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Revista sobre engenharia
Tipologia: Notas de estudo
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I ENGENHARIA
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A engenharia
conectada
I ENGENHARIA
www.brasilengenharia.com.WWW.BRASILENGENHARIA.COMbr engenhariaENGENHARIA 611611 / / 20122012 77
CAPA O DESAFIO SANITÁRIO Criação: André Siqueira – Via Papel
Promover a engenharia, em be- nefício do desenvolvimento e da qualidade de vida da sociedade. Realiza essa missão por meio da: promoção do desenvolvimento e da valorização da engenharia; promoção da qualidade e cre- dibilidade de seus profissionais; prestação de serviços à sociedade, promovendo fóruns e debates sobre problemas de interesse pú- blico, analisando e manifestando- se sobre políticas, programas e ações governamentais, elaboran- do estudos, pareceres técnicos e propostas para o poder público e para a iniciativa privada; presta- ção de serviços aos associados. Suas ações estão dirigidas para: a comunidade em geral; os ór- gãos públicos e organizações não governamentais; as empresas do setor industrial, comercial e de serviços; as empresas de engenharia, engenheiros e profis- sionais de nível superior em geral; os institutos de pesquisas e escolas de engenharia; e os estu- dantes de engenharia.
PALAVRA DO PRESIDENTE 9 CARTAS 12 PALAVRA DO LEITOR 16 CURTAS 18 DIVISÕES TÉCNICAS 26
CAPA / ENGENHARIA
A julgar pelos dados do Instituto Trata Brasil, divulgados em agosto passado, a universalização do saneamento básico no Brasil ainda está longe de ser atingida, mesmo quando são analisados os avanços dos serviços nas 100 maiores cidades do país. Apesar da maior disponibilidade de recursos pelo governo federal, estados, municípios e iniciativa privada, a maior parte das cidades brasileiras precisará urgentemente acelerar seus esforços se quiser universalizar o acesso da população aos serviços de água tratada, coleta e tratamento dos esgotos e redução das perdas de água na próxima década. Afinal, os dados do Censo 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) indicaram o saneamento básico como sendo a maior carência do país na área de infraestrutura de serviços
121 CRÔNICA 123 MEMÓRIAS DA ENGENHARIA 126 ENGENHO & ARTE 128 BIBLIOTECA 130 OPINIÃO
SEÇÕES
ENGENHARIA GERENCIAMENTO / ARTIGO
Cássio da Silva Lopes
ENGENHARIA TRANSPORTE / ARTIGO
Laurindo Junqueira
ENGENHARIA PRODUÇÃO / ARTIGO
Alexandre Rigonatti, João Amilcar Viana Rodrigues Pablo Luis Fernandes Batista, Marcos José Negreiros Gomes
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ENGENHARIA I
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PRESIDÊNCIA PRESIDENTE Aluizio de Barros Fagundes [email protected] CHEFE DE GABINETE Victor Brecheret Filho [email protected] PRESIDENTE DA COMISSÃO DE OBRAS Camil Eid [email protected] ASSESSORIA DE COMUNICAÇÃO Fernanda Nagatomi [email protected] Isabel Cristina Dianin [email protected] Marília Ravasio [email protected] DIRETOR DA CÂMARA DE MEDIAÇÃO E ARBITRAGEM Marco Antonio Vellozo Machado [email protected] 1º DIRETOR SECRETÁRIO Pedro Grunauer Kassab [email protected] 2º DIRETOR SECRETÁRIO Roberto Bartolomeu Berkes [email protected]
VICE-PRESIDÊNCIA DE ADMINISTRAÇÃO E FINANÇAS VICE-PRESIDENTE Arlindo Virgilio Machado Moura [email protected] 1º DIRETOR FINANCEIRO Jason Pereira Marques [email protected] SUPERINTENDENTE Ruth Julieta Votta [email protected]
VICE-PRESIDÊNCIA DE ATIVIDADES TÉCNICAS VICE-PRESIDENTE Rui Arruda Camargo [email protected] DIRETOR RESPONSÁVEL PELA REVISTA ENGENHARIA Miguel Lotito Netto [email protected] DIRETOR DA BIBLIOTECA Mauro Jose Lourenço [email protected] DIRETOR DE CURSOS Ricardo Kenzo Motomatsu [email protected]
VICE-PRESIDÊNCIA DE RELAÇÕES EXTERNAS VICE-PRESIDENTE Amândio Martins [email protected] DIRETOR REGIONAL DE PORTO ALEGRE/RS Anibal Knijnik [email protected]
