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Guias e Dicas
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Relatorio Educação Ambiental, Provas de Engenharia Ambiental

Relatorio referente a Educação Ambiental da Escola de Ensino Fundamental Professora Augusta Knorring no município de Brusque, SC no ano de 2007.

Tipologia: Provas

2011

Compartilhado em 12/05/2011

estacio-odisi-5
estacio-odisi-5 🇧🇷

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Programa “Trilha da Vida:

(Re)Descobrindo a Natureza

com os Sentidos”

Um Caminho Transdisciplinar na Formação

de Educador@s Ambientais

Relatório da Formação em Educação Ambiental do Núcleo de

Pesquisa e Educação Ambiental Augusta Knorring –

(Secretaria Municipal de Educação – Brusque, SC), realizado

no período de 20 horas/aula

Brusque, SC

Buscando o sentido

O sentido, acho, é a entidade mais misteriosa do Universo. Relação, não coisa, entre a consciência, a vivência, as coisas e os eventos. O sentido dos gestos. O sentido dos produtos. O sentido do ato de existir. Me recuso a viver num mundo sem sentido. Precisamos buscar o sentido.

Pois isso é próprio da natureza do sentido: ele não existe nas coisas, tem que ser buscado,

numa busca que é sua própria fundação. Só buscar o sentido faz, realmente sentido. Tirando isso, não tem sentido.

Leminski

Sumário

Introdução.............................................................................................. 1

Capítulo I – Marco Conceitual

1. Desenvolvimento da vivência “Caminhos de Encontros e Descobertas”...........................
2. Desdobramento da vivência – Sistematizações...............................................................
3. Avaliação das atividades referentes ao marco conceitual................................................

Capítulo II – Marco Situacional

1. Resgate ao módulo do Marco Conceitual........................................................................
2. Formação da identidade do grupo...................................................................................
3. Concepção de Educação Ambiental dos projetos realizados e do plano de ação do
grupo...............................................................................................................................
4. Avaliação das atividades referente ao Marco Situacional...............................................

Capítulo III – Marco Operacional

1. Apresentação – Palestra com José Matarezi..................................................................
2. Sonhos de Educação Ambiental para a escola...............................................................
3. Propostas de ação...........................................................................................................
4. Referências recomendadas.............................................................................................
5. Avaliação das atividades referente ao Marco Operacional.............................................
6. Celebração de encerramento do curso...........................................................................

Considerações Finais............................................................................ 79

Apêndices

Apêndice A – Proposta do curso.........................................................................................
Apêndice B – Programação do curso..................................................................................
Apêndice C – Lista de participantes....................................................................................

Introdução

O Marco Conceitual do grupo é trabalhado a partir de uma vivência
significativa no Experimento Educacional Transdisciplinar “Caminhos de Encontros e
Descobertas”, o qual se torna inicializador da construção individual e coletiva de
conhecimentos relativos a Educação Ambiental. As atividades relacionadas a este
Marco Conceitual estão descritas no Capítulo I.
No segundo encontro realizou-se um resgate ao conteúdo pertinente ao
primeiro encontro, como a rede semântica, mapa simbólico e as narrativas, a fim de
firmar o Marco Conceitual do grupo sobre Educação Ambiental (conceitos,
princípios, atitudes e valores) confrontando com a prática educativa na escola,
formando assim o Marco Situacional do referido grupo. O processo foi conduzido
através de reflexões críticas e sistematizações construídas pelo grupo bem como a
geração de textos coletivos. Esta análise crítica da práxis educativa na escola
permite a visualização de ações e propostas de inserção da Educação Ambiental

