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Responsabilidade social, Notas de estudo de Gestão Ambiental

Responsabilidade social e desenvolvimento sustentável na empresa

Tipologia: Notas de estudo

2011

Compartilhado em 16/03/2011

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RESPONSABILIDADE SOCIAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: A
INCORPORAÇÃO DOS CONCEITOS À ESTRATÉGIA EMPRESARIAL
Ana Carolina Cardoso Sousa
DISSERTAÇÃO SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DA COORDENAÇÃO DOS
PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE
FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS
NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE EM CIÊNCIAS EM
PLANEJAMENTO ENERGÉTICO.
Aprovada por:
_______________________________________________
Prof.: Emílio Lebre La Rovere, D.Sc.
_______________________________________________
Dra. Denise da Silva de Sousa, D.Sc.
_______________________________________________
Prof.: Rogério de Aragão Bastos do Valle, D.Sc.
RIO DE JANEIRO, RJ – BRASIL
SETEMBRO DE 2006
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RESPONSABILIDADE SOCIAL E DESENVOLVIMENTO SUSTENTÁVEL: A

INCORPORAÇÃO DOS CONCEITOS À ESTRATÉGIA EMPRESARIAL

Ana Carolina Cardoso Sousa

DISSERTAÇÃO SUBMETIDA AO CORPO DOCENTE DA COORDENAÇÃO DOS

PROGRAMAS DE PÓS-GRADUAÇÃO DE ENGENHARIA DA UNIVERSIDADE

FEDERAL DO RIO DE JANEIRO COMO PARTE DOS REQUISITOS

NECESSÁRIOS PARA A OBTENÇÃO DO GRAU DE MESTRE EM CIÊNCIAS EM

PLANEJAMENTO ENERGÉTICO.

Aprovada por:

_______________________________________________

Prof.: Emílio Lebre La Rovere, D.Sc.

_______________________________________________

Dr a. Denise da Silva de Sousa, D.Sc.

_______________________________________________

Prof.: Rogério de Aragão Bastos do Valle, D.Sc.

RIO DE JANEIRO, RJ – BRASIL

SETEMBRO DE 2006

ii

SOUSA, ANA CAROLINA CARDOSO

Responsabilidade Social e Desenvolvimento Sustentável: A incorporação dos Conceitos à Estratégia Empresarial [Rio de Janeiro] 2006 XVII, 213 p. 29,7 cm (COPPE/UFRJ, M.Sc., Planejamento Energético, 2006) Dissertação – Universidade Federal do Rio de Janeiro, COPPE

  1. Responsabilidade Social
  2. Desenvolvimento Sustentável
  3. Estratégias Empresariais I. COPPE/UFRJ II. Título (série)

iv

A Deus, a minha estimada família, a meus amigos e ao meu querido namorado, Eduardo.

v

AGRADECIMENTOS

A realização deste trabalho simboliza um período de grande esforço e empenho no intuito de aprimorar meus conhecimentos. Contudo, apenas pude concluir minha caminhada, pois obtive o apoio, a compreensão e a colaboração de diversas pessoas especiais.

Agradeço, primeiramente, ao meu orientador Prof. Emílio Lebre La Rovere, por compartilhar comigo o seu conhecimento. Seu auxílio e atenção foram fundamentais para a conclusão deste estudo.

Não poderia deixar de agradecer a todos os funcionários do PPE, em destaque a Sandra, que sempre me ajudou a resolver quaisquer problemas administrativos ao longo do meu curso. Também devo o meu reconhecimento a todos os professores do Programa de Planejamento Energético por transmitirem seus ensinamentos comigo e com minha turma.

Aos meus pais, Antonio Carlos e Dayse, pelo amor sempre dedicado, sem o qual eu não seria forte o suficiente para enfrentar os desafios que vida nos impõe. A minha irmã, Ana Paula, sempre disposta a uma boa conversa e capaz de me fazer sorrir nos momentos em que eu gostaria de chorar.

Impossível esquecer dos meus amigos. Todos tão importantes para o meu crescimento pessoal. Agradeço, em especial, a Ana Paula, a Anelise, ao Fernando, ao Luis, a Juliana e a Tatyane e a todos os amigos da turma do mestrado em Planejamento Ambiental do PPE.

