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Revista - Fitovirus, Notas de estudo de Biotecnologia

Revista Biotecnologia

Tipologia: Notas de estudo

2012

Compartilhado em 22/12/2012

Ipanema27
Ipanema27 🇧🇷

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Nossa capa
12 Cultivar HF • Fevereiro / Março 2006
Entre os fitovírus (vírus cau-
sadores de doenças nos vege-
tais, vide revista Kitajima &
Rezende (Cultivar HF, Dezembro,2003/
Janeiro 2004), a família Potyviridae abri-
ga uma das maiores populações de gêne-
ros e espécies, bem como variantes (estir-
pes ou raças) ainda não bem definidas.
Um membro dessa família, tido como “es-
pécie-tipo” e provavelmente o mais bem
conhecido cientificamente, é o Potato ví-
rus Y (PVY), causador do mosaico comum
da batata (Solanum tuberosum) .
Para o agronegócio da bataticultura,
o fato de o PVY ser sujeito à diversidade
genética tem tido um significado econô-
mico muito sério a partir dos últimos dez
anos. Particularmente para as principais
regiões produtoras do Brasil, podemos
recordar que nos últimos 30-40 anos, até
meados da década de 90, tinha-se rara-
mente e de forma bem definida a ocor-
rência de alguns poucos casos de incidên-
cia superior a 3-5% de “mosaicos de
PVY” em plantações de batata, tanto para
semente quanto para consumo.
As estirpes mais conhecidas e detec-
tadas em testes biológicos, até então, eram
apenas duas: PVYO e PVYN.
A presença do PVYO, causador de cla-
reamento das nervuras, é seguida de re-
cuperação e mosaico leve em plantas-teste
de fumo (cv. Turkish), mas em batata
manifesta mosaico severo nas folhas api-
cais, riscos necróticos ou pardos ao longo
das nervuras, seguidos de queda das fo-
Novo desafio
Para o
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genética tem tido
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sério a partir dos
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Nossa capa

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ntre os fitovírus (vírus cau- sadores de doenças nos vege- tais, vide revista Kitajima & Rezende (Cultivar HF, Dezembro,2003/ Janeiro 2004), a família Potyviridae abri- ga uma das maiores populações de gêne- ros e espécies, bem como variantes (estir- pes ou raças) ainda não bem definidas. Um membro dessa família, tido como “es- pécie-tipo” e provavelmente o mais bem conhecido cientificamente, é o Potato ví- rus Y (PVY), causador do mosaico comum

da batata (Solanum tuberosum). Para o agronegócio da bataticultura, o fato de o PVY ser sujeito à diversidade genética tem tido um significado econô- mico muito sério a partir dos últimos dez anos. Particularmente para as principais regiões produtoras do Brasil, podemos recordar que nos últimos 30-40 anos, até meados da década de 90, tinha-se rara- mente e de forma bem definida a ocor- rência de alguns poucos casos de incidên- cia superior a 3-5% de “mosaicos de

PVY” em plantações de batata, tanto para semente quanto para consumo. As estirpes mais conhecidas e detec- tadas em testes biológicos, até então, eram apenas duas: PVYO^ e PVYN. A presença do PVYO, causador de cla- reamento das nervuras, é seguida de re- cuperação e mosaico leve em plantas-teste de fumo (cv. Turkish), mas em batata manifesta mosaico severo nas folhas api- cais, riscos necróticos ou pardos ao longo das nervuras, seguidos de queda das fo-

Novo desafio

Para o agronegócio da bataticultura, o fato de o PVY ser sujeito à diversidade genética tem tido um significado econômico muito sério a partir dos últimos dez anos

Novo desafio

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lhas baixeiras. A planta infectada é então denominada “pinheirinho”. Exemplos típicos desses sintomas foram vistos em plantas de Achat em alguns lotes de ba- tata-semente importados da Alemanha em 1996. Não havia outro dano na pro- dução atribuído ao PVYO^ senão o de re- dução na produtividade da planta infec- tada: de 15 a 90%. Quanto ao PVYN, as plantas testes de fumo respondem com necrose nas ner- vuras (daí a letra “N”), podendo levar à morte da planta. Em campo, as plantas de batata apresentam geralmente mosai- co apical e leve ondulação nos folíolos. Perdas de 10 a 45% podem ser observa- das, dependendo da variedade e da pre- sença de outros vírus (sinergismo) como o Potato virus X (PVX), que em interação

com PVYN^ causa severa rugosidade, sen- do denominado “mosaico rugoso”. Tam- bém no caso da estirpe PVYN^ comum, os tubérculos não são atingidos mais do que em tamanho.

