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Origens da Filosofia: Mitos Gregos e Pensamento Lógico, Notas de estudo de Filosofia

Este texto discute as condições históricas e as características dos mitos gregos que favoreceram o surgimento da filosofia, além da distinção entre o pensamento mítico e lógico. O documento aborda a humanização dos deuses, a exaltação dos valores da vida presente, a invenção da escrita alfabética e a importância da filosofia prática-oriental na origem da filosofia grega.

Tipologia: Notas de estudo

2021

Compartilhado em 27/07/2021

yayay
yayay 🇧🇷

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1. O Nascimento daFilosofia
Segundo alguns historiadores da Filosofia, a mesma surgiu por volta do final do
século VII e início do século VI a.C., na cidade grega de Mileto, na região Jônia.
O primeiro filósofo foi Tales de Mileto. Tales desenvolveu a idéia da Cosmologia,
ou ordem da Natureza. Formulou um conhecimento racional e sintético da
mesma. Cosmos significa “ordenação do mundo e das coisas naturais” e logos
significa estudo, palavra, pensamento racional. Então, a cosmologia é um estudo
sobre as coisas da natureza: sua origem, o que causa, enfim.
As condições históricas que favoreciam o surgimento da filosofia:
1 as viagens marítimas (contato com novas culturas);
2 a invenção do calendário (planejamento do futuro);
3 a invenção da moeda
4 o surgimento da vida urbana (organização cidades conforme leis);
5 a invenção da escrita alfabética (da oralidade se passa a fixar o pensamento);
6 a invenção da política (surgimento do discurso e da dialética).
As três características fundamentais dos mitos gregos que favoreceram o
surgimento da filosofia por conduzirem à racionalização:
7 a humanização dos deuses (antropormofização: transformados em humanos,
tanto em forma como em sentimento);
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1. O Nascimento da Filosofia Segundo alguns historiadores da Filosofia, a mesma surgiu por volta do final do século VII e início do século VI a.C., na cidade grega de Mileto, na região Jônia. O primeiro filósofo foi Tales de Mileto. Tales desenvolveu a idéia da Cosmologia, ou ordem da Natureza. Formulou um conhecimento racional e sintético da mesma. Cosmos significa “ordenação do mundo e das coisas naturais” e logos significa estudo, palavra, pensamento racional. Então, a cosmologia é um estudo sobre as coisas da natureza: sua origem, o que causa, enfim. As condições históricas que favoreciam o surgimento da filosofia: 1 as viagens marítimas (contato com novas culturas); 2 a invenção do calendário (planejamento do futuro); 3 a invenção da moeda 4 o surgimento da vida urbana (organização cidades conforme leis); 5 a invenção da escrita alfabética (da oralidade se passa a fixar o pensamento); 6 a invenção da política (surgimento do discurso e da dialética). As três características fundamentais dos mitos gregos que favoreceram o surgimento da filosofia por conduzirem à racionalização: 7 a humanização dos deuses (antropormofização: transformados em humanos, tanto em forma como em sentimento);

8 o não temor aos mortos, pois as almas ou espíritos iam para Hades e não interferiam na vida dos homens; 9 a exaltação dos valores da vida presente descritos em um mundo luminoso composto de deuses da luz. (exaltavam coragem, bravura, etc.) Essas três características afastavam o monstruoso e traziam racionalidade e clareza, o que conduzirá à visão filosófica do universo governado pela razão. A palavra dios , genitivo de Zeus, dá origem aos termos deus e dia. Diferenças entre mito e logos: 1 O pensamento mítico pertence ao campo do pensamento e da linguagem simbólica. O pensamento lógico pertence ao campo do pensamento e da linguagem conceitual. 2 A imaginação cria mitos e o pensamento elabora conceitos. 3 O mito possui caráter mágico-maravilhoso e simbólico, pode ser visto nas artes. De acordo com o antropólogo Claude Leví-Strauss, o mito possui sua função social: 1 explicativa: explica o presente por alguma ação passada. Exemplo: por algum erro passado estamos vivendo esta calamidade.

“orientalistas” que consideram o nascimento da filosofia a partir de transformações operadas na sabedoria oriental (que era extremamente prática), e a dos “ocidentalistas” que afirmam sua originalidade na Grécia, chamando-a até mesmo de “milagre grego”. Assim, podemos afirmar que não há um “milagre grego” ou um orientalismo exacerbado, mas que a filosofia grega tem seus alicerces na sabedoria prática- oriental. Mas, se opondo ao conhecimento empírico e pragmático dos orientais, os gregos buscaram uma unidade racional que organiza e integra tanto os conhecimentos teóricos quanto os práticos. O que realmente importa, é que ouve uma passagem de uma mentalidade mito-poética “fazedora de mitos” para a mentalidade teorizante. E tal passagem resulta de um longo processo de racionalização da cultura. Não há um milagre grego. A filosofia grega tem seus alicerces na filosofia prática-oriental. Mas ela busca dar uma unidade racional, ou seja, organiza e integra tanto o conhecimento teórico como prático. Exemplos: os rituais de cura dos orientais, que tornaram-se na grécia a medicina. Matemática = aritmética e geometria. Astrologia = astronomia. Então é fundamental distinguir mas não estabelecer uma ruptura radical. Pitágoras de Samos cunhou a palavra de filosofia: palavra composta por filo, que vem de philia , ou amizade, amor, e de sophia, que significa sabedoria. Por tanto philosophia significa amizade ou amor à sabedoria. Segundo Pitágoras de Samos, a sabedoria seria privilégio dos deuses, restando aos homens apenas a possibilidade de amá-la, desejá-la, serem seus amigos, ou seja, serem filósofos. O saber filosófico, como visto na história da filosofia, significa tanto conhecimento teórico sobre o mundo, como o conhecimento prático sobre a ética e a felicidade.