Introdução

desejada pelo grupo. Esse processo é descrito detalhadamente no Capítulo II, que
se refere ao Marco Situacional.
O terceiro encontro se tornou apropriado para que as ações e propostas,
articuladas anteriormente com os Marcos Conceitual e Situacional, possam ser
planejadas visando sua operacionalização e efetivação enquanto Projeto Político
Pedagógico da Escola, remetendo assim ao Marco Operacional do grupo conforme
descrito do Capítulo III.
Este processo de formação reconhece que o grande desafio dos educadores
  • cujo objeto de trabalho é o conhecimento e a aprendizagem - é justamente
descobrir e viabilizar as oportunidades de aprendizagem certas, no momento certo e
de forma pertinente a cada indivíduo, abrindo espaço para que a “mestria da
natureza” faça seu papel.
Em consonância com a proposta de enraizamento da Educação Ambiental no
país, o processo formador realizado vem atender à necessidade de promoção da
cidadania participativa, como meio de estruturação de uma educação formadora,
que possibilite avanços com relação ao campo social, ético e ambiental, mediante
ações de educação ambiental que sejam mais formativas do que informativas.
Assim, a Educação Ambiental Crítica se torna peça chave na valorização das
diversas dimensões da sustentabilidade, seja cultural, ambiental, social, econômica,
tecnológica, institucional e política.

Capítulo I - Marco Conceitual

1. Desenvolvimento da vivência “Caminhos de Encontros e

Descobertas”

A presente vivência ocorreu na Fundação Ecológica e Zoobotânica de
Brusque no dia 8 de agosto de 2007 envolvendo 27 professores da escola
realizadora Escola de Ensino Fundamental Professora Augusta Knorring e de outras
escolas municipais e estaduais convidadas.
No primeiro momento realizou-se a abertura institucional com representantes
da Secretaria Municipal de Educação de Brusque, Fundação Ecológica e
Zoobotânica de Brusque, Escola de Ensino Fundamental Augusta Knorring e
ministrantes do Laboratório de Educação Ambiental da UNIVALI.
Na seqüência os participantes foram encaminhados para a etapa preparatória
da vivência “Caminhos de Encontros e Descobertas”, iniciando uma acolhida e
centramento dos participantes para o fluxo de atividades a serem vivenciadas. Nesta
etapa trabalhou-se o grupo para que despertasse os sentidos e houvesse um
centramento individual e coletivo na proposta da vivência. O trabalho foi mediado
pela ministrante Renata Inui com duração de 30 minutos.

Acolhida e centramento dos participantes

Para dar início à vivência “Caminhos de Encontros e Descobertas”, foram
passadas algumas orientações aos participantes sobre como se conduzir na
vivência, tais como: explorar, procurar, descobrir e/ou encontrar um lugar para
permanecer, possibilitando realizar uma troca simbólica entre um punhado de terra e
algo que fosse significativo para cada um. Além disso, foi requisitado aos

Capítulo I - Marco Conceitual

participantes para que isolassem a fala gerando uma atenção maior para com o
experimento.

Procurar Encontrar um lugar para permanecer

Interagir com o ambiente Realizar a troca simbólica

Interagir sem fala Descobrir

Ao término do experimento formou-se uma grande roda onde os participantes
realizaram uma convergência e diálogo para troca de experiências, através do
compartilhamento de narrativas individuais, proporcionando a escuta coletiva da

Capítulo I - Marco Conceitual

Narrador 04: Eu também em relação à atividade pensei a mesma coisa que a ela, não faz parte do meu pensamento pegar as coisas da natureza então pelo caminho agente achou alguns lixos, pegamos e colocamos na lixeira então acho que foi uma troca não necessariamente coloquei alguma coisa no lugar, mas eu tirei dela o que não fazia parte da natureza.

Narrador 05 : Eu peguei essa rede... Mas não gosto de pescar, venho de um estado lá no norte do Paraná onde ninguém tem o hábito de pescar, uma que não tem rio, não tem mar, muito poucos rios, só que ao olhar essa rede eu fiquei percebendo que o homem tem que buscar o alimento, caçar... Mas não dessa forma tão predatório como jogar uma rede onde ali ele vai captar vários peixes, menores ou maiores e só para ver como a natureza não repõe... Por isso eu peguei no sentido de fazer com que o homem pensasse um pouquinho mais...

Renata Inui: Como foi essa sua experiência de caminhar sem poder falar...