Por fim, agradeço ao meu namorado, Eduardo, que durante longas horas discutiu comigo assuntos relevantes para este trabalho. Seus conselhos e percepções em muito me ajudaram a organizar as minhas idéias. Sua paciência e carinho para comigo foram a fonte de energia e de motivação para que este trabalho pudesse ser concluído.

vii

Abstract of Dissertation presented to COPPE/UFRJ as a partial fulfillment of the requirements for the degree of Master of Science (M.Sc.)

SOCIAL RESPONSIBILITY AND SUSTAINABLE DEVELOPMENT: THE CONCEPS INCORPORATION TO BUSINESS STRATEGY

Ana Carolina Cardoso Sousa

September/

Advisor: Emílio Lebre La Rovere

Department: Energy Planning Program

This dissertation discusses the concepts of Corporate Social Responsibility and Sustainable Development and how they can be incorporated to business management. The role played by the stakeholders and how they can motivate companies to change their attitude are analyzed. In this sense, initiatives as GRI, Ethos Indicators and some international principles and rules are studied and compared. Furthermore, the study presents two tool – The Porter`s Competitive Context and the Virtue Matrix – for implementing Social Responsibility and Sustainable Development concepts in business management. Through its use, companies can create competitive differentials and also achieve some other co-benefits. Finally, two sustainability reports from oil companies are examined in order to discuss how these companies are reporting their social and environmental behaviors.