Cláudio Arisa Clorival Ribeiro Cristiano Kok Dario Rais Lopes Dirceu Carlos da Silva Edemar de Souza Amorim Edgardo Pereira Mendes Jr. Edson José Machado Eduardo Ferreira Lafraia Enio Gazolla da Costa Ettore José Bottura Fernando Bertoldi Correa Francisco A. N. Christovam Gabriel Oliva Feitosa Hélio Martins de Oliveira Henry Maksoud Ismael Junqueira Costa Ivan Metran Whately Jan Arpad Mihalik João Antonio Machado Neto João Batista R. Machado João Ernesto Figueiredo Jorge Pinheiro Jobim José Augusto Martins José Eduardo Cavalcanti José Geraldo Baião José Olímpio Dias de Faria José Pereira Monteiro José Roberto Bernasconi Júlio César Borges Kleber Rezende Castilho Lourival Jesus Abrão Luiz Célio Bottura Luiz Felipe Proost de Souza Maçahico Tisaka Marcelo Rozenberg Marco Antonio Mastrobuono Marco Antonio V. Machado Marcos Moliterno Miriana Pereira Marques Nelson Aidar Nelson Covas Nelson Newton Ferraz Neuza Maria Trauzzola Odécio Braga de Louredo Filho Ozires Silva Paulo Ferreira Paulo Setubal Neto Permínio Alves M. Amorim Neto Plínio Oswaldo Assmann Roberto Aldo Pesce Roberto Bartolomeu Berkes Sonia Regina Freitas Tomaz Eduardo N. Carvalho Tunehiro Uono Walter Coronado Antunes Walter de Almeida Braga
CONSELHO FISCAL EFETIVOS Antonio José N. de Andrade Filho Clara Cascão Nassar Waldyr Cortese SUPLENTES Kamal Mattar Nestor Soares Tupinambá
DIRETOR REGIONAL DE BRASÍLIA/DF Tilney Teixeira [email protected] DIRETOR REGIONAL DE SALVADOR/BA Carlos Alberto Stagliorio [email protected] DIRETOR REGIONAL DE FORTALEZA/CE Fabio Leopoldo Giannini fl [email protected] DIR. REGIONAL DE BELO HORIZONTE/MG Jose Augusto da Silva [email protected] DIRETOR DE RELAÇOES NACIONAIS Clara Cascão Nassar Herszenhaut [email protected] DIRETOR DE CONVÊNIOS Wilson Pedro Tamega Junior [email protected] DIRETOR DE NOVOS PROJETOS Fabiano Sannino [email protected] DIRETOR DE RELAÇÕES INTERNACIONAIS Miracyr Assis Marcato [email protected]
VICE-PRESIDÊNCIA DE ASSUNTOS INTERNOS VICE-PRESIDENTE Miriana Pereira Marques [email protected] DIRETOR DE ASSUNTOS INTERNOS Antonio Jose Nogueira de Andrade Filho [email protected] NÚCLEO JOVEM Jason Pereira Marques [email protected] DIRETOR DE ASSUNTOS COM AS ASSOCIAÇÕES Benedicto Apparecido dos Santos Silva [email protected] DIRETOR DE EVENTOS CULTURAIS Nestor Soares Tupinamba [email protected] DIRETOR DE EVENTOS SOCIAIS Luiz Paulo Zuppani Ballista [email protected] DIRETOR DE VISITAS TÉCNICAS E DE LAZER Sokan Kato Young [email protected] DIRETOR DE CONVÊNIOS, BENEFÍCIOS E PARCERIAS Jefferson Deodoro Teixeira da Costa [email protected]
VICE-PRESIDÊNCIA DA SEDE DE CAMPO VICE-PRESIDENTE Nelson Aidar [email protected]
CONSELHO DELIBERATIVO PRESIDENTE Aluizio de Barros Fagundes SECRETÁRIO Marcos Moliterno
CONSELHEIROS Alfredo Cotait Neto Alfredo Mário Savelli Angelo Sebastião Zanini Antonio Carlos Pasquale de Souza Amorim Antonio Helio Guerra Vieira Arnaldo Pereira da Silva Camil Eid Carlos Antonio Rossi Rosa Dario Rais Lopes Edson José Machado Eduardo Ferreira Lafraia Francisco Armando N. Christovam João Alberto Viol João Antonio Machado Neto João Jorge da Costa Jorge Pinheiro Jobim José Olímpio Dias de Faria José Roberto Bernasconi José Roberto Cardoso Luiz Célio Bottura Marcel Mendes Marcelo Rozenberg Marcos Moliterno Nelson Newton Ferraz Paulo Ferreira Plínio Oswaldo Assmann Roberto Kochen Tunehiro Uono Vahan Agopyan Walter Coronado Antunes
CONSELHO CONSULTIVO PRESIDENTE João Ernesto Figueiredo VICE-PRESIDENTE André Steagall Gertsenchtein SECRETÁRIO João Antonio Machado Neto
CONSELHEIROS Alberto Pereira Rodrigues Alfredo Eugenio Birman Alfredo Mário Savelli Aluizio de Barros Fagundes Amândio Martins André S. Gertsenchtein Antonio Galvão A. de Abreu Antonio Hélio Guerra Vieira Braz Juliano Camil Eid Carlos Antonio Rossi Rosa Carlos Eduardo Mendes Gonçalves Cláudio A. Dall’Acqua
Instituto de Engenharia Reconhecido de utilidade pública pela lei nº 218, de 27.05. Av. Dr. Dante Pazzanese, 120 - CEP 04012 180 - São Paulo - SP Telefone: (+55 11) 3466 9200 - Fax (+55 11) 3466 9252 Internet: www.iengenharia.org.br E-mail: [email protected]