O PVYNTN^ É RESULTADO DA DIVERSIDADE

GENÉTICA DOS POTYVIRUS

Em meados da década de 90, tínha- mos conhecimento e havíamos alertado para o risco da introdução de uma exóti- ca estirpe do Potato vírus Y (PVY), até então presente “oficialmente” apenas em alguns países da Europa e América do Norte. Essa estirpe foi considerada exó- tica por causar, além do mosaico “co- mum” na folhagem, também necrose em forma de arcos e anéis na superfície (epi-

derme) dos tubérculos. Em algumas va- riedades esses sintomas eram tão agressi- vos que impediam a comercialização do produto no mercado. Essa estirpe exóti- ca do PVY ficou denominada PVYNTN, pois pertence ao grupo do PVYN, mas também causa necrose em tubérculos, ou na língua Inglesa: “Tuber Necroses”. A ocorrência do PVYNTN^ na Europa data de meados da década de 80, em pa- íses do lado oriental, inicialmente. No Brasil essa estirpe foi primeiramente ob- servada em 11 de setembro de 1997, atra- vés de batata-semente da variedade Atlan- tic. Coincidentemente, as primeiras cons- tatações da ocorrência do PVYNTN^ na América do Norte, particularmente no Canadá, também datam de meados da década de 90. Trata-se de uma raça mui-

to agressiva e que pode infectar indistin- tamente outras solanáceas, como toma- te, pimentão etc. Ela rompe a resistência que algumas variedades de alta resistên- cia às raças PVYO^ ou PVYN^ normalmente oferecem em campo (ex. cv. Monalisa). As variedades Monalisa, Vivaldi, Caesar, Mondial e Aracy são algumas das que já foram identificadas com sintomas bastan- te severos; enquanto as variedades Ága- ta, Bintje, Cupido, Itararé e Jaette Bintje aparentemente não mostram os sintomas nos tubérculos. Asterix e Atlantic, de alta suscetibilidade ao PVYO^ e PVYN, mos- tram, quando infectadas pelo PVYNTN, sintomas mais severos na parte aérea, mas muito pouco dos sintomas de anéis ne- cróticos nos tubérculos.

Variedades que são apenas portado- ras sem sintoma da infecção pelo PVYN- TN (^) podem disseminar o vírus via lotes de tubérculos infectados, quando utili- zados como batata-semente. Pode ser essa a explicação para o PVYNTN^ já se encontrar em mais de cinco estados pro- dutores do país: SP, MG, PR, GO e BA, desde sua primeira constatação em 1997 (amostras de tubérculos da cv. Atlantic, cuja batata-semente era de origem im- portada do Canadá). No aspecto de sensibilidade dos sin- tomas do PVYNTN^ nos tubérculos, nenhu- ma variedade tem se mostrado mais sen- sível que a ‘Monalisa’, importante indi- cadora/diferenciadora entre o PVYN^ e o PVYNTN, sob condições experimentais e mesmo práticas (em campo). Estaria agora surgindo uma possível nova estirpe do PVY, causadora de en- crespamento severo na folhagem e defor- mação dos tubérculos? Em meados de junho de 2005, pelo menos duas produções de batata da re- gião de Casa Branca (SP), apesar de lo- calizados em áreas distintas e distantes alguns quilômetros um do outro, apre- sentavam em comum os seguintes aspec- tos: 1- Plantio da cultivar Monalisa, com batata-semente própria, oriunda de uma segunda geração de classe registrada ad- quirida de Santa Catarina, apresentan- do mais de 40% de plantas com sinto- mas de encrespamento severo e verde in- tenso nas folhas retorcidas, aparentemen- Monalisa com sintoma do encrespamento. Haste normal oriunda de um mesmo tubérculo-mãe com outras duas sintomáticas te sem sintomas nítidos de mosaico. (^) ...............