viii

xi

xiii

  • INTRODUÇÃO Índice Analítico
      1. Considerações Gerais
      1. Identificação do Problema
      1. Hipótese da Pesquisa
      1. Questões da Pesquisa............................................................................................
      1. Metodologia..........................................................................................................
      1. Organização do Estudo.........................................................................................
  • CAPÍTULO 1 - Responsabilidade Ambiental e Social Corporativa..........................
      1. Evolução Histórica
      1. Conceitos Relacionados......................................................................................
      • 2.1 Filantropia...................................................................................................
      • 2.2 Cidadania Corporativa ou Empresarial.......................................................
      • 2.3 Ética empresarial
      1. A Responsabilidade Social no Brasil
      1. Prêmios relacionados à Responsabilidade Social Corporativa no Brasil
      1. Resumo do Capítulo
  • CAPÍTULO 2 - Desenvolvimento Sustentável
      1. Evolução Histórica
      1. Economia versus Ecologia
      • 2.1 A Economia de Mercado e o Meio Ambiente
      • 2.2 A Lei da Entropia
      • 2.3 O Desenvolvimento Sustentável.................................................................
        • Sustentável.......................................................................................................... 2.3.1 Estratégias e Caminhos para Promoção do Desenvolvimento
          • 2.3.1.1 Estratégias Nacionais......................................................................
            • 2.3.1.1.1 Países em Desenvolvimento
            • 2.3.1.1.2 Países Desenvolvidos
          • 2.3.1.2 Cooperação Internacional
        • 2.3.2 Desafios e Críticas ao Desenvolvimento Sustentável.........................
      1. Resumo do Capítulo ix
  • Sustentável e da Responsabilidade Social CAPÍTULO 3 - Como as Empresas se inserem no contexto do Desenvolvimento
      1. Marcos Históricos...............................................................................................
      • 1.1 No Mundo...................................................................................................
      • 1.2 No Brasil.....................................................................................................
      1. O Papel do Empresariado na Implantação do Desenvolvimento Sustentável
      • 2.1 Produção Mais Limpa (P+L)
      • 2.2 A Ecoeficiência...........................................................................................
      • 2.3 O Ecodesign................................................................................................
      • 2.4 A Sobrevivência Sustentável
      1. Interação dos agentes sociais com as Empresas
      • 3.1 Consumidores
      • 3.2 Investidores.................................................................................................
      • 3.3 Empregados
      • 3.4 Governo
      • 3.5 Clientes e Fornecedores..............................................................................
      • 3.6 Comunidades
      • 3.7 Seguradoras e Agências Financiadoras
      • 3.8 Organizações não Governamentais (ONGs)...............................................
      1. Resumo do Capítulo
  • Empresarial e Instrumentos de Apoio ao Desenvolvimento Sustentável CAPÍTULO 4 - Iniciativas para Avaliação da Responsabilidade Ambiental e Social
      1. Modelos de Relatórios........................................................................................
      • 1.1 Global Reporting Initiative (GRI)
      • 1.2 Indicadores do Instituto Ethos
      • 1.3 Balanço Social IBASE
      1. Índices de Sustentabilidade
      • 2.1 Dow Jones Sustainability Index (DJSI)....................................................
      • 2.2 Índice de Sustentabilidade Empresarial (ISE)..........................................
      1. Acordos Internacionais.....................................................................................
      • 3.1 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio
      • 3.2 Pacto Global x
      • 3.3 Princípios do Equador
      • 3.4 Princípios para o Investimento Responsável
      1. Normas Internacionais......................................................................................
      • 4.1 AA 1.000
      • 4.2 SA 8.000
      • 4.3 ISO 9.000 e ISO 14.000
      • 4.4 ISO 26.000................................................................................................
      • 4.5 OHSAS 18.000
      • 4.6 NBR 16.001
      1. Análise Comparativa das Iniciativas
      1. Resumo do Capítulo
  • Estratégia Corporativa CAPÍTULO 5 - A Responsabilidade Social e o Desenvolvimento Sustentável como
      1. Criação de Diferencial Competitivo por meio da RASC e do DS....................
      • 1.1 Os Elementos da Competitividade
      • 1.2 A Matriz da Virtude..................................................................................
      1. Os Benefícios Empresariais da RASC
      1. Riscos e Desafios da RASC
      1. Análise Crítica dos Relatórios de Sustentabilidade de Empresas de Petróleo
      • 4.1 As Empresas Selecionadas
        • 4.1.1 A Petrobras
        • 4.1.2 A BP
      • 4.2 Análise Comparativa dos Relatórios
      1. Resumo do Capítulo
  • CONCLUSÃO.............................................................................................................
  • BIBLIOGRAFIA E REFERÊNCIA BIBLIOGRÁFICA
  • Anexo I - Os Indicadores Ethos e a GRI
  • Anexo II - Os Indicadores Ethos e a Norma SA 8.000
  • Anexo III - Os Indicadores Ethos e a Norma AA 1.000
  • Anexo IV - Balanço Social IBASE
  • Anexo V - Objetivos e Metas do Milênio
  • Figura 1 – Evolução da Questão Ambiental nas Empresas Índice de Figuras
  • Figura 2 – Vetores da Responsabilidade Social de uma Empresa..................................
  • Figura 3 – Áreas de atuação da RASC
  • Figura 4 – Componentes da Cidadania Empresarial
  • Figura 5 – Níveis de Ética Empresarial
  • Figura 6 - Modelo de Excelência do PNQ......................................................................
  • Roegen Figura 7 – Relação entre Economia, Sociedade e Ecologia, de acordo com Georgescu-
  • Figura 8 - Pilares do Desenvolvimento Sustentável.......................................................
  • Figura 9 – Níveis de Cooperação para o Desenvolvimento Sustentável........................
  • Figura 10 - Principais eventos de caráter ambiental e social dos últimos 60 anos.........
  • Figura 11 – Relacionamento Empresa, Sociedade, Governo e Mercado
  • Desenvolvimento Sustentável à gestão empresarial....................................................... Figura 12 – Metodologia de Incorporação da Responsabilidade Social e do
  • Figura 13 – Ciclo PDCA Genérico.................................................................................
  • Figura 14 - Pirâmide Mundial de Renda
  • Figura 15 – As populações pobres no centro da cadeia de valor das empresas
  • Figura 16 – Principais Stakeholders das Empresas
  • Figura 17 – Princípios da GRI........................................................................................
  • Figura 18 - Organização da GRI.....................................................................................
  • Figura 19 – Dimensões dos Indicadores Ethos.............................................................
  • Figura 20 – Estrutura de Avaliação do DJSI
  • Figura 21 – Os 8 Objetivos de Desenvolvimento do Milênio
  • Figura 22 – Áreas de Atuação do Global Compact
  • Figura 23 – Princípios da AA 1.000
  • Figura 24 – Normas da Família ISO 14.000.................................................................
  • Figura 25 – Os Quatro Elementos do Contexto Competitivo.......................................
  • Figura 26 – Matriz da Virtude
  • Figura 27 – Criação de Valor por meio da RASC........................................................
  • Figura 28 – Hierarquia das Necessidades de Maslow xii
  • Figura 29 – Integração da Cadeia Produtiva: Visão Logística
  • Figura 30 – Integração da Cadeia Produtiva: Visão baseada na RASC
  • Figura 31 – A Abrangência da RASC
  • Quadro 1 - Gestão Ambiental Responsável - Abordagens Índice de Quadros
  • Quadro 2 – Tipos de Responsabilidade Social
  • Quadro 3 – Diferenças entre Filantropia e Responsabilidade Social
  • Quadro 4 - Empresas Premiadas no Guia de Boa Cidadania Corporativa
  • Quadro 5 – Dimensão Econômica da GRI
  • Quadro 6 – Dimensão Ambiental da GRI
  • Quadro 7 – Dimensão Social da GRI
  • Quadro 8 – Valores, Transparência e Governança
  • Quadro 9 – Público Interno
  • Quadro 10 – Meio Ambiente........................................................................................
  • Quadro 11 - Fornecedores
  • Quadro 12 – Consumidores e Clientes
  • Quadro 13 - Comunidades............................................................................................
  • Quadro 14 – Governo e Sociedade...............................................................................
  • Quadro 15 – Dimensão Econômica do DJSI
  • Quadro 16 – Dimensão Ambiental do DJSI
  • Quadro 17 – Dimensão Social do DJSI
  • Quadro 18 – Dimensões do ISE
  • Quadro 19 – Quadro Resumo das Iniciativas
  • Quadro 20 – Comparação das Iniciativas de Relatórios e Índice
  • Quadro 21 – Indicadores GRI adotados pela Petrobras e pela BP