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PALAVRA DO LEITOR PALAVRA DO PRESIDENTE
Com o advento da Lei 8.987, de 1995, a qual dispõe sobre esta matéria, observou-se uma bipolaridade de rea- ções. Alguns governantes vislumbraram a solução para o problema, imaginando o rápido concurso de empresários no andamento da oportunidade. Entretanto, a corporação dos funcionários das entidades estatais, com apoio de or- ganizações maniqueístas, reagiu contra a simples ideia da privatização. De fato, muitos foram os problemas enfrentados pelos neófitos concessionários, ficando claramente caracteriza- da a insegurança jurídica dos contratos. Não obstante, foi promulgada a Lei das PPPs no penúltimo dia de 2004, enunciando com clareza os aspectos legais antes contro- versos, mas não proibidos, buscando resolver o tão pro- palado marco regulatório, “ad nauseam” repetido como a única solução para reativar o interesse do empresariado. Um pouco mais adiante, no início de 2007, veio a Lei do Saneamento Básico, completando as regras legais da pres- tação desses serviços. Infelizmente, os percalços das pri- meiras concessões postas em prática ainda permanecem, desestimulando a iniciativa privada.
O paradigma da desconfiança - Já as reações adversas, contra a iniciativa privada, ainda não foram aplacadas. Que- remos crer que apenas um longo tempo derrubará esse tipo de posicionamento fortemente ideológico, com apelo social
alijado do processo. A entidade reguladora necessariamente tem que ser fundamentada na sociedade civil. Considero ainda que o maior risco contratual não é a “caneta do governante”, mas sim grande parte dos ope- radores do direito, que atuam sem assessoria técnica de engenharia adequada. O artigo 175 da Constituição fala claramente dos “direitos dos usuários”. Apesar de a Lei 8.987/95 estabelecer parâmetros necessários e suficientes para delimitação destes direitos dos usuários, no meio ju- rídico o Código de Defesa do Consumidor tem sido usado como base doutrinária, desconhecendo que serviços de água e esgotos não são mercadorias de prateleira e nem serviços passiveis de operação metodológica universal. Disto resultam monumentais equívocos em proposituras de toda a sorte de ações administrativas e judiciais, que abrangem desde ações civis públicas propostas por orga- nizações não governamentais ou por incautos promotores de justiça, questionando a legalidade do contrato e inge- rindo, na própria relação do pacto, até as comezinhas dis- cussões de atos rotineiros de supressão do abastecimento a inadimplentes ou de cobrança de serviços de coleta de esgotos sem que haja o tratamento. Tudo isto sem falar na “indústria do dano moral” que prospera. Outro fato marcante é o aspecto ideológico de que o serviço público não pode ser delegado ao empresariado privado. Nada mais recriminável. A maior eficiência da ges- tão privada em comparação com a gestão governamental é flagrante. Os custos operacionais da iniciativa privada são muito menores, nisto inclusa a inexistência do inchaço do corpo técnico, decorrente de compromissos político-elei- torais. Daí, as tarifas têm condições de ser menores. Como forte argumento, os atuais serviços públicos praticados pela administração governamental e suas companhias revelam- -se péssimos e insuficientes. Aqueles praticados pela inicia- tiva privada, poucos, diga-se de passagem, são adequados, seguros e econômicos. O empresário privado, se descum- prir o contrato, está sujeito a sanções, inclusive perdendo o direito à concessão. O agente governamental está livre de maiores percalços e continua a manter as finanças equili- bradas através da perversa sonegação do serviço. Como diz o jurista Luiz Roberto Barroso, se um governante dispuser de recursos financeiros para implantar e sustentar um ser- viço público, ele pode ser ideológico e manter o serviço no âmbito governamental. Mas se não dispuser desse recuso, o dever cívico tem de se impor à ideologia, ele tem a obri- gação de convocar a iniciativa privada.
