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Informações sobre o HPV e as neoplasias de colo uterino. São abordados temas como os tipos de epitélios, as neoplasias intraepiteliais cervicais, o HPV, a coilocitose, o rastreamento e a classificação das NICs. O texto também traz informações sobre o diagnóstico e a conduta a ser tomada em casos de ASC-US, ASC-H e AGC.
Tipologia: Notas de estudo
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Epitélios : epitélio pavimentoso estratificado (ectocérvice) e epitélio colunar simples (endocérvice – glandular) – A transição entre tais epitélios é a junção escamocolunar (JEC) ou zona de transformação – área de maior suscetibilidade para o desenvolvimento de neoplasias devido à alta taxa de mitoses desse epitélio.
NICs = grupo de alterações da maturação celular restritas ao epitélio – não invadem a membrana basal Graduadas segundo a proporção de células imaturas atípicas e o grau de displasia/atipia celular Caracterizam-se pelo aumento da relação núcleo-citoplasma, atipias nucleares e mitoses e, em geral, acompanham-se de sinais citológicos indicativos de infecção pelo HPV. Lesões de baixo grau (NIC I) e de alto grau (NICs II e III).
Alguns tipos de HPV agregam-se ao genoma celular e fazem que as células se desviem de seu processo natural de maturação, formando um novo tipo celular anárquico e displásico e iniciando a carcinogênese do colo uterino. Subdivisão:
1. Baixo risco (grupo A): 6, 11 , 42, 43, 44 – maior relação com condilomas; 2. Alto risco (grupo B): 16, 18 , 31, 33, 35, 39, 45, 51, 52, 56, 58 – relação direta com NIC e carcinoma invasor. Provoca aparecimento de coilocitose: hipercromasia nuclear, binucleação, atipia, formação de halo ao redor do núcleo. A coilocitose é um achado citopático característico da presença do HPV no exame colpocitológico de colo uterino. Pode incorporar o genoma viral às células, causando indiferenciação e mitoses, fenômeno ligado aos genes E6 e E
Colpocitologia oncótica = Papanicolaou A partir dos 25 anos , desde que tenham iniciado atividade sexual 2 anos consecutivos normais = pode fazer novamente em 3 anos, até os 64 anos – velocidade lenta de progressão das lesões. É pouco provável que uma lesão intraepitelial evolua para carcinoma invasor em menos de 3 anos. Não é recomendado o rastreamento antes dos 25 anos devido à baixa incidência de lesões de alto grau nessa faixa etária e à alta taxa de falsos positivos. A suspensão do rastreamento aos 64 anos poderá ser realizada desde que, nos últimos 5 anos, a paciente tenha pelo menos dois exames negativos para neoplasia – o risco de uma lesão surgir e progredir para uma doença invasora é muito baixo nessa faixa etária. Não é recomendado o rastreamento em mulheres submetidas à histerectomia total por patologias benignas Pacientes imunocomprometidos : devem ser submetidas à coleta logo após o início da atividade sexual. Recomenda-se a coleta a cada 6 meses por 1 ano. Se todos os exames forem normais, a diretriz será manter as coletas com intervalos anuais, enquanto se mantiver o fator de imunossupressão. Já nos casos de pacientes portadoras do vírus HIV cuja contagem de CD4 seja menor do que 200 células/mm3, as coletas devem ser semestrais.
o Substituição de menos de 1/3 da espessura do epitélio por células imaturas e atípicas o Alterações comuns: Presença de células superficiais com núcleos atípicos acompanhadas de coilocitose – lesão sugestiva da infecção pelo HPV; discariose leve; NIC II o Alterações celulares que ocupam até 2/3 da espessura do epitélio escamoso o Alterações comuns: Diferenciação celular incompleta nas camadas superiores; Células intermediárias encontradas na camada superficial com núcleos atípicos. NIC III o O distúrbio de maturação é mais extenso e caracterizado pela substituição total ou de pelo menos mais de 2/3 da espessura epitelial por células escamosas do tipo basal ou parabasal, com as seguintes alterações: o Alta relação núcleo-citoplasmática; Hipercromasia; Mitoses atípicas; Contornos celulares atípicos. o Carcinoma in situ
Tripé: colpocitologia ou Papanicolaou, colposcopia e biópsia (anatomopatológico) A classificação das NICs é dividida em baixo e alto grau:
o Achados citológicos não malignos o Conduta: < 25 anos: repetição em 3 anos 25-30 anos: repetição da co em 1 ano >30 anos: repetição da colpocitologia oncótica em 6 meses. o Se a nova coleta revelar ASC-US ou lesão mais grave, a paciente deverá ser encaminhada para colposcopia. São necessários dois exames com ASC-US para que a colposcopia seja indicada Exceção: imunossuprimidas: se 1º exame der ASC-US, já se realiza colposcopia. o Se novo exame normal: repetir novamente em 6 meses/1 ano. o Se o novo exame for normal, deverá ser encaminhada para o rastreamento habitual – a cada 3 anos. Portanto, também são necessários dois exames normais para a paciente ser liberada para o rastreamento usual. ASC-H o Mandatória a colposcopia com biópsia imediatamente o Se alterações na colposcopia, realizar biópsia o Se a colposcopia não evidenciar lesão, a conduta deverá ser tomada de acordo com a visualização da JEC: JEC completamente visível: o próximo passo será a repetição da citologia em 6 meses. JEC não completamente visível: coleta endocervical. Esta coleta pode ser feita por meio da escova cytobrush ou da curetagem de canal. o Se antes dos 25 ter realizado, mesmo assim, encaminhar para colposcopia com biópsia AGC o Podem ter ou não relação com neoplasias intraepiteliais. Elas são consideradas bem mais graves do que as ASC-US, com maior risco de associarem-se à lesão intraepitelial escamosa de alto grau (NIC II e III) o Relação com adenocarcinoma o Colposcopia imediata + avaliação do canal endocervical (deve ser realizada nova coleta de material para análise citopatológica do canal endocervical (cytobrush ou curetagem de canal) o Se colposcopia com lesão: biópsia o Se não houver lesão visível: USTV para avaliar espessura endometrial. Se houver sangramento uterino anormal ou presença de células endometriais na amostra, a avaliação endometrial com ultrassonografia também estará indicada. o Se antes dos 25 ter realizado, mesmo assim encaminhar para colposcopia e avaliação do canal endocervical Lesão intraepitelial de baixo grau – LSIL o NIC I o Conduta conservadora – Repetir exame em 6 meses (maioria das lesões tem resolução espontânea: não é recomendado colposcopia) Exceção: imunossuprimidos – realizar colposcopia o Se lesão persistir: colposcopia com biópsia o Se negativo para a lesão: repetir novo exame em 6 meses o Se negativo novamente para a lesão: coletas trienais o Se < 25 anos: repetir em 3 anos Lesão intraepitelial de alto grau – HSIL o NIC II ou NIC III o Colposcopia com biópsia dirigida imediatamente (mesmo se < 25 anos)
Consiste na visualização do colo uterino por meio de colposcópio, que permite o aumento de 6 a 40 vezes da imagem da zona analisada.