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Este texto discute as condições históricas e as características dos mitos gregos que favoreceram o surgimento da filosofia, além da distinção entre o pensamento mítico e lógico. O documento aborda a humanização dos deuses, a exaltação dos valores da vida presente, a invenção da escrita alfabética e a importância da filosofia prática-oriental na origem da filosofia grega.
Tipologia: Notas de estudo
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1. O Nascimento da Filosofia Segundo alguns historiadores da Filosofia, a mesma surgiu por volta do final do século VII e início do século VI a.C., na cidade grega de Mileto, na região Jônia. O primeiro filósofo foi Tales de Mileto. Tales desenvolveu a idéia da Cosmologia, ou ordem da Natureza. Formulou um conhecimento racional e sintético da mesma. Cosmos significa “ordenação do mundo e das coisas naturais” e logos significa estudo, palavra, pensamento racional. Então, a cosmologia é um estudo sobre as coisas da natureza: sua origem, o que causa, enfim. As condições históricas que favoreciam o surgimento da filosofia: 1 as viagens marítimas (contato com novas culturas); 2 a invenção do calendário (planejamento do futuro); 3 a invenção da moeda 4 o surgimento da vida urbana (organização cidades conforme leis); 5 a invenção da escrita alfabética (da oralidade se passa a fixar o pensamento); 6 a invenção da política (surgimento do discurso e da dialética). As três características fundamentais dos mitos gregos que favoreceram o surgimento da filosofia por conduzirem à racionalização: 7 a humanização dos deuses (antropormofização: transformados em humanos, tanto em forma como em sentimento);
8 o não temor aos mortos, pois as almas ou espíritos iam para Hades e não interferiam na vida dos homens; 9 a exaltação dos valores da vida presente descritos em um mundo luminoso composto de deuses da luz. (exaltavam coragem, bravura, etc.) Essas três características afastavam o monstruoso e traziam racionalidade e clareza, o que conduzirá à visão filosófica do universo governado pela razão. A palavra dios , genitivo de Zeus, dá origem aos termos deus e dia. Diferenças entre mito e logos: 1 O pensamento mítico pertence ao campo do pensamento e da linguagem simbólica. O pensamento lógico pertence ao campo do pensamento e da linguagem conceitual. 2 A imaginação cria mitos e o pensamento elabora conceitos. 3 O mito possui caráter mágico-maravilhoso e simbólico, pode ser visto nas artes. De acordo com o antropólogo Claude Leví-Strauss, o mito possui sua função social: 1 explicativa: explica o presente por alguma ação passada. Exemplo: por algum erro passado estamos vivendo esta calamidade.
“orientalistas” que consideram o nascimento da filosofia a partir de transformações operadas na sabedoria oriental (que era extremamente prática), e a dos “ocidentalistas” que afirmam sua originalidade na Grécia, chamando-a até mesmo de “milagre grego”. Assim, podemos afirmar que não há um “milagre grego” ou um orientalismo exacerbado, mas que a filosofia grega tem seus alicerces na sabedoria prática- oriental. Mas, se opondo ao conhecimento empírico e pragmático dos orientais, os gregos buscaram uma unidade racional que organiza e integra tanto os conhecimentos teóricos quanto os práticos. O que realmente importa, é que ouve uma passagem de uma mentalidade mito-poética “fazedora de mitos” para a mentalidade teorizante. E tal passagem resulta de um longo processo de racionalização da cultura. Não há um milagre grego. A filosofia grega tem seus alicerces na filosofia prática-oriental. Mas ela busca dar uma unidade racional, ou seja, organiza e integra tanto o conhecimento teórico como prático. Exemplos: os rituais de cura dos orientais, que tornaram-se na grécia a medicina. Matemática = aritmética e geometria. Astrologia = astronomia. Então é fundamental distinguir mas não estabelecer uma ruptura radical. Pitágoras de Samos cunhou a palavra de filosofia: palavra composta por filo, que vem de philia , ou amizade, amor, e de sophia, que significa sabedoria. Por tanto philosophia significa amizade ou amor à sabedoria. Segundo Pitágoras de Samos, a sabedoria seria privilégio dos deuses, restando aos homens apenas a possibilidade de amá-la, desejá-la, serem seus amigos, ou seja, serem filósofos. O saber filosófico, como visto na história da filosofia, significa tanto conhecimento teórico sobre o mundo, como o conhecimento prático sobre a ética e a felicidade.