Conclusões - Evidentemente estas considerações po- dem ser bastante ampliadas. Porém, o que se pretende com elas é apresentar aspectos práticos do problema, tirando as lições que os equívocos das concessões pioneiras em sen- tido proativo, por serem corrigíveis, tornando o negócio atrativo. Conclui-se ainda que a prestação dos serviços públicos de abastecimento de água e/ou de esgotamento sanitário possui características muito próprias, não po- dendo ser analisada sob os mesmos critérios e parâmetros que norteiam outros segmentos da engenharia.
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Outro estudante, egresso do curso de engenharia meta- lúrgica, aproveitou o programa de internacionalização da Epusp para realizar parte do seu currículo em uma grande escola italiana. Voltou para o Brasil. Concluiu seu curso e se dedicou aos estudos de economia e desenvolvimento pelos quais se apaixonou durante seu estágio italiano. Hoje tra- balha na Guiné-Bissau, para uma empresa americana, na condução de um projeto de gestão pública. Os relatos desses três casos são emblemáticos. No pri- meiro, por se tratar de uma disciplina inicial, observa-se que os trabalhos realizados pelos estudantes utilizam-se de técnicas e metodologias que serão a eles apresentadas ape- nas nos semestres finais de seu curso e, em muitos casos, tais técnicas são apresentadas somente em cursos de pós- -graduação. Projetos envolvendo a utilização de técnicas de otimização, métodos numéricos sofisticados e utilização de novos materiais são comuns nesta disciplina, o que mos- tra que os alunos ‘aprendem fazendo’, e não seguindo uma sequência lógica de aprendizado tradicional. Isso atesta que o aprendizado não é uma linha de montagem e não precisa ficar preso a uma cadeia rígida, repleta de pré-requisitos. O segundo caso mostra que a habilitação escolhida pelo estudante não limita sua capacidade de desenvolver um trabalho de qualidade em habilitações distintas daquelas escolhidas no início de sua vida acadêmica. A escolha de uma carreira é irrelevante para o sucesso intelectual. São inúmeros os exemplos de engenheiros que se tornaram bri- lhantes profissionais em outras áreas do conhecimento. O terceiro caso mostra como é volátil a preferência de um estudante por uma determinada profissão. Basta dar a ele oportunidades de tomar contato com outras carreiras, para que a fidelidade à sua preferida seja colocada facil- mente em cheque. A f lexibilidade e a mobilidade curricular devem ser partícipes de sua formação. Em vista destes exemplos será que não precisamos re- f letir sobre o papel da universidade na formação de nossos jovens, em particular de nossos jovens engenheiros? O que fazer para navegar de uma estrutura rígida e cristalizada, que nos confina em silos, para uma estrutura f lexível e moldável, na qual a especialização seja substituída pela vi- são sistêmica de um problema? A evidência maior tem mostrado que a multidisciplinari- dade é a chave da inovação e da criatividade. Esta postura, inicialmente praticada pelas universidades americanas, foi assumida há anos pelos europeus e asiáticos, para tentar recuperar o terreno de sua inf luência mundial. A participação das artes, do design, das ciências biomé- dicas e das ciências políticas deverá transitar nos currículos modernos das engenharias se quisermos ver nossos jovens engenheiros com competência criativa e de liderança, ca- pazes de nos colocar na posição mundial que imaginamos estar. Concluindo, cabe a nós criar em todas as escolas de enge- nharia um ambiente único, com todas as facilidades para que o estudante possa por a ‘mão na massa’, onde todas as ideias fluam livremente, isentas das pressões acadêmicas, e que seja frequentado por estudantes de outras áreas, para que desta ‘promiscuidade’ acadêmica floresça a criatividade”. Engº José Roberto Cardoso Diretor da Escola Politécnica da USP São Paulo – SP
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PALAVRA DO LEITOR CARTAS&E-MAILS