Narrador 05: Para mim é tranqüilo porque eu quase não falo, sou bem tímido, mas foi bem tranqüilo...

Renata Inui: E para ti, como foi?

Narrador 04: A gente não falou, mas acabou se comunicando com gestos, apertando a mão e mostrava... A gente curtiu muito o passeio na questão de observar os bichos, a natureza, mas nós nos comunicamos sem a fala...

Narrador 06: Eu não peguei nada porque eu fiquei caminhando, caminhando e resolvi não pegar nada. Aí para mim o mais angustiante foi não falar, aquilo ali eu achei que não ia conseguir, ficava olhando para um lado, para o outro dava quase que um desespero, porque eu precisava falar com alguém...

Narrador 07 : Eu peguei emprestado porque eu adoro esse barulhinho de chuva e há muito tempo eu sou uma admiradora da cultura indígena, do saber, do sentir das nações indígenas mesmas, do jeito que eles convivem com a natureza de uma forma totalmente diferente de nós, seres que parecem tão superiores... Então esse pequeno momento mesmo de imersão na natureza foi gostoso, foi um momento que eu gostei de ficar quieta, porque no meu trabalho geralmente tem que falar com muitas pessoas sempre... Então foi bem proveitoso, foi prazeroso...

Narrador 08: Este momento de não falar foi bem legal também porque eu venho aqui várias vezes, mas sempre com crianças, parentes e a gente vem caminhando, falando... Então hoje foi um momento bem diferente, porque eu vim aqui... Mas foi diferente das outras vezes porque eu pude olhar as coisas e sentir mais aquilo. Porque quando você vem com alguém você vem conversando, você vem brincando e hoje foi um momento de admirar... Então foi uma experiência bem diferente, apesar de ser um lugar que eu conheço bastante... Até assim para fugir dos caminhos já definidos, porque hoje eu fui por caminhos que eu nunca vou, então foi bem legal mesmo... E o objeto a princípio eu tinha pego uma banana, troquei porque é uma fruta porque é uma coisa que a natureza nos dá... Dentro do limite é claro, mas aí quando eu vi este colar eu achei muito lindo, porque é feito de sementes e os índios fazem muito bem o proveito da natureza para a arte de uma forma muito justa, não tirando dela mais do que pode então eu achei bem lindo e também faz um barulhinho gostoso e trouxe por isso. Mas foi bem legal a experiência de caminhar e sentir a natureza, observar as árvores, poder sentar um pouco e ver a natureza ali, dentro de um outro caminho, que não é o caminho que eu vejo sempre... Foi bem legal mesmo...

Capítulo I - Marco Conceitual

Narrador 09: Eu gostei muito do caminhar, mas eu fugi da regra, não era para conversar, mas eu acabei conversando com a professora e o que eu encontrei jogado foi essa embalagem de formicida que eu acredito que não deveria estar jogada no ambiente, uma que o plástico demora a se decompor e outro devido ao conteúdo que não pode ser inalado por isso eu trouxe, pois ele não deveria estar lá, outra coisa, que me chamou a atenção foram às cascas de tangerina que estavam jogadas por todo o recinto, não deveriam estar lá, deveriam ter um local apropriado para decomposição e depois ser lançado.

Narrador 10: Bom eu não tive problema em ficar em silêncio em sala de aula eu falo demais. Para pensar para refletir e a troca que eu fiz foi tirar do ambiente esses apitos que eu acho que não são uma coisa boa para o ambiente. O homem no caso perdeu tempo criando apito e métodos de caça, ele às vezes não utiliza isso para alimentação e sim pelo simples prazer de caçar então eu acho um ponto negativo da natureza que esta sendo retirado dela.