Sintoma de folhas retorcidas, encrespadas e tubérculos afetados

A ocorrência do PVYNTN^ na Europa data de meados da década de 80, em países do lado oriental, inicialmente. No Brasil essa estirpe foi primeiramente observada em 11 de setembro de 1997, através de batata-semente da variedade Atlantic

Fotos José A. Caram de Souza-Dias

veis as análises feitas com o antissoro para PVP, pois há evidências de que esse an- tissoro reage para Potato rough dwarf vi- rus (PRDV - Carlavirus, pág. 56, e foto com sintoma semelhante na pág. 57 do livro editado por Colin J. Jeffries - Bole-

tim 19 - FAO/IPGRI, Roma, Itália, 1998). Ainda na relação PVP e PRDV, há in- formações de Colin Jeffries (Scottish Agric. Sc. Agency) de que o PVY infecta Datura metel e fumo, enquanto o PRDV não in- fecta essas espécies. Apesar de o PVP apre- sentar-se sem sintoma evidente (infecção latente) nas variedades de batata testa- das, o PRDV, em contraste , mostra sin- tomas semelhantes ao da Monalisa em Casa Branca. Por isso incluímos o teste para PVP e podemos, com base nos re- sultados negativos, descartar (preliminar- mente) a presença desse vírus no caso em questão. Quanto aos testes com plantas indi- cadoras (testes biológicos), não tivemos sintoma algum em Datura stramonium, mesmo nas hastes desenvolvidas (cresci- mento) de enxerto da Datura stramonium sobre planta de Datura metel infectada via inoculação por enxertia de haste de plan- ta (batata Monalisa do campo Casa Bran- ca). A Datura metel mostrou sintomas da

infecção (com sintomas típicos de PVYN) após 25-30 dias da enxertia. Tentativa de inoculação mecânica do extrato de folhas de Datua stramonium (haste crescendo do enxerto em plantas de D. metel infecta- da) foi negativa em plantas de fumo e negativa em testes imunológicos para PVY. A hipótese de que o agente causal te- nha origem no Sul do Brasil se deve ao fato de apenas os lotes de batata-semen- te cv. Monalisa oriundos dessa região te- rem apresentado o problema.

  • Quanto à possibilidade de um Cur- tovirus estar associado ao encrespamen- to da cv. Monalisa em Casa Branca (SP): Curtovirus são fitovírus cuja espécie típica é o vírus do topo crespo da beterra- ba (Beet curly top vírus (BCTV), perten- cente à família Geminiviridae e ao gêne- ro Curtovirus). Os curtovirus são trans- mitidos de forma persistente por cigarri- nha (Circulifer tenellus, na América do Norte, e C. opacipennis, no Mediterrâ-

Caram alerta para possível estirpe exótica de PVY

......... ......

Nos testes por ELISA, observaram-se resultados positivos apenas para PVY, com antissoro policlonal (kit Embrapa- CNMPH), e negativos para PLRV, PVS, PVM, TRV, PVM, PVP (diversas origens de kits)

Divulgação

neo). A possível presença de um curtovi- rus havia sido questionada logo na pri- meira visita que fizemos em junho de 2005 aos campos de Casa Branca, com os produtores e em companhia dos cole- gas Paulo Nogueira (Dow Chemica) e Fabio Oliveira (Cooperbatata). Mais tarde, Luiz Salazar (CIP, Lima, Peru), também se interou do caso de en- crespamento pelo PVY na cv. Monalisa, Casa Branca. Os sintomas de encrespa- mento foram também reconhecidos como muito parecidos com os de BCTV, conforme mostra na pág. 40, a figura 10 do livro de Colin Jefrries, Boletim 19- FAO/IPGRI. É interessante notar que essa figura, com os sintomas de encres- pamento severo do tipo “green dwarf di- sease”, muito semelhantes aos da cv. Mo- nalisa em questão, é de uma planta da

cultivar Baronesa, originada no Sul do Brasil, onde é apontado esse vírus em ca- sos esporádicos. Entretanto, quando questionados sobre a presença de cigarrinhas nos campos da cv. Monalisa em Casa Bran- ca (SP), tanto no ciclo anterior como no da estação corrente, os produtores não souberam afirmar, mas não havi- am notado nenhuma presença desse in- seto. Além disso, todos os sintomas su- geriam tratar-se de infecção secundá- ria, pois lotes da mesma variedade e in- clusive de outras variedades, mas de ori- gem diferente, plantados lado a lado, não mostraram o problema. Caso venha a ser identificado um Curtovirus (“Beet curly top virus” ou ou-