NORmA DE DESEmpENhO E AcúSTIcA “A Norma de Desempenho, NBR 15.575, cuja exigibilidade está prevista para início de 2013, deverá promover muitas melhorias no conforto acústico das unidades habita- cionais no Brasil. Essa é uma ótima notícia para os compradores de imóveis, pois o conforto acústico sempre foi negligencia- do pelos empreendedores, justamente por falta de uma regulamentação. Problemas como o desconfortável ‘toc-toc’ na laje do vizinho de cima, vazamento de som entre dormitórios, janelas e portas que não iso- lam ruídos da rua ou entre cômodos, ins- talações hidrossanitárias e equipamentos barulhentos estão com os dias contados. Esses problemas se tornaram comuns a partir de meados de 1970, quando se iniciou um movimento pela racionalização da cons- trução civil. Em nome do desenvolvimen- to tecnológico as estruturas foram ficando mais leves, as paredes menos espessas, as janelas e portas, mais finas. Ou seja, houve um processo de redução do peso das cons- truções, com o intuito de economizar. Dessa maneira o conforto acústico foi um dos itens que mais sofreu, pois o isolamento acústico é regido, grosso modo, pela lei das massas: quanto mais densa e pesada é uma laje, uma parede, uma porta ou uma janela, menos ru- ídos são transmitidos através delas. A questão é que, na década de 1990, chegamos a um limite tal, de uma laje de concreto ter apenas 7 cm de espessura, sem contrapiso, a conhecida laje zero. Resultado: os apartamentos se converteram em caixas de ressonância comprometendo a qualidade acústica e o sossego dos moradores. Agora, com a entrada em vigor da Nor- ma de Desempenho, o setor vai passar por uma conscientização geral e obrigatória, já que as normas técnicas brasileiras têm valor de lei. Os usuários terão acesso a es- sas informações e poderão reclamar quan- do constatarem problemas acústicos em seus apartamentos. A NBR 15.575 define as classes de desempenho acústico (Mí- nimo, Intermediário e Superior) e, apesar de a maioria dos índices de desempenho acústico mínimos serem baixos, se com- parados às normas europeias, pelo menos vemos surgir um patamar que, ao longo do tempo, deverá ser cada vez mais exigente. É claro que não vamos voltar no tem- po e construir como há 40 anos. Na ver- dade o mercado dispõe de tecnologias, com produtos e sistemas de isolamento acústico que passarão a ser mais utiliza- dos, com cuidado e critério. Uma das melhorias imediatas em rela- ção ao conforto acústico é que as paredes
de geminação entre dormitórios e outros ambientes passem a ter um desempenho mínimo de 45 dB de isolamento. Assim, voltam as paredes de alvenaria com espes- sura mínima de 20 cm, que vinham sendo construídas com espantosos 9 cm de es- pessura. Se a parede for de drywall, ge- ralmente com 10 cm de espessura, podem ser adotadas soluções de isolamento acús- tico tais como lã de vidro e lã de rocha entre as duas placas de gesso acartonado. Vai acabar também a moda de fazer lajes de concreto com espessura menor que 10 cm. Essa solução está definitiva- mente condenada. Além disso, os edifícios de padrão popular, como os do programa Minha Casa, Minha Vida, terão de ter lajes de cobertura. Também acabam as janelas com duas folhas de alumínio e apenas uma folha de vidro, cujo desempenho acústico é sofrível. A partir de agora serão necessárias duas folhas de vidro, no mínimo. A qua- lidade da instalação das janelas também terá de melhorar, pois a norma vai exigir desempenho mínimo da fachada de 25 dB de isolamento acústico, em média, quando antes esse valor ficava em torno de 15 dB. O setor de portas e batentes também deverá adequar-se às novas exigências de desempenho acústico, principalmente no que se refere aos sistemas de paredes inter- nas que dividem o apartamento dos halls e das áreas de circulação. As portas serão os elementos mais importantes para garantir o desempenho acústico mínimo do sistema. Dessa maneira, acredito que a Norma de Desempenho trará correções em nossa cultura construtiva, que vem privilegian- do apenas a economia de custos e margens de lucros, em detrimento do conforto e do bem-estar dos usuários. A ProAcústica pretende criar um manual para orientar os construtores a respeito das soluções que podem ser adotadas, já que a norma, pelo fato de tratar de desempenho e não de valores numéricos, tem como objetivo definir as classes de desempenho acústico e não índices.” Engº Davi Akkerman Presidente da Associação Brasileira para a Qualidade Acústica (ProAcústica) e diretor da Harmonia Acústica São Paulo – SP
ERRATA I Sobre a reportagem “Nos trilhos do futuro”, da edição 610, seguem as corre- ções abaixo.