Narrador 11: Para mim a experiência foi ótima diferente da outra vez inclusive, retirei dali objetos indígenas pelo som, um elemento, milho um alimento básico dos indígenas da América, toda cestaria e arte indígena o esfrengaozinho que é milenar e isto aqui a higiene que no contato entre brancos e índios foi absorvido a higiene indígena, os europeus aprenderam com os índios que tomavam de dez a doze banhos por dia enquanto os europeus de um a dois por ano. Neste sentido eles eram civilizados, houve uma troca em relação ao ambiente, eu fui sentir e cheirar, foi escutar a solução da seiva nas arvores cheguei próximo aos animais da América latina a Yama para também observar mias de perto esses animais bem diferentes que era nosso cavalo da América, mais foi muito bom sentir o cheiro do verde da natureza, orvalho nas arvores, a natureza nos ensina muito os ciclos que coisa perfeita a fruta que a terra nos dá, não existe nenhum produto industrializado que chegue aos pés.

Narrador 12: Eu acho que o processo de troca já iniciou quando estávamos indo para lá chegando no espaço onde fizemos a toda de aquecimento, esta troca de energia, geralmente no zoológico a gente passa os animais ficam mais ariscos, mais assustados eu cheguei mais próximo, os animais transmitem paz e de alguma forma eu transmiti paz também que eles não se sentiram ariscos e este objeto aqui que deve ser indígena também tomando um pouco sobre o que o professor acabou de falar tem uma curiosidade muito grande sobre a historia de Brusque um pouco da natureza sobre este silencio de entender um pouco senti um pouco a própria natureza as pessoas que tiveram o contato de viver em harmonia tem ainda hoje tanta capacidade de ensinar para gente e nós o olhamos como ser inferiores como o professor fala, que os portugueses eram civilizados eu estava ironizando, tanto os civilizados os superiores aprenderam os hábitos com os índios.

Narrador 13: O que é ser civilizado então? É fácil um povo chegar há um lugar e dizer vocês não são e eu sou, é uma descoberta a ser feita. O que é ser civilizado?

Narrador 11: São culturas diferentes, não se podem colocar níveis hierárquicos são culturas diferentes não se pode ter um padrão de comparação.

Capítulo I - Marco Conceitual

Narrador 11: Na cultura Itararé já é uma outra fase a fase da cerâmica que é posterior, mais lembrando o que a menina falou ali do sul, mais urbana. Mais o urbano também para o meio ambiente.

Narrador 02: Não é questão pegar uma coisa, e eu deixo ali. Não é para mim, não pego...

Narrador 11: Ambiente urbano é um ambiente transformado impactado.

Narrador 02: Geração barbie... (risos)

Narrador 16: Já faz um bom tempo que eu vim aqui e eu me lembro deste lugar da minha época de infância praticamente. E hoje a sensação foi muito diferente assim eu me lembro daquelas épocas de escola que era de muita alegria de meus primos e hoje eu senti muita tristeza aqui. Isso foi o sentimento e hoje eu refleti a grade, aquele macaco deve estar há uns cinco a dez minutos olhando para nós e até que ponto a grade esta para proteger ele de nós? Então eu vi aqueles pássaros com asas enormes numa gaiola muito pequena eu comentei isso depois deve ser animais que estavam doentes, muito machucados, vamos pensar que exista zôo e fazem a captura, isso me remeteu a época de escravidão também, algo terrível e de certa forma nos fazemos isso com os animais, não só aqui para nosso deleite para ver uma espécie ao vivo se movimentando as próprias pesquisas cientificas, são ratos, camundongos mais também são seres vivos que ao final do experimento vão acabar sucumbindo e nos perguntam ta mais não existe um ser maior que como nós. Para que eles servem? E até que ponto isso é justo, isso é digno fazer este sacrifício todo esse martírio esse sacrifício de sangue que os próprios povos indígenas muito faziam e ate que ponto isto é racional e eu saio com o pensamento angustiado de mal estar mais não insatisfeito de forma alguma e na infância eu lembro de fazer a arapuca de bambu do meu avô, ensinou bem, talvez fala que é um prazer cruel isso. È muita coisas que não percebemos e subjugamos, espero que reverta em transformação.

Narrador 15: Fazendo só um comentário, as gaiolas as grades do condomínio vem para trazer proteção, nós também vamos pensar não na nossa cidade que é menor mais nós já vivemos em gaiolas um pouco maiores.

