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Redes de computadores, Notas de estudo de Informática

Redes de computadores

Tipologia: Notas de estudo

Antes de 2010

Compartilhado em 26/10/2007

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CBPF-NT-004/98
Redes de Computadores 08/12/99 1/47
Leonardo Ferreira Carneiro
Nilton Costa Braga
Nilton Alves Júnior
Resumo
Essa nota técnica tem o objetivo de servir como fonte de consulta a todos aqueles profissionais
da área técnica, ou àqueles que se interessarem, que queiram incrementar, ou adquirir, conhecimentos
relativos à redes de computadores.
Esse trabalho visa englobar todos os aspectos técnicos relacionados à rede de computadores em
geral, como os seus objetivos, classificação e estruturação. Falaremos também à respeito das camadas e
protocolos que estruturam uma rede, nos fixando no modelo de referência OSI e nos protocolos
utilizados na rede do CBPF, além de abordarmos os componentes constituintes de uma rede local,
explicando as suas funções. Por último, utilizaremos a própria rede do CBPF como exemplo,
explicando a sua estruturação e as funções executadas pelos equipamentos que a compõem.
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Redes de Computadores 08/12/99 1/

Leonardo Ferreira Carneiro [email protected]

Nilton Costa Braga [email protected]

Nilton Alves Júnior [email protected]

Resumo

Essa nota técnica tem o objetivo de servir como fonte de consulta a todos aqueles profissionais da área técnica, ou àqueles que se interessarem, que queiram incrementar, ou adquirir, conhecimentos relativos à redes de computadores.

Esse trabalho visa englobar todos os aspectos técnicos relacionados à rede de computadores em geral, como os seus objetivos, classificação e estruturação. Falaremos também à respeito das camadas e protocolos que estruturam uma rede, nos fixando no modelo de referência OSI e nos protocolos utilizados na rede do CBPF, além de abordarmos os componentes constituintes de uma rede local, explicando as suas funções. Por último, utilizaremos a própria rede do CBPF como exemplo, explicando a sua estruturação e as funções executadas pelos equipamentos que a compõem.

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Redes de Computadores

Introdução

Cada um dos três últimos séculos foi dominado por uma tecnologia principal. O século XVIII foi a época dos grandes sistemas mecânicos que acompanhavam a Revolução Industrial. O século XIX foi a idade da máquina a vapor. Ao longo do século XX, a tecnologia-chave tem sido a coleta, o processamento e a distribuição da informação. Entre outros desenvolvimentos, assistimos à instalação de redes telefônicas mundiais, à invenção do rádio e da televisão, ao nascimento de computadores e ao lançamento de satélites de comunicação.

À proporção que nos aproximamos do final desse século, essas áreas estão convergindo rapidamente, e as diferenças entre coletar, transportar, armazenar e processar informações estão rapidamente desaparecendo. Organizações em geral, com centenas de escritórios espalhados em uma vasta área geográfica esperam poder verificar a situação até do seu escritório mais remoto com um simples apertar de botão. À medida que aumenta a nossa habilidade de coletar, processar e distribuir informações, aumenta mais rapidamente a demanda por aplicações ainda mais sofisticadas.

Embora a indústria de computadores seja jovem quando comparada com indústrias como a automotiva e a de transportes aéreos, os computadores têm feito um fantástico progresso em um curto espaço de tempo. Durante as suas duas primeiras décadas de existência, os sistemas de computadores eram altamente centralizados, em geral, em uma única sala grande. Uma empresa de porte médio ou uma universidade pública poderia ter um ou dois computadores, enquanto as grandes instituições tinham no máximo uma dúzia. A noção de que dentro de vinte anos computadores igualmente poderosos, menores do que um selo postal, pudessem ser produzidos em massa era considerada pura ficção científica.

