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relatório Estimar a população de coliformes totais e termotolerantes através do número mais provável (NMP).
Tipologia: Provas
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Rios, lagos e poços são fontes de água potável que constantemente podem sofrer contaminação microbiológica, uma vez que muitos resíduos são depositados ou podem infiltrar pelo solo contaminando fontes de água naturais. O esgoto doméstico ou sanitário é o grande poluidor das águas potáveis, além da contaminação com substâncias poluentes também é fonte de contaminação microbiológica, que está presente antes, durante e após o seu tratamento. É através da determinação dos tipos e quantidades de micro-organismos que é possível avaliar e controlar tanto a eficiência dos tratamentos quanto o grau de poluição das águas (DACACH, 1991).
Coliformes totais são compostos por bactérias da família Enterobacteriaceae, capazes de fermentar a lactose com produção de ácido e gás, quando incubados a 35-37ºC, por 48 horas. São bastonetes Gram-negativos, não formadores de esporos, aeróbios ou anaeróbios facultativos (RAY, 1996). Pertencem a este grupo predominantemente, bactérias dos gêneros Escherichia, Enterobacter, Citrobacter e Klebsiella. Destas, apenas a Escherichia coli tem como habitat primário o trato intestinal do homem e animais. Os demais - Enterobacter, Citrobacter e Klebsiella – além de serem encontrado nas fezes, também estão presentes em outros ambientes como vegetais e solo, onde persistem por tempo superior ao de bactérias patogênicas de origem intestinal como Salmonella e Shigella. Consequentemente, a presença de coliformes totais no alimento não indica, necessariamente, contaminação fecal recente ou ocorrência de enteropatógenos (FRANCO; LANDGRAF, 2003). De acordo com Silva et al., (2000); Franco; Landgraf, (2003) Coliformes termotolerantes, são as bactérias pertencentes ao grupo das coliformes totais que apresentam a capacidade de continuar fermentando lactose com produção de gás, quando incubadas à temperatura de 44,5-45,5ºC. Nessas condições, ao redor de 90% das culturas de Escherichia coli são positivas, enquanto entre os demais gêneros, apenas algumas cepas de Enterobacter e Klebsiella mantêm essa característica. Segundo Franco (2003), micro-organismos indicadores incluem espécies que quando presentes em um alimento ou na água podem indicar contaminação de origem fecal, possibilidade da presença de patógenos ou deterioração do alimento, bem como indicar falhas nas condições sanitárias, que podem ocorrer desde o processamento até o armazenamento. Afirma ainda que tais micro-organismos indicadores são bastantes empregados como avaliadores da qualidade microbiológica da água, já que são facilmente detectáveis e sua presença pode indicar contaminação.
Atualmente, para avaliar a potabilidade da água quanto suas características biológicas, podemos fazer uso de inúmeras técnicas de ensaio, procurando detectar a presença de organismos patogênicos. O parâmetro mais empregado para tal é o número mais provável de coliformes, que é um importante indicador de comprovação do contato desta água com os microorganismos presentes nas fezes humanas, de forma que sua detecção seja uma boa indicação de que resíduos humanos estão sendo despejados na água. (TORTORA, 2002) Diante das dificuldades para identificação de todos os microrganismos patogênicos na água, dá-se preferência a técnicas que permitam a identificação de bactérias indicadoras, como os coliformes, cuja presença indica a possível existência de patógenos (FRANCO; LANDGRAF, 2003). A água é uma substância de fundamental importância para todos os seres vivos, pois sua presença é vital para o funcionamento das atividades celulares e orgânicas, além de corresponder a dois terços da massa corporal humana (VASCONCELOS; AQUINO, 1995). Conforme Branco (1986), a água de um rio é considerada de boa qualidade quando apresenta menos de mil coliformes fecais, e menos de dez microrganismos patogênicos por litro. Portanto, para a água se manter nessas condições, deve-se evitar sua contaminação por
resíduos agropecuários, esgotos domésticos, resíduos industriais, lixo ou sedimentos vindos da erosão. Segundo a Revista Dae (2012), em dezembro de 2011, o Ministério da Saúde publicou a portaria N° 2914, que dispõe sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade. Esta nova portaria é a quinta versão da norma brasileira de qualidade da água para consumo que, desde 1977, vem passando por revisões periódicas, com vistas a sua atualização e a incorporação de novos conhecimentos, em especial fruto dos avanços científicos conquistados em termos de tratamento, controle e vigilância da qualidade da água e de avaliação de risco a saúde. Essas revisões acomodam, também, possibilidades técnicas e institucionais próprias de cada momento de revisão da norma. E, a cada revisão nota-se a preocupação do Ministério da Saúde e do setor do saneamento em inovar e aprimorar tanto o processo participativo de revisão como as exigências a serem apresentada s. Com base no exposto, os objetivos da prática é estimar a população de coliformes totais e de coliformes termotolerantes nas amostras de águas do rio, torneira, bebedouro e do poço.