Narrador 11: Nós temos que lá criar grades para mostrar que essas espécies vivas vão desaparecer que existe algo em extinção.

Narrador 17 : O que eu vou falar é bom. O que eu senti é que eu não podia falar com o papagaio. Como eu tenho papagaio em casa e o meu papagaio não é preso em gaiola, é solto dentro da casa fora no terreno. Eu me sentia que eu queria falar com ele, mas eu não podia falar daí eu comecei a assoprar porque de alguma maneira que tinha que me manifestar. Então quando o Fernando falou da gaiola da parte que é fechado é que assim se eles não deixarem fechado aqui neste ambiente que não é um ambiente próprio nós demos um problema serio. Como eu crio galinha em casa e eu também tenho que deixar tudo fechado. Na parte de cima tem que deixar fechado porque nós temos um amiguinho chamado gambá. Esse gambá ele é uma destruição total, ele é um ser da natureza, mas o Gambá ela faz tanto que eu conversando com o pessoal daqui, eles disseram que morreram não sei quantos animais quando nós viemos fazer o encontro. Eles disseram esse morreu, aquele morreu porque o Gambá, tem um esquema de matar que ele só fisga aqui o pescoço e já mata, na aveia principal. Então ele puxa com a cola e cabeça para poder matar.

Capítulo I - Marco Conceitual

Narrador 17 (Continuação) : Então é muito interessante isso ai, e eu sei como que é porque eu tenho galinha em casa e continuo tendo né e sei como ele faz. Então você não pode deixar nada aberto. Ele disse que tinha um espaço de algumas gaiolas estavam com perfurações e o gambá matou os animais. Então se é para deixar aqui onde tem um acesso para o meio ambiente, então eles são obrigados a deixar tudo com tela, senão o Gambá não deixa um animal desse vivo. Eu peguei este objeto porque é um objeto que eu sempre brincava quando criança a peteca, um objeto que eu né adorava brincar de peteca por isso que eu peguei este objeto. Esse aqui eu não sei o nome, eu achei muito interessante, eu não sei o nome. Como é o nome disso? Caleidoscópio? Eu achei muito interessante, por isso que eu peguei esses dois objetos. Esse porque era o brinquedo da criança e esse aqui eu achei muito interessante.

Narrador 18: Com eu peguei o artefato indígena porque tem muito haver comigo. Tem muito haver comigo mesmo porque é dos meus ancestrais diretos, meu bisavô era índio a família toda dele foi morta aqui em Brusque, só ficou meu bisavô vivo, quem não sabe o meu bisavô é o João Bugre que eu já comentei com a Karina um dos fundadores aqui de Brusque, eu tenho muito artefato do meu bisavô em casa ainda que é dele mesmo da época indígena faca, cachimbo arco e flecha tudo o que foi feito por ele de maneira artesanal a gente tem em casa, a gente tem bastante coisa. Então quando eu vi um chocalho eu lembrei dele, daí pensei vou pegar que tem alguma certa ligação comigo.

Renata: Como foi para você essa experiência da vivencia de não falar?

Narrador 18: Bom eu já fiz essa vivencia no ano passado foi muito mais complicado, esse ano já achei um pouquinho mais fácil ficar em silêncio.

Narrador 19: bom primeiro eu vi esse bicho que é parecido com esse aqui que ta na flauta, é uma flauta né? Ou alguma coisa que toca, não sei. E daí eu fui lá perto do bicho e quando eu cheguei perto daquele bicho grande ele foi para trás e eu fui indo. Daí pensei: ele correu de mim, eu vou correr dele também não é, quando ele correr eu vim, mais quando eu vinha vindo para ir embora ele voltou, então pensei: ele quer conversar. Voltei de novo e fiquei parada e ele olhando para mim e eu olhando para ele. Eu achei aquele experiência boa porque a gente olha de longe, a gente tem medo porque um bicho tão grande não é e olhar dele parecia que ele era inofensivo. Daqui pouco eu olhei todo mundo no mato e pensei eu vou para o mato também. Entoa fui... Eu achei esse objeto que troca aí pensei: já que eu não posso falar, tocar eu posso. Encontrei esse potinho, mais um pouquinho de terra ali, se faltar prato pro almoço eu tinha esse, e encontrei o machadinho e pensei daqui a pouco vem o Diego no meu lado se ele começa com muita coisa eu do com o machadinho nele e agora que eu vi que ele era parente estava mais do que certo então. Foram três objetos que me chamaram a atenção que iria me ajudar a se prevenir mais eu adorei.