A fusão dos computadores e das comunicações teve uma profunda influência sobre a forma

como os computadores são organizados. O conceito de “centro de computação” como sendo uma sala com um grande computador, ao qual os usuários levam as suas tarefas para serem processadas, está obsoleto. Esse modelo não tem uma, mas duas falhas: o conceito de um único grande computador fazendo todo o trabalho, e a noção dos usuários levando as suas tarefas para o computador, ao invés de levar o computador até os usuários.

O velho modelo de um único computador servindo a todas as necessidades computacionais da organização está rapidamente sendo substituído por outro no qual um grande número de computadores separados, mas interconectados, executam essa tarefa. Essas são as chamadas redes de computadores. Atualmente, a maioria das organizações que usam computadores já tem, ou estão instalando, uma ou mais redes locais de computadores. Um exemplo típic o dessa expansão pode ser visto no fato de que o correio eletrônico em âmbito mundial é uma realidade diária para milhões de pessoas. Podemos

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perceber com isso que as redes de computadores tornam-se uma ferramenta de vital importância aos usuários de empresas, governos e universidades.

Há somente alguns anos atrás, o projeto de uma rede era considerado obra de um mágico, uma vez que cada fabricante de computadores tinha a sua própria arquitetura de rede, e não se encontrava um par de arquiteturas que fossem iguais. Felizmente, esse quadro mudou. Uma série de Padrões Internacionais para a descrição de arquiteturas de redes de computadores foi aceita por toda a indústria de computadores, sendo esses padrões conhecidos como o Modelo de Referência OSI, que será estudado posteriormente nessa Nota Técnica. Com essa padronização, tem-se que, em um futuro próximo, praticamente todas as arquiteturas de rede desaparecerão, capacitando os computadores de um fabricante a se comunicarem com computadores de outros fornecedores, sem quaisquer problemas de compatibilidade, estimulando ainda mais o uso de redes de computadores [1].

2. Estrutura de uma Rede

Uma rede de computadores é formada por um conjunto de computadores autônomos interconectados. Dizemos que computadores são autônomos quando não há relação de mestre/escravo

entre eles, ou seja, um computador não pode controlar, ligar ou desligar um outro computador qualquer à sua revelia. Por interconectados, entende-se que eles são capazes de trocar informações entre si,

sendo que essa conexão pode ser feita por meio de fios de cobre, por lasers , microondas ou até por satélites de comunicação [8]. É importante ressaltar que uma rede não precisa ser constituída unicamente por computadores, sendo comum a presença de impressoras, scanners e outros dispositivos de rede.

2.1. Objetivos de uma Rede

Quando uma rede de computadores qualquer é construída, existem alguns objetivos a serem alcançados. Nesse item, abordaremos alguns desses objetivos, para assim mostrarmos para que as redes de computadores podem ser usadas.

Podemos citar como primeiro objetivo o compartilhamento de recursos; isto é, todos os

programas, dados e equipamentos devem estar disponíveis para qualquer um na rede, independentemente da localização física do recurso e do usuário, esse último sendo chamado também

de host.

Como segundo objetivo, temos a necessidade de uma alta confiabilidade, tendo-se fontes de suprimento alternativas. Isto significa, por exemplo, que todos os arquivos existentes em uma rede

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Distância entre Módulos Processadores

Localização entre Módulos Processadores Tipo de Rede 10 m Sala Local 100 m Prédio Local 1 km Campus Local 10 km Cidade Metropolitana 100 km País Metropolitana 1000 km Continente Geograficamente Distribuída 10000 km Planeta Geograficamente Distribuída

Hoje em dia, as modernas redes de computadores são projetadas de forma altamente estruturada. A seguir, serão mostradas as técnicas de utilização de camadas e protocolos.

2.3. Camadas

Para reduzir a complexidade de seu projeto, as redes de computadores são, em sua maioria, organizadas em camadas ou níveis, que representam diferentes níveis de abstração com funções definidas. Temos que cada camada é construída sobre aquela que a antecede. O número de camadas, o nome, o conteúdo e a função de cada camada diferem de uma rede para outra. Entretanto, em qualquer rede, o objetivo de cada camada é oferecer determinados serviços às camadas superiores, protegendo essas camadas dos detalhes de como os serviços oferecidos são de fato implementados, além de também receberem serviços das camadas inferiores.