xiv

Índice de Gráficos

Gráfico 1 - Empresas Associadas ao Instituto Ethos...................................................... 27 Gráfico 2 – Participação das Regiões no PIB do Brasil, no ano de 2003....................... 59 Gráfico 3 – Retorno Total do DJSI contra o MSCI, de Dezembro de 1993 a Abril de 2006, em US$. .............................................................................................................. 163 Gráfico 4 – Retorno Total do ISE, IGC e IBOVESPA, de Dezembro de 2005 a Maio de 2006, em R$.................................................................................................................. 164 Gráfico 5 – Investimentos Sociais da Petrobras Holding ............................................. 175

xvi

GIFE – Grupo de Institutos, Fundações e Empresas GRI – Global Reporting Initiative IBASE – Instituto Brasileiro de Análises Sociais e Econômicas IBGC – Instituto Brasileiro de Governança Corporativa IDEC – Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor IFC – International Finance Corporation IGC – Índice de Governança Corporativa da BOVESPA IPEA – Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada ISE – Índice de Sustentabilidade Empresarial JSE – Johannesburg Securities Exchange MG – Estado de Minas Gerais MSCI - Morgan Stanley Capital International Mte – Milhões de Toneladas Equivalentes N – Região Norte NE – Região Nordeste NOx – Óxido de Nitrogênio NYSE – New York Stock Exchange ODM – Objetivos de Desenvolvimento do Milênio OIT – Organização Internacional do Trabalho ONU – Organização das Nações Unidas ONG’s – Organizações não Governamentais OPEP – Organização dos Países Exportadores de Petróleo OHSAS – Occupational Health and Safety Assessment Series OSHA – Occupational Safety and Health Administration PIB – Produto Interno Bruto P+L – Produção mais Limpa PNQ – Prêmio Nacional de Qualidade PRI – Principles for Responsible Investment QTDD - Quantidade RASC - Responsabilidade Ambiental e Social Corporativa RJ – Estado do Rio de Janeiro S – Região Sul

xvii

SAC – Serviço de Atendimento ao Consumidor SAI – Social Accountability International SAM – Sustainable Asset Management SDS/MMA – Secretaria de Desenvolvimento Sustentável do Ministério do Meio Ambiente SE – Região Sudeste SEBRAE - Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas SGA – Sistema de Gestão Ambiental SMS – Saúde, Meio Ambiente e Segurança SOx – Óxido de Enxofre SP – Estado de São Paulo SRI – Socially Responsible Investment SS – Sobrevivência Sustentável TBL – Triple Bottom Line UNDP/PNUD - United Nation Development Programme / Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento UNEP/PNUMA - United Nation Environmental Programme / Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente WBCSD – World Business Council for Sustainable Development

