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Este relatório apresenta a experiência de um estágio de observação na escola estadual conselheiro samuel mac dowell, com foco em três temáticas: caracterização das salas de aula e dos envolvidos, rotina pedagógica e relações interpessoais e aprendizagem. O estágio foi orientado por cristiane menezes e teve duração de 60 horas. A observação foi feita em salas de aula do 7° e 9° ano do ensino fundamental, com foco em assuntos como ecossistemas, poluição, ciclos biogeoquímicos e genética.
Tipologia: Notas de estudo
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Este relatório tem, entre outras finalidades, expor a experiência do Estágio de Observação da disciplina Prática de Ensino de Ciências Biológicas I, realizado na Escola estadual Conselheiro Samuel Mac Dowell, com alunos do 7° e 9°ano do Ensino Fundamental – turmas A e B -, e do 1° ano do Ensino Médio, do turno diurno, no Município de Camaragibe - PE. O estágio foi orientado pela professora Cristiane Menezes e teve colaboração da professora Ana Cláudia, sendo realizado no período de 12/04/2010 a 02/06/2010, com duração de 60 horas/ aula. A observação foi divida em três temáticas: caracterização das salas de aula e os sujeitos nela envolvidos, considerando os seguintes aspectos: condições físico-ambientais, a turma e os professores; a segunda foi à rotina pedagógica, focando a rotina da sala de aula e o planejamento, e para finalizar, as relações interpessoais e a aprendizagem, bem como os critérios e concepções de avaliações.
A Escola Estadual Conselheiro Samuel Mac Dowell localiza-se na Avenida Tiradentes, nº 455, Bairro Jardim Primavera, CEP: 54753-000, Camaragibe – Pernambuco. Telefone: 81-3458.2818 Foi fundada em 23 novembro de 1977 pelo Ato de funcionamento: decreto lei n° 4.812, pelo governador então em exercício.
. Com o objetivo de alfabetizar e educar crianças que não tinham condições financeiras de investir em estudos particulares. Atualmente, a instituição funciona nos três turnos da Manhã, Tarde e Noite com aproximadamente 2500 alunos, dos quais a maioria é carente. O colégio conta com uma biblioteca, que servem aos alunos como fonte de pesquisa, um grande auditório que é usado para eventos internos, aulas e reuniões com pais e comunidade, salas de aula com uma boa infra estrutura, bem iluminadas e carteiras em bom estado. Apesar do excelente espaço físico e estrutural a escola dispõe de laboratório de ciências, e outro de informática. Quanto a Linha pedagógica, a escola tem por base garantir a transmissão, sistematização e assimilação dos conteúdos e conhecimentos historicamente acumulados pela humanidade ao longo do tempo. Para isso, pautam a linha pedagógica nos princípios da pedagogia moderna, respeitando o ritmo de aprendizagem dos alunos e oferecendo-lhes oportunidade de pesquisa, liberdade para questionar e colocar seus pontos de vista. Proporcionam atividades fora do espaço da sala de aula, gerando discussões de temas atuais, buscando assim, torná-los co-participantes do seu próprio desenvolvimento social e intelectual. Contando com um excelente quadro de professores, a maioria com Pós Graduação e experiência em várias instituições bem conceituadas de ensino.
No período de Abril á Junho de 2010, foram observadas duas turmas de ensino médio, 1º ano (turma A e B), no turno da manhã; as turmas possuem entre 25 a 30
no assunto, após copiar a letra ela explicou o significado de cada palavra (plasma lema, lipoproteica, entre outros), depois os alunos cantaram junto com ela e em seguida deu início a aula expositiva a respeito do Citoplasma, sua composição, função e organóides. O terceiro e quarto momento com as turmas aconteceram no dia 18/05, as aulas foram expositivas com o tema organóides, também aconteceu sem auxilio de recursos audiovisuais, a professora se esforça para prender a atenção dos alunos, sempre responde as perguntas feitas e sempre faz comentários de revistas cientificas a respeito do conteúdo. O quinto encontro, no dia 21/05 a professora levou os alunos pra o auditório onde avia um projetor e com seu notebook para mostrar aos alunos em PowerPoint e alguns vídeos alguns assuntos já visto (transporte transmembrana, fagocitose, pinocitose, microtúbulos, etc.,) sendo bastante rico e proveitoso este momento, pois os alunos puderam visualizar um pouco do que já aprenderam. Os alunos que em aulas expositivas mostravam-se desestimulados, foram os mais envolvidos. A turma A, conseguiu envolver-se mais que a turma B, fazendo perguntas e tecendo comentários jamais feitos em aulas anteriores. No sexto encontro, dia 25/05 o tema da aula foi núcleo interfásico, a professora inicia a aula fazendo algumas perguntas a respeito do núcleo, do seu exterior, do seu interior e assim a aula desenvolve, finalizando em Genes. Os alunos das duas turmas mostram-se envolvidos quando começa a falar de DNA e RNA, das diferenças estruturais e funcionais, fazem perguntas e sempre muito solicita a professora responde a todos. Ao final da aula diz que na próxima aula os alunos terão um teste. O sétimo, e último encontro com turma, dia 02/06 a professora passa um exercício de fixação apenas com o conteúdo da aula anterior, 20 questões de verdadeiro e falso, onde a maioria das respostas eram falsas, mas todas tinham que ser justificadas. A princípio os alunos mostram-se bastante apreensivos achando que era uma prova, mas solicitam várias vezes o auxilio da professora para tirar suas dúvidas. No mesmo período (Maio à Junho), foram observadas também, com a mesma professora, as turmas de Ensino Fundamental, duas turmas do 9ª ano (antiga 8ª série), com aproximadamente 30 alunos cada uma, na faixa etária de 13 a 15 anos. O primeiro contato aconteceu com a turma B, uma turma bastante barulhenta, com alunos indisciplinados. Em todos os contatos com a turma, foi necessário a professora retirar alguns alunos de sala de aula. Nesta turma, a quantidade de meninos é o dobro da quantidade de meninas, e os alunos possuem baixíssimo rendimento. Após me apresentar a turma a professora iniciou a aula, também