Imaginemos, como exemplo, uma camada n qualquer em um computador. Essa camada estabelece comunicação com a camada n em outro computador, utilizando o devido protocolo, que será explicado posteriormente. Na verdade, nenhum dado é transferido diretamente da camada n de uma máquina para a outra. O que ocorre de fato é uma transferência de dados e informações de controle dessa camada para a camada imediatamente abaixo, até que o nível mais baixo tenha sido alcançado. Esse processo ocorre de camada para camada, até que a última camada (no caso, o nível mais baixo),

seja alcançada, sendo que abaixo dela encontra-se o meio físico de comunicação, através do qual a comunicação entre os computadores de fato ocorre. Temos ainda que ao dizermos que houve uma comunicação da camada n com a camada n , essa comunicação é denominada de virtual, enquanto que a comunicação no meio físico é denominada de real [1].

2.4. Protocolos

Em uma rede de computadores, as regras e convenções utilizadas na conversação de uma camada n em uma máquina com a camada n em outra são usualmente chamadas de protocolos [1]. Um

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protocolo é um sistema de comunicação de dados que permite que vários dispositivos de uma rede interajam entre si, sendo a sua principal característica a capacidade de permitir a comunicação entre computadores que diferem, entre outras coisas, nos seus sistemas operacionais, nas suas CPU’s, nas interfaces de rede, etc [10].

Agora que já discutimos superficialmente como funcionam redes organizadas em camadas, vamos examinar o conjunto de camadas que é utilizado como referência na estruturação de uma rede.

3. O Modelo de Referência OSI

Esse item abordará o modelo de referência que é mais difundido na área de redes de computadores: o modelo OSI. Serão vistas as suas características básicas, como por exemplo o tipo de comunicação adotado por ele, o formato da comunicação dos dados transmitidos pela rede, entre outras.

3.1. Introdução

O transporte de informações entre computadores de diferentes tipos é uma capacidade que mostra-se extremamente importante. No início dos anos 80, a ISO ( International Organization of Standardization ) reconheceu a necessidade de um modelo de rede que auxiliasse na criação de implementações de redes interoperacionais. Em conseqüência dessa necessidade, surgiu o Modelo de Referência OSI ISO para Interconexão de Sistemas Abertos, que é chamado, por brevidade, de modelo OSI. Esse modelo foi um primeiro passo para a padronização internacional dos diversos protocolos existentes hoje em dia [1].

3.2. Comunicação Hierárquica

O modelo de referência OSI divide o problema de transmissão de informações entre computadores de uma rede em 7 problemas menores e melhor gerenciáveis. Cada uma dessas 7 áreas de problemas é resolvida por uma camada do modelo OSI. Os princípios utilizados para chegar-se às 7 camadas são:

  • Uma camada deve ser criada onde é necessário um nível de abstração diferente.
  • Cada camada deve desempenhar uma função bem definida.

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3.3. Formato das Informações

Como a camada 4 no sistema B sabe o que a camada 4 no sistema A quer? As especificações da camada 4 requeridas são carregadas como uma informação de controle, que é transmitida entre camadas iguais em um bloco chamado de cabeçalho ( header ), que é anexado na informação de aplicação atual. Consideremos, por exemplo, que o sistema A deseja enviar o seguinte texto, no caso chamado de dado ou informação, para o sistema B.

“O pequeno gato cinza subiu no muro para tentar apanhar o pássaro vermelho.”