ambiental não era abordado. Entretanto, devido a uma exploração de recursos acima da capacidade de absorção dos resíduos pela natureza, percebeu-se que os corpos receptores, como a biosfera, a hidrosfera e a litosfera, estavam se tornando cada vez mais degradados. Desta forma, houve a necessidade de o sistema de produção capitalista se adequar, se reinventar para passar a consumir, de forma racional, os recursos, investindo em sistemas que minimizassem a poluição gerada.

Se, em um primeiro momento, o investimento em tecnologias menos poluentes significou um aumento dos custos empresariais, logo esse custo passou a ser considerado um investimento legítimo. A opinião pública que exigia a redução da poluição e dos problemas ambientais passou a reconhecer e a valorizar empresas que se preocupassem com o meio ambiente.

Por outro lado, houve o desenvolvimento de empresas de produção dos equipamentos necessários para promover a redução dos refugos e de consultorias para auxiliar as empresas a se adequarem às novas regras ambientais, gerando, dessa forma, empregos e movimentando a economia. A racionalização da utilização de insumos se refletiu em economias para os empresários e, conseqüentemente, na redução de custos, e em alguns casos, quando os governos locais participaram mais ativamente desse processo, o investimento em uma produção ambientalmente responsável era compensado, pois se evitavam os possíveis custos com multas e taxas em função do descumprimento de legislações ambientais.

Com a questão social não é diferente. De acordo com CEBDS (2004), 78% da população mundial vivem abaixo da linha de pobreza. Isto quer dizer que mais de três quartos dos habitantes do planeta encontram-se em condições indignas de vida, passando por privações de todas as espécies. Esse estado crítico de existência dá origem à tensão social, violência e contribui fortemente para a destruição ambiental nos países em desenvolvimento.

Enquanto as questões sociais não afetavam as operações das empresas, poucas eram as organizações que se preocupavam com o tema. Entretanto, o agravamento da pobreza, das condições de saúde da população e a miséria, começam a se tornar uma questão de vulto mundial e que afeta diretamente o setor empresarial.

A massa de desvalidos e excluídos dificulta a operação empresarial na medida que se torna difícil conseguir trabalhadores qualificados, restringe a ampliação do mercado consumidor e expõe a empresa à falta de segurança. Essa situação, ao longo do tempo, é insustentável do ponto de visa social e empresarial. A atuação do setor empresarial na busca por soluções é uma maneira de a organização atingir a sua auto- preservação, pois em uma sociedade desestruturada não é possível manter por muito tempo um negócio legal e bem sucedido.

Contudo, por ser um movimento ainda recente, muitas dúvidas ainda persistem. A grande variedade de iniciativas, nacionais e internacionais, que buscam auxiliar as empresas a se moldarem a nova realidade e demanda social muitas vezes se sobrepõem. As organizações ainda estão em processo de incorporação destes novos conceitos a suas estratégias de gestão e operação de negócios, daí a necessidade de elaborar suas ações sociais e ambientais em relatórios objetivos e claros. A divulgação dos relatórios sociais e ambientais é um bom meio para a empresa comunicar suas ações e projetos que estão alinhados à sustentabilidade, bem como explicitar seu desempenho destas áreas.

3. Hipótese da Pesquisa

Este estudo está baseado na hipótese que a Responsabilidade Ambiental e Social Corporativa ,que está alinhada ao Desenvolvimento Sustentável, é um movimento legítimo que possibilita às organizações uma nova forma de gerir seus negócios a partir da conscientização de que a inserção da problemática social e ambiental ao cotidiano das empresas é fundamental.

Assim sendo, a verdadeira adoção destes preceitos traz inúmeros benefícios tanto para as companhias quanto para a sociedade e o meio ambiente. Em contrapartida, a pseudo-adoção da RASC, quando descoberta pela sociedade, provoca distúrbios à imagem corporativa e quebra a relação de confiança dos stakeholders com a empresa.

Portanto, é relevante que as empresas dêem transparência as suas ações por meio de seus relatórios de sustentabilidade. Não obstante, as informações ali contidas devem