Narrador 20: Eu peguei este enfeitizinho bem interessante este artesanato que estava no chão, tudo feito de folhinhas para enfeitar a porta estava tudo juntinho e mas um objeto eu acho que é indígena aquele ali eu achei diferente, tão bacana então peguei tudo e me incomodei um pouco com o silencio que eu sou bastante falante e me irritei um pouco em certo momento e falei para a Carina e não agüento ficar sem falar e ela falou, eu também não agüento. Mais assim eu adorei, eu moro bem próximo aqui do zoológico e nunca imaginei que fosse tão lindo o lugar e me encontrei, é bastante rico para cidade de Brusque e achei que valeu.

Capítulo I - Marco Conceitual

Narrador 25: A principio o que seria convivência? A gente chegou ali fez aquecimento, propôs que a gente fizesse uma troca com a natureza. Tudo bem, eu peguei a terra e fui fazer uma troca com a natureza sem prejudicá-la. Olhando lá as ararás uma... Que gostaria de pegar mas estava dentro da jaula daí tudo bem. Fui andando um pouco mais para cá onde estariam os objetos todos, mas até então eu não imaginava que estaria. De longe vi este aqui e pensei, o que será isto? Fui lá perto e vi é uma bolsa, feita de material reciclável, que não deveria esta ali, foi colocada, não sabia ate onde o porquê. Até tinha uma maçã que tantos os animais quanto o homem, podem sustentar através dela. Gostei muito, eu adoro este ambiente, fazia muito tempo que eu não vinha.

Narrador 26: Eu também peguei a peteca, como a falou, por ser algo que me chamou a atenção da minha infância. Não era de pena assim, era feito de plástico, mais foi o que me chamou a atenção. O fato de estar em silencio eu sou assim, eu sou quieta, não sou muito de falar e eu me senti bem naquele local, o silencio, o barulho das arvores. Para mim é complicado falar, eu sou meio fechada.Foi bom estar naquele lugar.

Narrador 15: Então eu queria fazer um parênteses, desta vez eu não participei, mas participei da ultima vez e vou dar mais ou menos um breve relato de como foi essa vez para mim. Muita gente até achou que eu viajei um pouco demais no que eu falei porque eu falei que eu não usei cinco sentidos eu usei seis. Porque além dos que eu tava usando, eu usei uns sentidos diferentes para o que eu ia fazer amanhã. Por que às vezes a gente acorda assim, meu porque que eu to vivendo? Porque eu to fazendo isso? Para que eu tenho que ir trabalhar, se quiser eu não preciso trabalhar, eu posso fazer o que eu quero, mais qual é o sentido que eu vou dar para minha vida o que eu vou fazer quando crescer? Então, aquela coisa né... Quando eu era pequeno eu tinha que ter uma profissão boa para ter um pouco de conforto. O conforto era ter dinheiro e uma profissão boa, ter uma piscina, uma casa linda, ou Será que era ter aquele contato com amigos que a gente tem por perto e até as dificuldades são legais e quando tem dificuldade à gente gosta de fazer algumas coisas, quando é fácil a gente deixa para amanha, é mais ou menos assim, então era mais ou menos isso que eu queria colocar.

Renata Inui : Alguém quer falar alguma coisa mais? Como é que foi para vocês esse contar a experiência?

Narrador 08: Um aprendizado, ouvindo os outros falarem, dizendo coisa que a gente viveu e não percebeu e poderia ter falado isso também, complementando.

Narrador 14: Eu até pensei uma concha aqui? Não combina, mas na hora de minha fala eu não coloquei isso, eu coloquei outras coisas e esqueci de colocar isso.