Esse texto é transmitido do programa de aplicações do sistema A para a sua camada de topo. A camada de aplicações do sistema A deve comunicar certas informações para a mesma camada no sistema B. Sendo assim, anexa-se essa informação de controle, na forma de um cabeçalho codificado, no texto atual, para então esse ser transmitido. Essa unidade de informação é transmitida da camada 6 no sistema A, que pode anexar sua própria informação de controle. Com isso, temos que a unidade de informação cresce em tamanho a medida que é transmitida através das camadas até alcançar a rede, onde o texto original, e todas as suas informações de controle associadas, trafegam até o sistema B, onde é absorvido pela camada 1 desse mesmo sistema. A camada 1 no sistema B abre o cabeçalho de camada 1, o lê, e então sabe como processar a unidade de informação. A reduzida unidade de informação é então transmitida para a camada 2, que abre o cabeçalho de camada 2, analisa esse cabeçalho para saber as ações que a camada 2 deve tomar, e passa adiante. Quando a unidade de informação finalmente alcança o programa de aplicações no sistema B, ela simplesmente contém o texto original.

É importante saber que o conceito de cabeçalho e dados é relativo. Ele depende da perspectiva da camada analisando a unidade de informação. Por exemplo, para a camada 3, uma unidade de informação consiste de um cabeçalho de camada 3 e os dados que o seguem. Entretanto, os dados da camada 3 podem potencialmente conter cabeçalhos das camadas 4, 5, 6 e 7. Além disso, o cabeçalho de camada 3 é simplesmente um dado para a camada 2. Esse conceito fica melhor ilustrado através da figura representada abaixo. Finalmente, não são todas as camadas que precisam de cabeçalhos anexados. Algumas camadas simplesmente realizam uma transformação no dado atual que elas recebem, para então torná-lo legível para as suas camadas adjacentes [7].

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3.4. Questões de Compatibilidade

O modelo de referência OSI não é uma implementação de rede. Ao invés disto, ele especifica as funções de cada camada. Nós temos que um projetista de rede qualquer pode construir uma implementação de protocolo, baseando-se em uma dada especificação, sendo que, a não ser que essa especificação seja extremamente compreensível, as diferentes implementações que forem construídas baseando-se nela serão diferentes, pelo menos, em pequenos detalhes.

Em parte, essas diferenças existem devido à incapacidade de qualquer especificação de considerar todos os possíveis detalhes de implementação. Além disso, diferentes implementadores irão interpretar, sem dúvida, os protocolos de diferentes maneiras e, devido à isto, ocorrerão inevitáveis erros de implementação, que resultarão em implementações diferentes e, consequentemente, em diferenças nas execuções de tarefas [7].

3.5. As Camadas do Modelo OSI

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A camada de link (formalmente conhecida como sendo a camada de link de dados) proporciona o tráfego confiável de dados através de um link físico. Temos então que a camada de link está preocupada com o endereçamento físico (endereço de MAC), com a topologia de rede, com a forma com que os sistemas locais irão usar o link da rede, a notificação de erros, a entrega ordenada de quadros ( frames ) e o controle de fluxo [7]. Um quadro, ou frame , é uma unidade de informação lógica que representa a estrutura exata de dados transmitidos fisicamente através do fio de conexão ou através de outro meio [3].

A tarefa principal dessa camada é utilizar-se da facilidade de transmissão de dados brutos, transformando-a em uma linha que pareça à camada de rede, a camada superior a essa, ser livre de erros de transmissão. Ela realiza essa tarefa fazendo com que o transmissor fragmente os dados de entrada em quadros, em geral com algumas centenas de bytes, transmita-os seqüencialmente e processe os quadros de confirmação mandados de volta pelo receptor.

Uma vez que a camada física meramente aceita uma seqüência de bits sem se importar com o significado ou a estrutura, cabe à camada de link de dados criar e reconhecer os limites dos quadros. Isto pode ser conseguido anexando-se padrões de bits especiais ao começo e ao fim do quadro. Como esses padrões de bits podem ocorrer acidentalmente nos dados, certas precauções especiais devem ser tomadas para evitar problemas.

Uma ruído qualquer na linha pode destruir completamente um quadro. Nesse caso, o software da camada de link de dados do transmissor deve retransmitir esse quadro. Entretanto, múltiplas transmissões de um mesmo quadro possibilitam a ocorrência de duplicação. Temos que um quadro duplicado poderia ser transmitido, por exemplo, se o quadro de confirmação do receptor para o transmissor fosse destruído. É tarefa então da camada de link resolver esse tipo de problema, causado por quadros danificados, perdidos ou duplicados. Ela pode oferecer várias classes de serviço diferentes à camada de rede.