3.1 Materiais
3.2 a) Método para coliformes totais (prova presuntiva)
Como a amostra é água não é necessário realizar diluições seriadas. Os recipientes contendo as amostras de água do rio, poço, bebedouro e torneira foram higienizadas superficialmente com álcool 70%. Em seguida, foram inoculados de cada amostra quatro série de três tubos de ensaio, contendo, em cada tubo, 9mL de caldo LST (Lauril-Sulfato-Triptose) e tubos de Durhan invertidos no fundo. As inoculações foram 10mL, 1mL e 0,1mL. Os tubos com as inoculações foram levados para estufa bacteriológica a 35°C por 24 a 48 horas. Neste caso, as amostras ficaram 48 horas e depois foram acondicionadas na geladeira até a próxima aula. Os tubos foram analisados se apresentassem turvação do meio e presença de gás (bolhas de ar dentro do tubo de Durhan). Com os tubos positivos foram feitos o teste confirmativo de coliformes totais e termotolerantes.
3.2 b) Método para coliformes totais e termotolerantes (prova confirmatória)
Os tubos positivos para o método da prova presuntiva foram replicados para os tubos de ensaio contendo BVB (bile verde brilhante) e EC (Escherichia coli). Foram inoculados dentro da capela e com o auxílio da agulha de inoculação, para isso, foram retirados uma alçada de cada tubo positivo no teste presuntivo e transferido para os devidos tubos contendo os meios de cultura BVB e EC. Os tubos com o meio de cultura BVB foram acondicionados em estufa bacteriológica regulada a temperatura de 35°C por 48 horas, e os tubos com meio EC foram colocados em banho-maria regulado a 45°C por 48 horas. Após este tempo, foram transferidos para geladeira e realizados as observações na aula seguinte.
4.1 Prova Presuntiva
A presença ou ausência de coliformes totais encontrados nas amostras analisadas estão representadas na Tabela 1.
O teste presuntivo para detectar bactérias fermentadoras de lactose foi negativo para as contagens de coliformes totais nas amostras da água do bebedouro e para a água da torneira. Segundo Laubusch (1971), Isto é devido à desinfecção da água que pode ser obtida pela utilização de diversos meios. Durante os processos numa estação de tratamento de água (ETA) convencional, as etapas de sedimentação, coagulação e filtração removem a maior parte dos organismos patogênicos e outros presentes na água.
Em 3 tubos de ensaio negativos o NMP (Número Mais Provável) de contaminação, por coliformes totais na água em inoculação de 10ml de amostra por tubo, com intervalo de confiança a nível de 95% de probabilidade é menor que 3, portanto livre de contaminação por coliformes totais, como mostra a Tabela 2. Os resultados analisados para água de bebedouro e torneira estão de acordo com a portaria 2914 de 2011, que dispões sobre os procedimentos de controle e de vigilância da qualidade da água para consumo humano e seu padrão de potabilidade (BRASIL, 2011).
Tabela 1. Resultados das análises para coliformes totais 35-37º por 48horas, em série de 3 tubos.
Amostra Diluição Resultados Água do bebedouro 10 -1^ - - - 10 -2^ - - - 10 -3^ - - - Água da torneira 10 -1^ - - - 10 -2^ - - - 10-3^ - - - Água do rio 10-1^ + + + 10-2^ + + + 10-3^ + + + Água do poço 10 -1^ + + + 10 -2^ + + + 10 -3^ + - -
(+) positivo para a presença de bolhas de ar e turvação do meio. (-) negativo para a presença bolhas de ar e turvação do meio
Na contagem feita para as amostras de água, houve a presença de coliformes totais, para os tubos de ensaio contendo água de poço e água do rio, apresentando apenas dois tubos negativos para presença de coliformes totais na diluição 10 -3^ (tabela 1). A positividade foi
indicada através da captação, pelos tubos de Durhan, de gases produzidos pelo metabolismo bacteriano, representados por uma bolha dentro do vidro e turvação do meio. A presença de coliformes totais no teste presuntivo das amostras de águas do rio e do poço, não determina que há contaminação fecal recente ou ocorrência de patógenos do trato intestinal
10 -3^ + + + Água do rio 10 -1^ + + + 10 -2^ + + + 10 -3^ + + +
Tabela 4. Valores do número mais provável (NMP) de coliformes totais encontrados nas amostras (Teste confirmativo)
Amostras Numero de tubos cujo crescimento é visível para cada quantidade do produto sob exame.