ERRATA II Na matéria intitulada “Um ativo de- fensor da autonomia tecnológica” (página 205 da edição 610), no primeiro parágrafo, onde se lê “revista inglesa de engenharia elétrica do Project Manegement Institute”, leia-se “revista inglesa de engenharia elé- trica do IEEE”. No mesmo parágrafo, onde se lê “transporte diário de 4,5 milhões de passageiros”, leia-se “transporte diário de 9,6 milhões de passageiros”. No penúlti- mo parágrafo, onde se lê “a parte elétrica (ficou) com a Promover”, leia-se “a parte elétrica (ficou) com a Brown Boveri”.
Comentários sobre o conteúdo editorial da REVISTA ENGENHARIA , sugestões e críticas devem ser enca- minhadas para a redação: Rua Alice de Castro, 47 – CEP 04015 040 – São Paulo – SP – Fax (11) 5575 8804 ou 5575 1069 – ou por E-mail: [email protected]
As cartas à redação devem trazer o nome, ende- reço e número da cédula de identidade do lei- tor, mesmo aquelas enviadas pela internet. Por questões de espaço e clareza a revista reserva-se o direito de resumir as cartas.
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PALAVRA DO LEITOR
C M Y CM MY CY CMY K
s colegas geotécnicos (engenheiros geotécnicos e geólo- gos de engenharia) que me leem por certo têm testemu- nhado pessoalmente casos de empreendimentos (dos mais variados tipos) que em sua implantação estão a cometer erros geotécnicos crassos, os quais, por sua natureza, agridem nossa racionalidade técnica e nossa consciência profissional. Com a esperada retomada do crescimento econômico nacional, multiplicam-se os empreendimentos nos mais variados setores de nos- sa atividade, e na mesma proporção tem-se multiplicado as situações referidas, onde se percebe que os procedimentos técnicos aplicados ficam distantes e apartados do grande conhecimento que a geotecnia brasileira produziu e acumulou ao longo das últimas décadas. Esse paradoxo entre o grau de excelência em quantidade e quali- dade do conhecimento disponível e a mediocridade do conhecimento realmente aplicado em um grande número de empreendimentos, pelos enormes prejuízos econômicos, patrimoniais e institucionais que vêm impondo à sociedade brasileira, à administração pública e aos empre- endedores públicos e privados (em mais um triste espetáculo de ge- neralizada impunidade), está a merecer uma atenção maior e de cará- ter resolutivo por parte dos geotécnicos brasileiros, de suas entidades técnico-científicas e dos órgãos de fiscalização profissional. Obras viárias urbanas, intermunicipais e interestaduais, empreen- dimentos urbanos de caráter comercial, cultural ou lazer, serviços e obras de drenagem e saneamento, serviços e obras de irrigação e adu- ção hídrica, depósitos e centros logísticos de distribuição periurba- nos, instalações industriais, loteamentos e condomínios habitacionais ou empresariais, grandes obras prediais etc., fazem parte do grande elenco de empreendimentos que vêm negligenciando os devidos e imprescindíveis cuidados geotécnicos. Ruptura de taludes, processos erosivos e assoreadores, recalques em fundações, variações críticas do nível freático local e regional, abatimentos de terrenos, comprometimento de instalações de vizi- nhança, deterioração precoce de infraestrutura pública e privada,
acidentes durante e após a implantação da obra, incompatibilidade entre solução adotada e problema objeto etc., são algumas das co- muns decorrências da referida negligência. Há também que se levar em consideração os prejuízos envolvidos no contínuo comprometi- mento da imagem da engenharia brasileira. Como solucionar esse paradoxo tecnológico estabelecido pela não utilização prática e plena do conhecimento e da experiência geotécni- ca disponível? Não como a única providência nesse sentido, mas creio firmemente que o estabelecimento da obrigatoriedade de os empre- endimentos de médio e grande portes apresentarem, como condição para obter seu alvará de construção, um Plano de Gestão Geológico- -Geotécnica, elaborado e assinado por empresa ou