2. CLÁSSICOS GREGO A filosofia grega pode ser dividida em três etapas: período pré-socrático, socrático e helenístico. No período pré-socrático, a Filosofia foi empregada para elucidar a procedência do mundo e das coisas a sua volta, foi representado pela physis (natureza) que procurava compreender através da razão a origem e as mudanças que acometeram a natureza e o ser humano ao longo do tempo; destacou-se nesta fase o filósofo Tales de Mileto.
Já o período socrático apontou para uma modificação a respeito do elemento de pesquisa da filosofia, que sai da metafísica e caminha em direção ao homem em num período que destacou-se pelo surgimento da democracia que concedeu o direito de paridade a todas as pessoas que vivessem nas polis – hoje cidades – concedendo-lhes inclusive a faculdade legal de tomar parte no governo e se necessário sugerir alguma mudança na educação grega já que as pessoas tinham precisão de saber falar e persuadir as demais. O PENSAMENTO DE SÓCRATES A primeira vez que ouvimos falar de Sócrates é certamente durante o Ensino Fundamental. Porém, é no Ensino Médio que aprofundamos o conhecimento sobre as suas teorias. E há ainda mais: para os estudantes de cursos de humanas, é certo de que esse filósofo ainda lhe acompanhará por mais alguns anos. Sócrates é um filósofo de grande importância, já que foi o pioneiro do que hoje conhecemos como Filosofia Ocidental. Porém, para definir as bases desse pensamento ocidental, ele precisou da ajuda de outros dois filósofos (também gregos): Aristóteles e Platão.
Características do pensamento de Sócrates Há quem diga que no início de sua “carreira” Sócrates era muito similar com outros pensadores, que na época, eram chamados de sofistas: ele retomou muitos valores e princípios com o intuito de universalizar o mesmos, tornando o pensamento grego comum a várias esferas da sociedade. Os seus primeiros estudos envolviam a própria alma dos seres humanos. Por conta disso, até os dias de hoje o filósofo é relacionado com integridade moral, além é claro de muito conhecimento e sabedoria. Desde o início da repercussão de suas ideias até a sua morte, Sócrates sempre direcionou as suas ações baseadas em ética e total responsabilidade, o que inclusive, tornou o filósofo uma grande inspiração para as bases de uma cidadania moral e perfeita.
Vida pública não era de grande aceitação por parte de Sócrates, por mais que durante a sua vida ele tenha exercido algumas funções no setor político. Porém, seus pensamentos demonstravam imenso desprezo pela política e sua manipulação de controle. O principal método utilizado para suas expressões filosóficas foi o diálogo, sendo este o modelo mais simples pelo qual ele poderia se comunicar com os seus contemporâneos, transmitindo de maneira cada vez mais ampla os seus entendimentos filosóficos para o resto da população grega. Sócrates teve três filhos principalmente pelo fato d que acreditava que tinha na terra uma grandiosa missão: reproduzir-se, afim de criar seres dotados de tanta sabedoria quanto o próprio. Entre as características mais marcantes de Sócrates podemos destacar a rigidez de sua fala, a personalidade marcante e forte, seus entendimentos críticos e ideias que muitas vezes eram totalmente contra os métodos educativos e a própria estrutura social da época. A prisão de Sócrates Seus comportamentos, por vezes exagerados, acabaram levando à sua prisão, sendo o mesmo acusado por renegar os principais deuses que eram cultuados em território grego, fazendo uma troca dos mesmos por outros. Ele teve acesso a todos os direitos de um cidadão normal, podendo advogar
