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Um relato de uma entrevista com uma jovem surda que concluiu o ensino médio sem a ajuda de interprete de libras na escola. Ele discute as dificuldades enfrentadas pela entrevistada na comunicação com sua família e professores, e a importância da libras na sua aprendizagem. O documento também aborda a situação atual da educação inclusiva no brasil e as expectativas para o futuro.
Tipologia: Manuais, Projetos, Pesquisas
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Química Universidade Federal do Amazonas (UFAM)
Acadêmico: Tiago Sá de Paula Curso: Licenciatura em Química Professor: Hamilton Pereira Rodrigues Assunto: Entrevista com um surdo(a)
Segundo a entrevistada, sua surdez se deu por conta de um acidente que aconteceu quando ela tinha apenas 11 anos de idade. Ela caiu de uma árvore e bateu com a cabeça, ficou gravemente hospitalizada e em poucos meses perdeu completamente a audição. Em relação ao dialogo com seus familiares, a entrevistada disse que foi bastante complicado no começo, mas que aprendeu a fazer leitura labial e é dessa maneira que se comunica com os familiares que não sabem Libras ou usando sinais próprios (caseiros). Podemos perceber que este é um caso que é vivenciado por grande parte da comunidade surda, pois muito comumente os familiares fazer uso de sinais próprios para comunicar-se com os surdos, sendo que, na maioria das vezes estes não têm conhecimento da língua brasileira de sinais, para que possam se comunicar melhor. Ao ser perguntada se na escola em que concluiu o ensino médio havia algum professor interprete de libras, ela respondeu que nunca teve e que tinha que se esforçar pra conseguir entender os assuntos, fazendo leitura labial e que muitos professores eram indiferentes e impacientes com ela. Inclusive, Rosângela disse que, essa ‘indiferença e impaciência’ por parte dos professores foi a sua maior dificuldade enfrentada na escola. Essa é uma triste realidade de muitos surdos que tentam estudar nas escolas públicas, principalmente em municípios isolados do Brasil. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB), nº 9.394/96 (Brasil, 1996), no Capítulo III, art. 4º, inciso III, diz que é dever do Estado garantir o “atendimento educacional especializado gratuito aos educandos com necessidades especiais, preferencialmente na rede regular de ensino”. Inclusive, o capítulo 5 da LDB 9.394/96 trata somente de aspectos referentes à Educação Especial. Entre os pontos especificados, o art. 58. § 1º diz que, sempre que for necessário, haverá serviços de apoio
Pode-se perceber que a surdez não é um problema para o surdo, pois foi relatado pela entrevistada, seu bom relacionamento com seus colegas ouvintes. Muitas crenças e preconceitos permanecem muito vivos e fortes na nossa sociedade, porém Segundo Gesser há um sentimento de mudança pairando no ar. A obrigatoriedade de formação nas áreas de licenciatura no ensino superior para surdos, a inclusão da LIBRAS em alguns currículos...Sem dúvida, o momento é do surdo e para o surdo. Mas nas ondas das boas novas também se infiltram as velhas praticas e os velhos discursos. A educação inclusiva no Brasil ainda está em seu estado embrionário, e sabemos que o apoio e o investimento dos governos são necessários. Todavia, esperamos que o contínuo aprimoramento de projetos nesse sentido, tanto na formação, como na formação continuada de professores, com o tempo sane ou pelo menos minimize os pontos decadentes do atendimento aos portadores de necessidades especiais. Por exemplo, em uma classe regular com inclusão pode haver um aluno surdo que necessite de um professor de apoio que saiba LIBRAS (Língua Brasileira de Sinais) para auxiliá-lo em todas as disciplinas. Quando as escolas públicas do Brasil dispuserem desses profissionais, independentemente de onde estejam inseridas, com certeza, realidades como a vivenciada pela entrevistada serão evitadas.
Questionário Nome: Rosângela da Silva Soares Idade: 35 anos Onde mora: Governador Eugênio Barros - MA Estado civil: Solteira
**1. Surdo de Nascença?