profissional para tanto formalmente credenciado, possa se constituir em uma virtuosa decisão. Esse plano deverá demonstrar todos os estudos, avaliações e decisões de caráter geológico-geoténico adotados para que a implan- tação e futura operação do empreendimento não apresentem defici- ências dessa ordem. De tal forma que fiquem perfeitamente expressas as responsabilidades profissionais envolvidas em eventuais problemas que possam vir a ocorrer durante e após as operações de implantação física do empreendimento. O plano não envolveria os projetos geotéc- nicos que se façam necessários propriamente ditos, mas sim a previsão de todos os projetos e medidas de caráter geotécnico que deverão ser observados e desenvolvidos desde a concepção até a entrega ope- racional do empreendimento. Constituiria, assim, um expediente de gestão e planejamento, com claro caráter preventivo. Esse, obviamente, é apenas o arcabouço da ideia proposta. Há vá- rios detalhes a serem bem resolvidos, como a definição exata do caráter de médio e grande portes dos empreendimentos; quais seriam as ins- tituições credenciadoras de empresas e profissionais habilitados à ela- boração e implementação do Plano de Gestão Geológico-Geotécnica; quais as condições para esse credenciamento; qual seria o ordenamento mínimo desse plano; os órgãos fiscalizadores; as penalizações etc. Um bom primeiro passo para aprofundamento do tema e formali- zação de uma primeira proposta seria a constituição de um Grupo de Trabalho por parte da Associação Brasileira de Mecânica dos Solos e Engenharia Geotécnica (ABMS) e a Associação Brasileira de Geologia de Engenharia (ABGE).
EMPREENDIMENTOS DE MÉDIO E
GRANDE PORTES: A
OBRIGATORIEDADE DE ELABORAÇÃO
E ADOÇÃO DE UM PLANO DE GESTÃO
GEOLÓGICO-GEOTÉCNICA
ÁLVARO RODRIGUES DOS SANTOS*
*** Álvaro Rodrigues dos Santos é geólogo, consultor em geologia de engenharia, geotecnia e meio ambiente; foi diretor do IPT; criador da técnica Cal-Jet de proteção de solos contra a erosão; é o autor dos livros Geologia de Engenharia: Conceitos, Método e Prática; A Grande Barreira da Serra do Mar; Cubatão; e Diálogos Geológicos E-mail: [email protected]**
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metros quadrados de área, o Brasil possui 1,76 milhão de quilôme- tros de estradas, sendo que apenas 212 000 quilômetros constam das estatísticas como pavimentadas – mas, na realidade, a maioria em péssimo estado de conservação. Extrapolando-se os setores aéreo e marítimo, também muito aquém de qualquer exigência de desenvolvimento, é possível avaliar que a ação mais urgente seria a ampliação da malha rodoviária em cerca de 4,4 milhões de quilômetros e recuperação de pavimentação e obras de mais de 560 000 quilômetros. Também é razoável entender que essa amplitude territorial exige recursos que extrapolam as verbas oficiais e, portanto, devem ser buscados na iniciativa privada – outra estratégia que o governo vem conduzindo com certos melindres que não se justi- ficam, principalmente diante dos desafios deste terceiro milênio. Há pontos positivos no recente pacote de concessões anunciado pelo governo. Mas, diante da morosidade com que as decisões são imple- mentadas – quando o são –, algum ceticismo é inevitável. Como ponto positivo para a meta de viabilizar – por meio de concessões para explo- ração de rodovias e ferrovias – investimentos da ordem de mais de uma centena de bilhões de reais para as próximas décadas, está a priorização da estatal de projetos estratégicos. Essa, a mais recente aposta para a tão essencial dinamização do PAC. Mais uma esperança de novo, moderno, e mais eficaz estilo de concretizar e ampliar as fronteiras desses planos. Sem infraestrutura moderna e eficiente é ilusório acreditar que o Brasil poderá assegurar concretamente sua posição de país desen- volvido no concerto das demais nações. E esse deve ser o objetivo da nação, inclusive de todos os brasileiros (que dependem dessa alavan- cagem para igualmente crescer).