unir os Gregos da Sicília, e esteve aconselhando Dion, um dos governantes da época. Dion não seguiu os seus conselhos e acabou sendo assassinado. Platão tentou incitar os seguidores de Dion a praticarem o que ele achava certo politicamente, mas isso também não aconteceu. Depois disso, como Platão previra, a Sicília foi invadida e conquistada por estrangeiros. Depois deste acontecimento, Platão voltou a lecionar em sua escola e se continuou um ávido escritor até os últimos dias de sua vida. Ele faleceu aos 80 anos e foi sepultado dentro de sua própria escola. O Pensamento de Platão Platão é considerado um filósofo que viveu no limiar do pensamento antigo com o pensamento político moderno. Mas ele não falava somente sobre política e era capaz de abordar os mais diferentes temas com a mesma desenvoltura, como o amor por exemplo. Sua obra é um dos legados mais importantes do conhecimento humano, onde ele falava de amor, de ética, política, metafísica e sobre a teoria do conhecimento. Quase toda sua obra é conhecida, e somente um dos textos onde ele fala sobre o Bem, está perdido. Ele costumava escrever em forma de diálogo, onde se misturavam mitos poéticos com pensamentos totalmente racionais. Um dos pensamentos mais conhecidos de Platão é sobre o espírito humano. Segundo ele, a alma estaria aprisionada em uma caverna, se isolando da verdadeira realidade. Para ele tudo nascia, se desenvolvia e morria. Mas o ser humano precisa transcender o seu ser físico e admirar a esfera inteligível, o principal objetivo dos seres humanos. Muito do pensamento de Platão influencia o pensamento atual. Ele defendia por exemplo, que a mulher tivesse a mesma educação que o homem recebe. Ele também acreditava que a ciência seria fruto da inteligência humana e do amor. Para finalizar este resumo sobre Platão, vamos deixar algumas de suas frases mais ilustres:
Entre os principais filósofos antigos está Aristóteles (384 - 322 a.C.), nascido na cidade de Estagira, na Macedônia, hoje pertencente à Grécia. Seus escritos discorrem sobre uma grande variedade de assuntos como biologia, física, lógica, ética, política e arte. Poucos anos após deixar Atenas, Aristóteles recebeu um convite do então rei da Macedônia, Filipe II, filho de Amintas III. O convite de Filipe II era para que Aristóteles fosse preceptor de Alexandre, que ficaria conhecido na história como o Grande. Aristóteles foi professor do adolescente Alexandre até este subir ao trono. Do que restou de seus escritos, podemos encontrar Aristóteles investigando o “ser enquanto ser”. Tal investigação sobre o que são e como são as coisas é fundamental para poder compreender o mundo. Nesse sentido, a sua metafísica discorre sobre princípios que garantam a realidade das coisas, como: o princípio de identidade, da não contradição e do terceiro excluído. Além dos princípios, Aristóteles aponta quatro causas que fazem as coisas serem o que são: material, formal, eficiente e final. É interessante notar que Aristóteles visa superar Platão, seu mestre. Assim como pensa que a essência das coisas está nas próprias coisas, diferente de Platão que pensa nas coisas como cópias de ideias perfeitas, Aristóteles pensa de modo diferenciado assuntos como ética e política. Em ética, Aristóteles discorda da ideia platônica que via as paixões humanas
como negativas e que precisavam ser controladas pela razão. Para ele, as paixões humanas não são nem boas e nem ruins. Ruim é quando as paixões são viciosas, isto é, quando estão em excesso ou em falta. Ter raiva de alguém não é ruim, por exemplo, pois ruim é aplicar em determinada situação mais raiva do que o necessário ou menos raiva do que o necessário. Nesse sentido, Aristóteles pensa que virtude é encontrar uma justa medida entre o excesso e a falta das paixões. Agir corretamente é um treino constante de dosar corretamente as paixões. No campo político, Aristóteles se preocupou menos com hipóteses de uma sociedade ideal e mais com um estudo dos sistemas políticos e leis existentes em sua época. Assim, diferente de Platão, que teorizou uma cidade ideal, Aristóteles pensou uma sociedade que não fosse nem totalmente democrática e nem totalmente aristocrática: a política permitiria que os conflitos entre ricos e pobres pudessem ser amenizados.