tra espécie do gênero) como agente cau- sal nessa “síndrome” do encrespamento em estudo, teremos que considerar o fato de a presença de um possível Curtovirus estar consistentemente associada ao Po- tyvirus (PVYN) na cv. Monalisa- Casa Branca (SP), pois não houve até o pre- sente nenhuma planta sintomática com teste negativo para o PVY (bio, imuno e molecular). Ainda na hipótese de Curtovirus, é relatado que este não causa sintomas nos tubérculos, exceto redução de tamanho (C. Jeffries, 1998. pág. 40). Então, retor- namos ao PVY variante do NTN, pois houve constante associação entre severi- dade de encrespamento na folhagem (re- torcimento de hastes e folíolos) com da- nos de deformação nos tubérculos (ra- chaduras, curvatura tipo meia lua) de

plantas sintomáticas, além da redução de tamanho. Entretanto, ainda temos man- tido atenção à questão do Curtovirus (an- tissoro em fase de aquisição e primers sen- do confeccionados), pois, além das des- crições de ocorrência localizada na região Sul do Brasil, os sintomas mostrados na referida Figura 10, cv. Baronesa, têm em sua descrição aspectos que se assemelham aos observados nas plantas da cv.Monalisa

  • Casa Branca, em estudo. Finalmente, na última correspondên- cia que recebemos de Salazar, em fins de 2005, ele nos informou que o problema da Monalisa em Casa Branca (SP) se tra- tava, muito provavelmente, de uma vari- ante do PVYNTN, causadora de deforma- ção e rachadura de tubérculos, mas não

José A. Caram de Souza-Dias, IAC

C C

......... ......^ causadora dos anéis ou arcos necróticos típicos. Recentemente, Salazar nos en- viou um kit para outro tipo de imunodi- agnose denominada “Western Blotting”, para detecção de um suposto PVYNTN, o qual Salazar nos relata apresentar em tu- bérculos sintomas bastante semelhantes aos produzidos pelas plantas da cv. Mo- nalisa em Casa Branca. Mediante as evidências de um possí- vel novo Potyvirus, autoridades da Defe- sa Sanitária Vegetal da SAA-SP e repre- sentantes das principais associações da ba- taticultores foram alertados com plano de ação para caracterização e controle desse novo PVYN. Por determinação da Sec. de Agr. e Abast. do Est. São Paulo, foi constituído o “Grupo de Trabalho” para estudo dessa exótica virose do encres- pamento (DO Est. de São Paulo, 21- 01-06, Resolução SAA 002 de 20-01- 2006). Esse grupo está realizando, en- tre outras ações, as de: caracterização, diagnose, epidemiologia e controle. Esse grupo discutirá, além de aspectos finan- ceiros para pesquisa dessa nova virose, também estudos de levantamento, ca- racterização do vírus e estratégias de controle, incluindo possíveis ações de erradicação do vírus naquela região. Estamos todos empenhados nas ações efetivas desse grupo de trabalho. A cooperação com associações de ba- taticultores, particularmente da ABBA e da ABVGS, tem sido e será funda- mental nessa missão. Esperamos que essa possível nova estirpe do PVY ve- nha a ser totalmente dominada (con- trolada), ficando apenas no sinal de alerta máximo com o qual os produ- tores estão sendo informados para se posicionarem. O exemplo do PVYNTN serviu e vem servindo de lição. Mais informações sobre essa exó- tica raça do PVYN, associada aos sin- tomnas de encrespamento e malfor- mação dos tubérculos da cv. Monali- sa, tais como sua ocorrência, sintomas, diagnose e avaliações de perdas na pro- dução, poderão ser encontradas nos anais do Congresso Paulista de Fito- patologia, que ocorrerá em Botucatu (SP), nos dias 14 a16 de fevereiro de 2006 (www.summanet.com.Br ou [email protected] ).

Plantação de Monalisa com batata-semente própria, apresentando mais de 40% da síndrome do encrespamento (repolhuda)

Em alguns casos, hastes de uma mesma planta- cova sintomática apresentavam uma haste aparentemente sem os sintomas de encrespamento, permanencendo com aspecto de normal

José A. Caram de Souza-Dias