*** Silvio Ciampaglia é engenheiro, presidente do Sindicato da Indústria da Construção Pesada do Estado de São Paulo (Sinicesp)**
mbora o governo insista em anunciar investimentos em diferentes áreas do Programa de Aceleração do Cresci- mento (PAC), saudado desde sempre como fundamental para conter o baixo desenvolvimento do país, na reali- dade pouco está sendo de fato concretizado e em velocidade muito aquém das exigências da hora. Seja qual for o ângulo desse grande pacote, quando analisado por diferentes profissionais da matéria, o raciocínio final fundamenta-se sempre na falta de dinâmica para acelerar o trajeto planejamento / realização. O governo enreda-se entre concessões previstas já no pla- no inicial do PAC, que nunca saíram do papel, liberação de recursos a mais ou a menos de forma quase aleatória, restrições e questio- namentos de órgãos do próprio governo, uma série interminável de obstáculos que impedem qualquer trajetória desenvolvimentista. É inegável que o crescimento econômico do Brasil está aquém de suas possibilidades e embora sofra efeitos da crise mundial também não é possível atrelar uma coisa à outra. A questão fundamental, e que muitos insistem em manter em segundo plano, é que o país dispõe de uma minguada e arcaica infraestrutura, que entre tantos outros efeitos, mina sua reconhecida produtividade e destrói qualquer em- preendimento que necessite de logística atualizada e ágil. O setor de transportes – terrestre, marítimo e aéreo – vem sendo tratado burocraticamente há décadas. Em seus 8,5 milhões de quilô-
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CURTASPALAVRA DO LEITORCURTAS
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TRINTA E OITO ANOS DE OPERAÇÃO
O Metrô de São Paulo faz história a cada dia que passa. Em 14 de setembro passado completou 38 anos de operação comercial, uma semana após o sistema metroviário na capital ter batido seu recorde diário de transporte, com 4,7 milhões de usuários. São números impressionantes e que não param de crescer. “Estamos no caminho certo. Além da
modernização de toda a frota original de trens para melhorar o desempenho e a segurança da operação, a Cia. do Metrô avança com quatro grandes empreendimentos para a ampliação de sua rede de serviço. Até 2014 deveremos superar os 100 quilômetros de extensão de rede metroviária”, garante Peter Walker, diretor-presidente da Companhia.
IMPLANTAÇÃO
DE TÚNEL
C o m p l e t a d o e m s e t e m b r o p a s s a d o , com projeto básico, projeto executivo e Acompanhamento Técnico de Obra (ATO) da GeoCompany, passará pelo Túnel da Base Naval de Itaguaí o submarino nuclear brasileiro. A Diretoria de Obras Civis da Marinha (DOCM) vem realizando análises técnicas de execução do túnel do EBN. As referidas análises envolvem não apenas as questões relacionadas ao dimensionamento das estruturas em concreto armado, mas principalmente os aspectos geotécnicos do empreendimento. Cabe ressaltar a importância da interpretação dos resultados da modelagem numérica 3D realizada no trecho do maciço rochoso onde há o cruzamento entre os túneis do EBN e da empresa MMX. Nesse caso, as análises das tensões e deformações geradas pelas escavações em rocha, previstas n a m o d e l a g e m e l a b o ra d a n a e m p re s a GeoCompany Tecnologia, Engenharia e Meio Ambiente, foram fundamentais na decisão quanto à distância a ser estabelecida entre ambos os túneis.
DIVULGAÇÃO
LEONARDO MOREIRA
MAIS PRESENÇA NA
AMÉRICA LATINA
O grupo Volvo América Latina está expandindo suas operações e investindo para continuar ganhando mercado. A companhia está aumentando sua rede de concessionários no Brasil e demais países latino-americanos. “Queremos reforçar nossa liderança, proporcionada principalmente pelos atributos de nossos caminhões: baixo consumo de combustível, alta disponibilidade e grande robustez”, diz Roger Alm, presidente do grupo Volvo América Latina. A companhia também está promovendo a integração de suas outras três marcas – os caminhões das marcas UD, Renault e Mack. “Somos uma empresa multimarcas, com uma oferta de produtos bastante ampla e que atende a todas as necessidades dos transportadores”, observa o presidente.