Uma outra questão relacionada com a camada de link de dados, e com as demais camadas superiores, é de que forma pode-se impedir que um transmissor rápido afogue com dados transmitidos um receptor lento. A solução utilizada para isso é o emprego de algum mecanismo regulador de tráfego, a fim de permitir ao transmissor saber quanto espaço em buffer o receptor tem no momento. Freqüentemente, por conveniência, essa regulação do fluxo e o tratamento de erros são integrados [1].

3.5.3. Camada de Rede

A camada de rede é uma camada complexa que possibilita conectividade e seleção de caminhos entre dois sistemas locais que podem ser localizados geograficamente dispersos em sub-redes, sendo que o controle da operação dessas sub-redes é responsabilidade dessa camada. Uma sub-rede é um único cabo de rede, no caso de um cabeamento coaxial, sendo nesse caso também chamado de

segmento; ou é um grupo de dispositivos agrupados por meio de software, no caso de um cabeamento de par trançado [7].

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Uma questão de projeto fundamental da camada de rede é determinar como os pacotes são roteados da origem para o destino. As rotas podem ser baseadas em tabelas estáticas embutidas e raramente modificadas na rede. Essas rotas também poderiam ser determinadas no início de cada conversa, como, por exemplo, uma sessão de terminal, ou, finalmente, altamente dinâmicas, sendo então determinadas novamente para cada pacote e refletindo a carga atual da rede.

Temos que se vários pacotes estiverem presentes na sub-rede ao mesmo tempo, eles ficarão uns nos caminhos dos outros, criando congestionamentos, sendo a camada de rede responsável então pelo controle desses congestionamentos.

Podem aparecer vários problemas quando um pacote deve viajar de uma rede a outra para chegar ao seu destino, como, por exemplo, o endereçamento utilizado na segunda rede ser diferente do na primeira. Nesse exemplo, temos que a segunda rede pode até mesmo não aceitar o pacote por ser muito grande, ou ainda, os protocolos são diferentes, etc. É tarefa da camada de rede superar esses tipos de problemas para permitir então a interconexão entre redes heterogêneas [1].

3.5.4. Camada de Transporte

A função básica da camada de transporte é aceitar dados da camada de sessão, dividi-los se necessário em unidades menores, passá-las à camada de rede e garantir que os pedaços cheguem corretamente ao outro lado [1]. O limite entre a camada de sessão e a camada de transporte pode ser visto como o limite entre os protocolos da camada de aplicações e os protocolos das camadas inferiores. Enquanto as camadas de aplicação, de apresentação e de sessão estão preocupadas com questões de aplicação, as quatro camadas inferiores estão preocupadas com questões de transporte de dados. Esse serviço é executado pela camada de transporte, que protege as camadas superiores dos detalhes de implementação dos dados. Especificamente, questões como, por exemplo, como o transporte de dados de confiança através da rede é executado são de interesse dessa camada. Em relação à confiança nos serviços, temos que a camada de transporte oferece mecanismos para estabelecimento, manutenção e terminação ordenada de circuitos virtuais, para detecção e correção de falhas no transporte e controle do fluxo de informações, prevenindo assim que um sistema envie mensagens em uma taxa maior do que a capacidade que o receptor tem de recebê-las [7].

