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Solos - Cap 9, Notas de estudo de Engenharia Civil

Mecanica dos Solos I

Tipologia: Notas de estudo

2015

Compartilhado em 20/07/2015

eng-antonio-cambundo-6
eng-antonio-cambundo-6 🇧🇷

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Departamento de Engenharia Civil
Centro de Tecnologia
Universidade Federal da Paraíba
Curso: Engenharia Civil
Disciplina: Mecânica dos Solos I
Professor: Dr. Celso
Augusto Guimarães Santos
Capítulo 9: Compressibilidade
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Departamento de Engenharia Civil

Centro de Tecnologia

Universidade Federal da Paraíba

Curso: Engenharia Civil

Disciplina: Mecânica dos Solos I

Professor: Dr. Celso

Augusto Guimarães Santos

Capítulo 9: Compressibilidade

9-1 A Compressibilidade

Uma das principais causas de recalques é a

compressibilidade

compressibilidade do solo, ou seja, a

diminuição do seu volume sob a ação das

cargas aplicadas; em particular, um caso de

grande importância pratica é aquele que se

refere à compressibilidade de uma camada de

solo, saturada e confinada lateralmente. Tal

situação condiciona os chamados recalques

recalques

por adesamento

por adesamento , que alguns autores

preferem

denominar recalques por

denominar recalques por

consolidação

consolidação.

Para a estimativa da ordem de grandeza dos

recalques por adensamento, além do

reconhecimento do subsolo, que nos dará a

conhecer a espessura, posição e natureza

das camadas que o constituem, bem como

os níveis d’água, necessita-se ainda

conhecer:

a)a distribuição das pressões produzidas em

cada um dos pontos do terreno, pela carga

da obra; e

b)as propriedades dos solos que interessam

ao problema em exame, cuja caracterização

adiante abordaremos.

9-3 Processo de Adensamento

A fim de explicar em que consiste o mecanismo do

processo de adensamento, consideraremos o caso

representado na figura por uma fundação que distribui

sua carga a uma camada de argila saturada, limitada

por camada de areia e por um leito rochoso,

impermeável.

Em um ponto M qualquer da camada compressível de

argila saturada, admitamos que a pressão transmitida

pela fundação seja p

0

.

Ora, parte dessa pressão, u , vai ser transmitida à

água que enche os vazios do solo; e a outra parte, p ,

às suas partículas sólidas, de modo a se ter:

p

0

= p + u

Seja P a forca normal ao plano de contato, na

situação de equilíbrio. Com as demais indicações da

figura, podemos escrever:

P = p

s

A

s

  • p

ag

A

ag

  • p

g

A

g

ou

P / A =  = p

s

( A

s

/ A ) + p

ag

( A

ag

/ A ) + p

g

[( A - A

s

  • A

ag

)/ A ]

ou, ainda

 = ap

s

  • (1 – a ) p

g

  • ( p

g

  • p

ag

)

com

A

s

/ A = a e A

ag

/ A = 

Como a é muito pequeno, (1 – a ) → 1; ao contrário,

p

s

, em geral, é muito elevado. Assim, fazendo ap

s

= p

(pressão efetiva), podemos escrever:

p =  – p

g

  •  ( p

g

  • p

ag

)

7 /

Para solos secos:  = 0 » p =  – p

g

Para solos saturados:  = 1 » p =  – p

ag

A pressão na água ( p

ag

) por sua vez se

decompõe em:

p

ag

= u

h

  • u

onde u

h

é a pressão hidrostática

pressão hidrostática e u a

pressão neutra

pressão neutra ou sobrepressão

sobrepressão

hidrostática

hidrostática oriunda de uma sobrecarga

aplicada ao solo.

9-7 Compressibilidade dos Terrenos

Pouco Permeáveis (Argila)

No caso de camada de argila, e de acordo com o

mecanismo anteriormente descrito, a sua variação

de altura, que se denomina compressão primária

ou adensamento propriamente dito, representa

apenas uma fase particular da compressão. Além

desta, considera-se ainda a compressão inicial ou

imediata – a qual se atribui a uma deformação da

estrutura da argila ante a aplicação brusca da carga

e à compressão instantânea da fase gasosa,

quando esta existir – e a compressão secundária

ou secular, também chamada “efeito secundário” do

adensamento, o qual se explica como uma

compressão do esqueleto sólido formado pelas

partículas do solo.

Desses 3 tipos de compressão, apenas o primeiro

tem importância especial, dados os seus efeitos

sobre as construções. Mais adiante voltaremos

ao assunto, estudando-o em detalhes.

