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Sensibilidade e processamento sensorial em crianças
Tipologia: Resumos
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Sensibilidade e Processamento Sensorial - Resumo A sensibilidade e o processamento sensorial fornecem a infraestrutura para nossas experiências e, consequentemente, também fornecem ferramentas fundamentais para a prática da terapia ocupacional. Os sistemas sensoriais são os mecanismos de informação para o sistema nervoso. O sistema nervoso apresenta diversas funções que determinam como o sistema sensorial deve operar, incluindo o controle centrífugo e o equilíbrio entre excitação e inibição. Sabendo dessas ações neurológicas, pode-se compreender como planejar as atividades que tirarão vantagens da maneira pela qual o cérebro funciona, criando assim um mecanismo interno de suporte ao desempenho da pessoa. Assim, percebe-se que os terapeutas ocupacionais precisam compreender como esses aspectos funcionam, pois torna-se benéfico tanto para o profissional quanto para o paciente. O controle centrífugo é a função mais básica do sistema nervoso central e representa a capacidade do cérebro de regular sua estimulação. O cérebro exerce o controle centrífugo por supressão, divergência e convergência. A supressão é a capacidade do SNC de atenuar alguns estímulos de modo que outros sejam mais fáceis de detectar, a divergência é a capacidade do cérebro de transmitir estímulo sensorial a muitas partes do próprio cérebro de modo que o estímulo possa afetar vários locais ao mesmo tempo e a convergência é o fenômeno de reunir informações de muitas fontes. Já o equilíbrio entre Excitação e Inibição é a forma pela qual o cérebro depende desse equilíbrio para mediar o estímulo e a resposta, pois se há um excesso de excitação, há consequentemente um exagero; e se tem um excesso de inibição, não haverá nem observação e nem resposta ao mundo redor. Apesar de cada sistema sensorial ter funções únicas, eles compartilham de funções básicas. Todos dispõem de uma estrutura de informação que transmite estímulos para o sistema nervoso e cada sistema sensorial produz diferentes tipos de estímulos para transmissão. Todo o sistema sensorial opera para fazer com que o cérebro esteja atento ao estímulo disponível no ambiente para construção de mapas do corpo e do ambiente. Com esta informação e os mapas criados, uma pessoa pode elaborar respostas efetivas às demandas da vida. Sob circunstâncias típicas, as funções ativação/alerta e discriminação/mapeamento se complementam, formando um equilíbrio de força. A função discriminação/mapeamento orienta o comportamento durante as atividades cotidianas. A função ativação/alerta permite que as pessoas fiquem atentas a um novo estímulo não familiar ou potencialmente prejudicial, de modo que possam estar mais conscientes e, possivelmente, criar respostas e alternativas. Os estímulos de ativação/alerta geram comportamento de “observação”, isto é, a atenção é voltada para o estímulo, o que pode modificar o comportamento em prática.
Os estímulos de discriminação/mapeamento tornam possível reunir dados que darão suporte e irão elaborar comportamentos funcionais. É importante ressaltar que cada estímulo sensorial pode ser útil ou prejudicial. Quando compreendemos as características de cada estímulo sensorial, podemos atrelar esse estímulo positivamente a fins terapêuticos, isto é, para dar suporte ao desempenho ocupacional. Os sistemas sensoriais são elaborados para transmitir um tipo exato de informação. Os sentidos químicos transmitem informações sobre paladar e olfato. Os sentidos corporais informam ao cérebro sobre a pele, os músculos e o posicionamento do corpo. Os sentidos ambientais fornecem informações sobre o ambiente. Com isso, os terapeutas ocupacionais precisam compreender esses mecanismos de informação porque eles fornecem ao cérebro todo o material necessário para elaborar as respostas adaptativas que nos possibilitam atuar com sucesso em nossas vidas. Uma vez compreendidos os mecanismos da informação sensorial, é importante compreender como o cérebro gerencia esta informação. O processamento sensorial é um mecanismo para organizar, dar significado e responder às experiências sensoriais. Os padrões de processamento sensorial são baseados em como o sistema nervoso reage ao estímulo e como a pessoa responde ao estímulo. Cada neurônio, cada grupo de neurônios e cada sistema dentro do cérebro apresentam limiares para resposta. Isso significa que é necessário certo volume de estímulo excitatório para ativar os neurônios. Para algumas pessoas, há necessidade de uma quantidade muito pequena de estímulos para ativar os neurônios, de modo que podemos dizer que elas apresentam limiares baixos. Para outras pessoas, é necessária uma grande quantidade de estímulos para ativar os neurônios. Além dos limiares, atuamos com base em estratégias de autorregulação. Algumas pessoas controlam ativamente a quantidade de estímulo sensorial que recebem, outras pessoas são passivas, deixando as coisas acontecerem e em seguida respondendo. A autorregulação também ocorre ao longo de um continuum e não como uma resposta apenas passiva ou ativa. A busca de sensação representa limiares altos e uma estratégia de autorregulação ativa. A prevenção de sensação representa limiares baixos e uma estratégia de autorregulação ativa. A sensibilidade sensorial representa limiares baixos e uma estratégia de autorregulação passiva. O baixo registro representa limiares altos e uma estratégia de autorregulação passiva. Em suma, pode-se perceber o quanto é importante o profissional de Terapia Ocupacional ter conhecimento acerca desse assunto, pois quando os mesmo compreendem os sistemas sensoriais, eles podem elaborar e adaptar atividades em ambientes que deem suporte à participação bem-sucedida.