expositiva, com auxilio apenas do quadro negro. O Tema foi ecossistemas e poluição tendo bastante dificuldade em ministrar o conteúdo, não por falta de base, mas por indisciplina da turma a professora escreve pouco no quadro e tenta envolve-los numa conversa, colocando apenas tópicos no quadro e alguns desenhos a respeito da cadeia alimentar, níveis tróficos, habitat, nicho. Mesmo com toda dificuldade de concentração da turma a professora consegue terminar o conteúdo proposto para aquele momento. O livro adotado pela instituição também é o de Sônia Lopes, mas dificilmente os alunos levam para sala de aula. Já no 9ª ano A, a turma possui uma base maior, é uma turma mais homogênea e menos barulhenta. A professora não sente muita dificuldade em ministrar suas aulas, o tema foi o mesmo da turma B, mas os alunos desta turma conseguem associar de maneira mais clara o conteúdo com o cotidiano, trazendo várias perguntas a professora. No segundo momento com as turmas a professora separa a turma em três grupos para ler o que tem no livro didático a respeito dos Ciclos biogeoquímicos, cada grupo ficou com um ciclo. Depois ela retirou dois alunos de cada grupo e formou outros subgrupos, onde cada uma explicaria a seu colega o ciclo que ficou responsável. E para finalizar a turma ficou num grande circulo, onde todos falaram um pouco de cada ciclo e a professora foi um mediador, orientando o rumo do conteúdo, fazendo perguntas e relações com o dia a dia deles. As duas turmas responderam de forma positiva a aula, a Tuma B, mais agitada, assimilou melhor o conteúdo e se envolveu, fazendo menos barulho do que nas aulas apenas expositivas. O terceiro encontro, a professora também levou para o auditório da escola e ministrou uma aula no PowerPoint com o tema Relações Ecológica, com várias figuras animadas, exemplos do dia a dia, e curiosidades. Conseguindo ministrar o conteúdo com envolvimento dos alunos, tanto da turma A quanto da turma B. O quarto encontro foi sobre Ecologia de População, apenas com o quadro negro, mais uma vez os alunos ficam inquietos, relacionam o conteúdo à geografia. Como no final de semana aconteceria a feira de conhecimentos do Ensino Fundamental, denominada de Expo Ciências, os alunos mostraram-se inquietos, querendo tirar várias dúvidas a respeito de seus trabalhos, que era relacionado à biologia. A professora não se estendeu muito no conteúdo para poder tirar duvida sobre a Expo. No quinto e último encontro com o Ensino Fundamental, aconteceu uma revisão da aula anterior e resolução do exercício do livro didático do capitulo relacionado ao tema ecologia de população. À medida que as duvidas surgiam os alunos chamavam a professora. Houve muita reclamação, pois os alunos queriam um questionário para estudar para a prova, mas a professora se recusou a fazer, argumentando que se eles conseguissem responder as questões do livro, fariam uma boa prova. E que a qualquer momento podiam procurá-la para esclarecer suas dúvidas.
tirando dúvidas dos alunos e tratando-os cordialmente, pois ela acredita que quanto mais próximo ficar de seus alunos, quanto mais quebrar a barreira existente entre professor–aluno, consegue que eles aprendam mais. Ou seja, a empatia, é um fator fundamental, na opinião da mesma, para a aprendizagem. Apesar de ser conhecida como “carrasco” por suas provas serem bem contextualizadas, os alunos tem bastante carinho e respeito pela professora. Segundo Saviani em sua teoria crítico-reprodutivistas, não pode ser possível “compreender a educação senão a partir dos seus condicionantes sociais”. A professora traz material de apoio disponibilizado na Xerox e deixa também na biblioteca, e suas aulas em PowerPoint disponibiliza no site pessoal, pois todos os alunos tem acesso a internet, seja por computador próprio, no laboratório de informática do colégio ou em lan house. O colégio proporciona ainda Encontros Família-Escola após cada etapa de avaliação, havendo uma boa representatividade dos pais nas reuniões, pois, assim como Saviani, a escola acredita que a base familiar é fundamental para desenvolvimento e aprendizagem dos alunos. Os alunos foram agentes ativos na transformação deste mundo, exercendo papel cidadão além do comprometimento com os conteúdos das disciplinas de sala de aula. Essas pequenas revoluções que acontecem na sala de aula (aquilo que podemos nos aventurar a chamar de ruptura ou quebra de paradigmas) podem dar a chance de uma transformação histórica num período maior de tempo.
SAVIANI, D. Escola e democracia. 32. ed. Campinas, SP: Autores Associados,1999.
www.americanobatista.com.br , visitado em 03/06/
"Educar e educar-se, na prática da liberdade, é tarefa daqueles que pouco sabem - por isto sabem que sabem algo e podem assim chegar a saber mais - em diálogo com aqueles que, quase sempre, pensam que nada sabem, para que estes, transformando seu pensar que nada sabem em saber que pouco sabem, possam igualmente saber mais" (Paulo Freire)