Narrador 12: Agora a concha na combina, mais há milhões de anos que era tudo mar.

Narrador 11: O interessante é a troca das percepções.

Narrador 08: Para cada um tem um significado diferente, como tudo na vida é muito relativo. A gente fez o mesmo caminho e andamos pelo mesmo lugar, mas como cada um percebe as coisas diferentes é a troca. Então a importância do grupo não é, como nosso trabalho percebem as coisas diferentes, então é na fala que a gente consegue entender o outro até problemas ou coisas da vida. Então essa troca é fundamental, porque se cada um tivesse ido lá e tivesse ido embora, não teria este aprendizado, não teria sentido.

Capítulo I - Marco Conceitual

Narrador 07: Como tem essas pessoas que tem essa proximidade maior com o meio ambiente, isso nós devemos estar buscando no nosso dia-a-dia. Eu percebi muito isso, tem pessoas que tem uma ligação muito próxima que conseguem ir lá, sentir, meditar, ficar calma. Eu ainda tenho que buscar muito isso, acredito que a gente deve a cada dia estar buscando, é muito importante, com certeza.

Narrador 05: Eu acho que toda a ação, aliás a ética só tem validade dentro de uma ação e quando a gente fala em natureza nós estamos observando este espaço quadrado aqui e nós estamos observando dia após dia em qualquer lugar do país, aqui na cidade de Brusque, em qualquer outra região que a cidade ta desmatando dia após dia e tirando da natureza, tirando o que? Tudo o que ela tem e colocando concreto, bairros, cidades, destruindo morros; e a gente fala em preservar a natureza, mas será que é só esse espaço aqui a natureza? O homem trocou tudo isso em prol disso aqui, então eu acho que a natureza não se limita a isso aqui, em zôo botânico.

Narrador 02: Assim ó, para mim a natureza é mais animal, é bicho eu gosto disso. Eu gosto de bicho, adoro o macaco, agora eu quero ter um macaco. Árvore, folha não me chama atenção, eu sei que estou errada, mas eu preciso aprender e o. está me ensinando aos poucos, mas tudo que eu tenho como o animal eu cuido bem, todo mundo sabe que eu cuido bem dos meus animais. Então isso me chama muito mais a atenção o animal, do que andar no meio do mato, eu gosto do animal, eu cuido dele.

Narrador 03: Cada um foi com uma percepção, uns foram focados para descobrir coisas mesmo, outros foram para sentir, outros para se desligar do mundo, então cada um tem uma percepção e essa troca é bem válida.

Narrador 12: Eu achei legal o pessoal estar interagindo, discutindo. Porque cada um tem um histórico de vida, um conhecimento, uma experiência. Claro que vocês planejaram uma proposta, vocês tinham um objetivo com isso; mas, por exemplo, eu falei uma coisa, o Cássio um completamente diferente, ela falou outra diferente. Eu acho que o conjunto de tudo isso é uma coisa muito rica, cada um percebe de um jeito, cada um interage de um jeito e é uma coisa muito rica, cada um sentiu, cada um é uma individualidade, cada um percebe de um jeito. Ah eu tava sentindo um pouco a arvora, o Estácio sei lá, começou a pensar na vida dele. Claro aquilo de repente foi importante, aquele ambiente interagiu com ele e fez com que ele refletisse sobre aquilo aquele momento. Então eu que a formo como cada um interage, cada um fala o que sentiu, o que pensou é muito rico.

Narrador 11: Tem que ficar o exemplo para gente levar isso pros nossos alunos. Talvez a gente não ta tendo essa capacitação direta, mas nós podemos tentar levar tudo que a gente vivenciou para que posse sensibilizá-los para que as futuras gerações possam cuidarem mais do meio- ambiente porque eles vão precisar dele. Então nós só devemos ser molas, propulsores desse conhecimento, dessa. vivência de hoje, dos cursos de Educação Ambiental pra levar isso, usar isso, multiplicar isso, assim eu penso - não devemos guardar isso só pra nós.