vida e no meio ambiente trazidas pela industrialização, que levariam à obesidade, sedentarismo e ao consumo de uma dieta rica em calorias e em gorduras4,5. Estudos apontam que a distribuição destas doenças e seus fatores de risco são decorrentes de uma realidade socialmente determinada6-8. Para um planejamento eficaz e avaliação de programas de intervenção é fundamental conhecer a magnitude destas doenças, sua prevalência e distribuição9. Entre as principais DCNT encontram-se doenças cardiovasculares, respiratórias, diabetes e neoplasias, sendo que essas doenças Rev Bras Clin Med 2010;8(4):316-9 têm em comum diversos fatores de risco, entre eles aumento de peso, hipertensão arterial, hipercolesterolemia, baixo consumo de frutas e hortaliças e inatividade física5. No Brasil estes fatores de risco constam em uma lista de nove que mais causaram mortes e doenças na população geral1. Entre as DCNT, uma que merece grande destaque é o diabetes. A sua prevalência estimada para todas as faixas etárias no ano de 2000 era em torno
de 2,8% da população mundial, com 171 milhões de casos, com previsão de atingir 4,4% em 2030, com 366 milhões de casos. O impacto do envelhecimento populacional mundial, no diabetes ocorre pelo aumento de sua prevalência em pessoas acima de 65 anos10. A sua incidência é maior no sexo masculino, porém há mais mulheres com diabetes do que homens, devido à maior sobrevida feminina. No Brasil, no final da década de 1980, estudo multicêntrico envolvendo indivíduos com idade entre 30 e 69 anos, residentes em região urbana de nove capitais, observou que a prevalência do diabetes era de 7,6%, não apresentando diferenças entre os sexos, sendo nas cidades de São Paulo e Porto Alegre as maiores taxas11. Estudo recente realizado na cidade de Ribeirão Preto/SP, observou que a prevalência do diabetes foi de 12%12. O diabetes mellitus (DM) faz parte de um grupo de doenças metabólicas caracterizadas pela hiperglicemia resultante de defeitos na secreção de insulina, em sua ação ou em ambas. A hiperglicemia crônica do diabetes está associada às lesões crônicas, disfunção e falência de diversos órgãos, especialmente olhos, rins, nervos, coração e vasos sanguíneos13. Muitos mecanismos fisiopatológicos têm sido propostos para a causa do diabetes, incluindo o aumento de ácidos graxos não esterificados, citocinas inflamatórias, adipocinas, dentre outros. Além disso, existe um forte componente genético, porém somente alguns genes puderam ser identificados até o momento14. Dentre os tipos de diabetes encontra-se o DM tipo 1, que é decorrente da destruição das células beta pancreáticas levando à deficiência absoluta de insulina e que atinge 5% a 10% do total de casos. O DM tipo 2, mais comum, atinge 90% a 95% dos casos, nos quais ocorre a resistência periférica à insulina com sua deficiência relativa. Outros tipos específicos de diabetes incluem deficiências genéticas de célula beta, defeitos genéticos na ação da insulina, doenças do pâncreas exócrino, endocrinopatias, diabetes medicamentosa, por infecções, além do DM gestacional, presente em 1% a 14% das gestações12. Quanto aos seus custos, estima-se que, no mundo, sejam gastos de 1,5% a 2,5% dos orçamentos nacionais com pacientes diabéticos, sendo 2 a 3 vezes maior quando comparados a indivíduos não diabéticos.
tratada adequadamente, afeta o coração, o cérebro e os vasos, constituindo-se um dos principais fatores predisponentes para as doenças cardiovasculares e cerebrovasculares. Associada a outros fatores de risco, aos quais está exposta a população adulta, está diretamente relacionada a cerca de dois terços dos óbitos causados por essas doenças, tornando-se uma das maiores questões de saúde pública do país. Alguns fatores de risco da hipertensão arterial estão relacionados ao estilo de vida, que parece ser para uma grande parcela da população, caracterizado por uma alimentação falha e desbalanceada (com alto teor de calorias e gorduras e pobre em fibras), pelos hábitos de fumar e ingerir bebidas alcoólicas, complementados pelo sedentarismo. O conceito tradicional de adesão refere-se à situação na qual o comportamento do paciente corresponde ao conselho do médico ou de saúde, avaliada pelo comparecimento às consultas marcadas, às tomadas das prescrições ou pelas mudanças de estilo de vida. Contudo, em hipertensão arterial a taxa de seu controle ainda está muito aquém dos valores desejáveis. Provavelmente, a baixa adesão ao tratamento medicamentoso seja o fator mais importante responsável pelo reduzido controle pressórico. Há diversos métodos, diretos indiretos, de avaliação ao tratamento, todos com vantagens e desvantagens. Entretanto, o adequado questionamento sobre a tomada da medicação, sem se fazer um julgamento sobre a resposta, além da contagem dos comprimidos no retorno a cada visita médica, são ainda os melhores índices de avaliação de adesão ao tratamento medicamentoso. As mulheres estão mais protegidas devido à sua estrutura corporal mais franzina e à presença de hormônios femininos. Esses fatores ajudam a diminuir o risco de mulheres serem acometidas de hipertensão, porém, após a manifestação da doença, elas têm as mesmas complicações e chances de morte que os homens. referem que o tratamento de hipertensão deve evitar a morte e manter a pressão em 140/90 mmHg ou menos. Esse tratamento baseia-se em uma dieta rica em frutas e vegetais, devendo-se perder peso quando este está em excesso; limitar a ingestão de álcool; aumentar a atividade física; reduzir a ingestão de sódio; manter a ingestão adequada de
potássio (mais ou menos 90 mmol/dia); manter a ingestão diária adequada de cálcio e magnésio; parar de fumar; e reduzir a ingestão de lipídios. Quando os hábitos melhores de vida não são suficientes para reduzir a pressão, utilizam- se drogas hipotensivas, que atuam de formas diferentes no organismo, com efeitos colaterais diversos, e que devem ser tomadas diariamente. No conjunto, os estudos de não-observância ao tratamento anti- hipertensivo, diferenciam- se por abordar os diferentes fatores que determinam esse comportamento: o paciente, a doença, o tratamento e a relação profissional de saúde-paciente. Até hoje, apesar de todas as tentativas, não foi encontrada uma causa ou causas definitivas e uma solução para este problema. Há forte indicativo de que a relação médico-paciente possa ser o elemento chave no enfrentamento desta dificuldade, que quando resolvida, sem dúvida, trará grande contribuição para o melhor controle da hipertensão arterial e conseqüente diminuição da morbimortalidade. A despeito da disponibilidade de tratamento efetivo, o controle da hipertensão arterial, alem escala populacional encontra-se distante do considerado ideal, sendo que a falta de adesão ao tratamento é a maior razão para baixa efetividade do tratamento, e o principal fator para a falta de controle da pressão arterial em mais de dois terços dos indivíduos hipertensos. A Hipertensão Arterial e o Diabetes Mellitus constituem os principais fatores de risco para o aparelho circulatório. Representam um grande problema de saúde pública, comprometendo a produtividade, a qualidade de vida e a sobrevida dos indivíduos, além de envolver altos custos no seu tratamento e em complicações decorrentes (MS, 2001).
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