Tanto os efeitos devidos à compressão inicial

como os ocasionados pela compressão

secundária, são em geral negligenciados na

prática; os primeiros, em virtude de seu pequeno

valor; os outros, por serem muito atenuados pela

extrema lentidão com que as deformações

ocorrem, muito embora a compressão secundária

seja, às vezes, responsável por uma apreciável

fração do recalque total.

9-10 Equação Diferencial do Adensamento

v = ki → v = – k (∂ h /∂ z )

v = – ( k /

a

)(∂ u /∂ z )

A variação de v ao longo de dz será: (∂ v /∂ z ) = – ( k /

a

) (∂ u

2

/∂ z

2

Nessas condições, a água eliminada dos vazios do solo, no tempo

t , será:

  • ( k /

a

) (∂ u

2

/∂ z

2

), a retirada com redução de vazios, pode-se dizer:

  • ( k /

a

) (∂ u

2

/∂ z

2

) = – [1/(1+)] (∂/∂ t ) (1)

Definindo-se o coeficiente de compressibilidade

coeficiente de compressibilidade : a

v

= – d / dp

Já que p = p

0

  • u e p

0

= cte, tem-se que dp = – du :

d  = a

v

du donde ∂/∂ t = a

v

(∂ u /∂ t )

Em (1) trocando o sinal, substituindo ∂/∂ t pelo seu valor e fazendo

k ( 1 + ) / ( a

v

a

) = c

v

coeficiente de adensamento

coeficiente de adensamento , em cm

2

/seg)

2 2

9-10 Equação Diferencial do Adensamento

c

v

2

u /∂ z

2

= ∂ u /∂ t (Eq. 3)

Esta é, em sua forma clássica, a equação de derivadas parciais,

equação de derivadas parciais,

de 2ª ordem

de 2ª ordem , que rege o fenômeno do adensamento unidirecional

de uma camada argilosa saturada.

Dado o coeficiente de permeabilidade ( k ) em cm/seg, o coeficiente

de adensamento ( c

v

) virá expresso em cm²/seg.

Bem, esta é a equação que temos que resolver.

9-12 Resolução da Equação Diferencial

Repetindo a Eq. 9:

Eq. 9

Fazendo-se:

Tem-se ainda:

Eq. 9’

Que é a forma mais simples de se expressar a solução da Eq. (3).

Assim, para qualquer tempo dado, t , a variação com a profundidade z , do

excesso de pressão neutra, u , pode ser calculada por esta equação,

expressa como uma fração ( u / p

o

) da pressão p

o

aplicada.

 

2 2

sen

N T

e

H

N z

N

p

u

M   N 

2

sen

M T

e

H

Mz

M

p

u

9-13 Porcentagem de Adensamento

Conhecida a distribuição da pressão neutra ao longo da camada em

função do tempo, podemos agora calcular a porcentagem

porcentagem ou grau de

grau de

adensamento

adensamento U

z

na profundidade z e num tempo t.

Esta porcentagem pode ser definida pela relação:

a qual torna-se igual a zero no momento da aplicação de p

o

e igual a 1,

(100%), no final do adensamento.

Substituindo u pelo seu valor dado pela Eq. (9’), a Eq. (10) escreve-se:

Eq. (10)

Finalmente, substituindo, acharíamos para um tempo t , a porcentagem

média U de adensamento ao longo de toda camada de espessura 2 H igual

a:

Eq. (13)

0 0

0

p

p

p

p u

U

z

2

sen

M T

z

e

H

Mz

M

U

2

M T

e

M

U

9-14 Fórmulas Aproximadas

Admite-se que a eq. (13) possa ser representada,

aproximadamente, pelas seguintes expressões:

quando U < 60% T = (/4)) U

2

quando U > 60% T = -0,9332log(1 – U ) – 0,

Uma fórmula aproximada é dada por Brinch

Hansen:

6

3

3

 0 , 5

T

T

U

9-15 Superficies Drenantes

Se a camada adensável pode drenar livremente

tanto pela face superior como pela inferior

( drenagem dupla ), ela se denomina camada

aberta (2 H ) e, quando não, será camada semi-

aberta ( H ).

Para o caso de camada semi-aberta, sujeita a um

diagrama de pressão retangular, a curva da figura

anterior é ainda a representação U = f( T ).

Para diferentes diagramas de pressões, e tendo em

vista as duas condições de drenagem da camada,

existem outros gráficos e tabelas que fornecem os

valores correspondentes da função U = f( T ).