Número mais provável de micro- organismos / ml
Limite NMP
10 -1^10 -2^10 -3^ Inferior Superior Água do poço e do rio 3 3 3 >2400 - -
Os resultados encontrados para o meio de cultura Escherichia coli 45ºC, estão representados na Tabela 5.
Na contagem feita no meio de cultura Escherichia coli, não houve presença de coliformes termotolerantes na água de poço analisada. Foram encontrados resultados diferentes das analises feita por Colvora et al. (2009), onde 70% das amostras estavam contaminadas com coliformes termotolerantes demonstrando qualidade sanitária deficiente dos poços artesanais no sul do estado gaúcho. Na pesquisa de coliformes totais e termotolerantes em água de poços artesanais, na cidade de Maringá-PR, realizados por Ratti et al., (2011), todas as amostras estavam livres de coliformes, portanto, sem contaminação fecal, resultado semelhante aos encontrados no presente trabalho.
Assim como a água de poço, a água do rio também apresentou resultados negativos para a presença de coliformes termotolerantes em todas as diluições, corroborando com os trabalhos de Andrade & Silva (2008), que encontrou valores aceitáveis nas concentrações de coliformes, classificando as águas da ETA Goiânia como águas doces classe 2. Segundo resolução CONAMA nº 357, de 17 de março de 2005, que estabelece águas doce classe 2 podem ser destinadas ao consumo humano, após tratamento convencional, à proteção das comunidades aquáticas e à recreação de contato primário (natação,mergulho, etc.).
Tabela 5. Resultados encontrados para o meio de cultura Escherichia coli a 45º.
Amostra Diluição Resultados Água de poço 10 -1^ - - - 10 -2^ - - - 10 -3^ - - - Água do rio 10 -1^ - - - 10 -2^ - - - 10 -3^ -^ -^ - (-) negativo para termotolerantes
Comparando com a tabela do número mais provável (tabela 2), a contaminação é menor que 3, sendo portanto livre de contaminação fecal.
ANDRADE, F. M., SILVA, L. M. Avaliação das concentrações de coliformes no afluente e efluente da ETE Goiânia em 2007. Universidade católicas de Goiás. Dez de 2008.
BRASIL, Ministério da saúde. Portaria nº 2914 de 12 /2011. Diário oficial, poder executivo, Brasília, DF, 12.dez.2011, seção 1 p 39-46.
BRASIL, Ministério do meio ambiente. CONAMA nº 357, de 17 de março de 2005. Disponível em : <http//WWW.mma.gov.br/conama/.../res35705... acesso em: 15/06/2014.
BRANCO, S. M. Hidrobiologia aplicada à engenharia sanitária. 3.ed. São Paulo: CETESB,
COLVARA, J. G. et al. Avaliação da contaminação de água subterrânea em poços artesianos no sul do Rio Grande do Sul. Braz. J. Food. Technol. Preprint Series, n. 02, 2009.
DACACH, N.G. Tratamento primário de esgoto. Ed. EDC, Rio de Janeiro, 1991.
FRANCO, B.D.G.M.; LANDGRAF, M. Microbiologia dos alimentos. Atheneu: São Paulo,
LAUBUSCH, E. J., 1971. Chlorination and other disinfection processes. In: Water Quality and Treatment: A Handbook of Public Water Supplies (American Water Works Assocciation), pp. 158-224, New York: McGraw-Hill Book Company.
RAY, B. Fundamental food microbiology. Boca Ratton: CRC Press, 1996. 516p.
REVISTA DAE. NOVA PORTARIA DE POTABILIDADE DE ÁGUA: Busca de consenso para viabilizar a melhoria da qualidade de água potável distribuída no Brasil.Nº 189 - Maio/ Agosto 2012.
RATTI, B.A., BRUSTOLIN,C.F., SIQUEIRA,T. A. TORQUATO, A.S. Pesquisa de coliformes totais e fecais em amostras de água coletadas no bairro zona sete, na cidade de Maringá-PR encontro internacional de produção científica cesumar. Maringá, Paraná-BR. Out, 2011.
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