2. CLÁSSICOS GREGO A filosofia grega pode ser dividida em três etapas: período pré-socrático, socrático e helenístico. No período pré-socrático, a Filosofia foi empregada para elucidar a procedência do mundo e das coisas a sua volta, foi representado pela physis (natureza) que procurava compreender através da razão a origem e as mudanças que acometeram a natureza e o ser humano ao longo do tempo; destacou-se nesta fase o filósofo Tales de Mileto.

Já o período socrático apontou para uma modificação a respeito do elemento de pesquisa da filosofia, que sai da metafísica e caminha em direção ao homem em num período que destacou-se pelo surgimento da democracia que concedeu o direito de paridade a todas as pessoas que vivessem nas polis – hoje cidades – concedendo-lhes inclusive a faculdade legal de tomar parte no governo e se necessário sugerir alguma mudança na educação grega já que as pessoas tinham precisão de saber falar e persuadir as demais. O PENSAMENTO DE SÓCRATES A primeira vez que ouvimos falar de Sócrates é certamente durante o Ensino Fundamental. Porém, é no Ensino Médio que aprofundamos o conhecimento sobre as suas teorias. E há ainda mais: para os estudantes de cursos de humanas, é certo de que esse filósofo ainda lhe acompanhará por mais alguns anos. Sócrates é um filósofo de grande importância, já que foi o pioneiro do que hoje conhecemos como Filosofia Ocidental. Porém, para definir as bases desse pensamento ocidental, ele precisou da ajuda de outros dois filósofos (também gregos): Aristóteles e Platão.

Características do pensamento de Sócrates Há quem diga que no início de sua “carreira” Sócrates era muito similar com outros pensadores, que na época, eram chamados de sofistas: ele retomou muitos valores e princípios com o intuito de universalizar o mesmos, tornando o pensamento grego comum a várias esferas da sociedade. Os seus primeiros estudos envolviam a própria alma dos seres humanos. Por conta disso, até os dias de hoje o filósofo é relacionado com integridade moral, além é claro de muito conhecimento e sabedoria. Desde o início da repercussão de suas ideias até a sua morte, Sócrates sempre direcionou as suas ações baseadas em ética e total responsabilidade, o que inclusive, tornou o filósofo uma grande inspiração para as bases de uma cidadania moral e perfeita.

Vida pública não era de grande aceitação por parte de Sócrates, por mais que durante a sua vida ele tenha exercido algumas funções no setor político. Porém, seus pensamentos demonstravam imenso desprezo pela política e sua manipulação de controle. O principal método utilizado para suas expressões filosóficas foi o diálogo, sendo este o modelo mais simples pelo qual ele poderia se comunicar com os seus contemporâneos, transmitindo de maneira cada vez mais ampla os seus entendimentos filosóficos para o resto da população grega. Sócrates teve três filhos principalmente pelo fato d que acreditava que tinha na terra uma grandiosa missão: reproduzir-se, afim de criar seres dotados de tanta sabedoria quanto o próprio. Entre as características mais marcantes de Sócrates podemos destacar a rigidez de sua fala, a personalidade marcante e forte, seus entendimentos críticos e ideias que muitas vezes eram totalmente contra os métodos educativos e a própria estrutura social da época. A prisão de Sócrates Seus comportamentos, por vezes exagerados, acabaram levando à sua prisão, sendo o mesmo acusado por renegar os principais deuses que eram cultuados em território grego, fazendo uma troca dos mesmos por outros. Ele teve acesso a todos os direitos de um cidadão normal, podendo advogar