A camada de transporte também determina que tipo de serviço é oferecido à camada de sessão e, em última análise, aos usuários da rede. Dentre os tipos de conexão de transporte, o mais popular é um canal ponto a ponto livre de erros, que entrega as mensagens na ordem em que as recebeu. Outros tipos possíveis de transporte são a difusão de mensagens para múltiplos destinos e o transporte de mensagens isoladas sem garantias da ordem de entrega. Temos que o tipo de serviço é determinado quando a conexão é estabelecida. Podemos dizer que a camada de transporte é uma camada origem-destino ou camada fim a fim,

isto é, um programa no computador de origem conversa com um programa similar no computador de destino, usando os cabeçalhos das mensagens e mensagens de controle. Nas camadas inferiores, os

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3.5.6. Camada de Apresentação

A camada de apresentação assegura que as informações enviadas pela camada de aplicações de um sistema sejam reconhecidas pela camada de aplicações de outro sistema. Se for necessário, essa camada traduz formatos de representação entre múltiplos dados utilizando um único formato de representação de dados.

A camada de apresentação preocupa-se não somente com o formato e a representação dos dados, mas também com as suas estruturas usadas por programas. Portanto, além de modificar o formato dos dados, quando necessário, ela também negocia a sintaxe da transferência de dados da camada de aplicações [7].

Um típico exemplo de um serviço executado pela camada de apresentação é a codificação de dados, em alguma forma padrão estabelecida previamente. A maioria dos programas do usuário não troca cadeias aleatórias de bits. Eles trocam itens como, por exemplo, nomes de pessoas, datas, quantias em dinheiro e faturas, que são representados como cadeias de caracteres, inteiros, números em ponto flutuante e estruturas de dados compostas de vários itens mais simples. Computadores diferentes podem ter codificações diferentes para representar caracteres como, por exemplo, ASCII e EBCDIC; inteiros, como complemento de um e complemento de dois, e assim por diante. Para possibilitar a comunicação entre computadores com representações diferentes, as estruturas de dados que devem ser trocadas podem ser definidas de forma abstrata, junto com uma codificação padrão, para ser utilizada então “na linha”. Temos com isso que a camada de apresentação tem a tarefa de gerenciar essas estruturas abstratas de dados e convertê-las da representação utilizada dentro do computador para a representação padrão da rede, além de também se preocupar com outros aspectos da representação da informação como, por exemplo, a compressão de dados, que pode ser utilizada para reduzir o número de bits que devem ser transmitidos, e a criptografia, que é freqüentemente requerida para privacidade e autenticação [1].

3.5.7. Camada de Aplicações

A camada de aplicações é a camada do modelo OSI que mais aproxima-se do usuário. Ela é diferente das camadas anteriores, uma vez que não pressa serviços para qualquer uma dessas, mas preferivelmente para processos de aplicação como, por exemplo, o correio eletrônico e a consulta a diretórios. Temos que ela identifica e estabelece a disponibilidade de pares desejados de comunicação, sincroniza aplicações cooperadas e estabelece permissão nos procedimentos de recuperação de erros e controle da integridade de dados. Adicionalmente, essa camada determina se existem recursos suficientes para a comunicação desejada [7].

Essa camada contém uma variedade de protocolos comumente necessários. Como exemplo, temos que existem vários tipos de terminais diferentes no mercado, o que causa grandes problemas de

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compatibilidade. Considere a dificuldade pela qual um editor de tela passa para funcionar através de uma rede com muitos tipos diferentes de terminais, cada qual com diferentes layouts de tela, seqüências de escape para inserção e deleção de texto, movimentos do cursor, etc.

Uma forma de resolver esse problema é definir um terminal visual de rede abstrato, de tal forma que editores e outros programas capazes de lidar com ele possam ser escritos. Para manipular cada tipo de terminal, deve-se escrever um trecho de software para mapear as funções do terminal virtual de rede para o terminal real. Por exemplo, quando o editor move o cursor do terminal visual para o canto superior esquerdo da tela, esse software deve dar a seqüência de comandos apropriada para que o terminal real desloque o cursor para lá. Todo o software para o terminal visual está na camada de aplicações.

Uma outra função da camada de aplicações é a transferência de arquivos. Sistemas de arquivos diferentes têm convenções de nomenclatura diferentes, formas diferentes de representar linhas de texto, e assim por diante, sendo que essas e outras incompatibilidades apresentam-se na transferência de arquivos entre sistemas diferentes, ficando então a cargo da camada de aplicações solucioná-las [1].