unir os Gregos da Sicília, e esteve aconselhando Dion, um dos governantes da época. Dion não seguiu os seus conselhos e acabou sendo assassinado. Platão tentou incitar os seguidores de Dion a praticarem o que ele achava certo politicamente, mas isso também não aconteceu. Depois disso, como Platão previra, a Sicília foi invadida e conquistada por estrangeiros. Depois deste acontecimento, Platão voltou a lecionar em sua escola e se continuou um ávido escritor até os últimos dias de sua vida. Ele faleceu aos 80 anos e foi sepultado dentro de sua própria escola. O Pensamento de Platão Platão é considerado um filósofo que viveu no limiar do pensamento antigo com o pensamento político moderno. Mas ele não falava somente sobre política e era capaz de abordar os mais diferentes temas com a mesma desenvoltura, como o amor por exemplo. Sua obra é um dos legados mais importantes do conhecimento humano, onde ele falava de amor, de ética, política, metafísica e sobre a teoria do conhecimento. Quase toda sua obra é conhecida, e somente um dos textos onde ele fala sobre o Bem, está perdido. Ele costumava escrever em forma de diálogo, onde se misturavam mitos poéticos com pensamentos totalmente racionais. Um dos pensamentos mais conhecidos de Platão é sobre o espírito humano. Segundo ele, a alma estaria aprisionada em uma caverna, se isolando da verdadeira realidade. Para ele tudo nascia, se desenvolvia e morria. Mas o ser humano precisa transcender o seu ser físico e admirar a esfera inteligível, o principal objetivo dos seres humanos. Muito do pensamento de Platão influencia o pensamento atual. Ele defendia por exemplo, que a mulher tivesse a mesma educação que o homem recebe. Ele também acreditava que a ciência seria fruto da inteligência humana e do amor. Para finalizar este resumo sobre Platão, vamos deixar algumas de suas frases mais ilustres:

  • “ A harmonia se consegue através da virtude.”
  • “ Vencer a si próprio é a maior das vitórias.”
  • “Praticar injustiças é pior que sofrê-las.”
  • “ O que mais vale não é viver, mas viver bem.” O mito ou “Alegoria” da caverna é uma das passagens mais clássicas da história da Filosofia, sendo parte constituinte do livro VI de “A República” onde Platão discute sobre teoria do conhecimento, linguagem e educação na formação do Estado ideal. A narrativa expressa dramaticamente a imagem de prisioneiros que desde o nascimento são acorrentados no interior de uma caverna de modo que olhem somente para uma parede iluminada por uma fogueira. Essa, ilumina um palco onde estátuas dos seres como homem, planta, animais etc. são manipuladas, como que representando o cotidiano desses seres. No entanto, as sombras das estátuas são projetadas na parede, sendo a única imagem que aqueles prisioneiros conseguem enxergar. Com o correr do tempo, os homens dão nomes a essas sombras (tal como nós damos às coisas) e também à regularidade de aparições destas. Os prisioneiros fazem, inclusive, torneios para se gabarem, se vangloriarem a quem acertar as corretas denominações e regularidades. Este modo de contar as coisas tem o seu significado: os prisioneiros somos nós

Entre os principais filósofos antigos está Aristóteles (384 - 322 a.C.), nascido na cidade de Estagira, na Macedônia, hoje pertencente à Grécia. Seus escritos discorrem sobre uma grande variedade de assuntos como biologia, física, lógica, ética, política e arte. Poucos anos após deixar Atenas, Aristóteles recebeu um convite do então rei da Macedônia, Filipe II, filho de Amintas III. O convite de Filipe II era para que Aristóteles fosse preceptor de Alexandre, que ficaria conhecido na história como o Grande. Aristóteles foi professor do adolescente Alexandre até este subir ao trono. Do que restou de seus escritos, podemos encontrar Aristóteles investigando o “ser enquanto ser”. Tal investigação sobre o que são e como são as coisas é fundamental para poder compreender o mundo. Nesse sentido, a sua metafísica discorre sobre princípios que garantam a realidade das coisas, como: o princípio de identidade, da não contradição e do terceiro excluído. Além dos princípios, Aristóteles aponta quatro causas que fazem as coisas serem o que são: material, formal, eficiente e final. É interessante notar que Aristóteles visa superar Platão, seu mestre. Assim como pensa que a essência das coisas está nas próprias coisas, diferente de Platão que pensa nas coisas como cópias de ideias perfeitas, Aristóteles pensa de modo diferenciado assuntos como ética e política. Em ética, Aristóteles discorda da ideia platônica que via as paixões humanas

como negativas e que precisavam ser controladas pela razão. Para ele, as paixões humanas não são nem boas e nem ruins. Ruim é quando as paixões são viciosas, isto é, quando estão em excesso ou em falta. Ter raiva de alguém não é ruim, por exemplo, pois ruim é aplicar em determinada situação mais raiva do que o necessário ou menos raiva do que o necessário. Nesse sentido, Aristóteles pensa que virtude é encontrar uma justa medida entre o excesso e a falta das paixões. Agir corretamente é um treino constante de dosar corretamente as paixões. No campo político, Aristóteles se preocupou menos com hipóteses de uma sociedade ideal e mais com um estudo dos sistemas políticos e leis existentes em sua época. Assim, diferente de Platão, que teorizou uma cidade ideal, Aristóteles pensou uma sociedade que não fosse nem totalmente democrática e nem totalmente aristocrática: a política permitiria que os conflitos entre ricos e pobres pudessem ser amenizados.