4. Os protocolos

Agora que já estudamos as diferentes funções de cada uma das 7 camadas do modelo OSI, iniciaremos um estudo mais detalhado dos protocolos constituintes dessas camadas. Tendo como base a rede do CBPF, iremos estudar os principais protocolos utilizados na Internet, em uma rede Novell e em uma rede NT.

Como já sabemos, um protocolo é um sistema de comunicação de dados que permite que 2 computadores diferentes troquem informações. Começaremos falando à respeito dos protocolos utilizados na Internet, explicando em detalhes quais as funções de cada um deles. Inicialmente, mostramos uma tabela que mostra a relação entre as camadas do modelo OSI com os protocolos utilizados na Internet.

Modelo OSI INTERNET Camada de Aplicações Camada de Apresentação Camada de Sessão

TELNET / FTP / SMTP NFS / SNMP / DNS

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O IP suporta priorização de tráfego, permitindo que pacotes sejam classificados com algum tipo de serviço abstrato.

  • Opções:

O protocolo IP possui diversas características opcionais, como por exemplo, permitir que alguém que esteja enviando um pacote qualquer determine condições no caminho que esse pacote utiliza através da rede, traçar a rota utilizada pelo pacote e classificar os pacotes com características seguras [11].

4.1.1. Endereço IP

O endereço IP é uma identificação para um computador ou um dispositivo qualquer de uma rede TCP/IP [12]. O TCP/IP ( Transmission Control Protocol / Internet Protocol ) é um conjunto de protocolos de comunicação. As informações enviadas pela Internet são dependentes do TCP/IP, fazendo com que ele seja utilizado como um protocolo primário de rede na Internet [10].

Temos que as redes que utilizam o protocolo TCP/IP roteam mensagens baseadas no endereço IP de destino. O formato de um endereço IP é o de um endereço numérico de 32 bits escritos como 4 números, também conhecidos como octetos, que são separados por pontos. Temos que cada um desses quatro octetos representam campos de 8 bits.

Com uma rede isolada, pode-se determinar um endereço IP qualquer, respeitando o fato de que cada endereço deve ser único. Contudo, registrar uma rede privada à Internet requer endereços IP registrados, chamados endereços da Internet, para evitar possíveis duplicações.

Os 4 números ou octetos de um endereço IP são usados de maneiras diferentes para identificar uma rede particular e um host qualquer nessa rede [12]. Classifica-se endereços da Internet registrados em 4 classes:

  • Classe A:

Suporta 16 milhões de hosts em cada uma das suas 127 redes. Nessa classe de rede, temos que se o primeiro bit do seu endereço IP for 0, então os próximos 7 bits serão destinados ao número de rede e os 24 bits (3 octetos) restantes, aos números de dispositivo. Abaixo, temos uma representação da divisão em octetos dessa classe.

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  • Classe B:

Suporta 65.000 hosts em cada uma das suas 16.000 redes. Aqui, temos que se os 2 primeiros bits forem 1 e 0, respectivamente, então os próximos 14 bits serão destinados ao número da rede e os 16 bits (2 octetos) restantes aos números de dispositivos. A representação relativa a essa classe encontra-se abaixo.

  • Classe C:

Suporta 254 hosts em cada um dos seus 2 milhões de redes. Se os seus 3 primeiros bits forem 1, 1 e 0, respectivamente, então os próximos 21 bits serão destinados ao número de rede e os 8 bits ( octeto) restantes aos números de dispositivos. Abaixo, podemos ver a sua representação.

  • Classe D:

Se os quatro primeiros bits forem 1, 1, 1 e 0, respectivamente, então o valor do primeiro octeto pode variar entre 224 e 239 e dizemos que esse número é um endereço multicast. Os próximos 28 bits compõem um número de identificação de grupo para um específico grupo multicast. Podemos concluir então que um endereço IP multicast é um endereço destinado a um ou mais hosts ou dispositivos, ao